Loop
6 Capítulo 6
Notas iniciais
'Ah... ' Foi a unica coisa que saiu da minha boca.
Um Ah.
Quando o deus grego bate na sua porta o que você diz? Ah.
Nossa senhora eu quero morrer.
— Dani querido! — Minha amiga gritou com voz de bêbada, o que me fez olhar pra baixo com vergonha... por ela. — Saudades! Eu estava aqui me perguntando por quê você não vinha!
— Meu deus... — Eu soltei.
Daniel olhou para mim com um sorriso divertido brincando entre os lábios antes de me entregar a sacola de pão.
— Aqui, meus pais me ensinaram a nunca ir para a casa de alguém com as mãos vazias. — Ele disse.
Beleza, já sei que os pais dele eram do século 18, mas pelo menos me poupava de comprar pão de manhã.
— Ah... — De novo, ai senhor. — E-Entra, fique a vontade. — Eu disse, meio nervosa enquanto segurava o saco dele.
Ai não, o saco de pão, SACO DE PÃO. Saco dele não. Gente, tô nervosa.
— Anda logo o filme vai começar! — Paulo gritou, tão bêbado quanto Alê.
Aliás o filme ja estava no final.
Andei até a cozinha e coloquei o saco sobre a mesa, meu irmão tinha ido buscar um guaraná e ficou encarando o recém convidado confuso. Para piorar eu me movia como um robô em modo automático, porém sem oléo nas artiulações, resumindo: Toda dura de tão tímida.
Uma coisa é você ver uma pessoa no lugar que aquela pessoa trabalha, ai já é esperado, agora quando aquela pessoa aparece na sua casa sem aviso é foda. Principalmente por que eu tô parecendo a mendiga do ano. Meu deus, eu vou arrastar a cara da Alexandra no chão por isso.
Mas a merda já tinha sido jogada no ventilador e eu precisava pensar em alguma forma de limpar aquela bagunça. Dei um sorriso amarelo para Daniel e indiquei o óbvio caminho até a sala de estar para que pudéssemos assistir a mais filmes.
Ele se sentou em um sofá, ficando um pouco mais distante de Paulo e Alexandra, enquanto eu me movia para o computador e buscava por mais um filme.
Era estranho, pelo menos a sensação que ele me causava. Um nervosismo que fazia arrepios percorrerem a minha espinha. Ao mesmo tempo meu estomago ardia como se algo quisesse sair, mas nada muito grave. O ambiente também parecia estranhamente mais frio, não sei se isso era algo normal. Nunca me apaixonei antes, não teria como saber o que isso era.
Alexandra gosta muito de dizer que isso se chama "crush", mas sinceramente, eu também não entendo o que é isso. O máximo que consegui tirar da situação era que: o cara é bonito, isso é inegável; eu sentia atração por ele, embora não soubesse definir um tipo de atração.
Eu devo ser algum tipo de retardada para não saber dessas coisas, mas enfim...
Não da pra mudar isso agora... Ou dá?
Olhei para o lado e ele estava sentado olhando para a televisão. Olhei para meus amigos e os mesmos estavam bem... Próximos, o que me fez me sentar mais para o lado dos solitários, vulgo eu, meu irmão e o Daniel.
O filme que coloquei foi o mais trash que encontrei. Um filme que parecia ter sido um trabalho de faculdade, cujo nome era Geladeira Diabólica e a história era sobre uma geladeira que matava pessoas. O filme do pneu que matava pessoas conseguia ser melhor do que esse filme, o que nos fez rir, muito, muito do roteiro e das cenas toscas.
Quando dei por mim já era quase meia noite.
Alexandra desmaiou em cima de Paulo.
Meu irmão foi dormir antes, ainda bem, já que eu sabia que ele iria ficar incomodado com aquela cena. Fechei os olhos, mesmo com o cansaço físico minha mente estava totalmente acordada, e eu sei que não iria dormir tão cedo.
Apenas abri os olhos quando senti dedos tocarem meu rosto de forma leve e até carinhosa.
Olhei para o lado e percebi que era Daniel. Ele moveu a mão e pegou um cacho rebelde do meu cabelo, o colocando por detrás de minha orelha. Eu sorri, mas sinceramente eu não sabia o que fazer agora.
— Eu já estou indo... — Ele disse enquanto se levantava.
— Já? — Perguntei.
— Sim, deixei meu uniforme em casa, e ainda tenho que passar na faculdade amanhã. — Disse enquanto eu o acompanhava até a porta.
— Ah... — Falei desanimada.
Ah aparetemente era a única palavra que saia da minha boca agora, maravilhoso.
— A gente se vê amanhã? — Ele perguntou curioso.
— Se você quiser... — Dei de ombros. — Claro. — Falei com um sorriso.
— Ótimo... — Ele disse sorrindo.
Passamos alguns segundos constrangedores em silêncio até eu perceber que tinha que abrir a porta. Me movi meio desajeitada e passei a chave na fechadura até ouvir o clique. Eu estava perto de abrir a porta totalmente quando ele me puxou e me fez virar, dando rapidamente um beijo em meus lábios.
Um beijo que eu fui pega totalmente de surpresa e não consegui retribuir, mesmo não sendo o meu primeiro. Eu aposto como ele pensou que eu sou BV. Bem eu até tentei retribuir, mas... Ficou estranho demais.
Ele se afastou e eu olhei para o chão.
— E-Eu acho melhor você ir... — Falei, ainda pasma pelo que tinha acontecido.
— Certo... — Ele disse, parecendo desanimado, e saiu.
Eu fiquei um tempo congelada no meu lugar quando decidi finalmente fechar a porta.
Tranquei e me encostei na parede, deslisando meu corpo para o chão e aguardando os minutos passarem. Algo dentro de mim não estava certo.
Eu me sentia vazia, como se tivesse... Até mesmo feito uma coisa muito errada. Talvez fosse pelo cara ser uns seis anos mais velho do que eu, e eu me sentisse assim. Talvez pelo fato de que ele me beijou quando eu não estava preparada. Algo dentro de mim gritava que era bem mais do que isso. Eu me sentia abusada, e não sabia o por quê.
Apenas parei de me lamentar quando ouvi um barulho que eu nunca tinha ouvido ao vivo antes.
Ah não.
Me levantei e fui discretamente dando passos até a pequena curva que separava a entrada, da cozinha e da sala, vendo uma cena que fez meu queixo cair.
Alexandra estava em cima de Paulo, os dois com as roupas bem bagunçadas e abertas. Ela balançava de cima para baixo enquanto o beijava aos montes. Devem ter pensado que eu estava no andar de cima com meu irmão, ou simplemente não pensaram e acabaram se jogando um sobre o outro.
Franzi a testa e virei o rosto, sabendo que encara-los seria algo muito errado. Mesmo assim uma parte da minha mente ficou curiosa.
Eu já vi sexo antes, mas não ao vivo. Ainda sou virgem, mas por escolha, meus antigos namorados já tentaram, mas eu não estava preparada para fazer ainda. Bem... Não é algo que eu queira ficar assistindo, e nem que me deixe no clima, portanto o melhor seria, subir as escadas e esquecer o que eu vi. Dormir e arrastar a cara dos dois no chão no dia seguinte.
Comecei a botar meu plano em ação e subi as escadas. No começo eu até demorei com medo deles me verem e o clima ficar mais estranho ainda, mas taquei o foda-se e percebi que não me me notariam, nem se eu estivesse fazendo 100 polichinelos do lado deles.
Fui até meu quarto, tirei toda a minha roupa. Mudei o chuveiro para água morna e me puz debaixo dele. AAAAH. Bem melhor.
Sentir a água me lavar parecia como se todos os meus problemas tivessem saindo de mim e caindo no ralo. Não lavei meu cabelo, mas passar o sabão na minha pele era incrivelmente reconfortante.
Quando eu finalmente terminei, me sequei, coloquei a mesma roupa de dormir que eu estava usando antes e me enfiei debaixo das cobertas de minha belissima cama.
Ah cama, que perfeita amiga.
E eu continuei acordada por muito tempo já que é isso o que acontece quando se têm insônia.
***
A manhã de sábado estava chuvosa.
O que me fez passar meia hora deitada antes de ter a coragem de me levantar.
Não sei quando fui dormir, mas o cansaço e as olheiras me confirmavam que tinha sido insuficiente.
Fui ao banheiro, Lucas já estava lá o que me fez me jogar na parede enquanto eu esperava. Vi Paulo subindo as escadas parecendo tão cansado quanto eu e sorri maliciosamente para ele.
— Parece tão cansado... Se exercitou? — Perguntei, com um tom de malícia e ao mesmo tempo acusação.
— Eu venho apertando coisas... — Ele disse, já notando a minha intenção, o que me fez rir. — E você? Se divertiu assistindo? — Dessa vez a diversão no tom dele diminuiu.
Dei de ombros e revirei os olhos.
— Já vi melhores. — Falei e ele sorriu.
— Mas duvido que já tenha visto seus dois melhores amigos fazendo amor juntos antes. — Disse.
— Fazendo amor? O que você é? Uma garota? — Perguntei franzindo a testa. — Não e nunca mais quero ver... Afinal, cadê ela?
— No outro banheiro. — Disse.
Verdade, temos mais de um banheiro nessa casa, sou tão acostumada com o que divido com Lucas que me esqueço.
Meu irmão saiu do banheiro e foi caminhando sonolento até seu quarto.
— Não esquece da natação hoje! — Falei e ouvi ele grunhir em resposta.
Suspirei e entrei no banheiro, escovei os dentes, fiz minhas higienes básicas, menstruei, fiquei com raiva e com cólica, saí puta em direção a cozinha para comer qualquer coisa com chocolate. Uma manhã normal como a de qualquer outro mês, exceto, claro, que no momento em que vi Alexandra eu a fuzilei com os olhos.
Ela parecia alegre, de certa forma mais bonita. Mas caralho como me tinha feito raiva ontem.
— Então você vem beber na minha casa, convida um cara sem me avisar, desmaia na minha sala, me deixa sozinha com a situação, perde o beijo que ele me deu e ainda transa com meu melhor amigo sem nem se importar com a nossa presença? — Falei, em tom baixo, ao lado dela.
Seus olhos arregalaram, confirmando a minha suspeita de que ela não tinha me visto na hora.
— Vocês pelo menos usaram proteção? — Perguntei, fingindo preocupação.
— Cala a boca, eu não quero lembrar que fiz isso. — Ela se sentou em uma cadeira e cobriu o rosto, vi suas orelhas ficarem vermelhas e eu sabia que ela estava com vergonha.
— Mas você fez... — Falei. — A premissa de ontem era que todos nós tivessemos um dia divertido, mas parece que vocês dois só precisavam de um lugar melhor para se divertirem, caralho Alê, meu irmão tava aqui, ele podia ter visto e ouvido! Eu não quero ter o mesmo destino que vocês dois tiveram, vocês sabem como eu sou com relações! E caralho que sacanagem vocês fizeram comigo hein? Poxa...
Parei de falar e me voltei para o balcão, indo preparar o café.
— Próxima vez pelo menos me avisa. — Falei amargurada.
— Eu não planejei nada disso. — Ela disse, e notei raiva em seu tom de voz.
— Não planejou, mas fez. — Falei. — Você é minha melhor amiga, e você me decepcionou. Tanto você quanto o Paulo.
— Bem você também não me ajudou quando eu precisei. — Ela disse.
Franzi a testa.
— Do que você está falando? — Perguntei.
— Nada... — Ela disse, tentando encerrar a discussão. — Então... Ele te beijou?
— Sim. — Falei, respirando fundo, eu não queria começar uma briga.
— E como foi? — Ela perguntou.
— Errado. — Eu disse.
— Bom. — Ela falou.
— Você sabe alguma coisa que eu não sei? — Perguntei e olhei para ela, tentando ler sua reação.
A mesma permaneceu neutra.
— Eu nunca deixaria de te contar um segredo. — Falou, e olhou para mim com um sorriso gentil nos lábios.
Não confie!
As palavras da minha mãe voltaram para minha mente.
— Certo. — Falei e sorri também.
Bocejei e terminei o café, enquanto Alê se levantava para me ajudar.
Nós conversamos sobre coisas aleatórias, ela me falou sobre a itália novamente, tentando evitar ao máximo qualquer assunto que me lembrasse de ontem.
Quando os garotos vieram eles também evitaram conversa. Paulo por ter notado o clima do ambiente e Lucas por estar com sono demais para iniciar qualquer assunto. Comemos algo que eu já nem consigo me lembrar e foram todos embora enquanto eu fiquei lavando a louça.
Assim que terminei, prendi meus cabelos em um coque. Subi para meu quarto colocando uma saia-short azul clara, e uma blusa branca de alças leves. Calcei meus tênis e fui pegar minha bicicleta.
Mandei uma mensagem para Asha, um "Estou indo te visitar" e em resposta recebi o endereço da casa da garota. Sorri e fui pedalando até la.
Era um pouco longe da minha casa, bem no limite da cidade. Mas minha cidade é pequena e pude aproveitar o caminho. Tinha muitos campos abertos até lá, vi uma macieira no jardim de uma casa e eu nem sabia que era possivel plantar uma macieira com o clima daqui.
Fiquei cantando algumas músicas da Lady gaga enquanto pedalava, até chegar ao meu destino, mas não me demorei muito lá.
Eu tinha acabado de chegar.
Coloquei a minha bicicleta encostada em uma árvore mais discreta, olhei ao redor observando cada detalhe do lugar. O terreno era aberto, sem grades ou paredes, algo difícil de se ver por aqui. Ao invés de grades a casa era protegida por uma floresta, creio que um dos pedaços remanecentes da mata atlântica. A casa só tinha um andar e era bem fofa do lado de fora, a porta de entrada era vermelha e a pintura era bem colorida, sendo branca com faixadas em salmão. O telhado tinha várias cores, parecia a casa de uma criança, só que grande.
Eu estava caminhando para a porta quando ouvi um grito, e algo sendo jogado do lado de dentro. Parei de andar, observando a situação. Analizando qualquer alerta de perigo. E eu estava certa.
Ouvi o barulho de tiros e mais gritos, eu voltei para minha bicicleta, até que lembrei de minha bolsa. Vasculhei ela com as mãos tremendo em busca do meu celular, eu precisava ligar para a polícia.
Vi a porta abrindo, já com o celular na mão eu fiz um movimento rápido e me enfiei no meio da floresta. Me escondendo atrás de uma árvore.
Dois homens, vestido com roupas completamente negras, sairam de dentro da casa. Seus rostos estavam cobertos, mas as mãos de um deles estavam despidas e cheias de sangue. O outro limpava algo com um pano, percebi ser uma arma.
Meu coração estava a mil, eu já estava suando e minha respiração estava saindo de uma forma estranha, fazendo um barulho que eu não gostaria que estivesse saindo agora.
Eles conversaram algo e um entrou novamente na casa. Eu já estava pensando em esperar os dois entrarem para poder ir até que o outro avistou a minha bicicleta.
Merda.
Ele preparou a arma e veio andando lentamente até a direção do meu veículo. Cobri minha boca e nariz, tentando segurar a respiração. Eu estava tão encostada na árvore que parecia que queria cavar um buraco e entrar nela.
Iria me achar.
Era óbvio, claro como água que ele iria me achar.
E iria me matar, se não pior.
Minha mente enchia de perguntas. Quem eram eles? O que estava acontecendo? Asha sabia que eles viriam? Era um tipo de armadilha? Meu coração batia tanto que parecia um tambor, fechei os olhos e escutei o som de folhas sendo pisadas.
Ele iria me achar!
Então ouvi um barulho forte e o som de algo caindo no chão.
Me forcei a me manter no lugar até ouvir passos rápidos e ver o irmão de Asha lá, o mesmo que veio buscá-la em minha casa, o mesmo que tinha meu número. Ele pareceu ansioso e surpreso ao mesmo tempo, pegou minha mão e me obrigou a correr.
— Vamos! — Disse.
O alívio que me tomou foi enorme, comecei a correr, agradecendo mentalmente aos meus pais pela ideia dos exercícios com a bicicleta, que me deram o fôlego necessário para a situação. Eu não falava, apenas corria. Minha visão estava borrada e percebi que eu estava chorando.
Tropecei uma vez e o garoto me levantou com preça, ele olhava para trás várias vezes e dizia para que eu fosse mais rápida, mesmo assim não largava a minha mão. Tentei me distrair enquanto corria, lembrei-me de minha mãe, que contava histórias para mim quando eu ia dormir.
Meu deus! Meu deus! Como tudo está esquisito hoje!
O caminho foi ficando cada vez mais difícil, o céu nublado começou a soltar suas lágrimas, mas as folhas das árvores nos protegiam por um tempo indeterminado.
E ontem tudo era exatamente como o de costume. Será que fui eu que mudei a noite?
Em determinado momento caímos juntos. Senti meu corpo sendo jogado, a terra cobrindo meus olhos, meus braços e pernas sendo feridos por pedras. Quando o mundo parou de rodar em minha visão turva eu percebi que tinhamos rolado para um pequeno barranco. Forcei-me a levantar, mas o garoto não teve a mesma sorte.
Deixe-me pensar, eu era a mesma quando me levantei hoje pela manhã?
— Acorda! A-Acorda! — Eu repetia enquanto meus braços balançavam o garoto, seu pescoço estava em uma posição estranha.
Estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente.
Ouvi passos e gritos masculinos, pude identificar duas vozes. Meu corpo tremeu e eu me forcei a continuar correndo.
— Ali! Vamos! — Ouvi um deles dizer, mas não olhei para trás.
Mas se eu não sou mais a mesma, a próxima pergunta é:
Ouvi o som de um tiro, levantei os braços até o rosto, a bala atingiu uma árvore bem ao meu lado. Chorei e pude ver o rio, a ponte.
"Quem é que eu sou?".
Fui correndo em direção a ponte, um novo tiro atingiu meu ombro, gritei. Minha única opção seria pular. Forcei minhas pernas a continuarem se movendo, não podia desistir, não podia me entregar para eles! Atravessei a grade, não foi dificil nem para mim, machucada daquele jeito. Outro tiro bateu bem próximo e me assustou, não tive nem tempo de pesar minhas opções.
Ah... Essa é a grande charada!
Primeiro senti o vento em meu corpo, me arrastando para mais longe do ponto em que eu realmente teria caído se estivesse em linha reta. Então senti meu corpo sendo coberto pelas águas. A corrente mais forte por conta das chuvas que apareceram pela manhã. A água entrando pelas minhas narinas e boca, me fazendo engasgar e sentir meus pulmões queimarem. A ferida em meu ombro ardendo e espalhando meu sangue.
Eu não conseguia respirar. Eu não conseguia nadar. Me jogar teria sido a melhor opção? E se eles tivessem feito algo pior comigo? As águas pareciam bem mais tentadoras, mesmo com essa tortura.
Comecei a não sentir meus pés, quando alcançava a superfície as águas agitadas me empurravam de volta. Era isso. Minha visão escureceu cada vez mais, meu corpo ficou cada vez mais rígido, e antes que eu pudesse apagar eu ouvi uma voz em minha mente.
Você consegue na próxima vez, ou nas vezes seguintes.
Eu apaguei...
...
Acordei com o sol da manhã batendo em meu rosto e me esquentando.
Me movi em um pulo e olhei ao redor, meu corpo tremia muito, minha respiração estava agitada, como se eu tivesse ficado muito tempo sem poder respirar.
Ouvi várias batidas na minha porta e uma voz feminina desesperada que dizia:
— Lara levanta você vai se atrasar! — Minha mãe gritou do outro lado da porta antes de ir fazer o mesmo com o meu irmão.
Eu olhei para a porta assustada, peguei meu celular e verifiquei a hora e o dia.
1 de agosto, 6:15 da manhã.
***
"Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?"
"Isso depende bastante de onde você quer ir" disse o Gato.
"O lugar não importa muito..." Disse Alice.
"Então não importa o caminho que você tomar." Disse o Gato.
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