Lost

2 Mais Forte.


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários, pra quem esta acompanhando e pras fofas que favoritaram. "Há uma terra para os vivos e uma terra para os mortos; e a ponte é o amor, o único que sobrevive, o único significado." — Thornton Wilder Boa Leitura.

. . .



— Vo... você não ouviu? — gaguejei a Pergunta

— Ouvir o que? — Caroline falou me analisando…

Era a voz dele… podia jurar que era… da mesma forma que tinha a certeza de que ele não estava em nenhum lugar por perto… Como algo não real podia ser tão real? Eu estava sonhando acordada? ou estava enlouquecendo? — soltei a respiração que estava presa desde que ouvi o grito.

O pior é que tudo isso estava em segundo plano na minha mente que estranhamente se concentrava em analisar a dor e o desespero daquele grito…

Me segurei todos esses meses com pensamentos dele bem, feliz… nós dois juntos… a imagem dele sofrendo não passou por minha cabeça… pensando bem eu bloqueava todo pensamento ruim sobre ele.

Me obriguei a recuperar do grito e dos pensamentos... Caroline ainda esperava uma resposta...

— Nada — falei tentado aparentar uma calma que estava longe de sentir — acho que alguma criança gritou longe — forcei um sorriso antes de continuar, só faltava adicionar loucura a lista de preocupações deles — Estava meio avoada e passei a prestar atenção demais nos sons ao redor…

Ela me deu aquele olhar inquisidor, duvidoso mesclado com pena que eu passei a odiar nesses últimos meses.

— Podia prestar atenção no som da minha voz enquanto eu estou falando com você — Caroline revirou os olhos enquanto falava — Serio Elena, essa viagem vai ser ótima pra você.

Eu não queria conversar agora… aquele grito não ia sair da minha mente tão cedo e eu precisava ficar sozinha para pensar… analisar a própria loucura era definitivamente coisa de doido.

— Car… olha, eu estou me esforçando — tentei soar o mais verdadeira possível — Mas não é tão simples… não consigo pensar em viajar agora.

— Você não está se esforçando... esta se conformando a viver de lembranças — Ela deu um suspiro de cansaço e me olhou firme — Não somos cegos e nem burros Elena, estamos dando o seu tempo mas não podemos deixar que você...

— Eu vou me esforçar mais. Eu prometo — cortei e a olhei séria, precisava sair dali — Mas hoje eu preciso ficar sozinha.

— Você não vai se trancar naquele quarto, Elena.

— Não, eu não vou! — inspirei profundamente e tentei manter a calma — Vou dar uma volta… mas quero ir sozinha… — ela relutava em me deixar ir — Me sufocar também não é a solução Caroline. — Falei irritada.

A olhava com raiva enquanto ela me devolvia uma expressão triste eu quase recuei mas eu já estou no meu máximo e eles não entendiam e não podiam fazer nada.

Ela deu um longo suspiro antes de responder — Esta bem. Nos vemos amanhã?

— Claro — Me aproximei dela e a abracei forte, ela foi pega de surpresa mas retribuiu rápido o abraço. Não sei o que tinha de errado comigo hoje, mas eu estava com medo — Car… — comecei ainda sem soltá-la — Algum dia eu posso vir a melhorar… mas não vou ser a mesma… não inteiramente…

— Lena…

— Deixa eu terminar… o que estou sentido… não é luto, não é tristeza, não é saudade que possa diminuir com o tempo… eu sei o que é luto e perda. — Apertei ainda mas o abraço, tinha que falar isso… tirar de mim — Isso foi como arrancar partes de mim… varias e grandes partes… e o que sobrou está tentando reaprender a respirar… tentando se manter pelo menos de pé.

Tomei coragem pra afrouxar o abraço e a olhar nos olhos. Ela tinha os olhos úmidos enquanto eu tirava forças não sei de onde para não chorar

— Um dia eu vou aprender a viver com o que sobrou… e espero que vocês também possam por que… eu… não vou voltar a ser o que era… não totalmente.

Eu não sabia mais o que dizer… como explicar. Caroline me olhava muda… o que era raro…

— Car… preciso ir… até amanhã.

Andei o mais rápido possível… quando não tinha mais ninguém a vista corri de verdade deixando as lagrimas caírem...

Eu precisava ficar sozinha, mas não era só pra colocar meus pensamentos em ordem… era pra poder usá-lo sem receber um olhar de reprovação… resolvi ocultar esse meu pequeno prazer para evitar maiores discussões.

Tudo bem que jogar na cara do Matt o meu atual “status de vampira” e pedir esse favor em segredo realmente não era meu estilo… mas quando se tratava de Damon eu era mais do que realmente sou… não sabia se era bom ou ruim… o fato é que não posso mais viver sem essa parte de mim.

Cheguei na garagem alugada… olhar para o Camaro totalmente recuperado me trazia um pouquinho de paz e, admito, esperança… A empresa que o restaurou deixou do mesmo jeito que era antes… como se nada tivesse acontecido.

Fiquei sentada no banco do motorista algum tempo antes de virar a chave na ignição e sair dali.

“Como se nada tivesse acontecido”… Esse pensamento era uma dos artifícios que usava para me mater em pé e respirando…

Eu não tinha controle sobre minha mente e corpo… mas tinha uma certa consciência que ao “aceitar” isso me destruiria e não sabia se conseguiria me reconstruir depois…

Se eu aceitasse… — me inquietei com o pensamento — se… — inspirei fundo e conclui — aceitar seria como se ele desaparecesse, não podia, eu… eu desapareceria junto.

Eu já estava chorando de novo, droga, eu não queria chorar… eu não queria pensar nisso… mas o aperto no meu peito só aumentava…

Como se todos os “artifícios” que eu tinha usado para amortecer minha dor tivessem parado de funcionar…

E o que tinha sido aquele grito e por que ele não parava de ecoar na minha cabeça? O meu inconsciente querendo me detonar.. só podia… pensar nele... com dor… era o pior tipo de masoquismo…

Definitivamente algo tinha mudado na minha cabeça… mas… por que?

Parei o carro no acostamento, não fazia ideia de onde estava, não importava mesmo, desci e fui pegar a jaqueta e o bourbon na mala.

Odiava não poder voltar pra casa e deitar na nossa cama. pelo menos o carro era um conforto. Vesti a jaqueta e sentei no capô fechando os olhos… e tentei inspirar o cheiro dele que já não existia na peça de roupa.

Suspirei me recordando dos acontecimentos recentes. aquela declaração para Caroline foi uma surpresa até pra mim… definitivamente eu devia ter ficado na cama hoje.

Voltei a me lembrar dele na tentativa de me acalmar… Ele era tão teimoso, as vezes dava vontade de bater nele. — “Estamos numa relação tóxica, Elena” — Bufei com as lembranças, essa conversa tinha sido mais uma perda de tempo sem tamanho — “Nós não damos certo! ” — Era o contrario na verdade, só damos certo juntos.

Só separados para sentir falta das brigas… seguidas das reconciliações — dei um leve sorriso com a lembrança do fim daquela briga — podia passar a vida toda brigando com ele sabendo que depois faríamos as pazes daquele jeito…

— Volta pra mim — sussurrei as palavras que tinham virado meu mantra nos últimos meses.

volta… volta… volta… fiquei repetindo mentalmente enquanto lembrava dele. Sei que é infantil… mas como disse… não posso controlar minha mente que teima em achar que é só chamar…

VOLTA! — Gritei — VOLTA! VOLTA! VOLTA! — Continuei gritando até minha garganta doer… quanto mais alto e forte eu gritasse a dor no meu peito diminuiria e seria substituida por raiva… era tão injusto… O tive por tão pouco tempo — DROGA DAMON VOLTA!

E estava deitada no capô com as mãos no rosto tremendo de raiva… raiva de todos que voltaram, raiva dele não ter cumprido a promessa... raiva de mim por não ter ficado com ele…

Idiota. Safado. Mentiroso. — Eu já soluçava… — Por favor… volta…

“ — Não posso…” — Uma voz familiar respondeu distante.

— Dam? — pulei do capô, meus olhos percorrendo toda a área — Dam? — Comecei a andar… procurando, farejando…

Andei. Não. Eu corria em círculos em volta de onde o carro estava… — Damon? — Ia mais e mais longe e não sentia nenhum rastro nem odor… nada que pudesse comprovar que uma pessoa esteve por perto… que eu realmente tinha escutado alguém… não sei dizer por quanto tempo fiquei procurando, mas foi inútil… me deixei cair de joelhos no chão… não era real… Deus por que não era real?

Por que minha mente está fazendo isso comigo?

Eu estava alucinado com ele… com a voz dele… me respondendo… eu... eu... não sabia o que pensar… parecia tão real...

Eu não consegui achar uma explicação que não fosse minha mente me dando o que eu queria... Uma ilusão. Uma falsa resposta aos meses de chamados e perguntas sem respostas.

Eu não queria isso, certo?

Definitivamente não… não era suficiente, não era ele… uma ilusão nunca seria suficiente… nem um sonho… nem uma lembrança… nada nunca iria compensar…

Não queria enlouquecer… mas eu tinha escolha?

Poderia ter mais que uma ilusão agora?

Não é como se eu não tivesse tentado aceitar, mas tinha algo, tinha algo que não me deixava. Como se fosse um mentira, toda vez que eu tentei… cada misera divagação sobre ele estar de alguma forma morto… era brutalmente negada pelo meu corpo

No final do dia eu só conseguia ficar mais desesperada, cansada… como se eu brigasse constantemente numa luta perdida. — Suspirei deitada no chão olhando a copa das arvores — De uma certa forma, apesar da negação eu achava que estava melhor… quanto tempo uma pessoa, nesse caso vampira pode sofrer?

Que saco! Já que eu estava alucinando podia ser um pouco mais positivo… em vez de um grito de dor e uma negativa. Será que eu não tinha nenhum controle sobre meus pensamentos? Pronto discutir consigo mesma sobre a melhor forma de alucinar com ele…

Ah. estou pior do que pensava.



. . .



Não posso…

Odiava sonhar com ela chorando… eu sempre estava impotente… sem poder confortá-la… sem conseguir tocá-la… ela estava cada vez mais longe e isso era desesperador.

O estranho é que eu ainda podia sonhar. Teoricamente para isso acontecer não devia ter um “corpo” adormecido envolvido na questão?

Por que eu ainda estou aqui? Essa era a porra da minha existência agora?

É incrível como a vida é uma coisa e de repente torna-se outra, passei 150 anos procurando por algo, achando que era o que eu precisava, para no final perceber que o que eu queria era totalmente diferente.

Eu não era romântico, apaixonado ou louco… podia ter vivido mais 150 anos sem tê-la encontrado, poderia estar vivo agora, bebendo, transando e bebendo. Achava que estar apaixonado era desejar uma pessoa, mas é muito mais, não sabia o que era amor até encontrar Elena. O real amor é diferente, por que o desejo não é pra você e sim para o outro, o outro é mais que sua sanidade e seus desejos e você se vê envolvido com problemas adolescentes, cheio de amigos que não são seus, mas que você se importa por que são dela e tudo o que ela ama você passa a de uma certa forma a amar…. Acho que posso afirmar que não vivi 173 anos mas sim 3, os três anos que a tive na minha vida.

E de repente… por causa de uma fração de segundos não existia mais nada… eu não existia mais.

Ainda continuo me perguntando onde estou… mesmo sabendo que não tem resposta.

Se esse “lugar” é o inferno, o Diabo com certeza não tem criatividade — Gostaria de rir dessa… mas… até as piadas eram difíceis de serem formuladas na minha mente…

Os pensamentos não deviam pesar tanto… até por que era só isso que eu podia fazer... pensar, lembrar e… sonhar.

Os sonhos eram os mais leves… incrivelmente tudo que envolvia Elena era mais leve...

Pensei que depois de “aceitar” eu desapareceria ou iria pra outro “lugar” e eu estava quase lá… mas algo me segurava…

Toda vez que eu afundava na escuridão alguma coisa me puxava de volta...

Acho que isso vem me segurando a um bom tempo… só que antes eu não percebia…

Era como estar num cabo de guerra ou melhor “ser” o cabo… de uma lado essa escuridão opressora me puxava incansavelmente tentando consumir e esmagar meus pensamentos e do outro lado… do outro lado… não sabia dizer o que era… mas devia ser tão forte quanto… mas forte até que minha própria vontade de desistir e desencanar…

Maior e mais forte que a escuridão…

mais forte...



. . .



Voltei para o carro, era melhor me manter em movimento em vez de ficar largada no chão de uma floresta. Rodei sem rumo remoendo os acontecimentos desse dia e tentando achar um significado para o que estou sentindo, meu desabafo com a Car e principalmente a voz dele na minha cabeça.

Me peguei lembrando da conversa com Jeremy, ele estava tão maduro, nosso “estilo” de vida tinha levado o meu irmãozinho e deixado um homem no lugar.

— “Agora que eles se foram pode ser difícil demais para você continuar lutando.” — Tentei falar mas ele estava determinado naquele dia — “Mas quero que você viva. Você é tudo o que me restou” — Eu não tinha conseguido segurar as lagrimas — “Você não pode se esconder da vida para sempre Elena

Deixa eu te dizer uma coisa que você já sabe. O mundo não é um mar de rosas.” — Naquele dia fiquei calada e deixei que ele falasse tudo o que queria — “É um lugar ruim e asqueroso, e não importa quão durões sejamos, ele te jogará no chão e te manterá assim, se permitir.” — Ele não tirava os olhos de mim enquanto falava — “Nem você, nem eu, nem ninguém baterá tão forte quanto a vida. Mas isso não se trata de quão forte pode bater. Se trata de quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente. Quanto você pode receber e continuar seguindo em frente.”

“Eu sei que é difícil mas você ainda tem uma família aqui… não só eu, mas o Ric, a Car e até o Stefan… e se fosse você que tivesse nos deixado”. — Também era ruim pra ele eu tinha visto toda dor do meu irmão nos olhos que ele não tirava de cima do meus — “Você desejaria que continuássemos vivendo Elena. Eu estou fazendo isso pela Bon e se o Damon te amava como você o ama ele ia desejar o mesmo. Esta na hora de seguir em frente.”

— “Jer…” — Eu não tinha e não tenho argumento para o que ele me falara.

“Cedo ou tarde a vida vem Elena e eu sei que ela vai voltar pra você” — Ele estava cansado como se carregasse o peso no mundo nas costas, era para eu estar cuidando dele e não ao contrario — “Só peço que fique aberta para ela. Não feche portas para você mesma. Por favor? Eu não posso te perder também”

Eu só tinha conseguido balançar a cabeça e cair num choro desesperado depois que ele saiu. Eu via a verdade naquelas palavras, mas sabia que não podia mudar… mesmo sendo o certo. Depois daquele dia apesar de tudo tentei parecer melhor, afinal o Jer merecia mais de mim e já que eu não podia fazer meu papel de irmã e cuidar dele… pelo menos devia reduzir a sua preocupação.

Suspirei olhando para o pôr do sol na minha frente. Não podia deixar o Jer saber da bagunça que minha mente estava se tornando. Eu tinha que resolver isso sozinha.

Já estava escuro quando deixei o Camaro na garagem e rumei para meu apartamento.

Estava com a mente cansada e com mais perguntas que respostas… talvez seja só um dia mais ruim que o normal, amanhã será normalmente ruim.

— Espero... — sussurrei ignorando meu senso de humor distorcido.

. . .

Algo estava muito errado...

Era como se ele tivesse se despedindo de mim…

Eu já perdia a paciência com ele e estávamos discutindo… ou eu estava discutindo sozinha…

“Você mentiu para mim!” — Estava muito brava com ele

Ele não podia me ensinar a ser egoísta, me fazer esquecer meus princípios para colocar uma pessoa acima de tudo… para colocá-lo acima de tudo e simplesmente me deixar aqui tendo que lidar sozinha com esse sentimento.

“Você prometeu. Damon! Você tem que cumprir! volta pra mim!” — Eu brigava e implorava ao mesmo tempo.

Ele estava cada vez mais distante de mim… eu já estava soluçando, eu chorava e gritava com ele ao mesmo tempo

“Eu sou egoísta está me ouvindo? Eu quero você! aqui. comigo. AGORA DAMON!”

Ele estava desaparecendo eu não podia perdê-lo… não, não…

“Damon?”

“DAMON!” — Gritei desesperada correndo na sua direção

Acordei assutada com meu grito ou com outra coisa que não sabia explicar, o quarto estava frio — frio demais — pensei enquanto olhava o teto e esfregava os braços para me aquecer. podia escutar o aquecedor funcionado normalmente, como a temperatura podia cair dessa forma? — Esse frio congelaria um humano facilmente...

— Elena... — escutei a voz dele.

Me sentei na cama e olhei em todas as direções, não tinha ninguém no quarto.

…Elena? — Suspendi a respiração ao ouvir de novo a voz agoniada e distante

Eu podia escutá-lo mas não o via em lugar nenhum… as alucinações estavam ficando cada vez mais vívidas mas era tão bom escutá-lo que eu não queria que parasse.



. . .



— Por que está me segurando? — Mais uma pergunta solta no vazio.

— PATÉTICO! — Outro urro de raiva.

Esse era meu fim!? tendo monólogos com um ser inexistente ou comigo mesmo? nem rir das próprias piadas você consegue sozinho Damon Salvatore. O que vai fazer por um eternidade aqui? O que você tem na lista de coisas a se fazer sozinho? Lembrando que você não tem mão… e nem as outras partes… portanto prazer… ta fora da lista.

Pronto! saí do monologo e desenvolvi um dialogo comigo mesmo… ou ainda era monologo?

— INFERNO!

Eu poderia ter lidado com muita coisa… afinal minha existência não tinha sido a das melhores… dor, sofrimento, raiva… tortura… qualquer coisa… desde que me proporcionasse uma interação… me permitir rir debochado de um idiota qualquer e fingir que não estava sofrendo nada…

— NÃO DELIRA DAMON!

Enfim, isso… isso é um pesadelo.

isolado. sozinho. so-zi-nho.

Talvez estivesse errado e aqui fosse o inferno mesmo… o meu inferno pessoal… afinal para que outro lugar eu poderia ter ido?

Se essa era minha existência… eu não a queria!

Acho que não aceitam devoluções.

Deprimente!

Esse é você agora. Mesmo com os surtos de raiva e as tentativas falhas de piada. Essa constatação pesou, pesou muito, não pelo sentimento em si… mas pelo fato de eu não poder muda-lo. Eu não podia mudar nada aqui.

Damon Salvatore reduzido a uma “voz depressiva”.

— QUERO QUE ESSA PORRA ACABE!

— Por favor… só… só me deixe desaparecer… — Voltei a implorar para o ser inexistente

— DEIXE QUE ELA ME CONSUMA! e pare! pare de me segurar…

Eu estava indo a níveis loucos entre o desespero, raiva e tristeza… talvez esse fosse o objetivo aqui… destruir sádica e lentamente o que resta da consciência… não sei se posso usar a palavra “alma” para descrever o que sobrou de mim…

Mas sei que se passar muito tempo assim não serei eu… se o objetivo é destruição… por que a lentidão? Demônio desgraçado!

Essa tortura silenciosa era minha pena?

— Deve ser… podia ser diferente?

Às vezes, você faz escolhas na vida… — comecei a refletir — e, às vezes, as escolhas fazem você. Se eu pudesse mudar… qualquer coisa… qualquer misera coisa… eu não mudaria nada… pensei no dia que conheci Elena… não mudaria nada.

— Não vou pedir perdão por quem fui e sei que não fui alguém que mereça ser salvo… então… por favor...

— Me deixe ir.

O grande vazio de silêncio e escuridão eram minha única resposta. Estava implorando para uma coisa que não sabia o que era e nem se realmente existia.

— Diga alguma coisa ou…

— Me deixe ir

— Qualquer coisa… qualquer coisa… só pra saber... que não estou sozinho

silêncio.

— POR TODOS OS DEMÔNIOS EU ESTOU IMPLORANDO!

silêncio.

— INÚTIL! INÚTIL! INÚTIL!

Não existe nada Damon, além de você. NADA. Ninguém virá te salvar. Não tem ninguém a quem implorar. Ninguém está te segurando. Só você perguntando... Só você respondendo... Só você o está segurando aqui.

No vazio.

— CHEGA!

Fiz todas as escolhas da minha vida, vou fazer a desta porra também.

Eu posso mudar isso, não posso? — não podia perder esse novo rumo de pensamentos

— POSSO, POSSO SIM! — pensei enfaticamente tentando me convencer.

Posso acabar com essa agonia.

Só tenho que... só… pensa Damon… droga de lugar complicado… respira, nope, você não respira mais, lembra?

— OOOK!

Vamos analisar os fatos até aqui… aceitar que tinha morrido quase me tirou dessa roubada e existe duas forças me puxando uma pra me tirar e outra pra me manter aqui.

Se eu sou a força que me mantem aqui, então além de não fazer força contra tenho que fazer a favor. Salvatore você é um gênio.

— EU VOU SAIR DAQUI — tenho certeza que estava sorrindo agora. vamos ignorar o fato de não existir rosto pra isso.

Então basta me entregar a “escuridão” e não haverá mais essa porcaria de depressão e solidão. Tudo acaba, só tenho que querer ir e nada me segura aqui.

Assim acaba… vai acabar… mas havia uma coisa… eu precisava… só... só gostaria de me despedir… uma única vez mais... tocar em sua pele… sentir seus lábios… olhar no seus olhos e saber só mais uma vez que ela me amou.

— PARE! IDIOTA RETARDADO!

Não pense nela. De todas os pensamentos “ela” é um que não vai desaparecer fácil, então não pense. Não pode pensar em nada. Principalmente não pode pensar nela.

Você que ir… então tem que desejar ir mais do que a deseja. Antes que a sua vontade enfraqueça ou antes que perca a razão… pensei determinado, mas estamos na cabeça de Damon Salvatore e eu não escutava a voz da razão com frequência… aos poucos mergulhei nas lembranças novamente…

Estava sendo o melhor verão da minha vida… tanta merda já aconteceu que fico desconfiado quando as coisas estão assim… perfeitas. “Perfeita”. sussurrei enquanto olhava e beijava Elena que estava tentadoramente de bruços, ela se mexeu e resmungou um “me deixar dormir”. sorri enquanto beijava as partes que o lençol não cobria “Você dormiu 3 horas inteiras e eu não estou fazendo nada demais”.

Ela virou com tudo, sem se importar em manter o lençol no lugar e me dirigiu um olhar mortal “três horas…” antes que ela continuasse com a reprimenda eu já estava em cima dela a beijando, uma das mãos no seio que ficou a mostra quando ela se virou e a outra terminava de descobrir aquele corpo gostoso… “hum…” ela gemeu embaixo de mim o que deixou alguém lá em baixo mais animado.

“Damon, não!” ela conseguiu dizer quando desci beijos pelo seu pescoço indo em direção aos seios “Eu estou exausta… ah” gemeu alto quando abocanhei um dos seios… antes que eu pudesse fazer mais alguma coisa ela nos virou na cama ficando por cima e prendendo minhas mãos… “você quer me matar?” ela tentava manter uma expressão séria “Só estou te ajudando a acordar, você disse que queria tomar café da manhã com o pequeno Gilbert” respondi com o sorriso mais inocente do mundo.

“Falei isso ha 6 horas enquanto implorava pra você nos deixar dormir mais cedo, o que obvio você ignorou” a cara de brava foi substituída por um sorriso malicioso enquanto ela se aproximava de mim “Mas acho que tenho que agradecer por me acordar, certo?” mordeu o lobulo da minha orelha enquanto surrava. “humrum” foi minha única resposta. “Então obrigada, Damon.” me olhou com um sorriso travesso e completou “Agora vou me arrumar pro café” e num piscar de olhos ela não estava mais em cima de mim…

“Elena?!” podia ouvir a risada dela vindo do banheiro “Elena, não pode me deixar assim” joguei a cabeça no travesseiro enquanto ela ria e respondia “vou tomar um banho rápido se aprece se quiser aproveitar” dei um sorriso malicioso com a última palavra, é claro que eu ia “aproveitar” me ergo pra sair da cama e algo me impede… viro e vejo uma coisa, uma sombra? não sei dizer mas estava me envolvendo e subindo pelas paredes e antes mesmo que eu pensasse em algo o meu corpo já estava sendo todo coberto pela “coisa”, eu não conseguia me mexer.

Elena voltou e não tinha mas o olhar travesso no rosto, ela estava irada e gritava comigo enquanto eu tentava sem sucesso me livrar do que me prendia. Tentei respondê-la mas minha boca estava coberta… “Você mentiu para mim!” ela continuava gritando enquanto a coisa me arrastava pra longe… eu mau conseguia escutar e ver “Você tem que cumprir!” ela estava chorando? quanto mais força fazia para me livrar, mais arrastado eu era... “aqui. comigo” eu tentava me concentrar na voz dela… que parecia estar a quilômetros agora… ela estava desaparecendo eu não podia perdê-la não agora “Damon?” eu já não via nem escutava…

minha consciência as poucos voltou a realidade e eu quis chorar como a muito tempo não fazia...

— DAMON! — Ouvi o grito forte de Elena… não como no sonho… como… como se ela estivesse perto… como se estivesse aqui ao meu lado… eu ainda estava sonhando?

Elena? — chamei num fio de esperança… aquele sonho, não, pesadelo tinha mexido comigo… seria possível enlouquecer mais do que eu já estava? Eu não queria enlouquecer… eu não queria ficar aqui… mas precisava dela, precisava disso.

Droga, eu não sabia de onde tinha vindo essa necessidade, certeza ou loucura ampliada… mas eu precisava chamar por ela… e foi o que eu fiz…

— Elena? — o nome dela reinou na minha mente enquanto a mesma se esvaziava de qualquer outro pensamento e antes que um novo surgisse eu escutei.

— Oi. — nunca imaginei que essas duas letrinhas juntas viriam a ser a coisa mais importante que já ouviria na minha vida.


. . .

Notas finais
Chegou ate aqui? Então da pra suportar esse drama todo? Obrigada por ler. Ate o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.