Notas iniciais
Olá,

O título da história baseada na música: Losing My Religion - R.E.M (https://www.youtube.com/watch?v=xwtdhWltSIg)

Boa Leitura!

Não havia sido um sonho, Petunia já estava acordada quando observou a irmã fazer nevar dentro do quarto. Petunia queria levantar e brincar, mágica, ela adorava magia, mas lembrou-se de como havia sido rejeitada. Teria ficado verde de inveja pela irmã. “Não seja tola, pessoas não ficam verdes, somente as bruxas” ela pensou escondendo-se debaixo das cobertas. Inveja não era coisa de gente decente, seus pais preferiam Lily, claro que sim, uma bruxa, mágica, quem iria preferir Petunia Evans? Uma menina normal, não era muito bonita, nem muito inteligente, era excepcionalmente comum.

Não podia competir em casa, não com Lily sendo especial como era, e não podia ter inveja, esse era um sentimento medíocre, era melhor que tivesse raiva. Era mais fácil odiar a irmã caçula.

Cresceu assistindo a irmã ser adorada pelo que era, enquanto ela tinha de aceitar o fato de que sua irmã era na verdade, esquisita. Chegara à conclusão de que não era bom ser bruxa, afinal, se fosse mesmo bom por que eles se esconderiam do resto do mundo? Uma tolice, perder a vida real por conta de alguns truques de mágica. Petunia seria mais esperta do que a irmã, ia sair de casa para estudar de verdade, arranjar um bom casamento e fazer sua vida. Não iria mais viver a sombra dos truques de ilusão de Lily.

Estava terminando seu curso de datilografia, quando conheceu Valter Dursley, excepcionalmente comum. O que era perfeito para Petunia, estava cansada de ser ofuscada.

Chegara o dia em que a irmã se formara na tal escola de bruxaria, e Petunia como boa irmã que era tentou dar a chance para que a irmã pudesse ser normal. Temeu que ela estragasse tudo com Valter, o homem a apoiava e não gostava dessa ideia tola de magia.

Lily estragara tudo e mais uma vez Petunia foi obrigada a odiar a irmã, parecia pirraça da mais nova, não facilitar as coisas para a irmã. Valter enfim a pediu em casamento, seus pais ficaram felizes, Petunia faria um bom casamento, mas não chamaria a irmã, não daria a chance para que Lily estragasse seu momento. Aos poucos se afastou mais e mais, era melhor assim. Petunia Dursley não gostaria de criar o filho em meio a essa loucura de bruxos e bruxas. Os pais faleceram com a idade. Sobraram apenas Lily e Petunia.

Lily enviara uma carta. Contando que havia tido um filho, chamara o garoto de Harry. “Que nome mais infeliz” pensou Petunia, e pensou também que gostaria de conhecer o menino, pensou que gostaria de rever a irmã. E se um dia ela acordasse e descobrisse que estava arrependida por odiar a irmã. Eram família, e Petunia deveria amar a irmã mesmo ela sendo esquisita como era. Ponderou se deveria ou não escrever uma carta contando sobre Duda, e compartilhar entre elas a experiência da maternidade. Mãe era mão, mágica ou não. Era algo que tinham em comum. Lembrou-se de quando eram apenas crianças e não havia nada disso, lembrou-se de como cuidava dos cabelos de Lily, de quando brincavam de boneca, de quando iam ao parquinho e ela precisava brigar com outras crianças por implicarem com a menor. Pensou ter chorado enquanto recordava e sentiu saudades de Lily. Adormeceu um sono profundo, ainda ponderando se procuraria ou não a irmã.

Era tarde demais, o menino estava na porta, não havia Potters, não havia mais Lily. Morreu. Petunia tentava compreender o significado disso. Olhou o bebê a encarando de olhos arregalados, os olhos dela. “Santo Deus!”. Valter quis entregar o menino às autoridades, não eram obrigados a nada. Mas Petunia não conseguiu ignorar aqueles olhos, os olhos dela. E daí se Lily estragara tudo sendo anormal, Petunia não podia permitir que aqueles olhos desaparecessem de sua vista outra vez. Ele seria excepcionalmente comum, faria do jeito certo agora, pela irmã e pelo relacionamento que não tiveram, por Lily ela cuidaria de Harry.

Notas finais
Olá,

Deve ter sido difícil para Petunia perder a irmã, por mais que tenha escolhido caminhos para longe dela. Todos têm direito ao erro e ao arrependimento, desde que não seja tarde demais.

Obrigada por ler.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!