Lost Girl
1 Margaretti
Acordei com o despertador, por que claro, ao contrário das meninas normais eu não tinha mãe que se preocupava comigo, todos diziam que era bobagem e que ela realmente me amava, mas ela me trata como uma visita, não como um a filha, apenas Margeretti, ela sim era uma mãe que eu sempre quis ter porém nunca tive, ela cuidava de mim e algum tempinho atrás estavamos conversando sobre o fato de ela querer me adotar, afinal, ela, segundo as fofocas da minha mãe, era estéril, e sempre quis ter uma filha, deveria ser esse o fato dela me tratar como se eu fosse realmente sua própria filha.
- Querida, está na hora da escola.- Margeretti disse entrando no meu quarto, sorridente como sempre e me despertando dos meus pensamentos. Sorri como resposta e ela saiu do meu quarto, fui direto pro chuveiro e depois de um tempo que sai do banho, fiquei me encarando no espelho do banheiro e fazendo caretas e rindo de mim mesma. Naturalmente, eu tinha um cabelo tão platinado, que eu realmente não achava a mínima graça nele, por isso pintei de rosa, deve ser por isso e mais alguns motivos que a minha mãe não se orgulha de mim, não era um rosa tão extravagante, era um rosa tão clarinho que não dava nem para perceber. Eu tinha dois piercings, um snikebites e um septo, outro motivo também a qual ela não se orgulhava de mim, nos fins das contas, eu nunca dei um bom motivo para alguém se orgulhar de mim... Se eu era inteligente? A melhor da turma, tocava intrumentos? Violão, violino, tomprete, guitarra, bateria e baixo e cantava um pouquinho, mas tudo isso para a minha mãe, não era absolutamente nada, ela queria uma super filha, uma garota perfeitinha, mas eu não sou, ninguém é assim, garota perfeita não fala palavrão, não usa maquiagem e é linda por natureza, tem o cabelo na ordem, notas la em cima, a saude perfeita, um vocabulário de outro mundo, garotas perfeitas... simplesmente não existiam, mas custava minha mãe acreditar naquilo.
Vesti o uniforme da escola e fiz um rabo de cavalo e prendi minha franja, passei apenas um rimel leve e fiquei me olhando no espelho, aquela escola não me agradava nem um pouco, garotas andando comigo apenas por que a minha familia era importante, eu não pertencia aquele mundo, não mesmo, nem amigos eu tinha, aquelas clones que andavam do meu lado eram sempre as mais falsas e as mais cretinas.
(...)
Já era o horário da saída, Margaretti havia ido me buscar, fomos direto ao médico, já que ela me disse que teria uma consulta com o médico, tinha me dito que não estava se sentindo bem alguns dias, o que fez com que me preocupasse bastante, eu já não conseguia prestar atenção na aula, fiquei totalmente sem foco. Eu sabia que ela tinha pressão alta, mas eu acho que aquilo não poderia levar a uma causa séria.
(...)
- Pois é Dona Margaretti, o estado de saúde da senhora não é dos melhores. — O médico disse enquanto ela vestia a blusa.
- Mas é muito grave doutor? — Ela disse.
- Nada com que tenha se preocupar, apenas tente comer um pouco menos de gordura e tome diariamente os remédios que está escrito aqui. — Ele respondeu dando um papelzinho para mim, eu não entendi absolutamente nada do que estava escrito naquele papel, letra de médico é a pior!
Saímos d hospital e paramos em uma lanchonete para comer alguma coisa.
- Parece que eu não tenho muito tempo. — Margaretti brincou tomando um gole do suco.
- Não fala isso mãe. -Disse tristonha e manhosa. Mãe era como eu a chamava, já que a minha própria mãe eu chamava-a pelo seu nome. — Só precisa se cuidar um pouquinho mais, não é dificil. — Eu tentei anima-la, eu não queria que ela morresse, de jeito nenhum.
No outro dia, tive que voltar da escola sozinha, por algum motivo, o qual eu não sabia, a mãe não pôde me buscar, ela deveria estar um pouco cansada de ontem, foi um dia entanto.
Quando voltei da escola, vi que havia várias ambulâncias parada do outro lado da rua, estranhei e corri até a Paula, minha mãe.
- O que aconteceu? — Disse ainda fitando a ambulância e ajeitando minha mala no meu ombro.
- Ela morreu. — Paula me respondeu fria e dando um sorriso maldoso.
- Quem? — Disse meio assustada.
- Margaretti morreu. — Ela respondeu ainda com um sorriso no rosto.
- O que? — Sussurrei não percebendo as lágrimas do meu rosto cairem.
Ela era a minha mãe, não poderia morrer.
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