Lorem
11 Capítulo 10 - Primeiros conflitos
Ao abrir seus olhos, a primeira coisa que viu foi uma cegante e forte luz branca. Tudo ficou temporariamente desfocado, por aproximadamente cinco segundos, antes de o mundo entrar novamente em foco. Estava deitado de barriga para cima, porém estava se locomovendo. Virou seu pescoço para ver aonde estava, e sentiu uma dor angustiante.
Percebeu que estava deitado em uma maca. Conseguia ouvir os ruídos de quem sussurrava próximo a ele, médicos provavelmente.
Jack sentia uma enorme dor por todo o corpo, como se acabasse de correr por vinte quilômetros interruptamente. A última coisa da qual ele se lembrava era estar jantando calmamente com Lia. Depois um grande barulho e o escuro. Agora que estava consciente, presumia que uma explosão atrás dele havia o jogado para longe. Lembrava-se do odor de fumaça que sentiu antes de ficar inconsciente...
Virou os olhos para seus braços e sentiu uma ânsia de vômito ao ver eles com um tom de vermelho escuro, tom de queimado.
Colocaram uma máscara de oxigênio em seu rosto.
–Acalme-se, Sr. Hallow... estamos te levando para a sala de cirurgia.
Jack sentiu suas pálpebras pesando... e tudo começou a escurecer.
Jack Hallow acordou, alerta. Pelo tom escuro do céu, não havia passado muito tempo depois de terem armado o acampamento e caírem no sono. Jack estava dormindo sobre o chão gelado, assim como seus dois companheiros, Claus e Pete.
Após ter voltado de sua pequena andança pelo planeta, percebeu que ambos os amigos não estavam na caverna e seguiu os rastros que haviam deixado. Jack havia feito um pequeno curso de sobrevivência quando estavam em Clare, anteriormente a uma trilha pelo planeta pantanoso Dolor. Protocolo de segurança, mas devido ao pequeno cursinho de uns cinco dias, aprendeu a seguir trilhas, rastros, sobreviver da selva, entre outros. Claro, aquilo não iria servir para todo e qualquer planeta, sendo que muitos tem uma fauna ou flora extremamente diversificada, diferente de planeta a planeta.
Seguindo a trilha Jack, quase exausto pelo calor escaldante do planeta, chegou até ao pequeno lugar, no centro do emaranhado de prédios destruídos, onde habitava Rornac e sua tribo. Rapidamente, tomou conta de muitos, tarefa facilitada pela sua força sobre-humana. Assim resgatou ambos seus amigos daqueles humanóides cinzentos.
Levantando-se do chão gelado, pôs se a caminhar pelo andar do prédio em que estavam. Mas a quem será que teriam pertencido aquelas construções?
Jack encarou pela segunda vez a cegante luz branca que desfocava o ambiente. E, como de praxe, o mundo voltou a se focar diante de seus olhos. Ouvia um barulho. “Ti... ti... ti....” barulho da máquina que media seus batimentos cardíacos. Virou os olhos, tentando identificar o lugar onde estava.
Estava em uma cama, de uma dúzia que jazia naquela sala. Metade das camas estavam ocupadas por pessoas de situação semelhante a dele, com partes do corpo enfaixadas e com máquinas alimentando-as, lhe fazendo respirar, entre outras. O piso era um azulejo branco como o resto da sala, as paredes impecavelmente limpas e o teto pontuado por várias lâmpadas fluorescentes na cor branca.
Jack olhou para seu próprio corpo. Seu braço direito estava enfaixando, coberto por uma tala que ia de seus ombros até a palma de sua mão. A sua perna esquerda estavam em situação semelhante, e ele sentia uma dor na coluna vertebral e em seu pescoço.
Um homem vestido de jaleco branco, roupas arrumadas e cabelo impecavelmente penteado, obviamente um médico, aproximou-se de Jack. Pegou uma prancheta pendurada na cama deste, correu os olhos rapidamente pelo papel, e a recolocou em seu lugar.
–Bem... o senhor é um homem de sorte, Sr. Hallow. Para alguém na situação, apenas dois membros quebrados é muita sorte.
Para Jack, dois membros quebrados era muita coisa. Homem de sorte... certo.
–Agora, só resta o repouso, Sr. Hallow. Ainda hoje o senhor estará apto a deixar o hospital – disse o médico sorrindo para Jack, e se afastando logo em seguida.
Jack desistiu de procurar por pistas. Tudo ali estava semi ou inteiramente decomposto, não havia mais o que procurar. Seja lá o que viveu ali, havia se mudado ou morrido séculos antes.
Sem mais o que fazer, deitou-se no chão gelado. Não se sentia mais com vontade de dormir. Apenas deitou e relaxou, esperando o dia raiar. Iriam ter um longo dia, mas dormir já estava fora de cogitação.
Bam. Ele ouviu um ruído, vindo de baixo deles. Será... que haviam lhes encontrado?
Jack balançou os seus amigos.
–Acordem! – sussurrou em seus ouvidos – Acho que nos encontraram!
Ambos abriram os olhos e os arregalaram ao ouvir esta simples sentença. Puseram-se a postos. Os três possuíam habilidades ofensivas. Eletricidade, pirocinese e super-força, poderiam ser descritos os poderes de Claus, Pete e Jack respectivamente.
E os três esperaram pela primeira investida. Estava escuro, Pete havia feito uma pequena chama para poderem enxergar.
E esperaram...
BAM! A porta que dava para a escadaria quebrou-se, com um tremendo rombo em seu meio. De tal rombo, uma mão cinzenta e pálida foi até a maçaneta, abrindo-a.
Pete, sem demora, lançou uma enorme chama em direção a porta, que se incendiou. A mão cinzenta recuou, porém muitos lorenses entraram na sala assim que a porta desabou em combustão.
Atrás de todos eles, estava Rornac.
Um dos lorenses correu até Pete, que lançou chamas em sua direção. Sem sucesso, a criatura apenas passou pelas chamas como se fossem uma brisa de verão. E com todas as suas forças, deu um soco no rosto de Pete, que desabou para trás.
Outros três lorenses deram conta de Claus. Não eram imunes a correntes elétricas como a fogo, porém possuíam certa resistência. O jovem era esguio, conseguiu se esquivar diversas vezes antes de ser atingido no topo da cabeça por um soco múltiplo, de dois simultaneamente.
Jack foi o último a ser vencido, pois eles não haviam resistência nenhuma contra sua força. Rornac foi o que veio até ele e, sem pestanejar começou a se engajar em um combate com o rapaz.
Rornac, embora grande, era ágil, e conseguia desviar dos potentes socos de Jack. Os outros lorenses, talvez por ordem de seu líder, tinham ficado de fora do combate porém barravam as saídas, impedindo uma tentativa de fuga.
Jack, por ser menor que Rornac, conseguia se esquivar de seus socos e chutes. Ele já conseguira dar socos, mas sempre em áreas resistentes do monstro, que continuava a resistir. E Jack, assim como ele, resistia... até levar um soco potente em sua nuca e, assim como seus amigos, cair inconsciente.
Claus abriu seus olhos. Estavam ainda na sala onde o combate com os nativos acontecera.
Correndo seus olhos pela sala, avistou Pete, caído a alguns metros de onde estava. E, na sala, apenas uma coisa havia mudado.
Jack havia desaparecido.
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