Lorien Remains
6 Capítulo 6
Notas iniciais
–Walker – cuspo seu nome – Como vai? Oh, sente-se aqui – bato no chão ao meu lado, sentindo a madeira da raiz – Já faz quanto tempo? Cinco meses?
–Quatro.
Não tento resistir — meu corpo está mole, estou perdendo a luta contra eu mesmo. Já sei o que vai acontecer muito bem.
–Como tem passado o seu namorado, o tal do Purdy?
Recebo silêncio como resposta, ela odiava esse meu jeito de rir da cara dela quando nós dois sabíamos que eu me daria mal.
–Sabe, eu não entendo vocês – digo. – Têm seis adolescentes super poderosos por aí e vocês me caçando. Vocês devem ter se apaixonado por mim.
–Você é um interesse deles. Você sabe bem.
Uma coisa atinge a parte esquerda do meu pescoço. Não preciso nem tirar ele do lugar pra saber o que é: Um dardo.
–Seis centímetros? – digo olhando-o em minha mão – Parece que vocês aprenderam a lição dessa vez. – fecho os olhos e encosto a cabeça na árvore – Boa noite.
Sinto meu corpo perdendo o movimento. A minha respiração ficando mais pausada. Eu posso sentir até as minhas batidas cardíacas sendo diminuídas.
Sabia que quando acordasse estaria preso. Seja numa cela ou dentro de um carro em movimento. Mas não.
Quando abro os olhos eu estou em um jardim. Não. Não em “um jardim”. Estou no meu jardim.
O sol bate no meu rosto junto a uma brisa refrescante. Meus pés descalços pisam na grama macia e em minhas mãos dois cristais, que eu pensava serem mágicos, brilham ao se tocarem.
–Ei filho – meu pai fala e se abaixa perto de mim – Eu quero te mostrar uma coisa.
Ele me mostra uma pequena bolsa do que eu acho ser veludo, assim como os sofás e as poltronas da casa, minha mãe adorava veludo, e, de dentro da bolsa, retira sete esferas de vidro de tamanhos variados.
Ele sorri pra mim antes de soprar as esferas e jogá-las pra cima. Elas brilham e ficam suspensas do ar, girando em torno da maior.
–Isso aqui filho, – ele diz, apontando pra quarta esfera a partir da maior, com um sorriso no rosto – é um planeta. Ele se chama Lorien. Ele é de outro sistema solar... Você sabe o que é um sistema solar? – eu assinto animadamente com a cabeça, ainda hipnotizado pelas esferas que estão voando no ar — Ótimo! Sabe aqueles truques de mágica que o papai faz? Então, o papai sabe fazer isso por que ele é daqui. – ele aponta de novo pra esfera.
–Tem certeza papai? Acho que você andou assistindo filmes demais!
–Eu tenho certeza, sim, filho – ele bagunça meu cabelo sorrindo.
–Faz aquilo pai?
Ele estala os dedos e uma pequena chama aparece em seu indicador.
–Então como você veio pra cá então, papai?
–Vinte anos atrás – ele se senta e começa a levitar pequenas pedras do jardim. – O papai saiu desse planeta em uma nave – ele levita uma das pedrinhas e finge ser a nave – junto com mais cinco amigos para visitar a terra. Então um ano depois o papai conheceu a mamãe...
–Certo! – interrompo-o sentando em seu colo e pegando sua mão como se fosse uma arma. — Já entendi essa parte! Como era lá? Hum... Era igual a aqui?
Ele sorri.
–Você é estranho exatamente como sua mãe. Realmente não acha estranho eu ser um alienígena?
–É que isso explica por que o senhor é tão estranho!
–Certo. Entendi a piada. Então filho, lá era... Perfeito. Era quente e sempre tinha uma brisa, exatamente como agora. Lorien era linda...
Sinto um calafrio percorrer por todo meu corpo e tudo fica fica escuro.
–Acorde garoto! – escuto uma voz conhecida.
Agora tudo fica branco. Consigo ver duas silhuetas através da luz antes de fechar os olhos novamente.
–Acorde!
Recebo uma pancada no rosto e desperto, batendo meus pulsos algemados. A agente Walker está em pé na minha frente, ao lado de outro homem. Purdy.
–Bom dia! – digo ainda atordoado, sentindo o gosto de sangue.
Recebo outra pancada no rosto.
–Nós não pudemos terminar nossa conversa alguns meses atrás. – Walker fala.
–Foi quando eu fugi? – quebro a algema facilmente e coço o queixo, percebendo uma pequena barba dura que não tinha visto ali. – Não foi?
Eles ficam surpresos por eu ter quebrado a algema tão facilmente. Ainda não entendo a surpresa quando isso acontece pela sétima vez.
–Sério? Vocês ainda ficam surpresos com isso?
Eles pegam mais duas algemas e me prendem na cadeira, com Purdy me socando no abdômen.
Essa droga que eles usaram foi muito forte.
Forte? Você que é fraco.
CALADO!
CALADO VOCÊ!
CALADOS OS DOIS!
Espera... Quem é você?
Eu devo ter algum problema mental muito sério. Muito. Agora tem três vozes discutindo dentro da minha cabeça.
–Digo-nos! Agora! – Purdy ordena.
–Dizer o que?
–Onde eles estão.
–Era isso que você queria perguntar pra ele? – Walker pergunta.
–Você realmente acha que se eu soubesse estaria aqui? Vocês só podem ser loucos.
A porta da cela se abre abruptamente, antes que Purdy pudesse me perguntar algo mais. Do outro lado, alguém fala algo como “eles chegaram” pros dois, que se apressam pra sair da sala.
–Tá malhando, Walker? – pergunto quando ela se vira pra sair.
Recebo outra bofetada. Tá. Essa eu mereci.
Meu corpo gela ao ver o Mog que entra na sala. Ele é um pouco mais alto que os agentes e sua pele é morena. Ele poderia ser facilmente confundido por um humano, se não fosse a marca em seu rosto.
O símbolo que poucos possuem.
Um assassino de Mogadore.
Aquele que já dizimou sozinho cem lorienos.
Fale com o autor