Lost Drams
3 Capítulo 3
No dia seguinte, acordei com um dor de cabeça horrível, sem falar na dor pelo corpo. Passei a mão pelos meus olhos e me sentei na cama. Assim que abri os olhos me assustei. Esse não era meu quarto, nem o da Clarisse. Na verdade, nunca estive nesse quarto antes. Olhei para o lado tentando reconhecer onde estava e quase cair para trás. Rick estava deitado ao meu lado, nu. Olhei para mim e vi que estava do mesmo modo que ele. Tentando recuperar minha respiração, tentei me lembra do que tinha acontecido. Lembro de ter saído da festa para tomar um ar, depois aquele cara me parou, Rick me salvou e começamos a beber. E depois? Os beijos. Começamos a nos beijar e quando dei por mim estava no carro de Rick e a gente veio direto para o quarto dele onde dormimos juntos. Quando finalmente tomei conhecimento do que realmente tinha acontecido, fiz a única coisa que me passou pela cabeça.
— Ahhhhh. – Gritei me levantando. – Ah, meu Deus.
Rick se sentou na cama assustado, com os olhos arregalados. Ele olhou em volta e assim que me viu para no meio do quarto com o lençol, arregalou os olhos ainda mais.
— O que...? – ele começou a perguntar. – Ally, nós...
Eu estava tão apavorada que fiz a única coisa que me veio à cabeça. Peguei meu vestido do chão e corri para fora do quarto. Passei pelo corredor jogando o lençol no chão e coloquei meu vestido de qualquer jeito. Escutei Rick me chamando, mas não dei atenção. Fui até a porta e a abri, saindo correndo para a rua. Enquanto corria senti as lágrimas descendo pelo meu rosto. Corri que nem uma louca e agradeci por ainda ser cedo e não ter ninguém na rua. Como não teria como explicar para os pais da Clarisse o que tinha acontecido, corri para a casa. Como não estava com a minha chave, peguei a reserva e abri a porta. Tranquei a porta e corri para meu quarto. Peguei minha toalha e uma muda de roupa e fui tomar banho. Assim que a água quente desceu pelo meu corpo senti meus músculos relaxando. Quando olhei para baixo vi que tinha sangue na água. Aquilo me fez chorar ainda mais. Me sentei no chão e abracei minhas pernas chorando.
Não sei quanto tempo fiquei ali, chorando. Quando finalmente me cansei de ficar ali, me levantei, desliguei o chuveiro e sair dali. Peguei minha toalha e me sequei. Depois coloquei minha roupa. Passei a escova no cabelo e fiz um coque. Sair do banheiro e fui para a cozinha. Meu estomago estava revirando e eu estava com um dor de cabeça horrível. Sabia que seria difícil comer, mas minha dor de cabeça ia piorar. Peguei alguns biscoitos que minha mãe tinha feito na sexta e me sentei na mesa. Comi lentamente, bebendo suco de laranja para ajudar tanto na dor de cabeça, quanto no enjoou. Quando estava terminando o telefone começou a tocar. Suspirei e me levantei indo até ele. Assim que cheguei no telefone vi que tinha sete recados. Hesitei antes de pegar o telefone, mas podia ser Clarisse ou os pais dela.
— Alô? – falei colocando o fone no ouvido.
— Ally? Graças a Deus. – suspirei aliviada quando reconhecia a voz de Ester. – Estamos tão preocupadas com você.
— Por que?
— Bom, era para você dormi na casa de Clarisse e não foi. Eu falei para o pai dela que você tinha dormido no meio da festa e que seria melhor deixar você aqui em casa. Hoje de manhã encontrei seus sapatos no quintal dos fundos junto com um monte de garrafas de cervejas. Pensamos que tinha acontecido alguma coisa com você.
— Desculpar se assustei vocês. – falei sentindo meus olhos encherem de lágrimas novamente. – Apenas não estava me sentindo bem e vim para casa. Tomei um remédio para dor de cabeça e apaguei. Acordei agora a pouco. Nem ouvi o telefone tocar. – O que falei não era completamente mentira. – Estou bem. Desculpa mesmo não ter avisado, mas vocês estavam se divertindo e eu não queria atrapalhar.
— Tudo bem. Vou ligar para as meninas e avisar que você está bem. A gente vai ai te fazer...
— Não precisa. Eu vou voltar para a cama. Ainda estou com a cabeça doendo. – falei o mais calmamente que podia. Não podia mostra que estava chorando ou elas viriam para cá do mesmo jeito. A única coisa que queria, era ficar sozinha. – Liga para as meninas e falei que estou bem. E se não for pedir muito, peça para Clarisse arrumar minhas coisas que vou buscar amanhã. Ou ela pode levar para a escola. O que for melhor para ela.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Certo.
Ester desligou o telefone e suspirei. Apertei o botão e vi que a maioria das mensagens era das meninas. Tinha uma dos meus pais falando que se eu estivesse em casa era para regar as plantas e três do Rick perguntando se eu estava em casa. Apaguei todas e fui para meu quarto. Me ditei na cama e comecei a chorar. Eu sempre pensei em como seria minha primeira vez. Sempre pensei que seria romântica, Mas a realidade era muito diferente. Eu perdi minha virgindade com um adulto, estando bêbada, porque ele descobriu que a namorada estava tendo um caso com o melhor amigo dele. Eu me sentia um nada. A minha primeira festa tinha sido uma bosta.
Passei o resto do dia na cama. Não sair para nada. O telefone não parava de tocar, mas não atendi nenhuma das vezes. Também escutei quando Rick veio na minha casa, mas não abri a porta. Apenas fiquei na minha cama. Quando deu umas cinco horas, me levantei e apaguei todas as mensagens da secretaria novamente. Depois fui fazer alguma coisa para comer. Depois de jantar voltei para meu quarto. Me joguei na cama e apaguei.
Segunda me manhã ainda não estava me sentindo muito melhor. Meu corpo ainda estava dolorido e emocionalmente falando, não me sentia muito melhor do que ontem. Eu estava tão cansada de chorar, que nem vir quando meus pais chegaram. Sei apenas que depois de jantar, cair na cama e dormi. Rick tinha me ligado mais duas vezes e tinha batido aqui na porta. Mas não sair. Não queria falar com ele. Não queria nem olhar para ele. O que aconteceu foi horrível. Eu estava com vergonha. Não sabia exatamente o que a gente tínhamos feito e isso me deixava mais envergonhada.
Me levantei da cama e tomei um banho rápido antes de ir tomar café. Quando cheguei na cozinha vi que meus pais já estavam tomando café.
— Bom dia. – falei me sentando.
— Bom dia, querida. – meu pai disse. – Como foi a festa? Quando chegamos você já estava dormindo.
— Foi boa. Mas não fiquei muito tempo nela. A música alta me deu dor de cabeça e eu vim para a casa.
— Sozinha? – minha mãe perguntou.
— Não. Rick estava passando por lá e me deu uma carona. Ele queria me levar para a casa de Clarisse, mas fiquei com medo do pai dela ir busca-la.
— O que Rick estava fazendo lá?
— Isso vai ter que perguntar para ele. – falei dando de ombros, sem olhar para eles enquanto servia meu café. – Ele me trouxe para a casa e ficou um pouco comigo para ter certeza que eu estava bem. Também me ligou ontem um monte de vezes para ter certeza que estava melhor. Antes que eu me esqueça. Ester não sabia que eu tinha ido embora com Rick e que estava segura em casa, então quando o tio John foi nos buscar, ela disse que eu estava dormindo e que passei a noite lá. Ela não sabia onde eu estava e não queria arrumar problemas para mim.
Não queria menti para eles, mas não podia contar a verdade para meus pais. Eu não podia mentir colocando outro nome, então espero que se meu pai perguntasse para Rick, ele confirmasse. Além do mais, se ele ligasse novamente, meus pais não iam desconfiar de nada.
— Está melhor agora? – minha mãe perguntou me olhando de cima a baixo.
— Sim. Tenho que ir para não me atrasar.
Deu um beijo em cada um e sair de casa. Fui até o ponto de ônibus e esperei o ônibus escolar. Assim que entrei vi as meninas lá no fundo.
— Bom dia. – disse para o motorista e fui para onde minhas amigas estavam. – Oi.
— Ei, sumida. – Mika disse se afastando para me dá espaço. – Está melhor?
— Sim. Era apenas uma dor de cabeça. – falei olhando para todos em volta. – O resto da festa foi bom?
— Sim. Você não vai acreditar o que aconteceu. – Carla disse animada. – John e Mary se agarram boa parte da festa. E quando eles estavam quase tirando a roupa na frente de todos o pai dela chegou e aí...
Enquanto elas me falavam como tinha sido a festa, tentava me lembra o que tinha acontecido naquela noite, mas nada me vinha a mente. O resto do dia foi normal. As aulas se passaram lentamente. Quando finalmente acabou, eu e as meninas fomos para a casa de Clarisse. Ester tinha levado meus sapatos para a escola, então assim que chegamos os coloquei na minha mala. Fizemos o dever de casa e depois fomos para a minha casa. Elas queriam ajudar a preparar tudo para o jantar e queriam jantar lá para conhecer os recrutas.
— Oi, meninas. – minha mãe disse assim que entremos em casa.
— Oi, tia. – elas responderam.
— Como foi a festa? Se divertiram muito?
— Sim. Uma pena que Ally tenha passado mal. – Mika disse sorrindo. – Acho que isso aconteceu por que ela não é acostumada a ir em festas.
— Também acho. Música alta, não é para Ally. – minha mãe concordou.
— O que temos que fazer, mãe? – perguntei olhando em volta.
— Vocês podem começar limpando. Já comecei a preparar a comida. Depois vocês podem me ajudar.
— Claro. Vamos apenas deixar as mochilas lá no meu quarto. – falei subindo as escadas.
Depois de jogar as mochilas na minha cama, descemos. Limpamos toda a casa. Depois ajudamos minha mãe a cozinha. Perto das cinco, minha mãe mandou a gente irmos nos arrumar. Estava terminando de amarrar o cabelo quando escutei a campainha.
— Prontas? – perguntei para as meninas.
— Sim.
Juntas descemos as escadas. Sorrir para meu pai e cumprimentei os primeiros recrutas. As meninas e eu andamos por eles. Clarisse e Mika flertava com quase todos. Até mesmo Carla, estava mais atirada do que o normal. Perto do jantar Rick chegou. Ele olhou para mim e quando deu um passo em minha direção meu pai o parou. Eu passei o resto da noite fugindo dele. Sabia que ele queria falar comigo sobre o que tinha acontecido, mas eu não queria e não ia falar com ele sobre isso. Tudo o que eu mais queria era esquecer aquela noite. Eu ai fingir que aquilo nunca tinha acontecido e seguiria com minha vida. Ninguém além de nós dois sabia o que tinha acontecido e isso continuaria assim.
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