Looking for a Home
1 Jane
Eu acordei. Não do jeito que eu esperava, mas acordei. Assim que eu me sentei no meu colchão improvizado de palha e folhas, o sol da manhã começou a iluminar e aquecer a entrada da caverna onde eu estava me instalando haviam alguns dias. Eu estava esperando por algum tipo de milagre divino que me trouxesse algo além de frutas para comer, mas o tal milagre ainda não tinha chego.
Me levantei com dificuldade, sobreviver a base de frutas e água por três malditos dias não era fácil, meu corpo estava fraco, precisava de algo mais consistente como alimento, algo como a carne de um pássaro talvez. Tal pensamento fez minha barriga doer de fome.
Me aproximei da saida, olhei para fora, o sol iluminava os campos secos que se encontravam abaixo de mim. Nada de animais. Apenas algumas árvores secas e restos de rios que ainda não haviam secado.
Voltei pra dentro da caverna e sentei no chão para colocar minhas botas no pé. Feito isso, levantei, peguei meu cantil e desci a encosta da montanha, seguindo em direção ao pequeno resquicio de água que estava serpenteando no meio do mato seco.
Cautelosamente olhando em volta a procura de algum movimento me abaxei ao lado do rio, coloquei meu cabelo para trás e joguei água no meu rosto.
Sim, eu sou uma mulher. Meu nome é Jane, tenho 17 anos de idade, faz um mês que ando sem rumo definido. Se eu tinha uma casa? Sim, eu tinha. Mas tudo mudou quando ele chegou.
Ele era um forasteiro, chegou na cidade dizendo que estava ali apenas por turismo. Passado uma semana, seus capangas chegaram, ele disse ao prefeito que ia se mudar para a cidade, confiamos cegamente nele.
Minha cidade era a maior produtora de gado da região norte de ColdWinter, um dos maiores estados de Tugaron, meu país. Do dia pra noite, todo o nosso gado desapareceu, e o homem continuava la.
A cidade começou a cair as ruinas, não tinhamos mais dinheiro e nem forças para tentar recomeçar. E então em um belo dia, ele se tornou o salvador de todos nós. O forasteiro prometeu que nos ajudaria, contanto que em troca, a cidade inteira, entregasse tudo que tinha de valor para ele.
Na noite em que estavamos literalmente sem nada, esperando o salvador voltar com comida, o massacre começou. Tudo se iniciou com um tiro. O prefeito estava morto. Depois sucessivamente, a cidade foi morrendo. Incêndios, bombas. Tudo morreu. E eu apenas corri.
Lembrar de tudo aquilo me fez derramar uma lagrima naquela poça de água, e o que me fez acordar, foi o barulho do trovão, que me fez automaticamente olhar para cima e ver o céu se tingir de preto. Fechei meu cantil e corri.
Desviando de arbustos secos e raios que tocavam o chão, fui correndo em direção a minha caverna. Subi a encosta o mais rápido possivel enquanto a chuva vinha varrendo tudo atrás de mim.
Entrei e juntei minhas coisas correndo, arrastei tudo para o fundo da caverna e me sentei, a tempo de ver duas pessoas entrando pela abertura mal iluminada da caverna. Sussurrei para mim mesma:
- Eles me encontraram.
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