Lordes do Tempo: O Torneio de Sombras
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Capitulo 3
“Visita inesperada”
>Salem, Oregon
Algumas horas atrás
Liem fora surpreendido com o que via, aquele anel lhe parecia familiar. Claro que não dissera ao seu irmão; deixara de contar bastante coisa ultimamente.
Depois que Jayden subira para seu quarto, Liem fora para o seu. Deitou-se na cama e tirou um colar que usava por debaixo da blusa. Era uma fina corrente de ouro, que tinha como pingente, uma anel, que ganhara em seu aniversario de quinze anos, também dado por um estranho.
Ainda se lembrava daquele dia; chegara em casa bastante cansado, então logo tratou de ir para o quarto se deitar. Já na cama, que percebera uma pequena caixinha de veludo azul escuro, em cima da mobília, pegara a caixa entra as mãos, ela era leve, No topo da caixa, tinha três letras escritas em dourado; eram elas:
URL
Liem não sabia o que elas significavam, mas não se importunou muito com isso. Intrigado, abriu a caixa, curioso para saber o que nela tinha. Dentro da caixa, via se um anel, incrivelmente bonito, e desde então, Liem usava aquele anel numa corrente.
Ficara bastante surpreso com o presente do irmão; Liem se perguntava se aconteceria com Jayden, o mesmo que aconteceu com ele. Não gostava de lembrar o que tinha acontecido, por tanto, fixou sua atenção para o anel, apreciando sua beleza, como sempre fazia, quando tinha de fazer escolhas difíceis.
O anel era de ouro, uma grande e redonda esmeralda ficava no centro, ela parecia viva,como se fosse um imponente rainha, que vive após infinitas mudanças, que se ergue no alto, no auge de sua perfeição. No ouro, fora entalhado delicadamente uma alcateia de lobos, que pareciam uivar a sua rainha esmeralda, que com audácia, lidera seu exercito de lobos tão brilhantes, de pelagens tão reluzentes. A rainha esmeralda, e seu exercito de lobos, com todo o seu esplendor, foram fadados ao triunfo.
–Eros- Lera Liem, a minúscula palavra escrita no interior do anel.
Liem lembrava sua reação, quando as letras sem sentido, se moveram para formar uma única palavra. Ele estava na escola, no meio da aula, quando as palavras se moveram, e inconscientemente, Liem gritou o que irritou o professor, que acabara por leva-lo a sala do diretor.
Passou-se muito tempo, enquanto Liem fitava o anel e aquela rainha audaciosa bolar um plano astuto com seu exercito de lobos, que vestiam a ascensão.
Liem não sabia que tinha dormido, só se dera conta, quando a campainha tocou, o despertando de seu sono. Temendo que fossem os pais, tratou de arrumar o quarto bagunçado. As roupas que estavam no chão, jogam-as de qualquer jeito dentro do guarda roupa, pegou o lençol verde que se estendia no chão, e pós em cima da cama, arrumou a mobília ao lado da cama, e pegou todos os saquinhos de comida que estavam no chão, e os jogou no lixo. A campainha tocou, e desta vez, Liem fora atender.
Esperava ver seus pais, mas em seu lugar estava um homem. Este vestia um Smoking marrom e elegante, uma cartola que usava da mesma cor, não deixava seus cabelos aparente, na mão direita tinha uma bengala. Cobrindo os olhos, estava uma mascara branca, incrustadas de pedras negras, que brilhavam a luz do luar; o que mais chamou a atenção de Liem foi o corvo que se empoleirava no ombro do estranho.
–Festa errada- Falara Liem ainda encarando o estranho.
–O que?- perguntara o desconhecido.
–Você veio ao lugar errado- Falou Liem mais devagar, e com mais clareza- Aqui não esta tendo festa a fantasia.
Liem estava fechando a porta, quando o homem do lado de fora, a segurou e a abriu.
–Eu não vim por isso- Falara o desconhecido com simplicidade- Na verdade, eu gostaria de saber- O estranho fora interrompido mais uma vez pela voz de Liem, que se sobressaltou.
–Também não temos dinheiro.
O desconhecido pareceu irritar-se.
–Eu irei falar, e você vai calar a boca- Falou com a voz dura.
Liem sentiu um leve medo, com se aquelas simples palavras, fosse algum tipo de ameaça, e talvez fossem.
–Vamos primeiro as apresentações, eu sou Persona, e esse- Disse Persona apontando para o corvo em seu ombro esquerdo- é Hugin. E você deve ser Liem, sabe o que eu acho que você daria um bom mendigo.
Ao disser isso, Persona abandonou o tom educado, e o substituiu por um carregado de ira e sede por vingança.
O pavor foi o que aquela voz trouxe, sua voz era de alguém biltre, era a voz que espelhava o desespero, e usava a ira para escondê-lo.
Liem não sabia por que, mas sentiu infelicidade vindo daquele ser, como alguém que estava pendurado por finas raízes, como medo de cair no abismo que tinha em baixo de si, que por tempos esperou uma mão amiga que nunca veio, e em seu lugar apareceu uma mão enganosa, cheia de ódio e ambição, e aquela pobre alma, que no abismo não queria cair, abraçou aquele pequeno pedaço do caos, cheia de más intenções, que lhe tomou conta, e aquela pobre alma perdeu toda a sua pureza, e sua inocência, agora se banhava nos leitos da morte, naquele rio de águas traiçoeiras.
–Sinto muito, mas ser mendigo não é uma profissão que eu gostaria de exercer- Falou Liem relutante.
Persona ignorou o comentário de Liem.
–Eu gostaria de saber- Disse Persona; a voz assumindo mais uma vez um tom educado, porem autoritária- se William se encontra.
–Quem?- perguntara Liem confuso.
–Você ouviu bem.
–Não tem nenhum William morando aqui.
–Ele já viveu em vários lugares- Falara Persona- Então acho que o termo certo não seria “morar”.
–Certo, não tem nenhum William “parasitando” aqui- Disse Liem, mais uma vez tentando fechar a porta, e de novo, Persona o impediu.
–Não gosto de ser ignorado- Falou Persona se aproximando de Liem.
–Acho que percebi- Disse Liem relutante.
–você tem um cheiro bem incomum- Falou Persona farejando o ar- Mas eu não gosto dele.
Aquelas palavras assustaram Liem, que soube que aquele homem não era normal. Um impulso de correr lhe invadiu, e em mais uma ultima, e inútil tentativa, fechou a porta, mas Persona o impediu antes que a ação se completasse.
–Essa sua atitude já esta me irritando- Persona segurou firmimente a porta, então a arrancou das dobradiças, e a jogou na rua.
E como se sua atitude fosse normal, falou;
–Pronto, agora sem interrupções.
Por obra do destino, nenhum carro, ou qualquer ser vivo, passava pela rua quando a porta foi arremessada.
Liem ficou observando o ser diante de si, viu verdadeiramente o poder que naquele ser continha. Persona tinha um sorriso no rosto, que escondia intenções maldosas.
–Sabe por que a vida é preciosa, Liem?- Perguntara Persona, como se estivesse dando um conselho a um velho amigo- Porque ela acaba.
Persona assumira uma posição ameaçadora, ele se erguia imponente, em seu acme, como se estivesse observando um inseto em seus momentos finais, o nojo estampava em sua face, como a de alguém que observava um humano submisso a miséria, que se arrastava na terra imunda em busca de pena e compaixão, ate que era pego pelo demônio chamado corrupção, e aquela pobre alma miserável deixava que pouco a pouco a loucura corresse sua consciência.
Algo mudou no ambiente, um silencio anormal tomava conta do lugar, qualquer voz ou ruído, calaram-se, os grilos pararam de cricrilar, os poucos pássaros pararam de piar, uma coruja ali perto parou de crocitar, e qualquer voz vinda da vizinhança, parara de soar.
Era um silencio de sombras, que pressagiam a escuridão sendo acordada de seu sono; um silencio feito do pó, fazendo-o assim, o silencio do inicio do pecado; era um silencio, que só as cinzas resistiam, que pressagiam assim, como uma fênix que é invocada durante o ínterim, o caos resurgindo do seu fim.
Liem deu alguns passos para trás, ate que Persona o segurou.
–Lhe aconselho a não fugir- Sua voz mais uma vez deixara o tom educado, que fora substituído pela ira brutal- Você sabe que não conseguiria, e os resultados seriam mais... Dolorosos.
–O que você quer?- Perguntara Liem, temendo a resposta.
–Muitas coisas, sou uma pessoa ambiciosa; sendo, que uma dessas coisas, só sua morte pode trazer.
Liem fora pegou pelo choque daquelas palavras, ele iria ser assassinado, e deixara de fazer tanta coisa na vida... Talvez isso fosse o seu castigo, pelo pecado que cometera.
–Em que minha morte lhe beneficiara?- Indagou Liem, tentando prolongar o seu tempo de vida.
–O primeiro passo para uma guerra- Falou Persona com um sorriso tenebroso no rosto- Sinto-me feliz em disser isso, que desta vez, eu irei ganhar.
Persona se afastara alguns passos de Liem, e ergueu a bengala a alguns centímetros do chão, a ponta da mesma abriu-se num pequeno compartimento, de onde saiu uma pequena lamina com brilho fantasmagórico.
–Não- Falara Persona- Isso já esta ficando muito clichê.
Então a bengala, como se ouvisse o comentário, começou a mudar de forma. Passará por varias transformações, de arco, adaga, machado, canivete, abridor de lata, ate chegar a uma pistola, uma Python, especificamente, uma S&W magnum de cano longo; no cabo da arma, estava delicadamente desenhada, uma rosa negra.
–Dark Rose, sinto muito, mas já usei você século passado- Persona falava com arma com se ela estivesse viva.
Dark Rose foi mudando de forma, passara de lança a um báculo, e assim foi, ate chegar a uma espada.
A lamina era completamente negro, como se tivessem pegado um pequeno pedaço da noite, e a tivesse modelado, formando uma lamina tão afiada quanto a lamina da foice da morte. A empunhadura da espada, era branca, como se feita de neve, e da mesma, saia uma fina corrente negra, que se enrolava punho de Persona.
–Gosto de você, Astrox- Falar Persona uma vez mais com a arma- Espero que esteja pronto para a carnificina.
Segurando aquela espada negra, Persona parecia um cavaleiro das trevas. Sombras rodavam ao seu redor, parecendo grande e abertas assas, esperando que uma alma perdida entrasse, e quando finalmente a alma estivesse aconchegada em suas plumas negras, a assa se fecharia, e a pobre alma nunca mais sairia.
Um sorriso se estendeu pelo rosto de Persona, mostrando a realização de desejos profundos e malévolos.
Persona aproximou-se alguns passos de Liem, e apontou Astrox para o mesmo.
–Ultimas palavras?- Perguntara Persona
–Por que você quer uma guerra?- Perguntou Liem, que apesar da morte que o esperava, encarou Persona com firmeza.
–Por vingança.
Persona ergueu o braço, mas não tornou a desse-lo, ele parou na metade do movimento, e farejou o ar. Ele parecia se deliciar com o que sentia.
–Que odor agradável- Falara Persona, colocou a mão no bolso esquerdo, e de la tirou um relógio de bolso, era feito de ouro, e na parte de traz eram entalhados vários círculos, que adentrava uns nos outros- Meia-noite.
Liem farejou o ar, mas nada sentiu.
–Muitas coisas interessantes vão acontecer apartir de agora- Falara Persona, ainda avaliando o relógio. Guardou este no bolso- Meia-noite e um.
Ao termino da frase de Persona, Liem escutou uma explosão, e então, a parede do lado direito do quarto de Jayden, explodia em diversos fragmentos, que iam para todos os lados.
Com um sorriso maior no rosto, Persona perguntou a Liem.
–Onde estávamos?
Liem não respondeu.
–Ah, sim- Respondera Persona a si mesmo- Na parte em que eu lhe matava.
O braço já erguido de Persona, desceu em sentido adjacente. O corte foi no abdômen, o sangue jorrou como uma represa que acabara de se romper. Liem, em pânico, colocou a mão no corte, o sangue encharcava suas mãos, e continuava a jorrar, tinha algo errado, o sangue já deveria estar coagulando, mas não, o sangue descia com uma pequena cascata, e não tinha a intenção de parar.
Persona ergueu o braço novamente, e o desceu. Antes que Astrox acertasse Liem mais uma vez, Hugin, o corvo, começou a grasnar; seus “ahg” eram altos e estridentes.
Persona parou na metade do golpe, olhou para Hugin, que instantaneamente parou de grasnar. Astrox virou a velha bengala.
–Nosso assunto fica pendente- Falara Persona, com irritação presente na voz.
Dito isso, ele se virou e correu, sua velocidade era incrível, e por onde passava, deixava a penas o borrão da sua sombra.
Liem estava deitado no chão, enquanto o sangue se espalhava, ele estava em desespero, e seu pânico aumentou, quando o grito de seu irmão, cortou o ar.
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