Lost

2 Belles de Jour


Notas iniciais
SIM, EU VOLTEI!!!! o/ Depois de pensar muito, finalmente decidi transformar Lost em uma Long Fic. Minha ideia inicial é escrever uma análise dos pensamentos e sentimentos do Chuck no início da s4, em terceira pessoa. Pretendo escrever do episódio 4x01 (postado abaixo) ao 4x09, um capítulo por episódio. Em cada capítulo, quero ser bem fiél ao episódio, retratando as cenas exatamente como ocorridas, porém mostrando os sentimentos e os pensamentos do Chuck, explicando o porquê de suas ações durante as cenas. Essa é a ideia inicial. Se vocês tiverem alguma sugestão ou dúvida, por favor comentem. Comentários e críticas construtivas são SEMPRE bem vindos! :) Enjoy! :*

"Have you ever been so lost? Known the way and still so lost..." (Lost — Katy Perry)

Dor. Essa foi a primeira coisa que sentiu quando seu corpo ganhou alguma consciência. Seus olhos estavam desfocados, sua respiração acelerada; tudo o que conseguia enxergar era um enorme borrão. Flashs de épocas distintas passavam por sua mente, o torturando. Em apenas 15 segundos, conseguiu relembrar todas as inúmeras vezes que tinha sido uma decepção em seus únicos 19 anos de existência. E, acredite, eram muitas vezes. E aí veio o borrão novamente. Vazio, sem rumo, repleto de dor. Exatamente como ele mesmo se sentia naquele momento.

A dor era tanta que poderia sufocá-lo. E as lembranças que vinham e voltavam de segundos em segundos, não ajudavam em nada. Agora estava se lembrando de todas as vezes que havia sentido dor em sua vida. E, todos esses essas dolorosas lembranças escondidas vindo à tona, depois de um período de inconsciência, era muito para um só ser humano suportar. Estava mergulhando em um abismo cada vez mais profundo, sem nenhuma chance de escapatória, quando finalmente perdeu a consciência, sendo despertado minutos depois por um forte tapa no rosto. Sua vontade era de revidar, mas não tinha forças. Por que, seja lá o que ou quem o tivesse acordado, não conseguia entender que não queria acordar? Pela primeira vez em sua vida, se julgou incapaz de superar a dor de seus pensamentos. “A ignorância é uma benção”, alguns costumam dizer. Naquele momento, essa frase se adequava inteiramente com a situação de Chuck Bass. Não queria lembrar. Simplesmente não queria. Queria apenas se afundar cada vez mais no oceano da inconsciência por bastante tempo. Afinal, como abrir os olhos e encarar tudo o que havia feito? Ou, pior ainda, todas as pessoas que tinha magoado? Não, acordar não era uma opção. O esquecimento era mais seguro. Era sua única saída sem nenhuma dor.

Porém, Chuck abriu os olhos. Não porque resolveu ser forte ou algo do tipo, e sim porque foi uma reação imediata de seu corpo. Era um covarde. Um covarde que preferia morrer ao invés de encarar o que quer que estivesse em sua frente. Ainda com a visão embaçada, enxergou uma mulher de longos cabelos loiros à sua frente. Seria Serena, sua meia-irmã? Não. Serena estaria provavelmente com Blair naquele momento. Blair. Fechou os olhos e os abriu novamente, tentando se concentrar apenas em focar sua visão e varrer os pensamentos dolorosos de sua mente.

Foi aí que ele finalmente a viu. Se lembrava de ter visto partes desfocadas de seu rosto em meio de tanta dor, mas agora conseguia vê-la de verdade. E o que sentiu, definitivamente, não era o que esperava. Achou que quando acordasse, teria que finalmente enfrentar todos os demônios dentro de si e encarar o inevitável. Iria sofrer, iria ser julgado por todos e talvez iria até pagar pelo que fez, o que estava disposto a fazer, pois sabia que merecia as acusações. Mas, principalmente, sabia que iria vê-la novamente. Sabia que voltaria pra casa e teria a familiaridade, o conforto de tê-la tão perto todos os dias, não podendo tê-la de verdade. E isso era o que mais doía. Porém, ao se deparar com essa mulher desconhecida em sua frente, uma pontinha de esperança surgiu dento de si. Afinal, aonde estava? Estava morto? Estava no céu? Imediatamente teve vontade de rir com esse pensamento. Era óbvio que Chuck Bass não iria para o céu. Mas, olhando em volta, com toda essa claridade e essa mulher relativamente bonita o encarando, o lugar não parecia nem um pouco com o que ouvira sobre o inferno.

– Onde eu estou? – ele perguntou, franzindo a testa, se sentindo mais confuso do que nunca.

– Você está seguro. – a mulher respondeu com um leve sotaque francês.

E foi aí que percebeu. Estava vivo. Teria que finalmente encarar a realidade, e isso era o que mais temia. Temia, principalmente, não conseguir viver consigo mesmo depois de tudo o que havia feito.

De repente, se lembrou do tiro. Instintivamente, retirou parte do lençol que o cobria e deu de cara com o ferimento, agora protegido por um curativo. Deixou escapar um suspiro de alívio, relembrando das palavras recém ditas pela mulher em sua frente. “Você está seguro”. Era tudo o que Chuck precisava naquele momento. Segurança.

– Quem é você? – ouviu a mulher perguntar.

Seu dedo foi imediatamente em direção ao seu anel de ouro com o CB gravado, o agarrando com força. Chuck Bass. Não era apenas um nome. Era um homem, um legado, uma história. Uma história repleta de mágoas, que precisava ter um final. E teria, naquele momento.

Afinal, o que significava ser Chuck Bass? Quais eram seus motivos pra viver, seus incentivos, suas determinações? Um pai enterrado metros abaixo do chão que nunca acreditou no próprio filho? Uma família adotiva que agora o odiava? Seu trabalho, sua fortuna?

Não. Nada valia mais a pena.

Blair? Sim. Ele tinha encontrado uma única coisa que valia a pena em sua vida, uma única pessoa que o incentivava a continuar, a ser ele mesmo e a lutar pelo que queria... mas era tarde demais. Ele a tinha perdido. O problema é que, quando se foi, Blair levou cada parte de si mesmo junto com ela.

E, depois disso, quem era Chuck Bass? Não sabia responder aquela pergunta. Tudo o que tinha passado e os vários erros que tinha cometido, haviam feito Chuck se perder. Chuck Bass estava perdido. De verdade. E, dessa vez, não tinha volta.

– Qual é o seu nome? – a mulher questionou novamente.

Ali, deitado naquele quarto, com essa mulher completamente desconhecida em sua frente, Chuck viu uma nova saída. Acreditou que era como se a vida tivesse lhe dado uma segunda chance, uma chance de recomeçar, de se tornar uma pessoa melhor. Sabia que isso era um teste. Um teste que, se dependesse de sua determinação, ele não iria falhar.

No fundo, perdido em seu subconsciente, Chuck guardava o fato de que tudo isso era apenas uma história da sua cabeça, uma escapatória para não ter que assumir o covarde que era e que apenas estava buscando uma maneira de fugir de seus problemas. Mas resolveu focar no seu novo plano, o plano de uma vida nova, enquanto escaneava o quarto em busca de ideias para nomes; em busca de quem ele realmente queria ser. Seus olhos pararam em “Henry V”, o clássico de Shakespeare, que conta a história de um homem que, apesar de seu passado, se tornou um Rei, um corajoso monarca, um líder. E era isso que ele queria. Queria o comando da própria vida. Queria ser um homem merecedor da mulher que amava. Queria fazer escolhas, e dessa vez as escolhas certas.

Henry. – Chuck disse para a mulher. – Henry Prince.

Arrancou seu anel abruptamente e o deixou cair no chão, oficializando o fato de que sua nova vida tinha começado, uma vida longe de Chuck Bass e de tudo o que o cercava.

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Henry Prince acordou repentinamente, olhando confuso para a mulher ao seu lado, por um momento se esquecendo de quem era e de onde estava. Tinha tido o mesmo sonho, o sonho que o atormentara por todas as noites desde que tinha abandonado sua identidade. No sonho havia dor, muita dor. E depois havia Eva, e sua transição de Chuck Bass para Henry Prince. Sempre o fazia acordar desnorteado, sem rumo, como se fosse um aviso de que não havia feito a escolha certa. Mas o pior de tudo é que no sonho tinha ela. Tinha muito ela. Blair o atormentava mesmo quando estava dormindo, tentando esquecê-la. Como se não fosse o suficiente não conseguir parar de pensar nela durante o dia.

– Você teve aquele sonho de novo. – Eva disse, quando desembarcaram na estação de trem, saindo para a rua. – Estava torcendo para ele não nos seguir de Praga pra cá.

Eles estavam namorando há 2 meses. Um namoro simples, puro, sem maiores complicações. Cada dia que passava ela parecia cada vez mais apaixonada, e Chuck se amaldiçoava internamente por não conseguir sentir o mesmo. A verdade é que seu coração estava ocupado. O maior problema é que não dava sinais de que não estaria disponível ainda por muito tempo. Chuck sabia que um dia talvez seria possível mas, na situação atual, nunca passou por sua cabeça nem ao menos tentar amá-la.

Era muito grato a Eva. Ela o tinha salvado, não apenas do tiro, mas dele próprio. Tinha lhe dado a chance de uma vida nova, e ele fazia questão de agradecê-la todos os dias, mesmo que seus gestos não fossem totalmente verdadeiros. Ele gostava dela. Gostava mesmo. Mas, apesar de tentar enganar a si próprio, ela não sabia quem ele era de verdade. Porque, vamos encarar os fatos, aquele não era ele.

Pensava em Blair mais vezes do que gostaria. Mais do que isso, ardia por dentro, com o desejo de poder ao menos vê-la novamente. Desde seus 5 anos de idade, nunca havia passado tanto tempo longe dela. Até o momento, Chuck não sabia que era capaz de sentir tanto a falta de uma pessoa. Não sabia que precisava tanto de uma pessoa. Doía tanto por saber que, não importava o quanto quisesse, nunca seria capaz de esquecê-la.

Obviamente não tinha contado a Eva sobre nada. Sobre seu passado, sua história ou sobre quem ele realmente era. Afinal, era um novo começo, não é mesmo? Disse apenas que não tinha família, o que não era uma total mentira, e ela não fez mais perguntas sobre o assunto. Parecia que também não gostava de falar sobre seu passado. Chuck as vezes se perguntava o porquê.

Ela percebeu que ele tinha pesadelos toda noite. Chuck, mentindo, dizia que eram sobre a noite do tiro, que o assombrava até os dias atuais. Então, ela teve a ideia de se mudarem pra Paris, onde seu tio tinha um apartamento sobrando. Era a solução para todos os problemas, já que iriam sair do lugar em que a tragédia aconteceu e poderiam recomeçar. Chuck aceitou na mesma hora. Recomeçar era sua palavra favorita no momento.

– Parece que vamos ter que dar mais um tempinho para eles desaparecerem. – respondeu, se referindo aos pesadelos.

– Tome o tempo que precisar. Meu tio disse que o apartamento é nosso e que tem um emprego pra você. – ela disse, sorrindo.

Inclinou-se para beijá-la com gratidão, e, naquele momento, percebeu que era apenas Henry Prince. Afinal, não era Chuck Bass quando estava com Eva. Nunca seria.

– Obrigado. — respondeu, sincero.

– Bem vindo a Paris, Henry.

Por um minuto Chuck teve um deja-vu, de uma época que no momento parecia muito distante. Era o verão anterior, e Chuck e Blair foram comemorar um mês de namoro em Paris, com direito a longas caminhadas pelo Senna, uma semana no chateau de Harold e Roman, e muito, muito amor. Quando estavam na limosine a caminho do hotel, Blair havia sussurrado em seu ouvido “Bem vindo a Paris, Chuck”. E foram os dias mais felizes de toda a sua vida.

Espantou imediatamente esses pensamentos de sua cabeça. Aquilo tudo era passado. Seu lugar era ali, no presente, ao lado de Eva.

– Vamos para casa. – ele falou.

Mas sabia que isso era impossível. Só uma pessoa o havia feito se sentir como se pertencesse à algum lugar. Só uma pessoa o havia feito se sentir realmente em casa.

Blair era seu lar. E, por isso, Chuck sabia que estava muito longe da sua verdadeira casa.

Ou, quem sabe, estivesse perto até demais.

Notas finais
Espero que tenham gostado! :) xx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.