Lorem

13 Capítulo 12 - Procedimentos


Qualquer pessoa com uma razoável noção de bom senso não gostaria de estar na situação a qual Stewart estava sendo submetido naquele momento.

Após Klown ter apontado em sua direção e o escolhido para a experiência da qual ele havia falado, realizou uma desesperada tentativa de fuga. Sem parar para pensar, pulou por trás da cadeira na qual estava sentado e, aos tropeços correu para a porta. Ao abri-la, se deparou com o asiático que podia se teleportar, que agarrou seus braços e pernas e imobilizou-o com golpes em um nervo. Depois disso, ficou inconsciente. Seus amigos, devido ao espanto, não tiveram reação nenhuma ao que aconteceu com o parceiro e se mantiveram sentados, pelo menos até retirarem Stu da sala. Após isso, eles começaram a se rebelar contra seus algozes, porém sem obter sucesso.

No momento, ele estava deitado em um tipo de maca, com o corpo inteiro preso, exceto por seu braço e tórax. A maca até que poderia ser confortável em condições casuais. O lençol que a forrava era macio, lembrava a Stu o conforto de uma casa. Por dois dias tivera que se deitar em uma cama desconfortável se ter com o que se cobrir, e aquela maca poderia ser bem mais confortável.

Porém, aquelas não eram condições normais, devido a todas as tiras de couro que atava seu corpo de um modo apertado, lhe causando desconforto.

Com os olhos arregalados, Stewart analisou o ambiente ao seu redor. Acima dele, diretamente em seu campo de visão, havia algumas lâmpadas brancas e potentes, que conseguiam iluminar todo o local. Aquele clima era o de uma cirurgia. Havia instrumentos metálicos ao lado de onde ele jazia, e pessoas, tanto homens quanto mulheres entravam e saíam da sala sem mal olhar para o homem ali preso. Os homens usavam jalecos por cima de roupas comuns, enquanto as mulheres trajavam uma espécie de uniforme da mesma cor. Fora essas pessoas, apenas Klown esterilizava os equipamentos que possivelmente seriam de bom uso naquele procedimento. Stewart não fazia ideia de que Klown tinha este tipo de treinamento e aptidão para realizar aquilo, que se assemelhava muito a uma cirurgia. E, infelizmente, seria com ele.

–Está com medo? – Klown disse casualmente, sem ao menos virar seu rosto para Stu, apenas continuando a realizar os procedimentos higiênicos.

Depois de refletir um pouco, ele decidiu responder:
–Um pouco...

Klown deixou escapar uma pequena risada, parcialmente abafada por sua máscara.

–Você não vai sentir nada...

Stewart ficou atônito. Klown, o tranquilizando? Era que Klown não havia terminado a frase ainda.

–...por enquanto.

A porta automática deslizou para a esquerda sem ruído, revelando Theodore Rosen do outro lado. Mais conhecido como “Ted”, ele era vice-presidente da Corporação H.A.N.K., hierarquicamente inferior apenas ao próprio CEO, Hank. Ser o segundo em comando lhe dava um ar arrogante, explicando porque parecia que sempre estava andando de nariz empinado.

Quando entrou, os três seniores que não estavam participando da operação direcionaram seus olhares para ele, assim como os dois amigos que, parcialmente presos, aguardavam seja lá o que fosse que estava acontecendo com Stu.

–Hum... Klown e a cobaia já estão lá dentro? – disse ele, virando a cabeça para a sala na qual Klown havia levado Stewart.

Sem deixar qualquer um responder, Martin gritou:

–O que vocês estão fazendo com Stewart?!

Ted se dirigiu até a porta da sala sem se dar ao trabalho de responder a pergunta de Martin. Entrou, e avistou Klown lavando as mãos, Stewart ainda acordado, preso a mesa.

–Hank quer saber quando você vai começar.

–Começarei assim que você sair daqui, Teddy.

Ted ficou mal-humorado. Detestava quando lhe chamavam de “Teddy”, detestava aquele palhaço, detestava tudo aquilo. Sem dizer alguma outra palavra, saiu da sala e voltou para o seu escritório.

Klown, enquanto isso, já estava preparado e pronto para começar. Sua equipe, cheia de médicos, enfermeiras e outros já estavam igualmente prontos. Antes de começar, disse algumas palavras:

–Creio que este será um passo crucial para todo o Projeto Genesis. Vejamos se dará certo. Nosso bom amigo aqui, Stewart se não me engano, está aqui como... “voluntário” para a nossa experiência.

Stewart estava perdendo a cor. O que fariam com ele? Klown pegou uma seringa que jazia perto dos instrumentos, injetou em Stewart e a prendeu. Enquanto o rapaz tentava se soltar, debatendo-se, o palhaço completou debochadamente:

–Durma com os anjos...

–Stu!

A primeira coisa que ouviu a deixar aquela sala onde estivera sendo “operado” foi alguém que chamava seu nome. Reconheceu a voz de Martin instantaneamente.

Ao acordar naquela sala, não via ninguém. A sala estava impecavelmente limpa, os instrumentos estavam brilhantes, reluzentes como antes da operação, como se não tivesse sido usada. A única coisa que evidenciava seu uso era que Stewart viu que ganhara algumas marcas de injeções no braço. O que teriam feito com ele?

Percebeu que estava solto novamente. Moveu seus braços, suas pernas. Tinha total controle de seu corpo, mesmo que um tanto fraco. Deveria ter sido efeito do anestésico que aplicaram nele, algo assim. Um pouco tonto por causa da anestesia, levantou-se da maca, e saiu da sala. A luz forte iluminou seus olhos, as pupilas contraíram, mas sua visão retornou ao normal depois de cinco segundos. E a primeira coisa que ouviu quando saiu daquela sala foi o seu nome, vindo da boca de Martin. Ele virou seu rosto para onde o amigo e Johnny estavam sentados. Johnny estava inconsciente, a cabeça pendendo para trás e o corpo um tanto mole, porém parecia que ainda respirava.

–O que aconteceu? – perguntou Martin – Está tudo vazio aqui...

­–Eu estava sendo operado... Achei que você poderia me contar.

Martin parou um tempo para pensar. Coçando o cabelo um pouco, respondeu:

–Depois de que levaram... apareceu um cara aqui. Parecia ser um superior daqueles quatro que falaram conosco. Depois da saída dele, ficamos inconscientes, ficou tudo escuro. Johnny ainda não despertou, mas eu acabei de acordar.

Stewart estava confuso. Sem se dirigir aos amigos, correu para fora da sala, andou pelos corredores, e correu. Correu muito. Passou por cada corredor, cada sala e cada andar daquela organização.

Ele retornou quase sem fôlego a sala onde estava Martin e Johnny. Com um ar preocupado, mas aliviado em seu rosto, disse.

–O prédio está vazio. Nos abandonaram aqui.