Notas iniciais
Está aí, mais um capítulo.
Espero que estejam gostando!
Se alguém tiver alguma sugestão/crítica/opinião/comentário/xingamento a fazer, eu vou adoraar ler.

–Bem, você... deve saber o que está fazendo com a sua vida. — ela falou, sem olhar direito pra mim. Eu não respondi nada, apenas voltei a caminhar e ela fez o mesmo, colocando as mãos nos bolsos do colete. Eu lembrava muito bem daquele último "eu te amo". Porque foi a coisa mais difícil que eu já tive que fazer em toda a minha vida. Foi há exatos três anos atrás, na primeira vez em que eu voltara a Long Branch depois da mudança para Nova York. As coisas haviam mudado mais do que eu planejara. Eu não poderia mais viver preso naquele lugar ou na minha antiga namorada. Não havia mais espaço para o passado na minha vida nova. Eu havia feito novos amigos, e era muito respeitado na faculdade. Eu era popular lá, diferente do garoto excluído que eu sempre fui em Long Branch.

Estava chovendo bastante naquela noite, e o vento do lado de fora batia violentamente contra as janelas. Eu cheguei à casa dos pais de Lorene praticamente ensopado, mesmo cheio de casacos. A porta estava entreaberta e o carro não estava na garagem. Agradeci o fato de poder estar sozinho com ela. Lorene estava assistindo televisão na sala. Seu o rosto estava vermelho, tinha cara de quem havia chorado o dia todo. Talvez eu não devesse ter mencionado que pretendia terminar com ela pelo telefone. Mas era tarde demais para voltar atrás.

A garota não derramou mais nenhuma lágrima depois que eu cheguei e me orgulhei muito de sua coragem. Não discutimos daquela vez. Existem escolhas que você faz que, uma vez decididas, te impedem de voltar atrás. A loira desligou a televisão e eu me sentei ao seu lado no sofá.

–Por quê? — Lorene perguntou, quase sussurrando.

–Porque relacionamentos à distância não funcionam – eu menti. Não era esse o real motivo. Eu havia mudado e não havia mais espaço para ela na minha vida nova. Lorene não pareceu convencida, mas não questionou. Ficamos em silêncio por muito tempo. Pareceu-me uma eternidade.

–O que há de errado comigo? – perguntou, olhando para o teto. Eu queria ter dito a ela todos os motivos que eu estivera pensando em Nova York. Que ela iria parecer muito ridícula para os meus novos amigos. Que ela era uma garota com gostos estranhos, que gritava ao falar, tinha imensas crises de riso e de choro, que usava roupas coloridas demais, que gostava de músicas velhas e chatas, que gostava de pintar e escrever coisas malucas e cuidar de animais abandonados. Todas as coisas que me irritavam sobre ela naquele momento. Mas eu não podia. Aquelas haviam sido exatamente as coisas que fizeram com que eu me apaixonasse por ela. Eu não ia culpa-la pela minha mudança. A verdade é que não havia nada de errado com Lorene, ela apenas já não era mais a garota certa para um cara como eu. Ao invés de feri-la, eu escolhi dizer apenas parte da verdade.

–Não tem nada de errado com você. Você é incrível – respondi, pondo minha mão em seu rosto. Lorene desviou-o bruscamente.

–Você algum dia me amou? – perguntou, ainda sem olhar para mim.

–Eu te amo. – respondi, simplesmente. Ao menos ali eu estava sendo totalmente sincero com ela. Não havia maior verdade do que aquela. Mas eu pensava, e acho que penso até hoje, que amor não é motivo suficiente para sustentar um relacionamento. Ficamos mais uma eternidade e meia em silêncio, então eu me aproximei da garota e puxei-a pela cintura. Aquele foi nosso último beijo e foi muito mais apaixonado do que nenhum outro jamais fora. Eu sai, logo em seguida, e não a vi mais até o fim daquelas férias. Continuei enviando-lhe cartas quando voltei para Nova York naquele ano, mesmo que ela não as respondesse. Depois de um tempo, Lorene voltou a respondê-las. Tornamo-nos, então, bons amigos.


Notas finais
Mereço reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.