Lose My Mind
3 The feelings that have never gone away.
Notas iniciais
Até as notas finais!
Boa leitura!! ^^
Viro na cama, impaciente. Os raios fortes daquele sol matutino adentram pelas sutis frestas da cortina, incomodando-me, de forma considerável, os olhos que permaneciam cerrados em meu estado de semi-consciência.
Eu estava cansado. Como não estaria? Pensamentos e tentativas — obviamente que falhas — de compreensão sobre o misterioso surto do italiano, no dia anterior, trataram de ocupar-me a mente num período que, a mim, pareceram décadas, limitando assim meu tempo de sono.
Rodo na cama novamente, arrastando comigo o fino cobertor, usado no momento para bloquear, ao menos parcialmente, a luz que já dominava quase que por completo o ambiente. Malditas cortinas... Por que elas não funcionam corretamente quando mais precisamos delas?
“Só mais alguns minutinhos... Eu juro... Eu realmente preciso de apenas mais uns poucos minutinhos...”, eu pestanejava em pensamentos, lutando contra meu impulso de levantar-me finalmente.
Fecho fortemente os olhos, afundando meu rosto no travesseiro. Ouço passos abafados que se aproximam, mas estes são completamente ignorados por mim.
– Tonio~ – ouvi um baixo cantarolar de meu nome, cuja voz me era muito bem conhecida.
Bocejo alto antes de responder ao intruso.
– Vá embora... Eu dormindo aqui... – respondo, ainda sonolento.
O ser abriu as cortinas velozmente, causando, além de um chiado relativamente alto, a completa inundação de meu quarto por uma luz brilhante e incômoda.
– Veja como o dia está belo, mon amour! É um desperdício de tamanha beleza! Levante-se, vamos! Levante-se!
A voz animada e carregada de um forte sotaque francês acabou por me fazer desistir de permanecer em minha confortável cama. Levanto as costas lentamente, apoiando-me no colchão e logo me pondo sentado, encarando o loiro sorridente com um olhar cansado, mas alegre.
– Bom dia, Francis... O que faz aqui? E posso saber como entrou? – digo, numa voz mansa e tranquila, mas nada surpresa.
– A porta estava aberta. – diz ele, simplesmente, jogando as mãos, uma para cada lado.
Esfrego a cabeça e mais uma vez bocejo, ainda um tanto sonolento. O francês, despreocupado, encarava-me, parado e calado, no meio do quarto e com os braços firmemente cruzados sobre o peito. Espreguiço-me, direcionando minha atenção novamente ao rapaz diante de mim.
– Por que a porta da minha casa estava aberta? – pergunto, um tanto confuso, encarando-o fixamente.
Ele dá uma risada breve e contida.
– Como eu vou saber? Apenas vim te buscar. Ou você se esqueceu da entrevista?
Coço a cabeça, cada vez mais confuso e cheio de perguntas.
– Que entrevista?
O francês suspira brevemente, talvez no fim de sua paciência. Mas, ainda assim, ele mostrou-me seu corriqueiro sorriso e respondeu à minha pergunta, sem demoras.
– A entrevista de emprego, meu caro Tonio.
– Ah... – eu digo, monotonamente.
Por entre os fios loiros que caiam pela face do jovem e alcançavam seus ombros, vi um nervo pulsar ao canto da testa, impacientemente. Ele tentava manter sua postura, mas estava cada vez mais difícil conter sua impaciência. Ele caminha até mim, em passos leves, suspirando pesadamente durante o percurso.
Eu permaneço no mesmo local, imóvel, apenas observando a aproximação vagarosa de Francis. Ele agarra-me pelos ombros e me sacode, com força.
– Tonio, acorda! O que você fez a noite toda? Você sabe que tem que ser aceito nesse emprego, pois seus pais deixaram bem claro que não irão mais o sustentar. E com razão! Você já tem quase vinte e três anos e ainda não foi aceito em qualquer trabalho decente. – as palavras atropelavam-se umas nas outras enquanto saiam velozes dos seus lábios.
Ele me larga, mas eu ainda estava abalado; e abalado por vários motivos. Porém o sono finalmente se esvanecia, apesar de que lentamente. Olho-o, finalmente consciente, acordado e, ao mesmo tempo, incrédulo.
– Oras! Não é como se eu nunca tivesse trabalhado nesses últimos anos!
– Apenas bicos. E você não será capaz de viver com apenas isso, pelo resto da vida. – ele suspira, pousando as mãos na cintura – Eu e o Gil temos tentado te ajudar desde que nos formamos do colégio, porque somos todos bons amigos, mas você não se esforça, Tonio...
Eu o encaro, em silêncio. Nada vinha à minha mente, nem mesmo uma possível resposta ou contra-argumento. No fundo, eu sabia que ele tinha razão.
– De-Desculpa... Você tem razão... – digo, finalmente reconhecendo minha parcela de culpa e irresponsabilidade.
Pus-me de pé no mesmo instante, bagunçando o cabelo de um castanho escuro com uma das mãos, um tanto envergonhado.
Era realmente complicado para mim, alguém que cursou apenas até o colegial, arranjar um emprego definitivo e bom — ainda por cima quando eu não sou de todo esforçado. Eu tenho levado a vida muito na brincadeira e estou ciente disso. Se ao menos eu tivesse prestado para algum curso superior, numa faculdade qualquer... Mas, na época, eu não me preocupara muito com tal coisa, levando à minha condição atual.
Eu não sou de uma família rica e com grandes negócios para herdar, como no caso do francês, logo eu deveria ter feito com Gilbert: simplesmente prestado para algum curso que me permitisse, no futuro, não morrer de fome...
– Vou tomar um banho rápido e já vamos. – digo, finalmente, sentindo a cabeça pesar por conta das preocupações. Porém, estressar-me com tais assuntos, agora, não levará a nada. O jeito é tentar seguir em frente, com a cabeça sempre erguida.
– Okay. – diz o francês, simplesmente.
– Mas afinal, porque a porta estava aberta? – pergunto, enquanto saia do quarto com uma muda de roupas entre os braços.
– Mon amour, a casa é sua... – e foi tudo que ele disse, deixando-me pensativo.
Fiquei parado alguns instantes ao lado da porta de meu quarto, encarando não mais o loiro, mas o carpete de madeira que cobria o chão de concreto. E foi como se um choque me pegasse subitamente, percorrendo-me o corpo.
Para a surpresa e confusão do outro, larguei as mudas de roupas no mesmo instante, de forma que elas foram ao chão instantaneamente, e apressei-me pelo corredor, apressado, com um francês confuso em meu encalço.
Ele me chamou algumas vezes, mas fora, todas às vezes, ignorado por mim. Na outra ponta do corredor alcanço, finalmente, meu destino. Bato algumas vezes na porta de madeira, chamando pelo nome de Lovino, sem obter quaisquer respostas.
Abro a porta apressadamente, com o coração na boca, mas o quarto estava vazio. Francis logo havia se postado ao meu lado e encarava, com curiosidade, o cômodo que, normalmente, se encontrava vazio, mas que, naquele instante, estava completamente bagunçado, com algumas roupas inclusive largadas sobre o piso.
Levo a mão à testa, sentindo que eu transpirava um pouco. O loiro, depois de encarar o cômodo o tempo que julgou suficiente, tomou-me novamente como foco de sua atenção.
– Lovino?... Não era ele aquele jovem sorridente que te seguia para todo canto, anos atrás? – ele pergunta, curioso.
– Não... Esse é o Feliciano, o gêmeo mais novo dele. – respondo, monotonamente, tentando deduzir aonde o italiano teria ido.
– Ah! Então Lovino era o pirralho encrenqueiro e irritado! – ele olhou para mim, batendo o punho na palma da outra mão, numa dedução definitiva e concreta. – Certo? – ele acrescenta, com gosto, ao ver-me corar um pouco.
– E-Ele não é irritado... Nem encrenqueiro... Ele só é um pouco... Complicado...
O francês rio brevemente, fazendo-me corar um pouco mais. Sem dar tempo para que ele prosseguisse com suas provocações — pois era isso que ele fazia, e aparentemente com gosto — iniciei meu próximo discurso:
– Mas onde ele pode ter ido? Ele não pode ter simplesmente saído, sem mais nem menos...
– As coisas dele estão ai, então ele certamente voltará. Portanto se apresse e vá tomar logo o seu banho.
– Eu tenho que achá-lo! – viro-me ao loiro, tomado por súbita agitação – E-Ele não está bem... E ainda não tivemos tempo de conversar sobre aquilo. Acho que ele está passando por problemas familiares... Sei lá.
– Ele não será o único com problemas se você não se apressar àquela entrevista. – o francês diz, seriamente, surpreendendo-me.
– B-Bem, sim... T-Tem razão. Mas e se... E se aconteceu alguma coisa?... – digo, claramente temeroso.
Eu nada mais disse e o francês também não parecia disposto a quebrar aquele tão frágil silêncio. Porém, depois de alguns instantes, ele voltou a falar.
– Tonio, quantos anos o Lovino tem?
– Dezessete, por quê? – pergunto, confuso com a súbita pergunta.
– Ele ainda está estudando, certo?
– Sim... – eu digo, com ar de confusão para com aquele súbito questionário.
O loiro suspira fortemente e quase pude ler as palavras “Antonio seu idiota” escritas dentre suas feições desacreditadas. Eu o encaro fixamente, incógnito, esperando que ele enfim se pronuncie.
– Tonio, hoje é segunda-feira. – ele diz, finalmente.
– Ah. – foi tudo o que eu pude dizer, ainda incerto sobre a aparente conclusão de meu amigo.
Eu ainda não entendia o que ele queria dizer com aquilo! No que importava o dia da semana?! O Lovi havia sumido e eu era o responsável por sua segurança! Aonde... Aonde ele teria ido numa plena segunda-feira...
– Ah, pera. É isso! Como não pensei nisso antes?! – uma luz se fez presente em minha mente e finalmente as coisas clarearam. Sorri largo e pus-me a rir de minha idiotice. O francês acompanhou-me, balançando a cabeça, sorrindo. – Hoje é segunda, logo tem promoção no cinema da cidade! Lovino sempre amou filmes! Ele, com certeza, está lá!
O francês observa-me, agora em silêncio e com os olhos levemente cerrados. Ele leva a mão à testa, massageando a têmpora.
– Tonio... – eu sentia um ar ameaçador alcançar-me por meio da voz carregada de um forte e impaciente sotaque francês. – Ele está na escola!
Coro um tanto, coçando o rosto e os cabelos, desconcertado. O loiro encarava-me, desacreditado e impaciente.
– Ah. Claro... – sinto-me corar ainda mais fortemente – Bem... Acho que vou tomar meu banho então... – digo, dando meia-volta e caminhando novamente em direção ao banheiro.
– Tonio, o que há com você? Você geralmente é mais esperto que isso. Você está bem? Aconteceu algo entre você e o Lovino? Desde quando ele está morando aqui? Pensei que ele estava na Itália!
Não respondi de imediato. Apenas suspiro e o encaro pelo canto dos olhos, tomado, mais uma vez, por um inexplicável cansaço.
– É uma longa estória. – eu digo, a voz soando um tanto arrastada aos meus próprios ouvidos – O Gil também vai querer saber, então contarei mais tarde. Okay?
– Claro. – ele dá de ombros.
Depois de mais alguns poucos segundos de trocas de olhares entre mim e um francês confuso, adentro, finalmente, o banheiro, para tomar um banho apressado. Ainda assim, minha preocupação não me largara, apesar de toda a água gelada que me escorreu pelo corpo nu.
Apenas a sujeira se fora pelo ralo abaixo...
.
~*~
Era meio dia quando eu finalmente saí da enorme construção acinzentada. O sol forte, costumeiro para o horário, geralmente não me incomodava, entretanto, nesse dia, o tempo se fazia mais abafado que o normal, provavelmente pela ausência de qualquer mínima brisa, de modo que eu me sentia completamente suado apesar de ter acabado de abandonar o interior da empresa, refrescada por múltiplos ar-condicionados, que eu fora tentar a sorte naquele dia.
Caminho alguns passos pela rua, a cabeça levemente abaixada a fim de proteger meus olhos claros da claridade exagerada. Não demora até que eu alcance a esquina onde se encontrava uma discreta lanchonete, cujas mesas, de um tom verde-musgo, se encontravam espalhadas pela larga calçada; demorando ainda menos para que eu percebesse os fios brancos do cabelo de meu amigo destacando-se na multidão, um pouco mais ao longe, sentado, junto de Francis, numa mesa coberta por um amplo guarda-sol.
Apreço-me até eles, os passos corridos e a cabeça erguida, apesar do desconforto proporcionado pela luz, enquanto aceno alegremente. Eles se erguem e me chamam em um aceno para que eu me junte a eles, ao que obedeci.
Eu praticamente corria por entre as mesas, o que me trazia lembranças de meu tempo de criança, quando os alcancei, pulando sobre o albino que sorria convencido, provavelmente já ciente das novidades.
– Gil, gracias! Gracias, mi amigo!
Ele responde ao cumprimento dando-me palmadas nas costas, porém com uma força propositalmente exagerada. Nada que eu já não estivesse acostumado.
Depois que os jovens italianos partiram, Francis e Gilbert se tornaram, mais que nunca, meu apoio. Éramos colegas de classe e sempre me dei bem com os dois. Causávamos uma confusão expressiva no colégio, sendo sempre repreendidos. Não que a gente se importasse muito com isso...
– Tonio! Nunca que a minha incrível pessoa poderia deixar um amigo morrer de fome na sarjeta! Ainda mais quando tem, agora, mais uma boca para alimentar!
– Oh. Bem... Então Francis já te disse sobre o Lovino... – eu digo, um tanto sem jeito.
– Não disse foi nada! – ele exclama, impaciente. O albino senta-se novamente e eu o acompanho, sentando na cadeira vaga. – Só que ele estava morando com você. Então, qual é o lance? – ele sorri lago ao concluir a frase, sarcasticamente.
– Ah? Não! Eu e o Lovi não estamos sequer saindo. – eu digo, abanando as mãos diante da face, rindo como quem ri de uma piada. – Ele simplesmente me pediu abrigo até que encerrasse o ano letivo, e eu concedi. Somos amigos de infância afinal.
– Hum... – os outros dois assentiram, apesar de que não aparentavam muita crença em minhas palavras.
Ignoro a descrença de ambos e prossigo com meu discurso.
– Mas pelo menos graças a você, Gil, agora tenho um emprego definitivo. Não vou ter problemas com minhas despesas, desde que eu não exagere em gastos desnecessários.
– É difícil ter tantos contatos, pois eles estão sempre a minha procura, mas há também o lado bom. – diz ele, orgulhoso.
– Sim! E agora nosso querido Tonio virou um homem de negócios! – diz o francês, animado.
– Gente... Vocês sabem que eu vou apenas trabalhar na recepção... – eu digo, um tanto encabulado.
– É um começo, mon amour.
– Você está empregado, então pare de reclamar tanto. – diz o alemão, com um sorriso convencido. – Agora trate de explicar sobre o tal problema do Lovino.
– Ah, sim. Então, o que acontece é que...
O som de meu celular despertou e não demorei em colocar a mão no bolso e pegá-lo apressadamente, curioso por receber uma ligação em uma hora como aquela. Seriam meus pais, perguntando pela entrevista?
Porém eu estava errado. A inscrição exibida na tela dizia ser uma ligação de um total desconhecido. Atendo, sendo observado por meus amigos.
– Alô? — digo, um tanto curioso.
“Onde você está, bastardo?”
A voz do outro lado da linha aqueceu-me o peito instantaneamente. Num piscar de olhos, eu já me sentia mais tranquilo do que eu estivera o dia todo.
– Ah! Lovi!
Não pude deixar de perceber quando Gilbert e Francis trocaram olhares furtivos e maliciosos, o que me causou certo constrangimento, porém eu tinha que direcionar toda a minha atenção ao Lovino no momento, então simplesmente os ignorei.
– O que foi? Estou num café e vou almoçar agora. – digo eu.
“Vai almoçar fora porra nenhuma! Vem pra casa! Agora!”
– Eh?
“Você não deixou nada pronto pra eu almoçar!”
– Ah... Certo... É que estive um tanto que ocupado esta manhã... E agora estou com uns amigos...
“Foda-se.” Ele diz, em aparente ira. “Vem logo pra casa.”
Rodo os olhos, pensativo.
– Bem... Eu... Eu não sei. Você não pode comer sem mim? Tem uns folhetos na segunda gaveta da cozinha com números de restaurantes. Você pode pedir alguma coisa para você... Não sei. – digo, temeroso de uma possível explosão por parte do italiano.
Ele nada responde de imediato e aquela quietude me abala consideravelmente.
“Não quero comer sozinho.” Ele diz, depois de certo tempo em silêncio, com uma voz carregada de constrangimento, a qual fora transmitida a mim.
Sinto minha face esquentar consideravelmente e eu temia que o italiano ouvisse as risadas dos dois seres inquietos que, sentados comigo na mesa redonda esverdeada, não eram capazes de conter o riso. Mas, ainda assim, não pude deixar de considerar adorável toda aquela manha do italiano. Eu era inundado por uma repentina alegria.
– Certo... – eu digo, finalmente – Desde que você faça a comida! – eu estava ciente de que minha alegria era evidente, porém, além disso, ela era incontrolável.
“Nem pensar.”
A resposta fora tão imediata e ríspida que me abalei por um momento, mas eu logo voltei à minha comum insistência.
– Por favor, Lovi... Ou vamos atrasar muito o almoço. – eu digo, numa voz mimada. Obviamente, tudo o que eu queria era comer a comida feita pelas mãos do italiano. – Ou talvez eu devesse simplesmente comer aqui? – digo, apelando à chantagem.
Ele demora um pouco para responder, talvez pensasse no que responderia.
“Tudo bem. Mas vem logo.”
E ele desligou o aparelho antes que eu pudesse sequer me despedir.
Encaro o aparelho, um sorriso bobo fixado nos lábios inconscientemente. Quando finalmente volto minha atenção ao francês e ao albino, eles têm, ambos, um sorriso sádico e o olhar fixado em mim. Toda aquela atenção fez-me corar levemente, pois eu sabia exatamente o que se passava nas mentes perturbadas daqueles dois.
– O-O que foi? – eu digo, num gaguejar indesejado.
– Nada. – ambos responderam, em uni-som.
Observo-os, em silêncio, esperando que algum deles dissesse algo; o que não aconteceu. Eles simplesmente se levantaram e meu olhar sobre eles de repente tornara-se, mais que tudo, confuso.
– Aonde vão? – eu digo, pondo-me de pé em um salto, a fim de segui-los.
Quem se deu ao trabalho de me responder fora o albino, cujos olhos rubros cintilavam avidamente.
– Bem, já que perguntou... Penso em irritar um pouco um certo aristocrata. Talvez ele acabe por me oferecer comida, se eu o chantagear da maneira correta. – ele responde, tranquilamente, com um sorriso debochado na face muito clara.
– E você, Francis? – direciono-me, desta vez, ao loiro, que agora tratava de encarar o albino com um olhar suspeito.
– Ah? Moi? Penso em ir ao restaurante de meu tio, ver se ele necessita de alguma ajuda. E aproveitar para fazer uma boquinha, é claro. – responde ele.
– Ah... Certo. Então acho que vou indo para casa...
– Sim. Vá cuidar de sua esposa, mon amour. – diz o francês, encarando-me, sorridente.
– Uma esposa bem complicada, se quer saber! Ksesesese~ – completa o albino, rindo alto ao concluir seu discurso.
– Dizem que os complicados são os austríacos, meu caro Gilbert. – o francês manda uma piscadela indiscreta ao albino, que cora levemente com o ato, virando o rosto no mesmo instante. – Mande lembranças minhas ao Rod, okay?
O albino murmurou algo que não pude compreender, provavelmente em sua língua natal — o alemão -, e simplesmente virou as costas, caminhando pela rua com os pés pesados, batendo-os contra o concreto da calçada. Sorrio levemente enquanto o observo partir, mas logo o francês se pronuncia novamente, atraindo assim a minha atenção para si.
– O que está esperando, Tonio? O seu amante te espera em casa, então se apresse! – diz ele, rindo.
– Ele não é meu amante... – eu digo, constrangido, com a voz baixa e arrastada. Eu não direcionava meu olhar diretamente a ele, tamanho o meu constrangimento.
– Outro dia você nos conta sobre o que está acontecendo entre vocês dois. Afinal eu ainda estou bastante curioso.
– Claro... Tudo bem. Outro dia então.
Assim, despedimo-nos com acenos e demos as costas um ao outro, tomando rumos opostos. Eu caminho para casa com passos relativamente tranquilos, mas que, no fundo, escondiam uma imensa e incontrolável ansiedade.
Eu e Lovi não somos amantes, mas as palavras do francês não deixavam minha mente se aquietar sequer um segundo. Dou uma breve e baixa gargalhada contida, logo tomando o céu azul como meu foco de atenção, aproveitando um momento em que o sol quente e brilhante estava oculto por alguns prédios.
Talvez eu tivesse me apaixonado por ele novamente, da mesma forma como no passado.
Não que eu visse isso como um problema... Pelo menos não ainda.
.
~*~
Assim que adentro o átrio de minha própria casa, sinto minhas narinas serem invadidas por um delicioso, mas não identificado, odor de comida. Aquilo faz meu estômago se remexer impacientemente, resmungando da falta de alimento pela manhã.
– Lovi! Cheguei! – digo, anunciando minha chegada.
Mas eu não obtenho nenhuma resposta, o que me faz caminhar para mais adentro, um tanto preocupado. Passo pela cozinha, mas não havia ninguém lá, apenas a mesa posta e algumas panelas esfumaçando no fogão.
Continuo caminhando pelos cômodos, com os passos cada vez mais velozes e impacientes. Nada na sala, nada no corredor... Tudo muito silencioso, como se não houvesse ninguém em casa. Isso me agita e me preocupa.
Vou em direção ao quarto do italiano e, sem sequer bater, abro a porta em um rápido e impulsivo movimento. Meus olhos caem sobre a figura postada ao centro, que encara primeiramente a porta, agora aberta, e depois a mim, com um olhar confuso e surpreso. Eu também observo o italiano atentamente.
Sinto uma gota de suor escorrer-me pela testa.
– Lovi. – digo eu, numa voz relativamente baixa.
Ele, perplexo, nada responde perante minha aparente preocupação.
Simplesmente trocamos olhares silenciosos, aguardando ansiosamente por uma ação do outro.
Notas finais
Eu sei que eu acabei não explicando nada em relação ao Lovi, mas eu juro que tudo vai ser explicado direitinho. Só tenham um pouco de paciência.
Desculpa pela quase ausência do Lovino na capítulo, mas é que isso é necessário. ^^
Não esqueçam dos reviews! Pra que eu vou perder minha tarde escrevendo capítulos para vocês se vocês não correspondem ao meu trabalho duro! ¬¬ Reviews são importantes para nós, autores. E quem tiver alguma opnião, sugestão ou crítica, como sempre, sinta-se a vontade!
Nos vemos por ai, em outras fics ou quando eu atualizar esta!
BJJS o/
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