Notas iniciais
Olá, voltei com mais rapidez dessa vez já que o semestre está acabando e meus professores estão aliviando um pouco :) Espero que gostem e que tenham bastante tempo para ler, ficou ENORME ♥

A primeira coisa que fiz assim que acordei foi ver se ele ainda estava ali assustadoramente me vendo dormir, não estava. Foi um pouco decepcionante.

Observei o quarto lentamente, ainda sonolenta. Me peguei por um momento pensando onde será que Thomas estaria naquela manhã tão fria e tediosa, varri aqueles pensamentos de minha cabeça, afinal eu não deveria me preocupar sobre o que Thomas fazia ou não fazia, não era da minha conta e eu provavelmente não gostaria de ouvir o que ele me responderia se eu começasse a perguntar mais do que já faço. E olha aonde cheguei fazendo tantas perguntas assim, Thomas deve sentir como se eu fosse um fardo para ele desde o primeiro dia.

Eu devia pedir desculpas por todo o transtorno.

Me troquei e vesti a calça de moletom desta vez, ao invés da saia. Estava muito frio para qualquer ser humano vestir uma saia, a não ser que você não fosse um ser humano, como eu mesma me esquecia grande parte do tempo.

Naquela manhã eu estava sentindo tanto frio que coloquei até um cachecol velho e a touca do moletom que usava para sair do quarto. Enfiei meu rosto dentro do cachecol vermelho que eu ainda possuía depois de todo esse tempo e me senti protegida, como aquela história de quando você é criança e acha que se escondendo debaixo das cobertas irá se salvar do bicho papão.

—Bom dia. –Thomas murmurou encostado na parede bem do ladinho da porta do meu quarto, eu estava trancando a porta e quase vomitei meu coração com esse garoto aparecendo assim de surpresa!

Parece um fantasma, credo...

—Quer me matar?! –apontei o dedo no rosto dele depois de pensar um pouco. –Não responda. –voltei a andar ouvindo-o rir enquanto me seguia.

Ele riu e fomos em direção ao refeitório, devo dizer tentar explicar o que aconteceu na noite passada para Megan e Sophia foi tão difícil que eu preferiria mais uma aula de educação física com o Montanha, elas simplesmente não entendiam nada e eu fui obrigada a explicar a mesma coisa vinte vezes!

—Mas que belo filho de uma p- -Megan bateu a mão na mesa e se levantou, estava com raiva depois de eu ter conseguido finalmente terminar de explicar a elas.

—Megan! –a repreendi, puxando-a para que se sentasse de novo, metade do refeitório nos olhava. Tudo bem xingar, mas precisava ser tão alto?

—Ai desculpa, mas eu tô com tanta raiva... –ela começou a fazer gestos com a mão e torcer os dedos, acho que estava encenando o que gostaria de fazer com Frederick. E só os Deuses sabiam o quanto eu também queria.

—Você deve ter se sentido péssima. –Sophia segurou minha mão ao dizer, parecia sentir muita pena de mim.

E não havia necessidade nenhuma de ter pena de mim.

—Não, eu... Estou bem, não se preocupe. Acho que ele vai levar um bom tempo antes de mexer comigo de novo. –empurrei Thomas com o ombro, ele comia em silêncio sem dar atenção a nossa conversa, provavelmente esperava Max.

—Ele deverá ter muita coragem pra sequer voltar a olhar pra você de novo. –Thomas ressaltou sem nos olhar, ele é realmente confiante sobre isso. Se bem que eu não sei o que ele fez com o garoto ao “levá-lo ao quarto”. Suspeito.

—Foi você quem a ajudou ontem? –Megan se levantou em espanto, de novo.

—Sim, quem mais? –ele parecia confuso e ofendido.

Se eu fosse ele me sentiria como um tipo de guarda costas inútil, quem mais ela esperava, afinal?

—Ah... Max? –Megan abaixou a cabeça, parecia envergonhada. E pelo visto havia se esquecido completamente de Thomas.

—Bom dia meninas. –Max se sentou conosco, nos cumprimentou rapidamente e logo voltou sua atenção ao loiro. –Tudo bem com você Tom?

Ouvir Max chamar Thomas por um apelido e colocar a mão nas costas do outro foi tão... Emocionante pra mim. Nunca achei que Thomas deixasse alguém se aproximar de si a ponto de tocá-lo e coisas do tipo, eu estava impressionada.

E ao mesmo tempo meu coração se sentiu aquecido, ele não era esse monstro que eu imaginava, felizmente.

Depois do café da manhã as aulas não foram muito mais interessantes, até mesmo aqui no fim do mundo eu conseguia ficar entediada.

Impressionante.

-Vamos? –Thomas tocou meu braço de leve, eu ainda estava sentada em meu lugar pensando na vida e nem tinha percebido que a aula havia acabado.

—Ai! Mas você hoje decidiu que iria me assustar foi? –respirei fundo, era no mínimo, a terceira vez que ele me assustava hoje.

—Não. Mas eu tenho uma boa notícia pra você. –ele comentou enquanto me acompanhava para fora da sala, eu conseguia perceber um leve sorriso de canto, só uma puxada de canto, provavelmente não era uma notícia tão boa assim.

—O que? –encarei-o enquanto andava, ele me deixou curiosa, ainda mais com aquela cara.

—Sem mais aulas por hoje.

—O que? Por que? –parei em sua frente sem deixá-lo andar, não fazia sentido.

—Porque parece chateada com isso? Não é como se estivesse prestando atenção nas aulas, de qualquer jeito. –ele deu de ombros colocando as mãos nos bolsos da calça desviando de mim e seguindo o caminho até meu quarto.

—Eu prefiro ter aulas o dia todo do que ser obrigada a passar o resto do dia sozinha naquele dormitório gelado e tedioso. –bati o pé e corri até ele.

—Essa é a parte que não é boa notícia pra mim. –ele respirou fundo e me encarou. –Vou ser obrigado a passar o resto do mês com você, e te vigiar mais de perto ainda.

Travei, não era exatamente isso o que eu queria.

O resto do mês comigo? Mas porque? E o resto do mês era praticamente o mês todo!

Diretora, você só pode estar de brincadeira comigo.

—O mês todo?! Ah não. –comecei a andar mais rápido na frente dele, tentando talvez fazer minha mente acreditar que ele não iria me seguir, como se isso fosse possível.

Ele riu fraco e me seguiu devagar até meu dormitório e fechou a porta quando entrou, parecia achar algum divertimento no meu desespero.

O que definitivamente não me impressionava.

—Eu também não estou feliz com isso, então porque você não facilita tudo e dorme até amanhã? –ele sugeriu como se fosse a coisa mais simples do mundo enquanto sentava na minha poltrona e cruzava as mãos no colo, arrogante.

—Não é assim que funciona Thomas, ainda são duas horas da tarde, como espera que eu durma até as sete de amanhã direto? –eu gesticulava tanto que cheguei a ficar cansada e me sentei na cama um pouco encarando-o, era como se ele não soubesse absolutamente nada sobre o corpo humano.

—Não sei, vocês tendem a dormir o tempo todo. –deu de ombros e desviou o olhar, revirei os olhos.

—Não dormimos o tempo todo. –neguei imediatamente.

—Como conseguem dormir durante a noite? É a parte mais divertida do dia todo.

—Porque já passamos o dia todo acordados praticando atividades cansativas, talvez? –perguntei como se fosse a coisa mais óbvia do planeta, esse garoto só pode ter algum parafuso a menos.

—Eu também, e não durmo.

—Vocês devem ter outras formas de restaurar energia, nós dormimos e comemos. Bem vindo ao mundo humano Thomas.

Ele balançou a cabeça devagar como se eu fosse débil ou algo do tipo, quis jogá-lo escada a baixo, porque ele sempre me trata como se eu fosse retardada?

—Thomas, vamos combinar uma coisa, você para de me tratar como se eu tivesse algum tipo de demência, e eu-

—O que vai fazer em troca? –ele ergueu os cantos dos lábios num quase sorriso, ele se divertia sabendo que eu não tinha nada para dar em troca.

Res pirei fundo e pensei sobre quão malvado ele era, criatura sem escrúpulos.

—Não tenho nada que você queira, então só faça esse favor para mim, ok? –dei um sorriso cínico e visivelmente forçado.

—Você é péssima fazendo acordos, Katherine. –ele riu.

—Eu sei... –abaixei a cabeça um pouco, rindo também. Me lembrei de uma das minhas milhares de perguntas e decidi que aquela era a melhor hora para fazê-la. — Thomas, posso te perguntar uma coisa?

Sua expressão se fechou novamente e ele semicerrou os olhos como se eu fosse fazer algo suspeito como deixa-lo apagado no chão e fugir.

—Que tipo de perguntas?

—Perguntas simples, por favor. Ninguém aqui nos conta nada de verdade e fingem que tudo está normal, quando não está. –apertei minhas mãos em meu colo, aquilo estava me sufocando desde que cheguei aqui.

—Entendo seu lado. –ele respirou fundo e me olhou nos olhos, nunca fui muito boa com contato visual, mas tentei dar meu máximo para não desviar meus olhos dos dele desta vez. –Bem, então dependo da pergunta eu responderei.

—Ok. –me animei e me arrumei no lugar, sentando com as pernas cruzadas e me inclinando para frente, com certeza eu deveria estar parecendo uma criança. — Primeiro como é ser um vampiro?

—Tão normal quanto poderia ser. A única diferença é que meu alimento principal é sangue.

—Então isso significa que pode comer outras coisas?

—Sim, todos os dias eu sempre como algo com vocês. Mas a única coisa que satisfaz minha fome temporariamente é o sangue. –ele explicava tudo como se fosse um discurso que ele já havia preparado há muito tempo.

—E o negócio de não poder ficar no sol?

—Não que aqui tenha muito sol, mas nada acontece se eu ficar no sol. Vou te contar algo, nós vampiros temos grande vantagem em batalhas por sermos muitos e sermos mais fortes e mais ágeis do que a maioria dos seres, seria patético se nossa maior fraqueza fossem meros raios de sol.

—Seria. –concordei com a cabeça. Sempre achei todas aquelas coisas de fogo, alho e tal grandes baboseiras, desde o início. –Vocês também tem aulas?

—Temos aulas estratégicas, aulas de luta que nos ensinam a atacar e defender, aulas de raciocínio rápido e imediato e algumas aulas normais como física e química. Achou que eu ficava sem nada para fazer depois que te deixava na sala? –inclinou um pouco a cabeça e sorriu confuso, mas na verdade eu pensava sim.

—Muito pelo contrário, sei que mesmo que não tivesse aula nenhuma estaria ocupado todos os dias, se quisesse. –cruzei as pernas em cima da cama, abraçando-as e me encolhendo. Sabia como Thomas era popular e não gostava de admitir aquilo.

—O que quer dizer com isso?

—Você é popular Thomas, tem muitos amigos e muitas garotas em cima de você. Tem seus problemas para resolver e tem uma vida lá fora, pelo que ouvi dizerem, você sim tem coisas para te tirar do tédio, eu não.

—Está com ciúmes ou com inveja? Não consegui decidir. –ele brincava comigo! Eu queria bater nele!

—Nenhum dos dois! É diferente porque eu nem posso sair do quarto se não for para a sala de aula enquanto vocês andam livres pelo corredor e aposto que podem sair a hora que quiserem! Tantos privilégios... –me deitei na cama, eu realmente estava com inveja.

—Então porque não dorme? –ele se sentou ao meu lado na cama, devagar, não queria me assustar de novo.

Eu não vou dormir Thomas!

—Ok eu desisto. –ele ergueu as mãos. –Você pode ser bem insistente quando quer, Katherine Williams.

—Como sabe meu nome completo? –me sentei novamente.

—Seu nome completo é Katherine Nichole Williams, não é?

—Perguntei como sabe qual é. –me aproximei, todos sabiam de tantas coisas sobre mim, era tão irritante!

—Sou seu guardião, que tipo de guardião eu seria se não soubesse seu nome? –ele cruzou os braços na altura do peito e sorriu de canto, estava pronto para brincar com a minha curiosidade novamente.

—Eu não sei o seu nome. –cruzei os braços e fiz um bico.

—E por isso não é minha guardiã, graças aos Deuses.

—Não... –queria tentar achar um jeito de fazê-lo me contar, mas não conseguia.

—Meu sobrenome é Collins, se é isso que quer saber. –revelou sem me olhar, preferiu encarar a parede desta vez.

—Você gosta de ser tão misterioso assim, Thomas Collins?

—Não sei, nunca me falhou. Tenho amigos e garotas em cima de mim, de acordo com suas palavras, então acho que eu deveria continuar assim, porque?

—Isso me incomoda sobre você, tem tantos segredos que acho que mesmo que eu tentasse conhecê-lo nunca saberia todos eles, nunca o conheceria de verdade. E isso me deixa chateada de alguma maneira. –olhei para baixo e decidi que encararia o edredom para não olhá-lo, era constrangedor demais.

—Nunca sabemos todos os segredos de outra pessoa mesmo que a conheçamos a vida toda, não entendo porque isso a chateia. –ele se levantou e assumiu aquela postura fria e impecável que eu tanto odiava, era como se estivesse conversando com um detetive da polícia, eu poderia lhe contar tudo, mas ele nunca me revelaria nada sobre si mesmo.

—Porque eu vou ter que passar o resto da merda do mês todo com você Thomas e o mínimo que eu queria poder fazer é conversar com os meus amigos, mas eu tenho que ficar presa aqui com você e eu gostaria de tentar conversar com você, mas sempre que tento me aproximar através da conversa você muda de assunto e se fecha de novo quando pergunto coisas sobre você. E você não tem o mínimo de noção sobre como é andar pelos corredores com um cara que você não conhece atrás de você tendo que te proteger porque por algum motivo desconhecido as pessoas a minha volta sabem mais sobre mim do que eu mesma e pelos mesmos motivos desconhecidos querem me machucar, tem noção de como isso é pra mim?! –cuspi tudo para fora, quando terminei estava até sem ar. Aquilo estava me sufocando de uma maneira descomunal, ele agia tão superior.

Acho que nesse quase um mês que estou aqui essa foi a primeira vez que vi Thomas com essa expressão, ele parecia levemente chocado e não parava de analisar meu rosto.

Foi pior ainda quando percebi que estava chorando na frente dele, que horror.

—Quer saber? Esquece. –enxuguei minhas lágrimas com as costas da mão e me encostei na cabeceira da cama, tentando ficar longe dele. –Não adianta nada eu tentar me aproximar de você se você vai me afastar sempre que eu tentar, é como dar socos em uma parede de pedra. Mas obrigada pela ajuda com Frederick, de qualquer maneira. –me deitei e me cobri, estava me sentindo desconfortável e queria chorar alto, meu peito doía.

Queria deixar toda aquela angústia sair em forma de lágrimas, mas eu não choraria na frente de Thomas.

—Tem razão, não sei como isso é pra você. Mas se quer algumas respostas saiba que a diretora não nos colocou juntos por acaso, eu não fui te salvar no telhado naquele dia porque eu sou um herói, mas a única coisa que posso te dizer é que você não quer saber meus segredos, acredite em mim. –ele havia se sentado no canto da minha cama novamente, e agora eu estava com raiva.

—Então você diz me dar as respostas me dando mais e mais perguntas Thomas? Mas o pior de tudo é saber que se você não tivesse sido obrigado por alguém não teria me ajudado aquele dia, eu não sabia o quão frio você conseguia ser, obrigada por ter aberto os meus olhos. –me levantei da cama e fui até o banheiro batendo a porta atrás de mim, me sentei no chão encostada a porta e me permiti chorar.

Eu realmente deveria ter dormido quando ele me disse pra dormir, eu estava magoada com o que ele havia me dito, como pôde?

Eu definitivamente odeio vampiros.

—Katherine! –senti um baque na porta, acordei no susto. –Katherine me responde!

—Oi... Oi! Tô acordada! –me levantei e gritei para que ele escutasse, eu havia dormido chorando, quão depressivo isso pode ser?

Saí do banheiro e dei de cara com um Thomas de cabelos bagunçados e suado, parecia ter tentado derrubar a porta muitas vezes.

—Você está bem? –ele me segurou pelos braços e me analisava como se de alguma forma eu fosse me machucar dentro do banheiro.

—Sim, eu dormi. –não contei porque e nem como, só o essencial.

—Você tem ideia de como eu fiquei preocupado? –ele passou a mão pelos cabelos assim que me soltou. –Pensei que você... Você... –ele respirou fundo, ele parecia tão tenso e falava aquilo de um jeito que fez com eu me sentisse mal por ter feito aquilo.

—O que pensou que eu tinha feito?

—Kate, você não sabe as coisas que os novatos são capazes de fazer quando são magoados ou machucados aqui, eu fiquei muito preocupado com você. –ele ainda parecia assustado, era a primeira vez que eu o via assim e eu desejava que fosse a última, com certeza.

—Eu... Me desculpa Thomas, eu não sabia que você ficaria assim, eu não queria ficar aqui e chorar na sua frente e...

—Você não me deixou explicar, mas isso só vai te deixar com mais dúvidas. Eu não fui te salvar aquele dia porque sou um herói, já que além de ser o mínimo que eu e Max podíamos fazer, era nosso destino.

Eu estava sem ar, destino? Aquilo só ficava cada vez mais confuso a cada vez que tentavam explicar.

—Destino? Nosso destino? Eu e você? –perguntei apontando sem parar para ele e depois para mim, não entendia qual era a parte do meu destino que envolvia Thomas fora esse pedaço que somos obrigados a estarmos juntos.

Não que eu saiba qual é o meu futuro daqui pra frente, até porque eu achava que seria psicóloga daqui alguns anos, parece que não Katherine.

—Sim, nosso destino. Meu e seu.

—Não estou te entendendo.

—Felizmente. –ele comentou.

—Esse destino envolve alguma coisa romântica? Porque Sophia e Megan te acham bonito e eu acho que você deveria ir com alguém que te ache atraente e tal...

—Eu posso saber como as pessoas se sentem olhando pra elas Katherine, e isso não faz parte dos meus dons de vampiro. E não, nada romântico. –ele realmente queria que eu calasse a boca.

—Eu não sei fazer nada, isso é tão injusto. Mas pelo menos nunca nos envolveremos, aposto que você nunca se envolve com ninguém. –saí da porta do banheiro e fui até a cama, agora eram três da madrugada e eu estava realmente cansada.

—Depende qual é o sentido de envolver que você quer dizer. –comentou colocando seu moletom novamente, felizmente estava de costas pra mim e assim não pude ver sua expressão.

—Ugh enfim, você não tem coisas pra fazer a noite porque é a melhor parte do dia e não sei o que lá? –murmurei me deitando e me cobrindo, vendo-o tentar se arrumar.

—Agora é hora do jantar lá embaixo então eu vou lá e já volto, você provavelmente vai estar dormindo quando eu voltar.

—Jantar? Eu estou com fome.

—Não o jantar de vocês, o nosso. –ele me olhou nos olhos e eu me dei por vencida, iria apenas dormir.

E tenho que dizer que foi a melhor coisa que eu fiz, fora o fato de que acordei com o sinal já tocando e tive que sair correndo para não me atrasar e perder o café, fora isso tudo bem.

—Nossa, você tá um trapo. –foi a primeira coisa que ouvi de Megan assim que cheguei.

—Acordei atrasada, desculpem. Bom dia Megan, Sophia e Max. –coloquei minha bandeja na mesa e me sentei.

—Cadê o Thomas? –Sophia perguntou parecendo confusa, como se fosse anormal me ver sem ele.

—Não sei, ele saiu pro jantar da madrugada da espécie dele e eu dormi, não o vejo desde então. –dei de ombros.

—Quando eu fui levar uma coisa no quarto dele, outra pessoa já estava lá. –Max deu um sorriso de canto bem sugestivo enquanto tomava um gole de suco.

Me lembrei sobre o que eu havia dito no dia anterior sobre ele ser popular, pelo visto eu estava certa, estar certa não foi tão agradável daquela vez.

—Quem? –desta vez foi Megan a perguntar.

—Claire Hennings. –Max respondeu como se fosse algo rotineiro, quis rir. –A única coisa ruim foi ter que ouvir e ter que voltar com aquilo pro meu quarto, ugh.

Sabia que ele era popular com as garotas, eu disse!

Acho que o único problema de Thomas estar ocupado era que eu me sentia indefesa e todo e qualquer vampiro que passava perto de mim me fazia tremer e agora era aula de educação física, pra piorar.

—Formação! Meninas de um lado, meninos do outro. A aula é conjunta hoje, escolham um vampiro. –os alunos ficaram parados em seus lugares como estátuas por um tempo, até entenderem que ele não estava brincando.

Eu sabia que não conseguiria, mal conseguia cruzar com um vampiro pelo corredor, quem dirá escolher um deles para fazer uma atividade!

Congelei no lugar junto com mais meia dúzia de alunos, me sentia incapaz de ir até lá e escolher algum deles, por mais bonzinho que parecesse, para mim agora todos eles eram traiçoeiros e agressivos.

—Se ficarem parados eu mesmo posso escolher para vocês. –o professor passou por todos nós que estávamos parados e anunciou, a maioria correu para escolher seu vampiro de estimação, continuei no mesmo lugar.

—Morgana, vem cá ajudar a Katherine. –ele chamou uma garota mais alta que eu de cabelos vermelhos escuros, quase vinho. Muito bonita. –Depois eu falo com você Claire.

Levantei um pouco mais o olhar e vi a tal Claire dizendo algo no ouvido de Morgana que ria fraco antes de descer, e eu tinha que dizer que ela era muito bonita, era loira e seu cabelo era bem cacheado e daqui seus olhos pareciam azuis. Muito bonita.

—Tá apaixonada? –Morgana cochichou no meu ouvido sorrindo de canto. Fazendo-me desviar o olhar de Claire apenas para olhá-la quase colada em mim e me afastar bastante.

As duas podiam ser muito bonitas, mas eu ainda tinha muito medo dos vampiros. E ainda não confiava nem um pouco neles.

—Pratiquem golpes. –ouvi o Muralha dizer, mas não entendi de primeira o que ele queria que fizéssemos exatamente.

—Me bate. –Morgana disse já levantando a guarda. –Me acerta com o seu melhor golpe.

Assim que estiquei meu braço para acertá-la fui ao chão, e eu nem sabia como ela tinha feito isso!

—Não deixe seu braço esticado por muito tempo, se deixar seu oponente vai te jogar no chão mais fácil e pior do que o que eu fiz aqui. E se você cair no chão, suas chances de vencer são bem baixas, ou seja, não caia no chão. –Morgana explicou.

Assenti com a cabeça e tentei mais um golpe, fui jogada para o chão só que dessa vez ela montou em cima de mim!

Aiaiaiaiaiaiai!—reclamei batendo no chão enquanto ela puxava meu braço.

—Se seu oponente te põe nessa posição, ele quebra seu braço. Acredite em mim, é bem mais difícil lutar sem um braço.

A aula foi assim o tempo todo eu indo para o chão direto e reclamando de dor sempre que ela me derrubava e imobilizava.

Ela não estava sendo má comigo ou me batendo pra valer, ela me neutralizava e me explicava o que eu havia feito de errado, mas não me ajudava a fazer o golpe certo.

Pra piorar minha situação eu dei uma leve torcida no meu tornozelo tentando um chute alto que fez Morgana me girar no ar e me derrubar de costas no chão. E como aquele dia foi reservado para aulas de luta corpo-a-corpo, foi um sofrimento sem fim.

No final do dia meu corpo inteiro doía e estava cheio de terra e Morgana teve que me ajudar a voltar para o quarto porque eu não consegui voltar sozinha para o quarto já não conseguia andar sem sentir uma dor lancinante e cair no chão.

Claro que esse é o trabalho de Thomas, originalmente. Mas fica bem mais difícil quando o mesmo some o dia todo!

—Obrigada Morgana. –agradeci-a quando fui deixada na porta de meu quarto pela mesma com todo o cuidado.

—De nada, o treino foi bom hoje. Vamos melhorar, amanhã eu começo a te ensinar! –ela exclamou enquanto se afastava de mim indo para seu dormitório.

E, por Deus, a última coisa que eu queria era mais uma sessão de tortura grátis.

Mas vendo pelo lado bom, pelo menos eu ia aprender a golpear direito.

Tentei esquecer isso e me focar em entrar no quarto sem cair no chão e ser obrigada a ir rastejando até o banheiro, e eu precisava mesmo de um banho.

A minha maior surpresa foi encontrar Thomas no quarto, depois do dia todo!

Eu fiquei furiosa!

Quando ele tem que me carregar no colo ele nem aparece!

—Oi Kate.

—Oi? Oi?!—exclamei. –Eu apanhei o dia inteiro e você me vem com oi?

—Claire me contou que você treinou com Morgana, teve sorte, ela é legal. –ele deu de ombros sentando na minha cama, ignorando completamente o que eu havia acabado de dizer.

Tentei me contentar respirando fundo e fechando as mãos em punho enquanto me focava em não cair no chão.

Falhei, já que assim que me soltei da porta e tentei ficar em pé sozinha meu tornozelo doeu tanto que fui ao chão imediatamente.

—Agh! –gemi enquanto tentava me levantar.

—Kate, você tá bem? O que aconteceu você? -ele tentou me segurar quando o afastei, meu tornozelo doía, mas eu ainda estava com raiva.

—Não preciso de ajuda. –e não precisei, me apoiei em tudo que tinha pelo caminho para chegar até o banheiro sem a ajuda dele.

Tomei o melhor banho da minha vida e saí de lá renovada, metade da lama que eu tinha trazido para o quarto havia ficado naquela água.

E também me arrastei até a cama sozinha, não conseguia deixar Thomas me ajudar e pagar de bonzinho comigo agora se quando eu precisava de ajuda pra andar antes ele nem sequer apareceu, bela bosta de guardião.

O que esperar de um garoto que diz que vai jantar e acaba indo comer mais coisas do que deveria, não é mesmo?

—Você não vai me deixar te ajudar? –ele perguntou parecendo incrédulo.

—Não. –respondi me cobrindo, sem nem olhá-lo.

—Então pelo menos me deixe fazer um curativo nesse tornozelo. –mas é óbvio que ele não esperou pelo meu consentimento e só foi até o banheiro e pegou uma pomada e uma faixa e começou a enfaixar meu tornozelo logo em seguida.

—Posso ir dormir agora? –perguntei quando ele parecia estar checando minha faixa um pouco demais digo, já era a quarta vez que ele checava se estava tudo certo.

—Porque está com raiva de mim?

—Que bom que perguntou, queria saber se posso escolher outro guardião.

—O que? –ele parecia incrédulo, não conseguia acreditar que eu não o queria mais por perto.

—Sejamos francos Thomas, a última coisa que você queria ver hoje era eu. Não apareceu no café da manhã, não estava lá quando eu quase tive um ataque de pânico porque tive que escolher vampiros para a minha atividade de educação física, e não estava lá quando eu tive que pedir a Morgana, uma completa estranha, para me ajudar a subir para o meu quarto. Não estava porque acabou muito ocupado com Claire durante o dia, porque eu a vi saindo da aula de educação física de fininho voltando para a ala dos dormitórios. Eu entendo que eu fui insuportável ontem, mas sempre que você desaparece algo ruim acontece comigo e eu acabo machucada! E não sei se você sabe, mas eu não gosto de ser machucada Thomas!

Ele parecia chocado novamente, dessa vez eu queria socá-lo de verdade.

—Então me deixa ir dormir e não finja que está preocupado comigo.

—Kat-

—Não ligo se somos almas gêmeas ou se estamos destinados Thomas, você falhou. Da próxima vez que for sumir da face da terra pra ir foder com alguma das garotas da sua espécie, não me diga que vai jantar, eu não sou criança. –terminei a discussão, se ele tentasse dizer qualquer coisa provavelmente tentaria lançar um feitiço nele.

—Você não se machucou por culpa minha hoje, e me culpar não vai mudar isso.

—Se estivesse lá saberia o que aconteceu, você não tem direito de falar sobre algo que não viu! –ele abriu a boca para falar algo, mas o cortei na mesma hora. –E não venha com essa de a Claire me contou pra cima de mim!

—Acho que se tornou dependente de mim por perto Katherine, e pare de colocar Claire nessa conversa. –ele estava sério, parecia com raiva.

—Não sou dependente de você, se fosse já estaria muito mais machucada do que estou agora. E pare de sempre falar sobre si mesmo como se fosse o herói porque você não é, quem me salvou aquele dia foi Max, e não você. –olhei-o nos olhos, meus olhos queimavam em raiva, ele parecia já não aguentar mais aquela discussão.

Observei-o tencionar a mandíbula e me olhar de um jeito que parecia desejar estar me esganando.

—Você é tão cara de pau que eu apareço completamente fodida da aula de educação física e a primeira coisa que você me diz é oi.

—Queria que eu dissesse o que?!

—Que me perguntasse como eu estava! Eu estava pior do que um soldado voltando da Segunda Guerra Mundial!

—E como você sabia sobre a Claire? –ele parecia muito focado no assunto Claire Hennings.

—Max disse que ouviu vocês dois quando foi ao seu quarto te levar algo. Porque está tão interessado nisso? Meu Deus você- -comecei a bater nele sem parar, ele estava pensando na garota mesmo eu tendo dito tudo isso?!

Em um movimento ainda mais rápido do que os de Morgana ele segurou meus pulsos e os prendeu com a mão atrás de minhas costas, eu não conseguia me mover.

—Para de me bater. –eu conseguia ver sua mandíbula tencionada e sentia como ele estava se segurando.

Eu consigo ser muito insuportável quando quero, mas quando eu estou com raiva fico milhões de vezes pior.

—Sai do meu quarto. –foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça, eu não aguentava ficar assim perto dele e imobilizada daquele jeito, chegava a ser humilhante considerando a raiva que eu sentia. –Me solta e sai do meu quarto.

Seu olhar tedioso voltou e ele sorriu de canto.

—Não vou te soltar até você se acalmar.

—Se você não me soltar eu vou ficar mais nervosa ainda. –tentei ir para cima dele de novo, mas estávamos perto demais. Ele só me deitou e se apoiou com o braço livre, ficando por cima de mim, me encarando parecendo sem paciência.

—Posso te acalmar até amanhã. –ele murmurou se aproximando, entrei em pânico.

—O que você vai fazer?! Sai de cima de mim! –gritei me debatendo, meu tornozelo doía tanto que fui obrigada a parar.

Ele me mordeu, de verdade. Com suas presas de vampiro e tal, e doeu. Em uma escala de 0 a 10 doeu tipo um 4, mas o pior foi a sensação de prazer quando ele fincou suas presas em mim, eu podia jurar — embora odiaria admitir — que acabei gemendo quando senti minha carne sendo perfurada e não pude fazer nada sobre aquilo, parecia tão sujo!

—Boa noite Kate. –foi a última coisa que ouvi aquele bastardo dizer antes de eu apagar completamente.

Eu o mataria assim que acordasse, se eu acordasse.

Notas finais
Wow, eu amo o Thomas, mesmo ele sendo um cuzão de vez em quando. Ele é mais legal do que o que vocês pensam ;) Até o próximo e não se esqueçam de comentar! ♥