Lost

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Como a chuva atrapalhou minha caminhada, consegui escrever isso. Por favor, leiam com mais emoção do que as palavras foram capazes de alcançar. Era muito intenso esse momento na minha cabeça. Boa leitura.

A loira olhou para trás num sobressalto, quase derrubando o grosso caderno que segurava. Mas assim que viu Jane, seu olhar se revestiu de carinho.

— Olá, Jane. Oh céus, você não deveria ter acordado ainda. – falou se levantando e vindo ao encontro da amiga devagar e bem cautelosa, observando que Jane estava armada e pronta para luta. — Como se sente?

— Estou bem. – a morena respondeu com determinação. – Só um pouco... confusa. – admitiu sondando rapidamente a sala a sua volta e a amiga que estava com seu caderno de anotações. – Como me encontrou?

— É uma longa história, Jane. Não quer se sentar? – sugeriu ainda cautelosa com as reações inesperadas da amiga.

Novamente Jane sondou a sala e depois encarou Patterson ficando em silêncio por alguns instantes. Por fim, assentiu discretamente com a cabeça. Sua postura, entretanto, não mudou. Ela continuava em alerta, empunhando o suporte do soro como arma para defesa ou ataque.

— Ótimo! Assim conversaremos com calma. Pode me entregar o suporte? – arriscou docemente.

Jane pareceu confusa por um momento, mas por fim estendeu as mãos oferecendo a amiga o suporte que carregava. Depois se deixou abraçar e guiar até a cadeira próxima.

— Precisamos religar o antídoto. – a loira falou já preparando a bomba e o equipo.

Jane olhou para o saco de soro e seus olhos se iluminaram.

— Você conseguiu, Patterson?

— Ah, Jane. Ainda não. Essa é a fórmula que você mesma preparou. Posso? – perguntou fazendo menção a conectar o equipo ao acesso intracath dela. Assim que a outra consentiu, realizou a tarefa e se sentou em frente a ela. – Você fez um excelente trabalho até agora. Foi muito longe se considerarmos as condições em que trabalhou. Suas deduções estão no caminho certo. E as anotações foram claras. Tenho certeza de que teremos algo definitivo em pouco tempo.

— Fiz o melhor que pude, Patterson. Eu juro. Sei que precisava ter sido mais eficaz, mas...

— A D-E-C complicava um pouco a situação, não é mesmo? – e a loira finalizou com uma piscadinha tentando deixar a outra bem à vontade.

— É... complicava muito. – e lembrou de repente – Patterson, onde estamos? Eles... estão me caçando.

— Calma. Você está segura. Eles não sabem que está aqui. Essa é a minha casa, Jane. Ou melhor, o subterrâneo dela. Construí um bunker aqui. Eu meio que tenho uma necessidade exagerada de segurança pessoal. Ah, tenho uma coisa pra você. Já ia me esquecendo. – e se levantou pegando algo na gaveta da mesa.

— Sua casa... – ela repetiu parecendo mais aliviada. – Você está sempre bem preparada... E passamos por muita coisa, não foi?

— Com certeza. Mas estávamos juntos. Éramos uma equipe incrível, não é mesmo?

Jane só balançou a cabeça parecendo meio incomodada e triste.

— Jane, isso é para você. É o monitor que desenvolvi quando descobrimos o envenenamento por ZIP, lembra-se? Fiz alguns ajustes. Vai nos ajudar a monitorar seus sinais vitais e produzir relatórios que serão úteis nas pesquisas. – falou ajustando o monitor em forma de relógio de pulso ao braço da amiga.

Jane olhou para aquilo por alguns segundos. O monitor começou imediatamente a transmitir dados como pulsação, saturação, pressão arterial, pulso elétricos cerebrais para o tablet nas mãos de Patterson formando uma linha que oscilava de forma contínua em torno de um eixo central.

— Isso é muito ruim? – Jane questionou.

— Não é tão ruim. Vai melhorar depois que o antídoto entrar em nível sérico e te estabilizar por algum tempo.

— Obrigada por me ajudar, Patterson. É bom não estar mais sozinha.

— Fico feliz em ajudar. Por que não me procurou antes, Jane?

— Eu procurei! Eu tentei, pelo menos. Está nas anotações...

— Nesse seu caderno? Ainda não consegui ler tudo. Foquei nos códigos e equações. Deixei as traduções pra depois. Coisa de nerd, você me conhece.

— É bem você começar assim. As tentativas que fiz estão na parte em árabe. Foi através de seus jogos.

— WizardVille?

— Esse e um outro. Não sou muito boa nisso... não consigo passar pelas fases. E os celulares descartáveis nem sempre tinham memória suficiente. Tentei chamar sua atenção para o meu avatar.

— Você era o Ogro obsceno? Ou a Ninja destruidora? Não me diga que era aquele anão safado?

— Não, não. Uma elfo sacerdotisa que sempre marcava a palavra morte em tudo. O lado místico da personagem e as runas... Bem, eu achei que faria sentido já que eu sou sua amiga tatuada e... morta.

— Pensando por esse lado... É que você é tão badass que o ogro ou a ninja fariam mais sentido pra mim. Sacerdotisas elfo insistentes na questão da morte geralmente são adolescentes góticas tentando camuflar seu lado sonhador. Entram centenas delas no jogo todos os dias e não passam da primeira fase.

— Eu tive uma fase meio gótica na adolescência. – confessou meio triste.

— Teve? Poxa, eu devia ter deduzido isso. Foi realmente uma pena eu não ter te identificado.

— Não faz mal. Estamos aqui agora.

— Jane, tem tanta coisa que quero te perguntar e...

— Pode perguntar.

— Agora não é o melhor momento. Você sabe que precisa voltar a dormir. A transferência do seu esconderijo até aqui deve ter agitado todos os seus instintos e isso te fez acordar. Vamos corrigir isso para que descanse e esse antídoto provisório possa te ajudar com todo o seu potencial. Depois disso, vou te encher de perguntas e contar com sua parceria em tudo, entendeu?

Jane balançou a cabeça concordando e continuou:

— Foi bom eu ter acordado antes. Tem uma coisa importante que eu preciso te falar e, se eu tivesse dormido o suficiente, talvez já fosse tarde demais.

— O que? – a loira questionou assustada com os olhos arregalados aguardando a resposta da amiga.

— Patterson, eu sei que o que vou pedir será difícil pra você, mas não... – e puxou o ar pela boca emocionada. – Preciso que deixe Kurt fora disso. Ele não pode saber que estou viva.

A loira apertou os lábios e alcançou as mãos de Jane as segurando entre as suas.

— Jane, ele é seu marido...

— Não, Patterson. Eu realmente não posso... Seria demais pra mim...

— Infelizmente eu não posso te atender, Jane.

— Patterson, por favor me escute. Sei que ele é seu amigo desde muito antes de nos conhecermos. Sei que é um homem incrível e não merece ser tratado assim. Sei que estou errada nisso. Mas... como posso te fazer entender... É a Sandstorm.

— A Sandstorm?

— Não. Ou melhor, sim. Esse nome, Sandstorm, era assim que Nas chamava a organização terrorista criada por Shepherd e da qual fiz parte. Mas é mais que isso, Patterson. A minha vida inteira é uma Sandstorm, uma tempestade de areia. Tudo pra mim sempre foi difícil e árido, como um vento que castiga a pele, secando e sufocando onde toca. Existem coisas horríveis no meu passado. E Kurt... Kurt foi um oásis no meio do meu deserto. Um refúgio que me abrigou e me fez sonhar. Não posso deixar que a tempestade de areia o alcance de novo, Patterson. Não posso. Não vou causar mais dor em quem só me fez bem.

— Jane, preciso que me escute com atenção. Kurt já está aqui. Foi ele quem te encontrou.

— Aqui? Não... por favor, Patterson. Não.

— Sim. Ele está aqui. E você é forte o bastante pra lidar com isso. Melhor ainda, ao invés de enfrentar isso, você vai aproveitar o seu oásis e relaxar.

Surpresa, Jane apenas olhava para Patterson perplexa e balança negativamente a cabeça devagar.

Nesse momento, a porta de um elevador do outro lado da sala se abriu e Kurt apareceu com uma bandeja na mão.

— Trouxe um lanche. E você vai comer. – entrou dizendo sem se dar conta que Patterson não estava sozinha.

Jane, que estava de costas para o elevador, virou devagar o rosto e estagnou ao se deparar com ele. Dando-se conta da presença dela, Kurt se apressou em atravessar a sala:

— Você está acordada. – e colocou a bandeja com o lanche de Patterson no balcão. – Não devia, ainda é cedo demais.

— Eu... acordei não faz muito tempo. – ela disse meio que balbuciando.

— Isso não é bom. – ele concluiu.

— Foi um milagre ela não ter acordado antes. Estamos falando de Jane, não é mesmo? – Patterson tentou aliviar a situação.

Kurt se abaixou ao lado da esposa, seus olhos vasculhando cada traço do rosto dela como quem procura se certificar de que estava tudo bem.

— Você está se sentindo bem? – questionou.

Jane tinha os olhos presos nele e a respiração mais pesada, tentando processar tudo aqui. Reagiu por instinto:

— Estou...bem. Só sinto um pouco de dor de cabeça. E estou um pouco zonza.

— É, você precisa voltar pra cama. Vamos fazer isso já.

Patterson observava os dois completamente intrigada. Nenhum deles parecia reagir como o esperado.

— Kurt, eu... – a voz de Jane começou firme e desapareceu num fiapo sem prosseguir.

— Então se lembra de mim.

— Claro que me lembro...

— Ótimo!

— Eu sinto muit... – e engoliu o final da palavra sentindo que havia dito algo muito errado o que a obrigou a fazer uma pausa. – Eu vou te explicar tudo...

— Não! – ele a interrompeu. – Sem explicações por enquanto. Nada de blábláblá. Você precisa voltar para aquele quarto e dormir agora, entendeu?

— Não! Eu preciso explicar... eu...

Percebendo o embate, Patterson resolveu interferir. Levantando-se, colocou as mãos protetoramente não ombros de Jane.

— Sabemos que você tem muito a nos dizer, Jane. Mas Kurt tem razão. Você precisa voltar a dormir.

Jane concordou de forma meio robótica e fez menção de se levantar.

— Não! – a voz de Kurt a interrompeu. – Sem esforços. Eu te carrego.

— Não é necessário. Eu posso andar... vim até aqui.

— Você tem um abcesso no abdômen que precisa de cirurgia, está recebendo o antídoto e deveria estar dormindo agora. Então, só sairá dessa cadeira nos meus braços, entendeu?

Jane olhou para Patterson. Estava atônita. Havia uma certa súplica velada ali pedindo que a amiga viesse em seu socorro. Mas a loira sorriu com carinho e assentiu indicando que ela deveria ceder.

— Eu levo a bomba e o suporte. Pegue-a com cuidado. Não podemos comprometer o acesso nem piorar a situação do abcesso dela. – e fingindo que ia ajeitar equipo junto a roupa de Jane, sussurrou para a amiga. – É o oásis. Relaxe.

No instante seguinte, Jane sentiu as mãos fortes do marido a alcançando. Um braço ao redor do seu dorso, o outro sob suas pernas e lá estava ela suspensa contra seu peito. Por instinto, ela envolveu os braços ao redor de seu pescoço.

Caminharam devagar pelo corredor. Os passos de Kurt eram firmes, determinados a deixar Jane sentir minimamente o transporte. Seus braços a seguravam tão protetoramente que ela chegou a pensar que nada seria capaz de afastá-la dele por toda a existência. Vez ou outra escapou um ruído da garganta dele. Não era pelo esforço, ela sabia. Conhecia bem o marido. Acontecia sempre que ele estava traçando teorias em pensamento. Até mesmo os planos para um feriado no Colorado eram milimetricamente calculados por Kurt. E o que dizer do calor e do cheiro do corpo dele? Eram como um casulo protetor. Ela foi cedendo e se aconchegando a ele.

Quando entraram no quarto, ele aguardou pacientemente com ela nos braços enquanto Patterson preparava seu leito. Parecia realmente não querer soltá-la. Mas finalmente cedeu, descendo Jane na cama com tanta suavidade que ela pensou estar sonhando.

Kurt ainda estava parcialmente debruçado sobre ela quando a mão de Jane alcançou seu rosto, afundando os dedos em sua barba e depois delineando os contornos de seu rosto. Os olhos dela acompanhavam seus dedos, quase em transe. Ele olhou sério para ela, sem conseguir sorrir. Tudo dentro dele era dor e confusão. A força do flashback o levou a reagir como na primeira conversa que tiveram. Segurou a mão da esposa com força.

— Eu preciso explicar o que aconteceu. – ela insistiu.

— Não agora, Jane. Você precisa dormir. – ele também podia ser insistente e teimoso.

— Você precisa saber...

— Quando você acordar, Jane, poderá nos contar tudo. – Patterson se colocou na conversa. – E, ao amanhecer, Zapata estará aqui com uma médica que tornará esse serviço malfeito em seu abdômen um problema do passado!

— Zapata? Não. Precisamos deixá-la fora disso. Ela está grávida. – Jane falou assustada enquanto olhava para o lado oposto do quarto.

— Ela não está mais grávida, Jane. Elena nasceu há alguns meses. Ela é linda. Você ficará encantada.

— Elena... é um lindo nome. – balbuciou ainda parecendo tentar enxergar algo ali, não muito distante deles. – Mas, Patterson, ainda assim é arriscado colocá-las nessa loucura. Zapata e a bebê estarão mais seguras longe de mim.

Kurt e Patterson trocaram olhares discretamente.

— Eu vou explicar tudo. – Jane disse tentando se sentar na cama. – Não vou conseguir adormecer enquanto não contar o que aconteceu.

— Nada disso. Você vai dormir agora. Vou ajudá-la com isso. – Patterson foi enfática já aplicando um sedativo no acesso venoso de Jane.

— Por favor, eu preciso...

— Então, nos conte uma coisa. Tem alguém te ajudando com isso? – Kurt questionou.

— Sim. – ela respondeu com determinação.

— Quem, Jane?

— Roman. Podem confiar nele. Por favor, não nos afastem.

Os olhos dela iam de Kurt para Patterson e depois para o lado oposto do quarto. Isso não passou despercebido por eles.

— Ele está aqui, Jane? – Patterson arriscou.

— Ainda não. Mas virá em breve.

Kurt voltou a se debruçar sobre ela, seu braço apoiado ao lado da cabeça de Jane, seus dedos afundando em seus cabelos.

— Ei, ainda confia em mim, Jane?

Ela começava a ceder ao sedativo, olhos pesados.

— Com a minha vida.

— Pode me contar se tem alguém ali do outro lado do quarto?

— Não há ninguém ali, Kurt. Eu sei que não. Mas... parece tão real... E isso me incomoda tanto. – e engoliu o nada aflita.

— O que é, Jane? Conte-me pra eu te ajudar.

Já estava difícil para ela se manter acordada agora. Seus olhos lutavam para se manter abertos.

— Vamos, Honey. Você consegue. Conte-me. – ele insistiu.

— O choro... dos... bebês. – e, quase adormecida, soltou um soluço de choro.

Kurt bufou e deixou a testa cair sobre a dela. Isso pareceu dar novo fôlego a Jane que reabriu os olhos com e levou a mão ao rosto dele, silenciando seus lábios com os dedos.

— Por favor, Kurt, sei que estou morrendo. Não precisa me dizer nada sobre isso. Só me deixe ficar aqui um pouco mais... – e voltou a fechar os olhos cansada. – Só um pouco... – balbuciou – Lá é tão frio...

Ela não disse mais nada. Nem ele foi capaz de encontrar qualquer palavra. Ficou ali imóvel por alguns instantes olhando para ela até ter certeza de que estava completamente entregue ao sono.

A força para se afastar veio num ímpeto. Ele recuou dois passos e apertou os dentes irritado.

— Roman. – rosnou.

— Uma alucinação, Kurt.

— Eu sei. Mas é sempre ele. Ela não consegue viver sem o irmão, Patterson.

— Os dois passaram por muita coisa juntos, Kurt. Horrores que talvez ela não queira compartilhar com mais ninguém.

— Faz sentido. – ele admitiu insatisfeito. – Eu devia ter entendido isso enquanto Roman estava vivo. Talvez tivesse encontrado uma forma de resolver a situação...

— Não se martirize por isso. Roman fez escolhas que estavam fora do nosso alcance. Blake Crawford foi uma delas e foi pelas mãos dela que ele morreu.

Kurt torceu o pescoço e não disse nada. Olhou novamente para Jane. Impotência era tudo que sentia. Puxou o ar sem expectativas. Por fim, falou:

— Vou subir. Assim dou espaço para ela descansar. Talvez sonhe com o irmão e isso lhe traga algum conforto.

— Se é isso que quer fazer... Mas preciso que observe alguns dados que coletei antes deixar o quarto.

Ele assentiu e se aproximou para observar o tablet nas mãos dela.

— Coletei os sinais vitais de Jane através do monitor personalizado que recoloquei no pulso dela. Temos duas leituras bem diferente. Observe. A primeira leitura tem oscilação constante de todas os sinais, altos e baixos se alternam. A segunda, não. Ela estava muito mais estável.

— E você consegue identificar o fator que causou essa variação? Precisamos mantê-la o mais estável possível.

— Mas é claro que eu sei identificar o fator. Aliás, acho que qualquer pessoa do team identificaria de olhos fechados.

— Patterson, eu sei que você é muito inteligente e que gosta de explicar tudo detalhadamente, mas realmente não estou bem para acompanhar esse tipo de explicação hoje.

— É você, Kurt. O fator é você. O que mudou entre a primeira e a segunda leitura foi a sua chegada, sua presença ao lado dela.

Ele apertou os olhos e franziu o cenho, pegando o tablet das mãos dela e olhando novamente.

— Não. Dessa vez você está enganada. Jane teve uma crise séria enquanto estava sozinha comigo lá no esconderijo. – e devolveu o tablet a loira.

— Jane se manteve adormecida durante a retirada bem problemática que fizemos dela lá do esconderijo. Até a colocamos numa mala e nem isso a acordou. Mas bastou você se afastar e pronto! Os instintos a despertam: lugar estranho. Enquanto você esteve com ela, estava tudo bem. Ela se sentia segura. Jane aceitou que cuidasse dela, que injetasse algo em suas veias, que a transportasse para onde você queria. Sei que ela teve uma crise realmente grave no esconderijo. Estive lendo as anotações. Ela chama isso de D-E-C, uma sigla pra Desequilíbrio Emocional e Crise. Quando ela experimenta fortes emoções, as crises se instalam. Vocês tiveram uma discussão acalorada antes dos espasmos convulsivos começarem. Insistiu pra ela olhar pra você e, quando ela acordou estava cega, uma forma de poder ficar ao seu lado sem o fator que mais a impactou no embate que tiveram. O subconsciente dela cria meios para mantê-la ao seu lado anulando o fator que gerou a crise.

— Ela acabou de alucinar com choro de bebês aqui no quarto, Patterson, ao meu lado. Você presenciou isso.

— Sim. Introduzimos um fator de desequilíbrio: o envolvimento de Zapata com o que estamos fazendo aqui. Você a ouviu dizendo que Tasha e Elena estariam mais seguras longe dela. Enquanto estávamos sozinhas, Jane disse que a vida dela é como uma tempestade de areia que castiga e seca tudo ao seu redor.

Kurt passou as mãos pelos cabelos e as cruzou sobre a cabeça respirando fundo.

— Na Times Square, antes de... – e engoliu a palavra ‘morrer’ sem coragem de pronunciá-la – antes de perder os sentidos, ela levantou a hipótese do caos a acompanhar onde quer que fosse. Eu insisti que não. Mas parece que nada do que disse foi assimilado.

— Ela estava doente, Kurt. Muito doente. E ainda está. Precisamos cuidar desse aspecto psicológico e emocional também. Não só do físico. E, para endossar minha teoria, Jane também me disse que você é o oásis em meio a tempestade de areia que é a vida dela. Então, pense nisso antes de deixar esse quarto. – e apontou para a tela do tablet – Tempestade de areia ou oásis. Como quer que ela passe essa noite?

— Você não costumava jogar baixo assim quando trabalhávamos juntos. Isso era coisa da Zapata. – ele brincou pela primeira vez desde que se reencontraram.

— Fiz escola com ela. E aprendi com Rich que vale tudo pra deixar um casal de amigos que se ama juntos num mesmo quarto por essa noite. Arrisco até a afirmar que o ideal é que acabem na mesma cama.

O sorriso cabisbaixo dele foi pequeno e tímido, mas sincero. Patterson deu dois tapinhas em seu braço e saiu.

Notas finais
Eu juro juradinho que grande parte da curiosidade de vocês será saciada no próximo capítulo. Só não posso garantir que novas tretas não se instalarão tirando o sossego recém instalado. Estão gostando? Será ótimo saber como estão sentindo essa história. Críticas também são bem vindas. É só deixar um comentário. Muito obrigada pela leitura.