Lost Blue

4 Capítulo 4 – O garoto saturniano


Notas iniciais
Olá meus amores ♥ Estou feliz por poder postar mais um capítulo, esse tem ceninhas quentes que espero que agradem ♥ e claro, é uma surpresa! (me perdoem se haver errinhos) Apreciem a leitura!

“Não existe remédio como a esperança, nenhum incentivo tão bom, e nenhum xarope tão poderoso como a possibilidade de algo melhor amanhã. ”

Orison Swett Marden

Jack Scarlet estava vestido com seu melhor smoking, cabelo impecavelmente penteado, barba bem aparada, cheirando ao seu perfume predileto que costumava apenas dar ênfase em todo o seu charme de ouro.

O salão de festas estava repleto de pessoas da alta classe, entre vários dos funcionários do alto escalão da Federação dos Planetas, além dos líderes políticos de várias nações da Galáxia de Órus.

Embora fosse uma reunião para discutir trabalho e fazer leilões para instituições beneficentes, Jack estava nem um pouco se importando, seu único intuito era se divertir. Mais de uma semana sem uma transa estava acabando com ele, imaginava se talvez fosse culpa de sua idade, estava ficando velho, para lá dos quarenta e seis.

Todavia se perguntava se estava na hora de se estabelecer com alguém, ele já tinha aproveitado a vida o bastante, não é?

Não. Riu para si mesmo. Ele simplesmente não tinha nascido para entrar em um relacionamento, na verdade não via a necessidade para isso. Ele tinha seu filho, que não foi planejado, mas que jamais se arrependeria de tê-lo, e bem, ele e a mãe Trey nunca tiveram mais do que algumas noites juntos, até que a gravidez inesperada transformou a vida de Jack para um rumo completamente diferente do que ele almejava.

Jack se casou, teve a criança e em seguida ficou viúvo.

Balançando a cabeça para pensamentos indesejáveis, Jack chegou para o bar e pediu um coquetel. Notou alguns olhares sobre ele, o que apenas conferiu que ele estava bem hoje, vestido assim tão formalmente.

Algumas mulheres vieram para conhecê-lo instantaneamente, Jack foi cortês e cavalheiro com elas, o que provavelmente estava se tornando um ótimo flerte. Estaria provavelmente levando uma delas para um quarto se não encontrasse alguém que mais lhe parecesse interessante naquela noite.

Seus olhos vagaram enquanto elas falavam e falavam em torno dele. Jack bebeu sua terceira bebida, bebericando lentamente, até avistar alguém que ele sinceramente não esperava ali. Kayllon Maverick estava do outro lado da bancada do bar recusando um homem mais velho insistente em cima dele.

— Se vocês me dão licença, eu já volto. — Disse para as mulheres que vaiaram juntas em desgosto. Jack sorriu para si mesmo e aproximou com sua bebida na mão. Tocou sobre o ombro do homem acima de seus cinquenta e tantos anos e apontou para o grupo de mulheres que olhava naquela direção. — Elas estão interessadas em conhecê-lo. — Disse simplesmente e o homem correu para a direção delas, aparentemente satisfeito. — Ele estava incomodando você?

Kayllon soluçou e assentiu com a cabeça.

— Jack... Digo, General Scarlet.

Jack pegou em um primeiro olhar que Kayllon estava um pouco bêbado. Sentou-se em um banco ao lado dele e inclinou-se sobre a bancada.

— Não imaginava vê-lo aqui hoje. — Disse surpreso, e realmente estava. O que Kayllon tinha ido fazer em uma festa como aquela?

— Eu estou trabalhando para aquele homem. — Apontou para o mesmo homem que Jack tinha descartado, que agora flertava descaradamente com aquelas mulheres. Elas, no entanto, pareciam gostar da presença dele. — Ele é o meu chefe, e eu o seu secretário.

— Oh... — Jack respondeu sem graça. — Desculpe, eu não sabia.

Kayllon olhou para ele com olhos arregalados.

— Não! Ele... bem... o que importa. Pedirei demissão amanhã de qualquer forma. — Disse, bebendo de uma vez o resto de seu copo de cerveja.

— Opa, opa! Vá com calma, rapaz! — Jack arrancou o copo dele e a garrafa com a bebida para longe de Kayllon que protestou.

— Eu não sou um rapaz. Completei quarenta e dois. — Disse com pesar e passou uma mão pela face.

— O que houve para você querer se demitir? Austin sabe disso? — Perguntou Jack. Austin era o filho de Kayllon, filho único, pois o cara era um viúvo da mesma forma que ele, até onde sabia. Juntos, os dois pareciam irmãos, ninguém diria que eram pai e filho. Kayllon era muito bonito, e bem, ele não era um homem comum.

— Ele não sabe... não quero que ele fique preocupado. Por favor, não diga nada até eu encontrar um novo emprego. — Kayllon soluçou novamente e tomou sua garrafa de volta, enchendo mais um copo e bebendo. — Esse maldito homem... aquele... ah, apenas não posso conviver com seus apelos sexuais. Ele pensa que eu sou uma vadia em seu escritório, sou um homem pelo amor de Deus! O maldito trabalho não me durou nem um mês, Austin realmente ficará chateado quando souber.

Jack sabia que Austin não ficaria, o rapaz era gentil e amoroso, ele não iria ficar decepcionado com seu pai, mas com certeza preocupado. Pelo que sabia, Kayllon estava vivendo sozinho desde que Austin foi para o Convés Espacial estudar e desde então continuou sua vida com Trey e Zack. Não que Jack achasse que fosse errado, mas sentia um pouco de pena por Kayllon.

Quem ele estava querendo enganar? Ele estava na mesma situação.

— Vocês não tiveram nada?

— Hãh? — Kayllon olhou para ele como se estivesse vendo um monstro. Ele realmente estava bêbado. — De forma alguma!

Jack sorriu. — Tudo bem, vou lhe pagar uma bebida.

Kayllon olhou sorridente e Jack se sentiu quente por dentro. Estava considerando algo que realmente nunca cogitou em fazer, na verdade era errado.

Após alguns goles a mais de álcool, Kayllon realmente não se reconhecia mais. Jack o levou todo o caminho cambaleando até sua pequena nave e deslocou-se para onde pensou que seria melhor e mais confortável, sua própria casa no Planeta Gamma Órion. Foi cerca de quarenta minutos na rota que normalmente tomava. Mais dez minutos até chegar em sua residência em uma das ilhas flutuantes de luxo.

Sentiu-se bem estar em casa. Jack passou o braço de Kayllon sobre os seus ombros e o arrastou para dentro, trancando a porta e o levando pelas escadas acima até seu quarto. Quando o deitou em sua cama, suspirou cansado.

— Vamos lá, você está tão bêbado. — Ele teve que rir, Kayllon olhava para ele de uma maneira muito perversa. Jack retirou seus sapatos e quando estava prestes a tirar sua gravata, Kayllon pegou em sua própria e o puxou perto. — Kayllon...

— Você me trouxe para sua casa... eu sou o seu amor, sou?

Jack ergueu uma sobrancelha. Tudo bem que ele estava um pouco abalado pelo álcool também, mas sabia que ainda estava muito lúcido.

— Jack... eu estou sozinho, e você é tão bom... — Passou sua outra mão pelo peitoral do General ainda que por cima da camisa branca. — Eu sempre quis... tanto você... — Jack estava de olhos arregalados. Normalmente quando se estava bêbado, se faz coisas que não tem controle, e também diz coisas que não pode guardar para si mesmo.

— O que está falando, Kayllon?

— Você não me quer... Jack? — Kayllon choramingou, sem nunca largar a sua gravata. — Eu sempre pensei que você era quente... — Sua voz soava arrastada e ele parecia um tanto atordoado. — Eu sempre quis você... mas você nunca me olhou.

Jack nunca teve uma paixão por Kayllon, mas nem por isso deixou de considerar que ele era bonito e que seria bom uma noite com ele. Entretanto, nunca fez isso por respeitá-lo, afinal seu filho era muito amigo de Austin que trabalhavam juntos.

Todavia agora, não sentia que realmente seria errado acatar essa pequena chance. Era apenas uma noite, que mal haveria em ter Kayllon uma única vez? Além disso, ninguém mais além deles mesmos precisavam saber sobre isso. Seria seu pequeno segredo sujo.

—*-*-

Zachary acordou com seu despertador, embora só tivesse dormido algumas boas quatro horas. Era momento de dar o remédio de Aquantis, seu antibiótico não podia ser interrompido.

Ficou espantado quando olhou para o seu tablet, o dispositivo da câmera tinha um sinal que conectava diretamente com ele e com Trey, e para a sua surpresa, lá estava seu comandante abraçando Aquantis por um tempo indeterminado. Zack ainda tinha o cenho franzido, completamente incrédulo.

Ele salvou aquela pequena parte, inclusive quando Trey beijou Aquantis no rosto, e correu para a sala de comando, encontrando Austin roncando em sua cadeira.

— Ei, acorde. — Sacudiu seu amigo, que voltou com um alto ronco.

— O quê? O quê?! — Austin perguntou atordoado. Então coçou os olhos.

Zack mostrou a ele a parte específica do vídeo que ele tinha salvo e o queixo de seu amigo quase foi aos pés.

Austin olhou para ele em silêncio e Zack segurou seu olhar.

— Será mesmo o que eu estou pensando? — Zack perguntou.

Austin cruzou os braços.

— Acho que a única coisa que nós podemos fazer é esperar para ver.

—*-*-

Jack não se lembrava de um dia ter se sentido tão excitado como estava naquele momento. Ele normalmente não tinha distinção entre homens e mulheres, contanto que ele pudesse transar, tudo estava indo bem. No entanto, esse corpo delgado que se contorcia a cada pequeno toque dele, era deliciosamente quente.

Kayllon podia ter a idade que tinha, contudo sua aparência não desmentia que ele aparentava menos do que trinta anos, o que era uma grande diferença. Seus gemidos eram sôfregos e doces, sempre arrancavam suspiros de Jack.

— Isso... bem assim... — Jack lambeu o lábio inferior ao ter o banquete bem diante dele. Pernas bem abertas, a pele cremosa cor de leite, seu pênis duro e desnatando em seu abdômen. — Você é de tirar o fôlego. — Sorriu, recebendo outro sorriso em troca, esse mais desavergonhado, olhos semicerrados para ele, como fendas brilhantes.

Jack gotejou lubrificando em abundância em seus dedos e esfregou lentamente sobre a entrada quente de Kayllon. Seu amante ofegou e estremeceu quando um dedo penetrou o canal quente e convidativo.

Com a outra mão, Jack manobrou em retirar uma camisinha e vestir seu pau com ela, aplicando bastante lubrificante sobre ele.

— Eu vou fodê-lo até o esquecimento. — Murmurou entre os dentes, dois dedos se movendo dentro do outro, arrancando pequenos lamentos sem sentido.

— Jack... por favor... por favor, foda-me logo! — A voz de Kayllon não enganava, ele estava a beira de se perder apenas pelos dedos de Jack.

O general, acreditando já ser o seu momento, retirou seus dedos para fora e posicionou-se, acariciando o pênis longo e duro de Kayllon em sua mão enquanto se aprofundava pouco a pouco, parando logo que atravessou a primeira barreira. Os olhos de seu amante foram arregalados e ele ofegou dificultosamente, suas unhas enfincadas em seus bíceps fortes.

— Ual... você realmente está apertado. — Jack estranhou.

— Já... já faz um tempo. — Kayllon resmungou, dando goles de ar até que pudesse tomar um pouco mais.

Jack estava segurando o máximo que podia, por mais difícil que fosse. Kayllon era tão bom e apertadinho ao seu redor, fazia muito tempo desde que ele queria gozar tão fácil. Sentia que não duraria muito tempo. O mesmo diria para Kayllon que parecia prestes a ter um orgasmo, seu corpo inteiro estremecendo abaixo de Jack.

— Tão fodidamente bom...

O general continuou a bater contra ele, sua mão em um punho apertado sobre o pênis de Kayllon, investindo dentro dele sem parar. Tão macio e quente. Jack se inclinou para frente e beijou Kayllon em sua boca, penetrando com sua língua e se deliciando com o beijo doce, molhado e cheio de desejo de seu amante.

Kayllon envolveu seus braços em torno dele e pernas. Jack não parou, apertando-o em seus braços e beijando-o como se sua vida dependesse disso. Nunca antes ele tinha se sentido tão intenso com alguém antes, os gemidos de Kayllon em seu ouvido enviavam arrepios por todo o corpo.

Jack se retirou antes que desfalecesse, virou Kayllon ouvindo uma porção de resmungos e novamente o penetrou sem cerimônias. Seu parceiro gritou e se contorceu embaixo dele, Jack afundou-se poucas vezes até sentir-se ser estrangulado pelo canal de Kayllon quando ele gozou tudo sobre os lençóis, consequentemente desencadeando o orgasmo de Jack.

Ofegante, Jack saiu dele, retirou a camisinha, deu nó e a deixou cair no cesto de lixo do banheiro até voltar com uma toalha morna. Kayllon já estava adormecido.

— O que eu vou fazer com você? — Perguntou a si próprio. Não sabia o que Kayllon iria achar no dia seguinte, Jack se estapeou mentalmente, ele tinha praticamente se aproveitado da situação.

Limpou-o da melhor forma possível, então arrastou-se debaixo das cobertas e se enrolou em Kayllon, caindo em um profundo sono.

—*-*-

Passou-se três dias, e depois de tanto vagar, eles novamente atracaram no Pentágono de Saturno, mais especificamente no planeta principal para comércio na galáxia.

Trey se vestiu mais casualmente, calças de couro e uma camisa branca com uma estampa horrível. Ele tinha um grande sorriso no rosto e novas ideias do que fazer. Sentia como um lazer. Zack tinha ficado cuidando da nave – relutantemente – e de Aquantis também, enquanto Austin foi com ele para as compras.

As ruas estavam abarrotadas de gente de todos os tipos, cores e tamanhos, às vezes não se podia distinguir se alguns eram animais ou aliens dispostos a uma conversa. As lojas eram todas amontoadas, não havia qualquer natureza em qualquer lugar, somente prédios, lojas, shoppings. Nada muito bonito também, um centro urbano sem carros terrestres, apenas os veículos flutuantes eram permitidos. A sinalização era péssima e se perder naquele labirinto de vielas era uma coisa muito fácil.

Trey tinha um mapa, Austin também!

— Você vai comprar o combustível? — Indagou Trey enquanto verificava seu mapa.

— Vou. Você compra os outros suprimentos então. Nos encontramos aqui em três horas? — Austin perguntou também.

— Okay. Estou com a lista de compras, mas veja se não está faltando nada para você.

Austin assentiu, então eles se separaram, cada um para um lado diferente. Trey conhecia muito bem este lugar, assim como Austin e Zack. Todos os itens da nave eram comprados aqui, além de muitos itens pessoais. Não era exatamente coisas caras, na verdade o preço variava muito de local para local, o que exigia uma pesquisa antecipada, e na maioria das vezes eles perdiam grandes descontos.

Trey olhou ao redor, então entrou em uma de suas lojas preferidas para comprar roupas. Conseguiu uma sacola plástica com o logo da marca e saiu escolhendo peça por peça. Seu cuidado era extremo para não esbarrar nas outras pessoas. Um ser verde e gosmento, com uma jaqueta de couro igual a uma que ele tinha, sorriu com um dente faltando. Trey se arrepiou e continuou o seu passeio para o fundo do estabelecimento.

— Acho que Aquantis vai gostar destes também... — Murmurou para si mesmo.

Ele não estava necessariamente fazendo compras para si próprio, mas pensando a todo momento em agradar aquele menino Blue. Céus, quando se tocou no que estava fazendo, ele parou e suspirou, suas bochechas avermelhando suavemente.

Bem, eles eram amigos, não era assim? Qual o problema em comprar itens de necessidade para Aquantis? O garoto era apenas uma missão para ele e seus amigos, seu ganha pão para este mês e seu cofre de dinheiro para o resto do ano.

Por que pensar assim parecia cruel?

Trey nunca achou que pensar em dinheiro era uma coisa ruim. No entanto agora, parecia injusto.

Comprou algumas calças, pares de meias, uma porção de camisetas, alguns agasalhos também. Depois parou em uma loja de calçados e comprou alguns, desde que ele não poderia levar todos nas mãos.

Assim como o combinado, Trey apareceu no ponto de encontro após três horas inteiras de compras, e Austin ainda não tinha chegado. Trey ligou o comunicador em sua orelha e discou.

— Onde diabos você está? Eu não quero pagar uma taxa mais cara do estacionamento da nave por sua causa!

Austin lamentou no telefone.

— Mas Trey, eu estou vendo algo realmente interessante! Você tem que vir aqui e ver com seus próprios olhos!

Trey ergueu uma sobrancelha. Curiosidade falando mais alto.

— Você está muito longe?

Austin deu as indicações de onde estava, seguindo um par de vielas ao norte, até que Trey finalmente avistou seu amigo em frente de uma loja de animais silvestres. Aquela parte do bairro era exclusivamente disso, lojas e mais lojas de animais de todos os tipos de espécies, além de uma porção de frigoríficos por toda parte.

— Você sabe que eu detesto lugares assim... por que veio aqui? Devia ter pego outro atalho.

Seu amigo sorriu para ele em sinal de desculpas.

— As vezes eu gosto de ver os animais. — Austin coçou a parte de trás da cabeça. — Na verdade eu estava pensando sobre Zack, ele deve ter ficado chateado que não pode vir para as compras, você sabe o quanto ele gosta disso, não é?

Trey assentiu, manobrando os montes de sacolas que levava.

— Quando eu vi esse serzinho, eu pensei “perfeito para o Zack”. Acho que ele iria adorar ter um desses. — Austin apontou para um conjunto de gaiolas, mais especificamente a segunda de baixo para cima.

O comandante se inclinou, tentando olhar o que tinha dentro da gaiola.

— É um hamster? Algo assim?

Austin ficou pensativo.

— Eu não sei... nunca vi uma criatura assim antes.

Não era possível ver qual era o animal dentro da gaiola, havia um pequeno manto vermelho escuro e o bichinho tinha se enrolado, escondendo-se de seus olhares. Ele parecia medroso.

— Bem, leve-o. Se Zack não gostar, nós devolvemos na próxima vez que voltarmos a este planeta.

Austin sorriu infantilmente. Ele gritou pela dona da loja, uma senhora baixinha e resmungona. Então comprou uma caixa pequena de transporte para pets, ração e outros objetos para os cuidados do animalzinho. Trey ouviu um ganido quando a senhora tirou o animal da gaiola e o colocou com manto e tudo dentro da caixa transportadora.

— Isso foi caro. — Comentou no caminho de volta para casa. Eles pegariam um táxi para chegar a nave.

Austin riu.

— É porque você não viu, mas eu achei uma gracinha. Ele parece muito medroso também. — Contou com empolgação. — Eu não o vi por completo, apenas um flash dele. Ele foi rápido em se esconder.

Momentos depois ambos já estavam na nave. Após passarem pelo compressor de ar e finalmente podendo respirar o ar puro e filtrado da nave Imperatriz, Trey levou todo o conjunto pesado de sacolas até seu quarto. Em seguida seguiu até a enfermaria com Austin. Aquantis estava acordado e sorriu minimamente quando avistou Trey, que retribuiu um sorriso e uma piscadela. Zachary estava jogado sobre a poltrona ao lado da cama com uma revista aberta sobre o rosto, emitindo roncos em seu sono pesado.

Trey pretendia assustá-lo, porém Zack acordou antes disso, olhando sonolento e atordoado para eles.

— Nossa, vocês já chegaram? Foram tão rápidos.

— Isso é porque você ficou dormindo o tempo inteiro! — Trey sentou-se à beira da cama e sem que ninguém percebesse, fez um leve carinho na perna de Aquantis, coberta pelos lençóis.

— O que é isso?! — Zack olhou para a pequena caixa transportadora que Austin levava e para o sorriso bobo no rosto do grandalhão loiro. — Não me diga que é para mim?

Austin entendeu a caixa.

— Pensou que nós não lembraríamos de você?

Zachary se levantou rapidamente e tomou a caixa em mãos, voltando a se sentar, um enorme sorriso cortando sua face. Trey assistiu com ansiedade, ele tocou a mão de Aquantis sem que os outros vissem, e deu uma pequena olhada no garoto que parecia feliz com a presença deles ali, embora estivesse ainda pálido.

—*-*-

O hacker com seus dotes de enfermeiro, abriu a caixa e olhou para dentro. Ansiedade se construindo dentro dele.

— O que é? Um hamster? — Perguntou insistentemente para Austin. E seu amigo apenas balbuciou.

— Austin não sabe. — Disse o comandante.

— Apenas achei que você iria gostar. Ele parece muito medroso. — Disse o piloto. Zack lançou um olhar a seus amigos e a Aquantis, então voltou a olhar para dentro da caixinha. Seja lá qual fosse aquela criatura, estava tremendo.

Zack enfiou um dedo dentro do compartimento, então tocou sobre o que julgava ser um animalzinho. Um pequeno rostinho apareceu, olhos grandes negros e uma longa cabeleira escura e brilhante caiu como um véu ao redor da face.

Zachary estava petrificado.

— O que foi, Zack? — Austin perguntou, obviamente apreensivo.

— O que aconteceu? — Trey também estava ansioso para saber. — Você gostou?

Engolindo em seco. — Isso... isso não é um animal. Eu nunca vi algo assim antes, em toda minha vida. Muito menos nas pesquisas.

Seus amigos tinham olhos arregalados, até mesmo Aquantis.

Zack moveu seu dedo sobre a criaturinha novamente, tocando os cabelos muito longos e então chegou ao seu rostinho. Quando dentes apareceram, ele rapidamente falou:

— Não... Isso não. — E por incrível que pareça, o pequeno não o mordeu. Ele estava trêmulo, mas permitiu o toque. — Não tenha medo, somos todos amigos. — Então pegou a criatura de surpresa, agarrando-a em sua mão e a trouxe para fora da caixa.

— Me largue! — Ele rapidamente ganiu. — Ah! — Escondeu a face quando notou que todos olhavam para ele.

Zack estava de queixo caído, assim como os outros também estavam. Não era um animal, era um pequeno ser humano. Do tamanho da palma da mão. Consideraria realmente humano? Realmente parecia.

— O que você é? — Perguntou Zack com curiosidade, mansamente.

O homenzinho o olhou através de seus dedos. Ele vestia um monte de trapos coloridos, nenhuma roupa realmente costurada.

— Sou um saturniano.

— Eu nunca vi alguém como você.

O homenzinho sorriu, apenas um pouco. Zack sentiu seu rosto aquecer um pouco, não podia deixar de olhá-lo. Realmente gracioso.

— Minha raça está extinta, senhor.

O silêncio pairou pela enfermaria.

— O que aconteceu?

— Meu vilarejo natal foi invadido, senhor. Eu sou o único da minha raça que sobreviveu. Eu fugi, mas fui pego novamente.

Zack assentiu cuidadosamente, ele colocou o pequeno rapazinho sobre o criado mudo.

— Qual é o seu nome?

— Sou Dominic Pluton. — Disse timidamente. Ele estava sentado e se auto abraçava. Seus olhos grandes denunciavam o medo, porém ele não fez qualquer movimento para fugir. Zack não iria prendê-lo.

— Eu sou Zachary Spencer. — Apresentou-se. — Estes são Austin Maverick, o piloto da nave, Trey Scarlet, o comandante, e este deitado é Aquantis.

Dominic olhou em Aquantis com curiosidade. O garoto Blue lhe deu um sorriso fraco. O saturniano voltou a olhar em Zack.

— Eu posso ficar com vocês? Eu... eu não os conheço, mas... vocês parecem bons e eu... não tenho para onde ir.

Um sorriso cresceu no rosto de Zachary. Claro que ele não tinha ideia da história de Dominic, mas qual seria o problema de manter um ser do tamanho dele dentro da nave? Olhou em Trey, que suspirou, revirou os olhos e então assentiu.

— Tudo bem, ele pode ficar. — Disse Trey, e os demais comemoraram. — Mas com uma condição. Zack é o responsável por ele e não eu.

O hacker revirou os olhos, mas acatou.

Dominic tinha um pequeno sorrisinho. Compreendia que ele ainda estava medroso, mas certamente iria gostar de viver com eles.

Continua...

Notas finais
Obrigada por ler Lost Blue ♥