Loop - Feitiço do Tempo
4 Não queira saber
Notas iniciais
Em uma sala grande e escura, um homem, repousa em uma poltrona dourada com acolchoado vermelho, ele acaricia um enorme tigre branco sentado ao lado de sua poltrona.
– Nós o perdemos. — Diz a feiticeira mais alta ajoelhada aos seus pés e com a cabeça baixa.
– Isso não me surpreende Tamara. — Diz ele sem olhar para frente, continua a acariciar o felino que parece bem manso.
– Perdemos o rastro dele, mas antes sentimos a áurea da Kerina. — Ele a ignora e continua a acariciar o animal. Ela levanta a cabeça e tenta olhar o ser misterioso porém a pouca luz a impossibilita. — Mestre! Nós podemos pegá-lo, somos mais forte que ela.
– Não.
– Mestre, podemos matar Kerina e pegar o garoto.
– Eu disse que não! — Ele se levanta enfurecido. — É difícil entender que ele precisa querer se juntar a nós? — Ele diz enquanto caminha pela sala, com uma exorbitante bata preta. Finalmente podemos ver seu rosto, seu cabelo loiro e olhos claros destoam no rosto incrivelmente belo. — Deixem ele com Kerina, ela pode nos ser mais útil do que imaginamos, ela irá treiná-lo, o ajudará a controlar seus poderes, e quando ele estiver pronto, ele irá se juntar a nós.
– Sim mestre!
– Agora saia, você já me irritou muito hoje. — Ela se retira e então ele volta a sua poltrona e continua a acariciar o tigre
Amanhece e toda a cidade parece animada com o ano que se inicia, na casa de Eduardo uma mesa que alimentaria um batalhão, se encontra no meio da sala de estar. Nela vemos um homem a cabeceira lendo um jornal que estampa os altos índices da bolsa, a sua esquerda uma mulher alta e magra degusta seu café em silêncio. Em poucos minutos desce as escadas um rapaz baixo e robusto.
– Bom dia! — Disse ele antes de se sentar na cadeira a direita.
– Vinícius, você viu seu irmão?
– Ele ainda não chegou. — O jovem foi seco e logo em seguida pegou uma fatia de bolo.
– Como não chegou!?
– Meus amigos disseram ter visto ele no show da Vitória.
– Que show foi esse? Já falei para esse garoto se afastar dessa gente.
– "Essa gente" são filhos da sua irmã.
– O problema não são os filhos da Verônica, Bárbara. O problema é o seu filho. — Diz o homem abaixando o jornal e pegando uma xícara de café.
– Agora ele é meu filho? Você adora jogar a culpa em cima de mim Cláudio.
– O meu filho não teria saído da Inglaterra para voltar pra essa cidade. — Ele se levanta. — Eu tenho que ir, não me espere para o jantar.
– Ele pega seu blazer em cima de um grande piano preto e sai.
– E você? Só sabe comer, nem se preocupa com seu irmão, por isso está gordo desse jeito.
– Bom, essa é a minha deixa. — Ele pega mais um pedaço de bolo e se levanta. — Não me preocupo com o Edu, ele está bem melhor longe de você. — Ele sobe as escadas deixando sua mãe praguejando sozinha.
Tom entra em um pequeno prédio no subúrbio de Santa Maria, bate em uma porta umas três vezes até que uma moça ruiva completamente nua abre a porta.
– Edu está aí? — Ele pergunta e então ela abre a porta para ele entrar, ele chega até a cama onde Edu dorme abraçado com mais duas ruivas. Tom pega um copo com água e joga no rosto do primo.
– Você ta maluco!? — Diz ele se levantando assustado.
– Minha tia está te procurando.
– E daí? — Ele fica de pé completamente nu. — Que horas são?
– Nove, vamos vou te deixar em casa. — Diz Tom enquanto Eduardo veste sua calça.
– Meninas, eu adorei a noite, mas eu preciso ir, vamos repetir em breve. — Diz ele enquanto Tom arrasta ele pelo braço e ele cata suas outras peças de roupa do chão.
– Onde você conseguiu três ruivas?
– Nem pergunte. — Diz Edu descendo as escadas com Tom.
– Esse é seu jeito de esquecer a Emily.
– Cara, cedo de mais para sermão.
– Me da as chaves? — Eles chegam na rua.
– Você acha que vou deixar você dirigir meu carro? — Ele ri e pula por cima da porta do carro e senta no banco do motorista. — Vamos, eu te deixo em casa antes de ir para a minha, eu preciso de um café. Os dois seguem para casa de Tom, ao entrar eles avistam Victória saindo do banho só de toalha. — Prima, se eu soubesse que você ficaria tão gostosa não tinha te dado um toco quando você era mais nova.
– Você pode aproveitar agora. — Disse ela chegando perto dele e ameaçando abrir a toalha. Ele começa a olhar para ela com olhar de desejo e ela fecha a toalha novamente. — Pena que você ficou tão babaca. — Ela lhe da as costas e sobe as escadas.
– Quer sossegar? — Tom lhe da um tapa no ombro.
– Você achou ele! — Verônica desce as escadas. — Estávamos todos preocupados. — Ela o abraça forte.
– Eu estou bem tia.
– Como se ele nunca tivesse sumido. — Diz Tom indo em direção a cozinha.
– Onde você estava?
– Nem queria saber. — Interrompe Tom. — Anda Edu! — Ele grita entrando na cozinha.
– Tenho que ir tia Verônica, depois conversamos mais. — Ele vai atrás de Tom.
– Ta bom, vou avisar sua mãe que você apareceu.
– Seu café ainda é puro? — Pergunta Tom.
– É. — Responde Eduardo se sentando no balcão da cozinha. Tom pega o celular e abre um aplicativo.
– Café normal. — Diz ele com o celular e então uma máquina de café se liga sozinha. Tom pega o café e o entrega para Edu. — Toma, agora some antes que minha tia bata aqui com um exército atrás de você.
– To indo. O que você vai fazer hoje à noite?
– Maratona de série, porque?
– Às vezes esqueço o quanto você é Nerd. Emily vem também?
– Talvez, porque?
– Nada, só estava pensando se seria muito estranho eu fazer uma visita surpresa para o meu primo que não vejo a um ano.
– Seria, se tivesse sentindo minha falta não tinha passado à noite em cima de três ruivas. Agora vai. — Edu pega seu café e vai embora.
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