Losses And Achievements
1 Capítulo 1 - Introdução
E o seu irmão andava de mãos dadas com a própria irmã, às vezes olhava dentro dos olhos cor de mel da irmã, tentando interpretar o olhar incognitável, com o brilhar sincero, inocente, ingênuo.
-Você é igual a sua mãe. –Paul comentou, olhando fixamente para os olhos cor de mel igual ao da mãe da irmã.
Ela deu de ombros e apenas agradeceu com o sorriso doce nos lábios carnudos avermelhados como gotas de sangue vermelho vivo. A pele macia e branca como neve estava gélida, as maças do rosto coravam assim como o nariz comum e arrebitado, uma coisa pelo menos do pai.
Bella sentou-se a um balanço de madeira desgastada com o tempo, provavelmente, passou a mão limpando-o, antes estava coberto com a neve de Nova York, embalou-se sozinha lentamente com uma expressão sempre misteriosa, como se houvesse uma máscara escondendo suas emoções, seus sentimentos. Mirava os olhos misteriosamente nos carros que trafegavam nas avenidas silenciosas nova-iorquinas lotadas da neve delicada e branca como sua pele.
O irmão a encarou, ela apenas observava a neve caindo delicadamente, ele tentava decifrar os pensamentos da irmã escondidos pelas bolas de gude brilhantes como o brilho oscilante da lua cheia na cor de mel.
Ele a fitava curiosamente, irritado e perplexo por ela não percebê-lo. Ele a cutucou e enfim conseguiu o que queria, ela virou a cabeça e afundou o olhar nos olhos do irmão.
-O que foi? –Ela perguntou calmamente em um ar de desdém.
-Eu só queria olhar nos olhos da mamãe. –Ele respondeu encantado e se perdendo no olhar de Bella, contemplando o olhar da irmã.
-Ah. –Ela respondeu revirando os olhos e ficando sem graça.
-Com dezesseis aninhos, ainda parece que tem doze... –Paul comentou, afagando um dedo no rosto dela.
-Por que diz isso? –Bella perguntou ingenuamente.
-Continua a mesma menininha de sempre. Eu sempre pareci o mais velho, não acha?
-Quer mesmo saber? –Ela retrucou com um riso zombeteiro. Eles riram juntos.
Ela realmente não era fã do seu jeito de ser. Viu-se crescer como uma menina doce, frágil, sensível, envergonhada, a cheia de amor para dar, difícil de ter nas mãos, pela sociedade vista como um vaso de flores prestes a quebrar. Claro, sempre a sociedade a definia. Um lado de si almeja uma vontade imersa de mandar todo mundo se ferrar, mas ela não é tão fria e calculista a ponto de ser como as pessoas que a machucaram. Talvez as pessoas a machucam porque são fracas a ponto de manipular os outros para conseguirem o que quer, a ponto de mentirem para ganharem o que quiserem, se achando fortes, poderosas. Talvez gostem de ferir seus sentimentos porque ela perdoa, porque ela confia nos outros, ela pensa. Uma garota difícil também se magoa. Ainda mais uma garota difícil como Bella.
-Quer ir para casa, Bella? –Paul perguntou a ela, depois de um longo silêncio. Ele avaliou Bella, fitou cada fibra do seu rosto... Ela estava submersa sob seus pensamentos. Envolveu-a com um abraço aconchegante e repetiu a mesma pergunta. Dessa vez, ela apenas olhou dentro das pupilas dos olhos dilatadas e nas duas bolas de gude azul-acinzentadas do irmão e assentiu com a cabeça.
Paul entrou no seu Volvo C30 prata, sentou-se na direção e Bella ao lado dele, os dois nos bancos estofados de couro. Bella olhava fixamente para os flocos de neve encostando lentamente o vidro do carro, enquanto Paul a observava pelo canto do olho.
De repente, uma lágrima transparente e salgada escorreu pelo canto do olho de Bella. Paul dedilhava os dedos no volante, freou quando o sinal do semáforo parou no vermelho, aproveitou e enxugou a lágrima teimosa que rolava pela face de Bella.
-Obrigada. –A irmã agradeceu grata.
-É pela mamãe? –Paul perguntou. Ela apenas olhou para os pés. –É pelo Vinícius? –Os olhos dela se encheram mais ainda de lágrimas e ela apenas assentiu com a cabeça, soltando um suspiro carregado pela dor que machucava seu peito.
Nos últimos dias após duas mortes na mesma semana, por coincidência, da mãe de Paul e de Bella, Belatriz e do amor da vida de Bella, Vini, o irmão de Bella passa horas, minutos e segundos ao lado dela, dando carinho e atenção. Até parece estranho, porque ele é o que mais se importa, até mais do que os amigos mais próximos de Bella, também porque o irmão nunca foi de se importar tanto com alguém.
Ao chegarem em casa, o pai dos dois estava falando com um cliente da sua empresa. Sr. Wiliam, um homem de negócios, empresário dedicado e ocupado, dono de uma empresa popular em Nova York, recebendo um lucro invejável.
Bella subiu lentamente as escadas até chegar ao corredor que dava para o seu quarto. Entrou, trancou a porta do quarto, abriu o fecho do casaco e deixou-o cair no piso do quarto. Com preguiça, foi tirando a blusa xadrez e a pendurou no armário branco e passou os dedos suavemente pela borda do porta-retrato da foto da mãe e do amor de sua vida. Derramou duas lágrimas para cada um. Ela sabia que os dois queriam a ver sorrindo, mas ela não conseguia segurar suas lágrimas de dor. Passou um tempo e Bella colocou um moletom largo e confortável, porque já estava ficando com frio. Escovou lentamente os cabelos castanhos com alguns fios dourados, caindo até a altura do busto, arrumou a franja lateral delicadamente e nem adiantou escová-la; em um instante já estava toda bagunçada, porque a sua gata, Sarah, sem aviso prévio nenhum, pulou em cima de Bella e largou suas plumas brancas macias pelo ar. Passou a língua áspera nas maças do rosto de Bella, com sardas quase invisíveis espalhadas nelas. Bella segurou levemente a pata de Sarah, afagou um dedo na sua orelha, fazendo a gata ronronar.
Bella sacudiu os cabelos pesados e destrancou a porta do seu quarto. Carregou Sarah no colo generosamente e desceu as escadas até a cozinha. Em um lado, seu pai esquentava a lasanha de carne no micro-ondas moderno, no outro, seu irmão assistia a uma comédia na tevê. Seu pai sorriu a ela, Bella correspondeu ao sorriso gentilmente.
-Bella...
-Oi pai?
-Nunca mude seu jeito de ser. Você é especial e linda por ser quem você é.
-Por causa da mamãe? –Ela perguntou frustrada por se sentir meio subordinada.
-Você lembra muito a sua mãe. –Ele olhou no fundo dos olhos cor de mel da filha. –Mas você tem o sorriso mais perfeito que eu já vi em minha vida. Eu amo você, Bella.
-Eu também te amo, papai. –Ela abriu um sorriso meigo e o pai abriu a porta do micro-ondas, retirou com cuidado a lasanha. Ele realmente estava se esforçando para parecer a mãe de Bella e de Paul. — Quer ajuda? –Bella perguntou.
-Não, obrigado. Mas se eu quebrar essa travessa de vidro, você e seu irmão são quem vão limpar. –Ele riu, entregando que fora uma brincadeirinha inocente de pai. Colocou a travessa completa pela lasanha gigante, cortou um pedaço para Bella e ela agradeceu. Sentou em uma cadeira da mesa e experimentou. –Está boa? –Sr.Wiliam perguntou, esperando o resultado curiosamente.
-Está ótima. –Ela aprovou, dando outra mordida.
-Obrigado. –Ele sorriu e sentou-se à mesa, pegando um pedaço para comer. Chamou Paul, ele veio correndo, pegou um pedaço, colocou no sofá e voltou a assistir a comédia. Bella o observou.
-Com licença.
-Já está servida, filha? –O pai percebeu algum vazio nela.
-Sim, papai. –Ela disse, levando o prato à pia, passando a esponja cheia de sabão na louça, enxugando lentamente, secando tudo e guardando em seu devido lugar.
-Bella...
-Oi?
-Obrigado. –O pai sorriu.
-Imagina. Faço qualquer coisa por você. –Ela retribuiu ao sorriso, deu as costas e subiu os degraus da escada de meia, Sarah veio atrás dela discretamente.
Bella abriu a porta silenciosamente, deixou a gata entrar primeiro e se acomodar em cima de sua cama, logo depois, ela entrou no quarto e trancou a porta. Sentou na cama, olhou Sarah deitada e acariciou as orelhas da gata. Sorriu.
Ela procurou alguma coisa para fazer naquele quarto com suíte, com uma varanda que trazia um vento fazendo com que a cortina blefasse. Pegou a gata no colo e a levou para a varanda. Bella ficou contemplando o brilhar das estrelas. Costume. De repente, seu coração disparou como há pouco tempo atrás. Há poucos dias atrás, como o seu coração acelerava quando ouvia a voz do Vini. Em seu subconsciente, ela ouvia a voz dele gritando seu nome, ela achou loucura, mas respondeu, entre lágrimas de saudade:
-Eu te amo, Vini. Eu sinto a sua falta. –Ela achou que tinha ouvido uma resposta, uma adrenalina tomou conta dela e ela achou melhor parar. Fechou a porta da varanda, se atirou na cama e antes de fechar os olhos, pensou no que havia ouvido... Se é verdade, ou ela estava simplesmente ficando louca?
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