O frio cortava à noite em Santa Maria, na entrada da cidade, um homem de barba e cabelos avermelhados e aparentando ser de uma idade mais avançada, corta as ruas com um carro esporte preto. Ele ouve um som incrivelmente alto sem se importar com o avançado da hora e segue seu caminho até onde as escuras ruas de Santa Maria o perdem.

Na casa de Tom. Todos se reúnem à mesa para o café da manhã. Victória massageia as têmporas antes de encher sua xícara com café e bebê-lo de uma vez.

— Pela cara, não deve ter voltado cedo ontem. — Diz Verônica ao olhar sua filha com o cabelo desgrenhado e rosto amassado.

— Por que a senhora está gritando? — Diz a loira enquanto tomava mais uma xícara de café.

— Nem precisa me responder. E o senhor, onde estava que não viu essa garota nesse estado?

— Até onde eu sei, ela é maior de idade. — Diz Tom bebendo um copo de suco. — Além do mais, não sou babá de ninguém.

— Vamos experimentar conversar por SMS? — Murmura Victória com a cabeça baixa mexendo a colher na xícara vazia.

— O senhor não tem aula hoje? — Assim que Verônica termina a frase, se ouve uma buzina na frente da casa.

— Nossa, alguém desliga esse martelo! — Diz a loira tapando as orelhas com a mão.

— É o Edu, to indo. — Tom pega sua mochila e sai pela porta, pula no carro de Edu e os dois partem. Eles passam pela casa da Emily e pegam ela também.

Os três seguem para a faculdade. Edu desce do carro e logo um grupo de garotos o chama e ele se afasta de Emily e Tom.

— A facilidade que esse garoto tem para fazer amizades me espanta. — Diz Emily olhando Edu ser ovacionado pelo grupo.

— Essa deve ser a primeira vez que conseguimos conversar depois de tudo. Como você tá?

— Eu estou indo. — Diz a ruiva enquanto os dois sobem as escadas.

— Eu estive pensando no que a Madame Kerina disse.

— Sobre procurarmos o Profeta?

— Sim, ela disse que Safira poderá nos ajudar.

— Você não acha muito estranho ela ter mencionado um Profeta logo agora?

— Emily, depois de tudo o que passamos, eu não acho mais nada estranho.

— E depois de tudo o que passei, eu aprendi a desconfiar de tudo.

— Vamos falar com o Safira, para entendermos melhor isso.

— Depois da aula passamos lá.

— Não! Vamos agora, depois da aula não iremos conseguir despistar o Edu.

— Vamos perder aula!? — Exalta Emily.

— Vamos logo. — Responde Tom pegando no seu braço e saindo pelos fundos da faculdade. Eles entram em um pequeno galpão onde se encontrava os equipamentos esportivos. — Nos leve para o quarto dele.

— Tem certeza? — Indaga Emily. Tom apenas consente com a cabeça e então a ruiva faz mais um dos seus encantos e os dois somem em meio a fumaça.

Os dois aparecem no quarto de Safira, em meio a uma cortina de fumaça que se desfaz entre os fios e cabos dos monitores. Safira se assusta e deixa cair sua caixa de macarrão instantâneo.

— Droga, tinha acabado de fazer! — Diz Safira ao pegar o macarrão do chão e colocar novamente em sua caixa e jogar no lixo. — Ao que devo a honra da visita?

— Precisamos conversar com você sobre a Kerina. — Diz Tom.

— Eu sei. — Seu tom de voz muda. Ele se vira para Emily e conclui. — Eu sinto muito ruiva, sei o quanto você era apegada a ela.

— Tudo bem, mas vinhemoss aqui para outra coisa. Madame Kerina nos deixou uma mensagem pouco antes de morrer. Ela nos disse para procurar o Profeta! — Diz Emily

— E quem é esse? — Pergunta Safira.

— Esperava que você nos dissesse. Ela disse para procurarmos você. — Responde Tom com ar de preocupado.

— Eu não faço idéia do que ela está falando.

— Mas você consegue procurar e descobrir quem é? — Indaga Emily.

— Eu posso tentar. Me de uns minutos. — logo que Safira termina de falar, ele se vira para o computador e outras telas espalhadas por todo o quarto se acendem e começam a passar milhões de letras e números numa velocidade incrível. Alguns minutos se passam e Safira para em uma página.

— Achou algo!? — Insiste Tom.

— Achei um documento de registro, da data de um ano atrás, ele parece falar sobre a guerra que separou o clã. Nessa parte aqui fala sobre ele:

“Informo que o Profeta foi visto pela última vez em campo de batalha. Após isso não tivemos notícias dele, tendo seu paradeiro desconhecido até então.”

— Só isso? — Indaga Emily. — Não tem um nome? Nem se quer uma descrição?

— Foi tudo o que consegui achar. — Responde Safira.

— Nós nem sabemos se ele existe, ou se quer tenha sobrevivido! — Emily se exalta.

— Madame Kerina não ia falar para procurarmos se ele não tivesse sobrevivido. — Tom tenta acalmá-la.

— Como você pode saber, você mal a conheceu! — Grita Emily antes de parar, respirar e concluir. — Tudo isso é uma perda de tempo. — Ela se vira e sai do quarto do Safira.

— Eu vou atrás dela. — Diz Tom seguindo sua amiga pela rua. Ele logo chega ao lado da ruiva porém não pronúncia nenhuma palavra.

— Me desculpe. — Diz ela. — Eu não deveria ter me exaltado. Eu só estou cansada de andar em círculos.

— Tudo bem, eu entendo. — Tom a conforta.

— Eles mataram ela. — Emily segura as lágrimas. — E nem ao menos sabemos o que eles querem. Estamos em uma guerra e estamos perdendo todas as batalhas.

— Eu também estou cansado Emily, essa situação também me revolta. Eu estou nessa a menos tempo que você, tudo ainda é muito novo para mim, mas eu estarei do seu lado sempre, haja o que houver, vamos resolver isso juntos. — Emily o abraça e os dois voltam para o quarto do Safira.

— Melhor? — Indaga Safira.

— Da para rastrear a origem desse documento? — Pergunta Emily.

— Já fiz isso, ele é uma nota de um diário de bordo do Lord Magnus. — Responde Safira.

— Lord Magnus? — Questiona Tom.

— Era o nosso líder antes do clã se separar, infelizmente ele usou todas as suas forças para selar a maldição que a Terceira Ordem pretendia lançar e isso acabou matando ele. — Responde Emily.

— Infelizmente, a maior parte do diário se perdeu na guerra, mas consegui resgatar partes dele que mencionam os nomes de vários feiticeiros.

— Espera. — Tom o interrompe. — Eu conheço esse nome. — Completa ele apontando para o monitor.

— Terris Iam Ford? — Indaga Safira.

— Sim, esse foi o nome que Helena disse após matar Kerina. — Responde Tom.

— OK! — Safira começa a vasculhar as incontáveis listas de nomes e documentos novamente. — Temos por onde começar. — alguns minutos se passam e então uma mensagem pisca em vermelho na tela do monitor principal.

— E voltamos a estaca zero novamente. — Diz Emily.

— Posso fazer uma busca mais minuciosa, porém isso vai levar um tempo maior. — Diz Safira.

— Bom, vou comprar café. — Diz Tom enquanto Emily senta e observa Safira. Horas se passam e todos estão exaustos, pilhas de livros e copos de cafés estão espalhados pelo chão. Até que Emily encontra uma carta em meio aos livros.

— Olha. É para Kerina, mas não tem remetente e nem se quer um nome. — Ela abre a carta e lê algumas linhas:

“Minha amiga, contínuo em minha jornada.

Ainda não obtive sucesso em minha busca.

Creio que essa seja a última vez que iremos nos falar.

Está se tornando perigoso para nós dois.

Espero ainda encontrar você um dia.

Adeus Kerina! Seu amigo

— Profeta.”

— Qual a data? — Pergunta Safira.

— Tem quase um ano. — Responde Emily.

— Pelo menos sabemos que ele sobreviveu. — Diz Tom. — Emily, temos que ir, já escureceu.

— Verdade. Obrigado pela ajuda Safira.

— Estou as ordens. — Tom e Emily saem e logo na esquina pegam um táxi que deixa Tom em sua casa e segue para a casa de Emily. Tom Entra em casa, sobe as escadas e entra em seu banheiro para um banho.

Horas mais tarde, Tom desce as escadas e encontra com sua mãe e irmã sentadas a mesa de jantar a sua espera.

— Chegou tarde da faculdade. Aconteceu alguma coisa? — Indaga Verônica.

— Estava com a Emily estudando. — Responde Tom ao se sentar.

— Me pergunto por que essa garota ainda é sua amiga, ela é legal de mais para andar com você. — Brinca Victória.

— Posso perguntar o mesmo aos seus amigos. — Ironiza Tom.

— Se vocês começarem a brigar na hora do jantar eu irei cortar a mesada de vocês. – Verônica interrompe a discussão.

— Mas foi ela quem começou. — Diz Tom.

— Não quero saber. — Responde Verônica ríspida.

— Vejo que você não mudou nada Verônica, continua linda. — Diz um homem entrando na sala de estar causando espanto em todos.

— Me desculpe Dona Verônica, mas ele forçou a entrada. — Diz Mercedes.

— Até porque essa casa também é minha. — Diz o homem. — O que foi, não reconhece o pai de vocês!?

Notas finais
Espero que tenha gostado. Críticas, sugestões ou dúvidas é só deixar uma mensagem para mim. Eu adoro Feedback :D