Lost Drams

13 Capítulo 13


Acordei no dia seguinte com um com chato. Gemi e abri meus olhos esticando a mão para desligar o despertador. Me sentei na cama e me estiquei enquanto bocejava. As meninas estavam espalhadas pelo quarto, com cuidado fui para o banheiro e me arrumei. Desci as escadas e encontrei meus pais conversando na sala. Passei por eles depois de desejar bom dia e fui para a cozinha. Tomei um café da manhã rápido e fui para a sala. Quando cheguei lá, meus pais pararam de conversar. Me sentei e fiquei olhando para minhas mãos enquanto esperava Rick.

— Vai almoça lá? – meu pai perguntou friamente.

— Eu não sei. Rick não disse nada. – respondi sem olhar para ele. – Qualquer coisa eu ligo.

Ficamos em silêncio novamente. Olhava para minhas mãos para não ter que olhar para meus pais. Quase pulei de alegria quando escutei a buzina do carro do Rick. Me despedi dos meus pais e sair depois de pegar minha bolsa. Fui correndo até o carro de Rick e entrei.

— Bom dia. — falei fechando a porta.

— Bom dia. – ele respondeu dando a partida no carro. – Como foi a noite?

— Divertida. Minha mãe e as meninas fizeram um chá de panela para mim. – disse sem olhar para ele. – Me fizeram uma maquiagem terrível e tiraram uma foto para ter como recordação.

— Que bom que se divertiu. – ele disse parando em um sinal vermelho. – Ontem eu contei a história para meus pais pessoalmente e mostrei a foto que tiramos para eles. Eles ficaram chocados quando viram que eu tinha falado a verdade no telefone.

— Eles devem ter adorado a história. – falei olhando para as pessoas passando na rua.

— Eles não adoraram. – ele concordou colocando o carro em movimento novamente. – Mas eles não têm o pensamento das pessoas do século passado. Eles sabem que isso pode acontecer com qualquer um. E estão ansiosos para te conhecer. Principalmente meu irmão. Ele é apenas três anos mais velho que você.

— Certo. – falei sem muita certeza.

— Vai ficar tudo bem, Ally. Não precisa se preocupar.

Não falei nada, apenas continuei olhando para a frente. Quando chegamos a casa dele. Vi uma mulher bonita e jovem parada na frente da porta. Assim que Rick parou o carro, ela desceu os degraus e parou. Saímos do carro e fomos caminhando até ela. Rick pegou minha mão e deu um pequeno aperto me passando força.

— Mãe, eu quero lhe apresenta minha noiva Ally. Ally, essa é minha mãe Vitoria. – Rick nos apresentou quando paramos na frente da mãe dele.

— É um prazer conhecer a senhora. – falei timidamente.

— O prazer é todo meu, querida. – ela disse me abraçando delicadamente. – Como está? E o bebê? Sente muito enjoou? Está comendo bem? Já tomou café?

— Estou bem. O bebê também. Sim, principalmente de manhã. Estou. E sim, já tomei café. – respondi um pouco mais calma.

— Isso é ótimo, querida. Quando estava gravida de Rick, não conseguia manter nada no estomago. – ela disse me levando para dentro da casa. – Enjoava por tudo. Pensei que ia morrer. Minha mãe teve que me ajudar em tudo.

— Eu apenas não posso sentir cheiros fortes, cheiro de gordura e definitivamente, o perfume do Rick. Isso com certeza é o pior. – falei quando entramos na casa.

— Eu posso imaginar. Os perfumes também eram os piores para mim. – ela disse alegremente. – Carl, querido, venha conhecer a Ally.

— Estou indo. – um homem muito parecido com Rick disse se aproximando da gente. – Olá, Ally. Rick estava certo ao dizer que você é linda.

— Obrigada, senhor Grimes. – É um prazer conhece-lo.

— Apenas Carl. Senhor me faz parecer muito velho.

— Como quiser.

— Ally, esse é John. Meu irmão. – Rick disse quando um outro homem se aproximou.

— Oi, Ally. Agora eu sei por que meu irmão se apaixonou com você. Você é linda. – ele disse pegando minha mão e a beijando. – Se algum dia se cansar dele, estou aqui esperando.

— Certo. – disse dando uma pequena risada.

— Venha, querida. Vamos conversar. – a mãe dele disse me arrastando para o sofá.

Passamos o resto do dia conversando. Paramos apenas para mim ligar para meus pais e avisar que ia volta apenas depois do jantar. Os pais do Rick eram bem legais. Ao contrário do que pensei eles não me trataram friamente nem deram a entender que achavam que Rick não fosse o pai do bebê e isso me deixou feliz. Apenas ali, naquele momento notei como o apoio do meu pai me fazia falta. Eu conversei muito com todos, principalmente com John. Ele me contou quanto estava animado com a faculdade e com a chegada do sobrinho. Ele me prometeu que quando nos visitasse novamente traria um monte de presentes para o bebê. A mãe de Rick me deu algumas dicas e me contou como tinham sido as suas gravidezes e se pai me contou algumas histórias de quando Rick era pequeno. O que fez com que ele ficasse vermelho e que eu risse muito. Eu ajudei a mãe de Rick tanto a prepara o almoço como o jantar.

— Sabe, fiquei surpresa quando se ofereceu para me ajudar no almoço hoje mais cedo. – Vitoria disse enquanto arrumávamos a mesa para o jantar.

— Por que?

— Lori nunca foi muito boa nesse tipo de coisa. – falou colocando os pratos na mesa. – Ela sempre cortava apenas as coisas e eu tinha que pedia. Pensei que Rick passaria fome quando casasse. Não sabe como fiquei feliz quando ele ligou falando que tinha terminado com ela. Eu sei que pode parecer que apenas me simpatizei com você por que não gostava dela, mas não. Eu realmente gostei de você. Rick me contou como aconteceu as coisas e acho muito corajoso da sua parte não considera o aborto. É tão nova e tem tanta coisa para viver e tomar essa decisão é uma coisa muito grande.

— Eu não poderia viver comigo se matasse um ser inocente. O bebê não tem culpa de nada. – falei e olhei para ela. – Eu nem ia falar com Rick sobre isso. Eu tinha medo da reação dele, então ia embora da cidade e mandaria uma carta avisando que estava gravida e que eu não podia ficar. Mas tudo aconteceu tão rápido. É tão confuso.

— Você tinha medo da reação dele.

— Sim. Ele podia não querer, falar que o bebê não é dele. Tanta coisa. Eu apenas queria ir para o mais longe possível e esquecer tudo isso. Ter meu bebê e o mante seguro. Apenas isso se passava pela minha cabeça. Sabia que meu pai não ia aceitar isso muito bem.

— Rick contou que ele não está falando com você.

— Ele me odeia. – falei olhando para minhas mãos. – Eu o decepcionei. Eu provei o que ele achava desse que nasci.

— O que?

— Nada. Podemos falar de outra coisa, por favor?

— Claro. O que você acha que é? Menino ou menina?

— Menino. – disse sem pensar. – Sei que é um menino.

— Por que tanta certeza? – ela questionou sorrindo.

— Eu não sei. Apenas sinto que é um menino. – disse e me encostei no balcão. – Sempre que penso no bebê, penso como um menino.

— Eu gostaria que fosse uma menina. Depois de dois meninos, seria muito bom mimar uma menininha. Acho que o frango está bom. Pode chama-los para mim?

— Claro. – Sair da cozinha e fui para a sala onde os homens estavam sentados assistindo tv. – O jantar está pronto. – Disse chamando a atenção deles.

— Vamos. – Carl disse se levantando.

Nos sentamos na mesa e começamos a comer. Rick e John conversavam sobre a temporada de futebol e seus pais sobre a comida. Eu preferi comer em silêncio. Mesmo com eles me tratando bem e tudo mais, me sentia um pouco fora do ar. Ainda não nos conhecíamos muito e eu não tinha intimidade com eles.

— Rick? – Carl o chamou sorrindo. – Como está indo o trabalho?

— Muito bem, pai. Não que tenha muita coisa para fazer. Moro em uma cidade pequena e aqui não tem muita ação. Basicamente apenas levo os adolescentes para suas casas. – ele disse tomando um gole de seu vinho.

— Eu gostaria de morar em um lugar assim. – Vitoria disse cortando sua carne. – Mas por causa do trabalho não dá. E seu pai nunca se acostumaria com a calmaria dessa cidade.

— Querida, eu prefiro o barulho e o caos da cidade grande. Sabe disso.

— Eu sei. – ela rolou os olhos para o marido. – Mas tem que concorda que conseguir ir até o mercado sem passar pelo menos vinte minutos no trânsito, é ótimo.

— É mesmo. – disse sorrindo. – Mas tenho que confessar que senti falta do barulho das buzinas.

— Você não tem jeito. – Vitoria disse e continuou a comer.

— Ally, você gosta de morar aqui? – John me perguntou fazendo com que eu olhasse para ele.

— Sim. Não sei se me acostumaria ao barulho tão fácil. Prefiro locais mais calmos. – respondi sem desviar meus olhos da minha comida.

— E quando for para a faculdade?

— Temos uma ótima aqui. – falei e olhei para ele. – E mesmo se tivesse vontade de fazer uma fora da cidade não ia pode por causa do bebê. Como faria com ele? Mas na verdade, nunca pensei em sair da cidade.

— Já sabe o que vai cursa? – Carl me perguntou.

— Ainda não. Mas tenho tempo para escolher.

Terminamos o jantar falando sobre isso e depois ajudei a Vitoria arrumar a cozinha.

— Tenho que ir. – falei quando terminamos. – Meus pais devem estar me esperando.

— É claro, querida. – Vitoria disse sorrindo para mim.

— Até amanhã. – a abracei.

— Tchau, Ally. Até amanhã – John também me abraçou e beijou minha testa. – Foi um prazer te conhecer.

— Tchau.

— Tchau, querida. Até amanhã. – Carl me abraçou também.

— Até.

Rick e eu saímos da casa dele e fomos para o carro. Ele deu a partida assim que entrei e começou a dirigi em silêncio.

— Meus pais te adoraram. – ele disse quebrando o silêncio.

— Eu também gostei deles. São muito legais. – falei olhando para ele. – Eles não me fizeram me senti intimidada como achei que seria.

— Isso é bom. Cansada? – ele perguntou quando me viu bocejar.

— Um pouco. Estou com o dobro do sono que tenho normalmente. – falei bocejando de novo. – O médico disse que é normal e que a tendência é só piorar.

— Posso imaginar. Lembro vagamente de quando minha mãe estava gravida do meu irmão. Ela vivia cansada. E apenas lembro disso por que ela não brincava tanto comigo já que estava cansada.

— Ás vezes fico me perguntando como seria ter tido um irmão. – confessei. – Apesar das minhas amigas estarem sempre comigo, me sentia sozinha quando era pequena. Meus pais sempre foram muito controladores e acho que minha mãe nunca superou o aborto. Por isso depois que me ganhou, não quis mais filhos.

— Você falou pro médico sobre isso?

— Sim. Ele disse que eu teria um acompanhamento especial, por causa do aborto que minha mãe sofreu, mas não precisava me preocupar. Sou jovem e saudável. E apesar da pouca idade, não corria o mesmo risco que minha mãe.

— Como ele pode ter tanta certeza?

— Minha mãe tem um problema no útero. Por isso que não conseguiu levar a primeira gravidez adiante. Seu útero se desenvolveu muito devagar. E não estava preparado para carregar um bebê.

— Entendi. – ele disse quando paramos em frente à minha casa. – Sei que já deve saber disso, mas... Ally, quero que saiba que farei de tudo para te fazer feliz. Você e o bebê. Eu quero que a gente dê certo. Não começamos do jeito certo e com certeza temos muito o que percorrer ainda. Mas estou feliz. Sempre sonhei em ser pai e ter minha própria família e você está me dando isso. Obrigado.

— De nada. – falei e olhei para ele. – Eu espero que isso dê certo, Rick. Quero que o bebê cresça em uma família feliz e que saiba que é muito amado por nós dois.

— Ele vai saber.

Apenas concordei com a cabeça e sair do carro. Rick também saiu e como sempre quando me levava para casa, me levou até a porta. Peguei a chave e estava me preparando para entrar quando senti ele segurar meu rosto delicadamente. Olhei para ele e quando ia pergunta se tinha acontecido alguma coisa, senti os lábios dele nos meus. Foi um beijo rápido e inocente, mas foi o bastante para fazer como que meu coração acelerasse.

— Até amanhã, Ally.

Ele se afastou de mim e foi para seu carro. Eu fiquei ali parada até que não conseguisse mais ver o carro. Suspirei e entrei em casa. Tinha que dormi, afinal, amanhã era o dia do meu casamento.