Lost

7 Sufocada


Notas iniciais
- Esse ficou meio pequeno. Mas fiquei bem aflita ao escrever. Estou indo bem, estou progredindo, hm... Não sei com relação à qualidade dos capítulos, mas é minha primeira fanfic, qualquer coisa relevem. Eu tô enrolando, né?! Para o mistério, para o romance... Mas não quero ser apressada uhahaha. Leia com Nothing left to say (IMAGINE DRAGONS). Comente! :)

Eu fiquei rolando naquela cama estúpida por mais ou menos uma hora e meia antes de conseguir adormecer. Aquele quarto ridículo tinha o cheiro dele. Cara, eu preciso me estapear, isso não... Eca. Não. Eu tenho prioridades aqui.

Ouço risadas na sala. Risadas cheias de insanidade e ódio. Como podia distinguir os sentimentos em uma risada? Não sei. A respiração ofegante. O choro de uma criança pedindo por sua mamãe. Eu era a criança. Eu parei subitamente de chorar, os olhos ainda encharcados. O silêncio reinava naquela casa até ouvir-se um estrondo. Um último grito, depois mais um. Um gritinho de comemoração. Uma criança estagnada em seu berço, sem saber o que fazer. Sem saber o que fazer, chamando baixinho por sua mamãe, que infelizmente nunca viria.

Toc-toc-toc. Fazia o salto da velha amargurada que se aproximava do quarto da criança. Ela estava paralisada de medo, quase uma estátua de cera. Uma risadinha seca, podia-se ouvir no corredor. A porta rangeu. Alguém a abria.

– AHHHHHHHH — gritei como criança, ainda tomada pelos medos do sonho. Me levantei e me deparei com um travesseiro encharcado. Não acredito que gritei daquele jeito. Eu ainda não estava totalmente consciente de mim. Que horas eram? O relógio marca 4:56.

– O que houve? — ouvi alguém sussurrar sonolento perto da porta. Me encolhi, pensando... pensando na porta do sonho.

– Está... tudo... Tudo bem — respondi gaguejando. Sabia que ele não acreditaria pra valer, mas desistiu, talvez tomado pelo sono. Me enrolei de novo no cobertor, tremendo. Meu coração batia mais forte do que nunca, a pulsação invadia meus ouvidos. Uma luta até que eu conseguisse dormir novamente. E no dia seguinte eu não falei sobre o sonho, ou melhor, pesadelo, com Brian.

...

Era madrugada novamente. Uma madrugada de sábado. Eu nunca conseguia adormecer antes das 1 da manhã. Brian tinha me dado dicas de umas músicas para pesquisar. Ouvia Madness para me distrair.

But some kind of madness
Is swallowing me whole, yeah

Era quase Natal. Não recebi mais nenhum bilhetinho da minha assassina secreta. Eu passava cada dia da minha vida — que poderia acabar em um piscar de olhos — trancada naquele apartamento estúpido. Brian não limpava aquilo, a poeira já estava me dando algum tipo de alergia. Só tentava me distrair, comprar algo decente para eu comer e fazer comentários desconexos sobre o que acontecia. Sinto no fundo do meu coração que eu nunca gostei dessa sensação. Um fundinho de claustrofobia me corrói seriamente. Agora tocava Nothing left to say.

Below my soul
I feel an engine
Collapsing as it sees the pain
If I could only shut it out

...

– Brian! — gritei, acordando-o. Dormia desajeitadamente no sofá. Era sábado, ele não ia para a faculdade. Aliás, ultimamente ele faltava constantemente. Olhei para a janela. Ia abri-la, mas tinha um cadeado. Um cadeado?! – Que droga é esta? — fiz a pergunta indelicada, puxando o cadeado enquanto Brian entreabria os olhos. — Não dá... não...

– O que não dá? — perguntou, confuso. Sentou-se.

– Pra viver assim... não... — lamuriei.

– Viver — rebateu.

– Isso é viver? — A aspereza em minha voz era maior que tudo. — Eu quero sair daqui, Wood! Eu não quero perder a minha sanidade mental como ela! Porque eu aposto que sanidade mental é algo que ela não tem! — Ele pôs a mão em meu ombro.

– Vamos... vamos... Vamos sair, tá legal? — Aquilo exigiu bastante esforço para ele.

– Por que é que você se importa tanto? Se eu morrer ou coisa do tipo? Eu nem era sua amiga pra valer... — O olhar dele se tornou meio angustiado, meio triste. Ele queria desviar, mas estavam cravados em mim. Aqueles olhos cinzas gélidos estavam cravados nos meus.

– Eu gosto de você, merda — respondeu. Sua mão ainda em meu ombro. Meus batimentos quase como naquela noite. — Eu queria que a droga da paixãozinha de adolescente tivesse passado. Parece que eu não amadureci muito. Eu pensei que eu só estava te ajudando porque eu te conheci... Mas eu ainda sinto algo.

Sua mão ainda estava em meu ombro. Eu queria tanto escapar. Eu queria, não queria? Seus olhos... Minha pulsação... Eu estava aqui há pouco tempo demais para isso estar acontecendo. Não. Solte-me! — minha mente gritava. — Solte-me! Me deixe fugir. Ao mesmo tempo, ao mesmo tempo não. Porque havia um duelo. A razão, os sentimentos. Temia por quem vencesse isso. Seu rosto estava se aproximando. A razão dizia "Corra!". Os sentimentos me mantinham inerte. Parece que eles venceram. E seu nariz já tocava o meu quando a força invadiu o meu corpo e me fez correr como uma menininha boba e desesperada para seu cantinho.

Isso. Eu estava tão, tão completamente sufocada que a minha sanidade estava sendo afetada. Isso não pode acontecer. Tem coisas mais importantes do que... do que... O que é isso? Eu desconheço os sentimentos. Sou uma fria sem romance na vida. A paixão é um pulo no abismo pra mim. O desconhecido. E é por isso que eu fujo. Eu correspondo? Não sei. Só sei que choro, e me insulto mais ainda por isso. Por ser tão fraca e idiota. É só uma... boba... Não, isso não é nada!

Eu preciso tanto de ar. Mas tem um cadeado em minha janela.

Notas finais
*Os trechos em itálicos são partes das músicas citadas por Emma que são da Banda Muse (a primeira música) e Imagine Dragons (a segunda).