Notas iniciais
Boa noite!! [Leiam as notas] Eu tenho esse capítulo pronto há uma semana, e estava apenas esperando o momento certo para corrigir, por inúmeros fatores demorou mais do que eu gostaria e planejava, de qualquer forma, espero que gostem!! Quero agradecer a todos pela paciência e pelo carinho nos comentários, e peço desculpas por não está seguindo um cronograma, não apenas com essa fic, mas com a demais, infelizmente não posso prometer a vocês frequência nas atualizações, apenas tentar. Sei que com essa em especial exijo muito de vocês, já que maioria queria que tivesse terminado em Felicity's Secrets, sinto muito, mas não mesmo não podendo atualizar como queria, eu não posso apressar essa história. Sem mais delongas eu desejo a vocês uma boa leitura!!

FELICITY SMOAK

O que me fez recobrar os sentidos foi o odor forte de produtos de limpeza. Sentia meu pescoço dolorido protestar enquanto ajustava o ângulo da minha cabeça, meus olhos se abrindo e pegando apenas vagamente os detalhes do local fechado. Demorei alguns segundos para me lembrar do que havia acontecido e então entrar em estado de alerta. Tentei erguer minhas mãos, mas estas estavam presas aos braços da cadeira, com a boca amordaçada eu não podia fazer muito além de sons incoerentes.

— Olha só quem acordou. – Respirei fundo ao escutar a voz vir da minha direita, e imediatamente procurei manter a calma, por que era quando o pânico dominava que tudo desandava. Quando entrou no meu campo de visão notei que apesar das roupas pretas parecerem desgastadas, seu andar era seguro ao passar ao meu lado. Seu sorriso de deboche estava presente quando se aproximou, curvando-se sobre a cadeira, fazendo com que eu recuasse ao invadir meu espaço, bem ao menos tentasse. – Você e eu precisamos ter uma conversinha. Pode ser breve e agradável, ou longa e... Não tão agradável assim. – Se afastou me dando as costas enquanto ainda falava. – Eu pessoalmente acho que você vai ser uma boa garota... – Procurava por algo, e percebi do que se tratava tão logo ele se abaixou e pegou uma sacola jogada no canto. Eu já sabia o que era antes mesmo de ele se virar e puxar. – Afinal você parece ter uma razão válida para se comportar. – Com um sorriso irritante ergueu o teste de gravidez entre os dedos. – Eu deveria dar os parabéns, certo? Mamãe.

Respirei fundo tentando ignorar o pequeno aperto que foi gerado em meu coração.

Eu peguei o maldito exame de última hora, o estresse dos últimos dias me deixando desatenta com algo que sempre tive cuidado de checar. Eu ainda tomava pílulas é claro, então não foi só até quando entrei na farmácia e passei pelos testes que me lembrei do quanto estava atrasada. Foi apenas enquanto estava no banheiro aguardando os minutos irritantes passarem que lembrei o único dia em que poderia acontecido. Quando Oliver me encontrou, eu havia estado gripada na mesma semana e no mesmo dia havia vomitado a pílula pouco tempo depois de toma-la.

Foi ao chegar nessa conclusão e lembrando-me que Oliver, Tommy e Ronnie deviam estar com Sebastian Blood, que me fez incapaz de ver o resultado. O enfiei de qualquer jeito na sacola e me apressei em lavar as mãos. O estresse me dominando cada vez mais.

De todas as formas que eu poderia saber que seria mãe, eu tinha que escutar vindo da boca de Cooper Seldon.

Maldito. Cooper. Seldon.

— Eu tenho uma questão. – Murmurou trazendo minha atenção de volta a si. Arrastou uma cadeira até minha frente e se sentou confortavelmente sobre ela. – Oliver Queen sabe que o herdeiro está a caminho, ou você planeja esconder como aqueles romances toscos de banca? – Franzi o cenho diante a sua pergunta. — Eu tenho uma pergunta melhor ainda: Oliver Queen é o pai? Afinal uma vez prostituta, sempre prostituta. – Sorriu. — Vamos, estive escondido tanto tempo que eu meio que sinto falta da boa e velha fofoca.

O encarei com desdém o pânico sendo substituído com rapidez por irritação.

— Oh, eu me esqueci. – Fez um gesto para a própria boca. – Você não pode falar.

Inclinei minha cabeça lhe dirigindo um olhar repleto de ódio.

— Ok. Que tal um acordo? – Sugeriu parecendo amigável demais. – Eu tiro isso da sua boca, e você como a boa menina que é mantém esses lindos lábios fechados. – Ele se levantou ficando em minha frente e nivelando seu olhar com o meu. – Sem brincadeiras, sem tentar ser a garota esperta, lembre-se do futuro herdeiro. – Advertiu. — Tiro? – Perguntou-me, percebi que realmente perguntava a sério apesar de todo deboche. Acenei afirmativamente, ansiosa por me livrar pelo menos disso. Parecendo ainda hesitar ele se desfez da mordaça. – Agora, primeiro vamos ao que importa, conte-me as fofocas.

— Por que você está vivo? – Perguntei o ignorando.

— Não tente parecer tão desapontada com isso. – Sorriu. – Eu estou vivo por que Ivo precisava de alguém que pudesse ficar de olho em você. O tiro foi meio que uma encenação. Não confie em tudo o que escuta.

— Meio? – Franzi o cenho.

— O filho da puta realmente ficou irritado por ter tocado na prostituta preferida dele. – Deu de ombros. – Ele atirou na minha perna. – Meneou a cabeça parecendo aborrecido. — Nunca entendi isso, uma puta é uma puta, qualquer uma serve. – Ergueu uma mão em um gesto de desculpas. – Sem ofensa.

— Por que eu me sentiria ofendida por alguém como você? – Ergui o sobrecenho.

— Uau. – Meneou a cabeça, seu sorriso não me enganado. – Você realmente é uma coisa do outro mundo, você está aí amarrada a essa cadeira, e age como uma rainha em seu trono. Você realmente não tem nenhuma célula inteligente em seu corpo? Nada que advirta do perigo? – Perguntou cruzando os braços e jogando uma perna sobre o joelho.

— Cooper. – Murmurei seu nome com um sorriso divertido. – Há um motivo para Ivo ter te mantido do lado. – Ele me encarou com expectativa. — Você é facilmente manipulável. — Seu sorriso se esvaiu ao me escutar. — Você não é o cérebro de nada. Ele está morto, e algum outro idiota assumiu o lugar dele, por que é assim que as coisas funcionam. Esse mesmo idiota deve estar sumindo com tudo que signifique as falhas de Ivo. Provas. E você, meu caro idiota é uma prova. Você está sozinho, seu estado é deplorável, se você veio até mim, não foi para saber sobre as novidades de Starling City, você precisa ajuda.

Sua expressão se alterou completamente, uma carranca se formando e pela primeira vez notei sua confiança se esvair.

— Você é uma prova também. – Lembrou-me. – Em algum momento, eles vão vir atrás de você, você fodeu com um monte de merda que trabalhava com Ivo, literalmente, você escutou muito. – Concluiu.

— Eu sou uma puta. – O lembrei. – Ninguém me leva a sério.

— Slade leva. – Falou.

— Como é que é? – Murmurei confusa. O que Slade tinha a ver com isso?

— Slade assumiu os negócios de Ivo. – Falou.

— Slade está muito acima de Ivo. – Retruquei. – Por que ele se preocuparia com os negócios dele? — Uma risada irônica foi a resposta de Cooper.

— Slade manda em tudo isso. – Respondeu. – Em cada merda que dá errado em Starling City tem o dedo dele. Prostituição, drogas, comércio de armas? Tudo pertence a ele. Você é uma ponta solta. – Falou. – Slade odeia pontas soltas. – O encarei sem ter muito certeza como responder a isso. Ele me estudou demorando a chegar à conclusão mais óbvia. – Você não sabia.

— Eu sabia que ele era alguém importante. – Respondi. – Eu não sabia que ele era o maldito rei do crime.

— Hum, quadrinho errado. – Falou batendo palmas e voltando a se erguer. – Você e seu namoradinho estão tão concentrados em Sebastian que não percebem o real perigo. — Limitei-me a seguir o observando, enquanto imaginava o que meu namoradinho devia estar fazendo nesse exato momento. — Sebastian te fez um favor quando a fez sair da cidade, você foi uma tola ao retornar. Sebastian está envolvido em uma guerra de egos, ele não vai fazer nada a sério com vocês, por que o idiota não suja as mãos. Veja o caso de Ivo, ele tinha uma missão e esperou que você resolvesse. Ele é um merdinha frouxo, confie em mim ele não vai muito a frente. Seu namorado deve estar cortando os coelhões dele fora nesse exato momento.

— Eu pensei que você não estava por dentro das fofocas. – Murmurei com acidez, não gostava de ter alguém como Cooper por dentro de cada decisão nossa.

— Eu só queria saber mais sobre o herdeiro real. – Deu de ombros trazendo de volta seu ar de boche. Estalou os dedos. – Foco no que interessa.

— Que é?- Perguntei imaginando se havia alguém mais irritante nessa cidade.

— Você e eu fazemos um grande time. – Respondeu apontando de um para o outro.

— Por favor, pare. – Exigi com desinteresse.

— Sério. – Sorriu. – Somos os párias, mas podemos descontruir esse reinado de Slade com um estalar de dedos. – Repetiu o gesto.

Sério, tão irritante.

— Agora você é Thanos. – Debochei,

— Quem?

— Continue. – Falei sem paciência.

— Você está me zoando?

— Como você sobreviveu até agora? – Perguntei aturdida. Meneando a cabeça e interrompendo o que eu poderia imaginar ser mais uma idiotice, resolvi trazê-lo de volta ao tópico. – Eu tenho a impressão de quanto mais rápido deixar você terminar sua sugestão idiota, mais cedo eu volto para casa. Então, continue. – Pedi.

— O que a faz pensar que volta para casa? – Perguntou me encarando ameaçadoramente.

— Você precisa de mim. Isso é tudo o que estou entendendo até o momento. – Falei. – Se você conseguir terminar sua maldita história sem se interromper, eu vou saber exatamente para quê. Não seria bom para você fazer qualquer coisa comigo, eu sei que você é burro, mas nem tanto. Sem ofensa.

O observei franzir os lábios em um sinal evidente de irritação.

— Como Ivo era tão obcecado assim por você?

— Sério, termine. – Eu precisava entrar em contato com Roy ou Diggle o mais rápido o possível, com meu histórico era certo de que eles deviam achar que eu havia fugido.

— Ok. – Assentiu. – Como eu disse, antes de ser rudemente interrompido... – Revirei os olhos diante disso. — Podemos juntos nos proteger e fazer com que tudo isso nos favoreça. Junta o que eu sei com o que você sabe e podemos mandar todos eles para a cadeia.

Eu não pude ainda que quisesse interromper uma pequena risada irônica como resposta.

— Você realmente é burro assim? – Questionei. – Somos nada, nada para esse tipo de pessoa, nossos depoimentos não valem nada, a única coisa que estaríamos fazendo é marcando um alvo vermelho vibrante em nossas costas. Você não consegue perceber isso?

— Eu vou perdoa-la por me chamar de burro mais uma vez, e só dessa vez. – Falou apontando para mim.

— Por que você não me solta? – Questionei sentindo meus braços dormentes.

— Você matou Ivo. – Lembrou-me. – Não tomo riscos.

— Eu não tenho nada com o que me defender. – Argumentei.

— Não confio em mamãe urso. – Meneou a cabeça. – Voltando, eu tenho mais do que apenas meu depoimento. – Falou. – Há certas vantagens em estar morto, eu tenho vídeos interessantes que incriminariam o Sebastian Blood e Slade Wilson. E no dia da morte de Ivo? Eu fui deixado para trás, eu pude invadir seu cofre pessoal, e consegui pegar papéis muito interessantes.

— Como você conseguiu invadir seu cofre? – Perguntei genuinamente surpresa.

— O idiota era obcecado por você. – Deu de ombros. – A senha era o seu primeiro dia como Megan.

Fiquei tensa com o que foi dito, odiando o que apenas uma menção a esse dia conseguia fazer comigo.

— E você simplesmente vai me entregar todas essas provas? – Questionei ignorado o frio que agora se infiltrava em meus ossos.

— Claro. Eu sou assim altruísta. – Sorriu.

— O que você quer?

— Quero o melhor advogado que seu namoradinho pode pagar. – Falou. – Eu não sou idiota, não há como relevar essas coisas sem me entregar também, eu quero um puta acordo me favorecendo. – Ergueu a mão passando a contar nos dedos, suas exigências. – Quero total proteção, quero regalias, e acima de tudo quero ficar longe de qualquer homem que trabalhe para esses dois possam estar. Entendeu? Eu não vou virar uma putinha de presídio e nem quero morrer lá.

Eu tentava em vão entender, como apesar de estar amarrada, ter sido sequestrada e claramente ser uma vítima.... Eu me sentia uma gangster.

— Está bem, se tudo isso é real você irá fazer parte do meu time. – Falei. – Mas fique esperto, depois desse showzinho Oliver vai querer matar você, e Tommy Merlyn deseja a sua morte desde o momento em que você tocou em Sara Lance.

— Não sei quem é essa. – Deu de ombros.

Claro que não, o idiota não devia dar um segundo pensamento as suas vítimas.

— A razão pela qual fiz você levar um tiro. – O lembrei.

— Oh a loirinha que levou um tiro por você. – Assentiu. – Acho que estamos quites. – Sorriu acho que posso soltar você agora. – Murmurou me medindo com o olhar, acenei afirmativamente com meu melhor olhar inocente. Ainda desconfiado ele se aproximou soltando as cordas e deu um passo longo para trás.

Covarde.

O encarando com desdém mexi meus pulsos tentando normalizar minha corrente sanguínea. Espreguicei-me e estalei meu pescoço, só havia sido algumas horas, mas eu definitivamente não queria repetir a dose.

— Estamos combinados? – Perguntou-me ainda desconfiado.

— Sim. – Assenti. – Preciso do meu celular.

— Quebrei.

— Como é que é?

— Seu namorado é paranoico. Eu não ia correr o risco de ser rastreado. – Falou. Levei uma mão a cabeça tentando manter a paciência. – Agradeça pelo fato de estar te deixando ir com as próprias pernas. – Falou abrindo a porta. – Não me importa por que não vou mais usar esse lugar mesmo. Ande mais uns dois km e entre no café da Deisy, ela vai te deixar usar o telefone. Entrarei em contato com você.

— Está bem. – Concordei passando por ele. — Oh só mais uma coisa... – Murmurei girando-me para ele e o pegando de surpresa com uma joelhada digna de esmagar suas malditas bolas. Ronnie ficaria orgulhoso do resultado de algumas de suas aulas de autodefesa. Encarei Cooper no chão, a imagem patética dele protegendo seu pênis com a mão me trazendo certa satisfação. – Isso é por ter me sequestrado, eu não tenho ideia do que colocou no maldito pano, mas reze para não fazer mal a esse bebê, por que eu juro, eu vou te matar.

— Va..dia.

— Yeah, você pode me chamar assim. – Falei antes de lhe dar as costas e fechar a porta atrás de mim. Eu não tinha ideia de onde eu estava, mas parecia deserto o suficiente para me fazer desejar sair dali o mais rápido possível. Ainda que não confiasse nele, segui suas instruções. E Deisy que na verdade era “ele” pareceu feliz em me ajudar. Peguei o telefone e feliz por ter guardado o número de Diggle na cabeça, esperei.

— Onde diabos você está? – Foi a primeira frase que escutei. – Você sumiu, seu rastreador não funciona mais e seu irmão está morto de preocupação.

— Meu irmão. – Repetiu. Oliver não? – Por que Oliver não está ao seu lado gritando para passar para mim?

— Não contamos ainda a ele. – Murmurou tenso.

— Por que não? – Perguntei começando a ficar preocupada. – Como foi o encontro com Sebastian?

— Podemos falar sobre isso depois, me diga onde está e te pegarei. – Cortou-me. Algo não ia bem, e eu podia sentir isso.

— Diggle...

— O endereço Felicity. – Falou decidido.

— Eu não tenho ideia. – Falei.

— O que aconteceu com você afinal?

— Podemos falar sobre isso depois. – Devolvi sua fala. – Espere um momento que vou tentar descobrir onde estou. — Olhei em volta procurando por Deisy minha salvadora. Felizmente ela ainda estava por perto.

— Precisa de ajuda querida? – Perguntou-me se aproximando. Sorri com simpatia.

— Eu tenho um homem alto, forte e charmoso louco para escutar sua voz. – Falei. Ela sorriu de volta, sabia que eu estava sendo provocadora e não ligava.

— Eu gosto disso. – Respondeu. – Passe para mim.

— Ele quer saber seu endereço. – Confessei.

— Ele está vindo? – Perguntou contente. – Mas uma razão para eu escutar a voz desse homem espetacular. – Contente passei o telefone para ela sabendo que Diggle me comeria viva após isso. Ele demorou bastante a chegar, o que dizia o quanto longe estávamos. Quando recebeu os cumprimentos efusivos de Deisy me censurou com o olhar, mas foi educado. A agradeci e o segui.

— O que aconteceu? – Perguntou tão logo entrei no carro. – Quem te levou?

— Alguém que voltou dos mortos, eu prefiro contar tudo quando estivermos todos reunidos. – Falei.

— Mas você está bem? – Perguntou inquieto.

— Eu estou. – Eu acho. – Não precisa se preocupar. Apenas me leve para Oliver o mais rápido possível, e nesse meio tempo me conte o que aconteceu. Não esconda coisas de mim, eu odeio.

— Oliver está preso. – Murmurou fazendo com que eu o encarasse perplexa. – Calma, não acho que ele fique por muito tempo, Tommy está cuidando disso.

— Por quê? – Perguntei por fim. – O que diabos ele fez? Foi Sebastian, certo? Onde está Ronnie, eu quero que Ronnie me conte tudo.

— Infelizmente isso não poderá acontecer. – Falou deixando-me ainda mais preocupada. – Ronnie também está preso.

— O quê?!!

— Ambos agrediram o prefeito, em público.

— Oh merda. – Fechei meus olhos, exausta. – Eu sabia. Eu sabia que isso ia acontecer. – Senti o olhar preocupado de Diggle, e encostei minha cabeça contra o vidro do carro, sabia que Diggle respeitaria meu silêncio, era algo que eu admirava nele. – Leve-me para Oliver Diggle, eu preciso da minha bolha hoje.

Ele assentiu, lembrando-se da última vez que fiz um pedido semelhante a esse. Fomos em silêncio, por que como imaginei, Diggle respeitaria minha necessidade ainda que fosse mera ilusão dela, de estar só. Por todo o caminho finalmente guardei um momento para pensar naquela gravidez, no que isso significa, me preocupei com o meu futuro e o desse bebê.

Não pela primeira vez senti falta de Helena e imaginei como ela agiria diante isso. Ela me consolaria, e me daria parabéns quase em apenas uma frase. Ela tomaria a dianteira de tudo, e enquanto eu ainda estivesse me questionando como contaria a Oliver que ele seria pai, enquanto eu ainda estaria pensando em como seria sua reação, ela já estaria fazendo minhas malas.

“Uma criança não merece passar por tudo o que passamos, estamos indo embora.”

Foi sua primeira reação quando descobriu que estava grávida.

Quando questionei o papel do pai nisso tudo, e como ela o afastaria de seu filho, ela deu de ombros.

“Eu estou fugindo de Ivo, e todas as merdas em que estamos envolvidas, eu vou embora, e você vai comigo, o pai pode me seguir ou dar as costas, eu não me importo. Eu não vou depender da boa vontade de Ivo, por que ela não existe e eu não vou deixar você aqui para ele descontar tudo em você.”

Ela estava tão corajosa naquele dia, ou ao menos sua fachada era. Eu sabia que jamais conseguiríamos sair de Starling City sem que Ivo chegasse a nós antes, mas concordei. Queria tranquiliza-la, e adiar por alguns momentos a realidade que nos cercava. É claro que não demorou muito, Ivo soube antes, e para a surpresa de Helena ele a liberou, fato que trouxe grande alívio, mas aterrorizou. Ivo a liberou por que sabia o quanto Helena significava para mim, e ele procurava uma maneira de se aproximar mais de mim. Naquela época eu não tinha ideia de sua obsessão, mas Helena percebeu. Mas pensando em seu bebê ela teve que ignorar, e então qualquer plano de fugir apenas foi esquecido.

E agora, não importava o fato de que ele estava morto. Ele ainda estava ali para me assombrar, de diferentes maneiras, eu não conseguia deixar a sensação de que por mais eu tentasse fugir, eu ainda continuava sendo propriedade de Ivo, do Glades, e agora... De Slade.

Eu estava grávida, e eu sequer conseguia ficar feliz com isso.

Por que eu estava aterrorizada.

— Chegamos. – Pisquei diante a frase dita por Diggle. Não percebi que havíamos parado, ele segurava a porta aberta para mim e tudo o que eu pude fazer foi forçar um sorriso de agradecimento.

— O que aconteceu? – Diggle perguntou mais uma vez. Fui sequestrada, descobri que estou grávida, que Sebastian deveria ser minha última preocupação no momento e que o pai do bebê está preso, foi isso o que aconteceu. Não querendo despejar todas minhas inseguranças em seus ombros, apenas meneei a cabeça.

— Oliver foi preso. – Falei por fim. – E eu sequer posso acertar Sebastian por isso.

— Isso será logo resolvido. – Prometeu me guiando. – Vamos, Sebastian ainda está aqui, mas um amigo meu irá leva-la de forma que o evite.

Assenti concordando embora não me importasse muito com isso.

Foi bom não me importar, por que apesar das boas intenções de Diggle, Sebastian me encurralou. E não tendo outra escolha eu tive que escutar suas breves e irritantes palavras. Escutei tudo quieta e forçando frieza quando terminou bastou apenas encarar Diggle para ele me levar a Oliver sem sequer eu dizer uma palavra de retorno ao prefeito.

Não demorou muito e fiquei frente a frente com Oliver.

Observei o rosto masculino e tentei em vão controlar minha vontade de dar meia volta e terminar o que Oliver e Ronnie haviam começado com o Sr. Prefeito. O único motivo pelo qual eu por fim havia conseguido ficar parada e ignorar meu desejo violento de cumprimentar Sebastian Blood violentamente, era por que o rosto bonito de Oliver só era visto pelas estreitas barras de ferro.

Oliver estava preso.

Oliver e Ronnie estavam.

Parecia que só agora eu realmente me dava conta.

Oliver e Ronnie estavam presos.

Por que os dois idiotas resolveram agredir ninguém menos que o prefeito de Starling City. Com dezenas de testemunhas.

Respirei fundo tentando agora controlar minha vontade de agredir os dois homens a minha frente. De repente eu podia ver que as barras na verdade era a única razão pela qual ambos estavam intactos.

— Felicity. – Oliver chamou-me hesitante. – Você está bem?

Mal contive o riso irônico em resposta a sua pergunta, o som saindo um pouco estrangulado.

Se eu estava bem?

Se eu estava bem?

Eu havia sido sequestrada, chantageada e forçada a escutar as idiotices de Cooper.

Inferno, eu havia passado por tudo aquilo para descobrir que Oliver Queen estava na cadeia?

— Lis... – Ronnie murmurou em tom humilde.

— Não. – Murmurei o interrompendo. – Nada de Lis comigo.

— Mas...

— Vocês dois haviam prometido que não entrariam em confusão. – Ergui minha voz. – Vocês me prometeram que voltariam, bem. Adivinhem só, visita em cadeia não se qualifica como tudo bem. – Falei deixando o desespero dominar minhas ações, meus olhos indo até Oliver. – Por que você fez isso? Por quê em um restaurante com tanta gente olhando, e por que diabos você o ajudou? – Deixei meu olhar cair em Ronnie.

— Eu...

— Cale a boca. – Falei o interrompendo mais uma vez. – Você supostamente estava lá para controlar tudo, para impedir que esse tipo de coisa acontecesse, você queria que eu confiasse em você para isso, como acha que eu me sinto agora? – Derramei de vez.

— Lis...

— Eu nem quero ouvir suas desculpas. – Falei levando minha mão a têmpora esquerda, sentindo uma profunda dor chegando.

— Por que você continua me fazendo perguntas? – Ronnie murmurou inquieto. – Você não me deixa responde-las.

— Eu preciso lhe ensinar o que é uma pergunta retórica? – Perguntei o fuzilando com o olhar.

— Essa é uma? – Seu tom inocente só fez com que eu ficasse ainda mais irritada.

— Sério? – Murmurei descrente.

— Pare de me fazer perguntas! – Pediu parecendo entrar em pânico.

— Felicity. – Oliver murmurou chamando minha atenção de volta para si, o que eu estava a todo custo tentando ignorar. Era doloroso vê-lo ali. Oliver não merecia isso, essa bagunça. Eu o havia colocado ali, por que não havia dúvida que se Oliver havia perdido a paciência era por que de alguma forma Sebastian me atacou. – Felicity, olhe para mim, por favor. – Ele se aproximou mais das grades, seu corpo todo tenso.

— Não era para ser assim. – Murmurei finalmente encontrando seus olhos com os meus. – Não era para ser assim. – Repeti. — Era para vocês estarem em casa. Eu disse que era uma péssima ideia.

— Eu sei. – Assentiu. – Eu perdi a cabeça, eu sinto muito, amor. – Meneei a cabeça tentando fazê-lo entender que ele não me devia nenhuma desculpa. – Eu estraguei tudo, a decepcionei.

— Oliver... – Murmurei tentando encontrar uma maneira de tranquiliza-lo, mas nesse momento Tommy e Caitlin entraram no estreito corredor, Ronnie franziu o cenho ao observa-lo andar lado a lado com Caity. Dei-me conta que eles ainda não haviam visto nenhum dos dois que quando cheguei estavam conversando com o detetive Lance, tentando encontrar uma maneira de tirar os dois dali o mais rápido possível.

— Como vocês dois estão? – Tommy perguntou encarando de um ao outro, dei um passo para trás de forma que pudesse encara-lo também, meu contato com Oliver sendo quebrado momentaneamente.

— Agora você se importa? – Ronnie perguntou incrédulo. – Você deveria estar lá.

— É minha culpa, eu acabei o atrasando. – Caitlin murmurou fazendo com nós três a encarássemos confusos, afinal por que os dois estavam juntos? — Mas chegamos a tempo de ver toda a bagunça.

— Vocês estavam juntos? – Ronnie murmurou incrédulo.

— Esse não é o momento para isso, Ronnie. – Caitlin murmurou lhe lançando um olhar gélido. Ele meneou a cabeça e se afastou. – Por que a briga começou afinal? E por que você não o impediu?

— Ele estava falando porcarias, o merdinha mereceu. – Ronnie falou exaltado. – Ele a ofendeu. — Seu olhar caiu em mim. – Eu também não poderia deixar por menos.

— Vocês agiram como dois adolescentes, quando foram enfrentar o prefeito da cidade? – Tommy murmurou cruzando os braços. Seu olhar foi até Oliver. – Eu te alertei que ele faria de tudo para tira-lo da zona de conforto, para fazê-lo perder a cabeça, eu te disse que não escutaria coisas agradáveis, você deveria ter se segurado.

— Ei. – Ronnie falou erguendo o dedo. – Não o julgue, ele fez muito bem até que não deu, e você saberia se estivesse lá, conosco. Eu não vi você entrando no meio para apartar nada.

— Eu ia, mas... – Seu olhar caiu em Caitlin. – Alguém me impediu. – Falou em tom acusatório. – Ronnie abriu as mãos, seus olhos descrentes, um “E daí” gritando em meio ao silêncio.

— Você tem alguma ideia de quanto ela pesa? – Ronnie falou. – Você vai me dizer que a senhorita posso ser levada por uma brisa impediu um homem do seu tamanho de ajudar seu amigo?

— Eu estava ajudando seu amigo. – Caitlin se intrometeu. – Mais do que isso, eu estava ajudando você, seu estúpido ignorante de merda. Pare com a ceninha de ciúmes e se concentre na sua atual situação. Eu tinha que impedir Tommy.

— Não você não tinha. – Tommy retrucou. Ela o encarou sem humor.

— Ou eu fazia isso, ou você estava do outro lado das grades também. – Ela murmurou o calando. – Você acha que eu posso tirar esse dois daí de dentro? – Apontou para Oliver. — Felicity conseguiria? – Ela questionou. Tommy suspirou reconhecendo que ela estava certa. Ela tinha um bom argumento. – Você é o único que tem influência para isso, que conhece advogados para isso. – Deu de ombros. Tommy assentiu. Quando entrei ele estava no celular, justamente falando com um. Então ela virou para Ronnie que ficou calado preso em sua própria amargura, todo o semblante de Cailtin ficou mais suave quando se aproximou, suas mãos segurando as grades. – Ronnie, você tem passagem na polícia, lembra? Você não pode ficar entrando em confusões. Não estamos em Gotham, e ninguém fora as pessoas que estão aqui, se importa com a gente, você precisa ser mais esperto.

— Ela está certa. – Tommy murmurou dedicando um olhar de advertência a Ronnie. Parecia carregar um quê a mais de advertência. Diante a frieza com que Ronnie agora a encarava, Caitlin recuou, ela olhou para Tommy e segurou a manga de seu blazer, fazendo com que ele a encarasse. – Você deveria ligar para Sara.

— Sua noiva. – Ronnie falou do fundo da cela. Eu sequer havia percebido o momento em que ele havia recuado. Meneei a cabeça e encarei Oliver que parecia fascinado com a interação dos três. Caitlin bufou em resposta a Ronnie. Tommy preferiu ignora-lo.

— Conhecendo Detetive Lance, ela já está a caminho. – Tommy respondeu. – O que eu não queria, eu queria ela longe de qualquer cenário como esse. Eu não a queria envolvida com tudo isso. – Explicou.

Eu entendia, na última vez ela havia levado um tiro.

— Você podia parar de tentar me proteger desse tipo de coisa. – A voz de Sara se fez presente, indicando que ela havia pegado ao menos a última frase. Ela suspirou antes de se aproximar dele. Sua mão indo até a sua. – Você está bem?

— Licença. – Oliver murmurou de mau humor. – Sou eu quem está preso. – Sara lhe lançou um olhar de diversão, surpreendi-me por ela está vendo alguma graça em toda aquela situação, mas aquela era Sara. Foi ela quem levou um tiro por mim e ficou fazendo piadas sobre isso ainda internada.

— Eu me preocuparia por você, se você já não tivesse quem fizesse isso. – Ela inclinou a cabeça em minha direção. – Thea e Roy chegaram, mas eu acho que já lotamos demais aqui. – Brincou. – Meu pai está facilitando um pouco as coisas por que ele te conhece desde sempre, mas ele pediu que liberássemos um pouco o lugar. – Falou. Assenti concordando. Seu olhar caiu em Oliver. – Ollie, eu não tenho ideia do que aconteceu, tenho certeza que vai soar estúpido aos meus ouvidos, mas eu quero deixar claro algo, quero aproveitar que estamos todos juntos aqui.

— Alguém vai vir com papo de super amigos. – Ronnie falou se aproximando, um sorriso pequeno vindo ao seu rosto ele encostou-se a parede e a observou. Sara revirou os olhos. – Eu estou certo, não estou?

— Eu queria que não, mas por mais irritante que esse fato seja, eu preciso continuar. – Respondeu. Então seu olhar passou por cada um de nós. – Já chega de tentar agir sozinho, de ser o salvador de alguém, de proteger alguém. – Murmurou deixando seus olhos irem até de Tommy. – Felicity foi embora por que quis resolver tudo sozinha e tudo deu errado, vocês dois estavam miseráveis por estarem afastados. Vocês tentam agir sozinhos e terminam na cadeia, por que tentaram nos colocar de lado, esperando por notícias, se esse tipo de coisa continuar acontecendo, tudo vai dar errado. Eu não quero mais ser deixada de lado. – Sara murmurou. – Nenhuma de nós quer. Nem vocês. Nós precisamos enfrentar isso juntos. Ou do contrário nada vai dar certo.

— Isso inclui os caçulas lá fora. – Ronnie falou. – Por falar nisso, diga a Thea que eu estou muito magoado por não ter recebido sua visita.

Sara meneou a cabeça sem saber como reagir ao estranho humor de Ronnie.

— Vamos. – Ela falou pegando tanto Caitlin como Tommy pelo braço. – Precisamos deixar Felicity ter uma conversa particular com Oliver.

— Eu supostamente tenho que tampar meus ouvidos? – Ronnie perguntou deixando sua voz se elevar enquanto eles já se afastavam, o cenho franzido. Ele me encarou esperando por resposta. Fiz um gesto circular com o dedo, ele me encarou descrente. Ergui minhas sobrancelhas deixando saber que eu falava sério. Sem humor Ronnie cruzou os braços e girou o corpo me oferendo a visão de suas costas. Com mais alguns passos ele deu distância e encarou a parede. Oliver olhou para trás só então percebendo a atitude de Ronnie.

— Esse é o máximo que podemos ficar sozinhos? – Perguntou com um sorriso.

— Não, poderíamos estar em casa, em nosso quarto, mas você fodeu tudo. – Falei dando de ombros, culpa o sobrecarregou quando escutou meu comentário. – Oliver, eu não o culpo realmente, mas eu não posso evitar ficar irritada com tudo isso, você tem ideia de como vê-lo preso mexe comigo? Foi para evitar isso que parti. – O lembrei. Ele suspirou encostando sua testa a uma das grades.

— Desculpe. – Murmurou por fim.

— Tommy vai tira-lo daqui. – Falei passando mais tranquilidade do que deveria. – Eles não podem mantê-lo preso por algo tão pequeno como agressão, há como responder a isso estando em casa. Ele nem foi seriamente ferido, está lá fora, ocultando um sorriso cretino e fingindo-se de digno. – Deixei escapar. Oliver ergueu a cabeça ao escutar isso.

— Ele a viu?

— Filho da puta. – Escutei Ronnie rosnar.

— Ele falou comigo Oliver. – Murmurei honesta. – Ele disse que há uma maneira rápida de vocês resolverem isso. Um acordo que seu advogado irá propor.

— Como se eu confiasse em qualquer coisa que Sebastian Blood diga. – Falou em tom duro. – Qual é o acordo? – Hesitei sabendo que não seria fácil convencê-lo.

— Você precisará pedir desculpas. – Cedi. – Publicamente.

— O inferno que vou. – Meneou a cabeça em negativa.

— Oliver eu não vou ser a garota que visita o namorado na cadeia. – Falei em tom ácido.

— Você acabou de dizer que eu posso responder isso em liberdade. – Lembrou-me.

— Eu o estava tranquilizando. – Argumentei. – Por que diferente de direito, eu não preciso de um diploma para isso, eu não tenho ideia do que diabos vai acontecer se Sebastian resolver fazer tudo mais difícil.

— Eu não vou pedir desculpas. – Murmurou teimoso, eu entendia, eu não queria vê-lo se humilhar dessa forma para Sebastian. Pessoalmente odiava que Sebastian conseguisse qualquer coisa quisesse. Mas as coisas estavam se complicando rapidamente. A volta de Cooper dos mortos, a gravidez, tudo. Eu não podia lidar com tudo isso enquanto Oliver estava preso, eu precisava fazê-lo recuar agora, para então podemos ir mais adiante quando tivermos armas para isso.

— Oliver, por favor. – Pedi. – Eu preciso que você faça isso.

— Eu não posso fazer isso. – Negou. – Mesmo por você. – Murmurou. – Na verdade, é por você que não posso pedir desculpas, eu não vou pedir desculpas por ter agredido ao homem que a tirou de mim. Nunca.

— Faça por seu filho. – Falei de repente. Ele me encarou com cenho franzido.

— Connor não sabe que sou seu pai. – Falou. – Sebastian não fará nada contra ele.

— Eu não estava falando de Connor. – Murmurei antes de segurar minha respiração. O cenho de Oliver ainda estava franzido quando ele abriu a boca pronto para responder de forma automática, até que ele percebeu ao que eu me referia, escutei um ofego, mas os lábios de Oliver agora estavam fechados, os passos que se arrastaram me deixaram saber que havia sido de Ronnie.

— O quê?! – Ronnie murmurou incrédulo. Seu olhar caiu em Oliver que estava paralisado. – Oh merda.

— Oliver? – Murmurei preocupada como sua reação.

— O... Eu... – Respirou fundo parecendo de repente muito pálido. – Como?!

Ele não podia está me perguntando isso.

De todas as perguntas, não essa.

— Você quer que eu explique desde o ato sexual, ou posso partir da união do óvulo com o espermatozoide? – Perguntei não podendo segurar minha língua. Por que de todas as coisas que ele podia ter me dito, ele tinha que ter vindo com o “Como?”. Oliver piscou ainda atônito, a verdade era que Oliver ainda parecia fora de si.

— Oliver? – Voltei a chama-lo. – Você está bem?

— O quê? — Repetiu. Seu olhar foi até Ronnie, então foi a vez de Oliver se afastar levando as mãos a cabeça. – Como?

— Você só pode fodidamente estar brincando comigo. – Murmurei atônita.

— Ele está fora do ar. – Ronnie falou me encarando. Oliver andava de um lado para o outro murmurando coisas para si. – Você o quebrou. – Concluiu antes de ir até ele e colocar mão no ombro de Oliver o parando. – Amigão, preciso que você se concentre. – Oliver o encarou.

— Como? – Repetiu. Ronnie o empurrou para sentar. Para minha surpresa a obediência de Oliver foi imediata. – Eu... Nós, ela... Como?

— É o seguinte. – Ronnie falou se agachando. Ele ergueu uma mão. – Há uma mulher. – Então ergueu a outra mão. – E então há o homem, quando eles estão com tesão eles fodem. – Juntou as mãos em um gesto obsceno. – E voilá... Você vai ser papai. – Oliver o encarou atônito. – Eu sinto muito amigo, só consigo explicar a mecânica disso, eu deixo a biologia com o médico. Parabéns. – Bateu em seu ombro novamente.

O olhar de Oliver deslocou-se de Ronnie para mim.

— Se você disser “Como?” mais uma vez eu juro por um Deus em que nem ao menos acredito, eu vou fazer questão de te deixar aqui. – Murmurei impaciente, havia sido um longo, longo dia, eu não podia lidar com mais isso agora. Eu sabia que não era nem o momento, nem o lugar ideal para se contar a alguém que vai ser pai, mas eu fiz isso por que precisava de uma reação dele, precisava que ele saísse dali. Eu não queria contar sobre Cooper aqui, não quando não podia confiar em quanto da nossa conversa seria particular, não com Sebastian Blood tão perto.

Sem falar que falar sobre Cooper deixaria Oliver muito preocupado.

Eu ia falar sobre com os super amigos reunidos em casa. Não com meu namorado preso.

Oliver pesquisou como se buscasse algo para dizer, algo válido. Notei vagamente que ele parecia mais... Ele. Agora estava mais sério, seu olhar me avaliando, em um piscar de olhos ele saiu de onde estava e parou em minha frente.

— Como? – Murmurou.

—Oh inferno. – Falei encostando minha testa a barra fria.

— Não. – Escutei sua voz perto, suas mãos envolvendo as minhas que estavam sobre as barras. – Agora eu quero saber como você descobriu. Há quanto tempo? — Ergui minha cabeça ao perceber que finalmente Oliver parecia coerente. – Eu quero saber quando. Eu pensei que estivesse tomando anticoncepcionais.

— Que não é uma medida 100% eficaz. – Dei de ombros.

— Felicity...

— Eu não estava escondendo nada. – Murmurei sincera. – Eu descobri hoje, quando estava voltando para casa, eu comprei um kit, o que isso já lhe diz que para termos certeza precisamos de um exame feito em laboratório. – Falei.

— Quais as chances de ser um falso positivo? – Questionou-me.

— Mínimas. – Falei lidando com meu próprio nervosismo. – Eu não queria contar dessa maneira, eu não estou exigindo nada, eu nem ao menos sei como me sinto com isso, eu ainda não tive tempo de encarar a possibilidade de que vamos ser pais.

Pais.

Oh Deus, isso soava tão estranho.

Oliver pareceu pensar o mesmo, por que por um momento pensei que ele ia voltar ao mesmo estado de antes. Mas ele respirou fundo como se tentando colocar a si mesmo nos trilhos novamente. Seus olhos voltaram a me encarar tingidos de preocupação.

— Você está bem? – Perguntou por fim. – Ao quero dizer, você se sente fisicamente bem? – Murmurou mais específico. – Eu sei que sua cabeça deve estar uma bagunça agora, e eu estou piorando tudo, mas eu juro, quando voltarmos para casa...

— Sr. Queen. – Estremeci ao escutar a voz de Sebastian Blood chamando por Oliver. Oliver cerrou os punhos ao perceber que não havia nada que ele pudesse fazer para evitar que Sebastian parasse justamente ao meu lado. Seu olhar deslizando por mim com um interesse que na verdade não era real.

Sebastian Blood nunca teve qualquer interesse por mim.

Se não fosse por Oliver, Sebastian jamais olharia na minha direção.

— Srª Smoak. – Acenou em minha direção.

— Não ouse falar com ela. – Oliver murmurou entredentes. Sebastian sorriu, adorando sem dúvida alguma o que Oliver preso representava. Isso deixava o próprio Sebastian intocável.

— Diga-me Srtª Smoak, você ainda é aquela mulher que me enfrentou em meu gabinete? – Sebastian perguntou voltando-se para mim. – Aquela mulher era forte, determinada, eu a admirava até. Aquela mulher não deixaria esse homem falar por ela.

— Eu sou a mesma mulher, Sr. Prefeito. – Murmurei o encarando. – E tanto antes como agora, não sou estúpida para cair nesse tipo de armadilha.

— Mesmo? – Perguntou esboçando um sorriso falso. Seu olhar foi até Oliver. Ronnie estava ao seu lado, braços cruzados. Era estranho vê-lo tão sério e nada falante. – Eu tenho uma boa notícia para você e seu... Perdão, mas quem é esse? Um primo distante?

— Algo assim. – Ronnie murmurou simplesmente.

— Sebastian Blood. – Sebastian murmurou em um aceno. – Eu acho que é bom você saber o nome do homem que agrediu.

— Sim, mas eu não agredi nenhum homem. – Ronnie murmurou dando de ombros. – Eu apenas chutei uma cobra, eu não tenho ideia do por que eu estou aqui.

— Simpático ele. – Sebastian murmurou para Oliver, embora seguisse encarando Ronnie fixamente. – O humor não é de família. – Concluiu desviando seu olhar até Oliver. – Não é mesmo irmãozinho?

— Eu não sei por que você tem essa síndrome de cachorro sem lar. – Oliver murmurou também cruzando os braços. – Mas eu não sairia por aí dizendo que somos família.

— Medo de alguém acreditar? – Sebastian perguntou divertido.

— Ofendido na verdade. – Oliver retrucou.

Sebastian inclinou a cabeça recebendo a ofensa de Oliver com um pequeno gesto de desgosto. Com as mãos cruzadas atrás de si, o Sr. Prefeito se limitou a encara-lo por alguns segundos.

— Vamos ao que interessa. – Sorriu novamente. – Eu sou um homem pacífico, e todos na cidade me conhecem por essa característica, eu odiaria pensar que o desentendimento nosso fosse visto da maneira errada, você é um homem esperto. Um pouco esquentado, é verdade, mas você sabe quando recuar, para mostrar boa fé, eu estou disposto a me esquecer desse pequeno incidente. – Sebastian murmurou andando por trás de mim, provocando Oliver com seu jogo de aproximação. – Imagino que a linda Felicity já tenha te dito minhas condições. – Murmurou parando atrás de mim. Deixei meus olhos em Oliver, queria tranquiliza-lo.

Ronnie estava certo, Sebastian era a perfeita definição de cobra.

Eu não o deixaria saber o quanto sua aproximação me incomodava, e se Oliver pudesse ter um pouco do meu controle, tudo ficaria bem.

Mas meu controle veio de anos sendo o brinquedo sexual de homens como Sebastian.

Eu sabia como lidar com eles.

Eu tinha um interruptor para isso.

Eu apenas desligava qualquer reação real.

Oliver não.

Enquanto eu estava fria.

Ele fervia de raiva.

— Um. Passo. Atrás. – Murmurou deixando seus olhos em Sebastian.

— Demasiado possessivo, você acha? – Perguntou a mim. O ignorei.

— Oliver, acalme-se. – Murmurei deixando pelo olhar cair em Ronnie, um apelo silencioso.

— Desculpe Lis, mas se não fosse essas barras eu mesmo estaria o jogando longe de você. – Ronnie murmurou aparentando calma, mas essa era na verdade inexistente.

— Você realmente tem todos os homens ao redor de si, não é? – Sebastian perguntou em meu ouvido, escutei algo semelhante a um rosnado vir de Oliver. E para minha surpresa Sebastian afastou-se bruscamente, percebi então que Tommy havia o puxado pelo ombro, fazendo justamente o desejo de Ronnie.

— Desculpe prefeito, eu precisava passar. – Tommy murmurou com um sorriso brilhante. Ele ficou ao meu lado de forma protetora. – Nós precisamos ir. – Murmurou para mim.

— Mas Oliver...

— Vai sair em algumas horas, eu prometo. – Tommy respondeu. – Eu vou te levar para casa nesse meio tempo.

— Oliver e Ronnie. – Ronnie murmurou em alerta.

— Eu disse qual era minha exigência. – Sebastian murmurou.

— Que Ollie nunca irá a aceitar. – Tommy respondeu prontamente, seu olhar caindo em Oliver. – Você vai?

— Não. – Oliver surpreendeu-me a sequer hesitar em sua resposta. Pela primeira vez nessa noite eu fiquei realmente decepcionada com ele. Ele percebeu por que seus olhos procuraram algo em meu rosto. – Eu faria, eu juro, mas ele está mentindo, não fará diferença.

— Vamos. – Tommy voltou a me chamar, sua mão dessa vez sobre a minha, com apenas um aceno ele se despediu de Oliver, e eu que ainda estava dominada pela decepção, apenas dei-me ser levada, perdendo a oportunidade de dizer qualquer coisa a mais para Oliver. Tommy guiou-me para fora da delegacia, onde eu pude ver que todos os outros estavam reunidos nos degraus, nos aguardando.

— Felicity! – Roy murmurou indo ao meu encontro. Recebi o seu abraço feliz, imaginando o quanto ele havia ficado preocupado. – Onde diabos você estava? Você sumiu!!

— Você sumiu? – Sara perguntou ficando preocupada. – Como assim?

— Você está bem? – Caitlin murmurou se aproximando, a encarei tentando tranquiliza-la, mas falhando, meneado a cabeça em negativa aceitei seu abraço, meus olhos fechando-se por alguns segundos, absorvendo seu consolo. Quando os abri encarei Sara que parecia ainda mais preocupada.

— Eu preciso falar com vocês duas. – Falei. Ela assentiu, Caitlin se afastou me encarando confusa. – Mas não aqui. Precisamos ir para casa.

— Vocês vão com Diggle. – Tommy murmurou colocando uma mão sobre meu ombro. – Eu e Sara vamos te seguir. – Garantiu.

— Eu vim com meu próprio carro. – Sara falou. – Imagino que você também, não preciso de carona. Podemos fazer exatamente como vimos antes. – Deu de ombros.

— Na verdade... – Caitlin murmurou calando-se, seu olhar foi até Tommy e então retornou para mim. Um sorriso forçado se formando. – Nada. Vamos? – Chamou-me entrelaçando seu braço no meu, assenti concordando.

Dada a reação de Ronnie, eu preferia no momento entender por que Caitlin preferiu ocultar de Sara que havia chegado com Tommy.

— Eu queria ver meu irmão. – Thea murmurou apreensiva. – Mas acho que já nos aproveitamos da boa vontade de Sr. Lance demais. – Seu olhar foi até Roy que estava ao meu lado. Eles haviam vindo juntos, e embora nada tivesse saído da boca de Thea, havia uma pergunta em seu olhar, Roy assentiu e após beijar minha bochecha, ele foi até ela. Eu queria pedir desculpas a Thea, havia tomado tanto tempo lá dentro, que impossibilitou que ela visse o próprio irmão, mas ela já se afastava, deixando-me a culpada e inquieta.

— Eu vou pegar o carro. – Diggle murmurou em aviso.

— Eu fico com elas enquanto isso. – Tommy acenou. Sara o encarou com diversão. Tommy a encarou confuso.

— O quê?

— Você implica que apenas sua presença será capaz de interromper qualquer ataque? – Sara o questionou divertida.

— Eu acho que eu me sinto mais tranquilo, esperando com vocês. – Contornou.

— Sim. – Caitlin acenou. – Por que você estando aqui, ninguém nos atacaria.

— Eu não vou cair nisso. – Retrucou.

— Tommy. – Murmurei encontrando certa diversão em atormenta-lo. – Sinto dizer que você não faria muita diferença.

— Eu estou profundamente ofendido. – Falou parecendo realmente estar. – Eu posso não ter escapado das garras de um cafetão... – Encarou-me com desdém, então seu olhar caiu em Sara. -...Ou levado um tiro e sobrevivido. – Sara sorriu diante a leveza com que disse, provavelmente sendo essa a primeira vez, mas o olhar de Tommy já estava em Caitlin que ergueu, uma sobrancelha o desafiando. Tommy não conhecia sua história, até onde eu sabia Tommy não tinha nenhum contato com Caitlin, mas sua hesitação me fez questionar isso. -... Ou seja lá o que você deixou para trás em Gotham. Mas eu posso ser durão também.

— Com certeza. – Caitlin assentiu. – Nos sentimos muito mais seguras com você aqui. – Murmurou deixando seu olhar o avaliar de cima a baixo, caindo por último em sua gravata perfeitamente arrumada. Se a ironia não fosse percebida no seu tom, todo o resto foi o bastante.

Tommy a encarou com um sorriso forçado.

— Você...

— Diggle chegou! – Murmurei os interrompendo.

— Ela está mentindo. – Sara murmurou divertida.

E eu estava, mas ao menos serviu para aquietar uma potencial briga.

Tommy com seu orgulho ferido.

Caitlin com sua mania de provocar.

O único fato que me deixou calma é que embora a reação de Ronnie tenha sido outra, Sara parecia achar a interação dos dois inofensiva e divertida. Optei por achar o mesmo e me distrair com os dois, por que sabia que Tommy Merlyn não ia estar mais todo sorrisos quando soubesse da volta de Cooper.

Inferno, só em pensar nisso eu voltava a ficar irritada.

SARA LANCE

Observei com interesse Felicity andar de um lado para o outro no quarto em que compartilhava com Oliver.

Ela escondia algo, eu podia apostar.

Havia respondido vagamente nossas perguntas, revelou que havia sido sequestrada, mas quando perguntei por quem, ela foi mais uma vez vaga.

Ela estava nervosa, e preocupada, acima de tudo Felicity parecia apreensiva. Deixei meu olhar cair em Caitlin que havia escolhido sentar ao chão, seu olhar também estava em Felicity, mas para minha surpresa, enquanto eu franzia o cenho, estando confusa com o estranho comportamento de Felicity, Caitlin sorria.

Como se percebesse meu olhar nela, Caitlin me encarou.

Eu estava prestes a importuna-la por estar sorrindo quando Felicity estava claramente em um momento de crise, quando suaves pancadas na porta nos alertou que Tommy havia chegado. Movi-me na cama pronta para ir até ele, mas Felicity avançou com um furacão.

— Eu trouxe o que você pediu... – Começou antes de ser interrompido por Felicity que arrancou a sacola de suas mãos e fechou a porta em sua cara.

— Isso foi rude. – Caitlin murmurou ao mesmo tempo que Tommy gritava o mesmo através da porta.

—... Eu entrei numa maldita farmácia por você. – Tommy continuou. – Eu mereço participar disso.

— Tommy. – Felicity falou para a porta. – Eu amo o fato de estarmos mais próximos, mas ainda não é o suficiente para você me ver fazer xixi em um palito. O silêncio que veio a seguir quase me fez rir, se eu não tivesse tão envolvida com o restante da frase de Felicity.

— Por que você pediu tantos? – Tornou a perguntar.

— Espere... – Caitlin murmurou me encarando.

— Xixi em um palito? – Questionei virando meu olhar para Felicity.

— Eu estou grávida, ao menos foi o que o primeiro teste disse. – Felicity falou indo até o banheiro. – Eu vou fazer outros até desmenti-lo.

— Ok. – Falei me erguendo com o intuito de alcança-la, parte de mim compreendendo toda a sua agitação. – Pare. Felicity, pare! — Repeti finalmente chegando a ela. Ela me encarou com tamanha tristeza que fez querer abraça-la imediatamente. – Você está grávida?

— Talvez. – Falou. – Eu fiz um teste, e deu positivo. E eu sei que as chances de estar errado são mínimas, mas existem, e mesmo sabendo isso eu contei a Oliver, enquanto ele ainda está na cadeia. – Confessou.

— Como ele reagiu? – Perguntei preocupada não só com ela, mas com Oliver.

— Como alguém que está preso e descobriu que vai ser pai. – Foi sua resposta.

— Ok. – Assenti. – Foi uma pergunta estúpida. Você sabe que fazer vários desse testes pode não mudar nada, certo?

— Eu sei. – Concordou. – Mas...

— Mas ela merece ter um raio de esperança. – Caitlin murmurou pegando a sacola de suas mãos e a entregando uma caixinha, a encarei sem saber ao certo se concordava ou não com o que dizia, ela então me devolveu o olhar com desafio. – Eu sei, um bebê é uma felicidade, e blá blá blá, mas não quando sua vida está de ponta cabeça, seu namorado está preso, e o irmão postiço dele quer vingança por não ter sido amado pelos pais. – Caitlin ressaltou. – Ela vai ficar feliz, mais tarde, agora ela pode simplesmente desejar não estar grávida. – Concluiu me entregando um teste, a encarei ainda mais confusa.

— Por que você está me entregando um? – Perguntei por fim.

— Chama-se solidariedade. – Sorriu. – Vou fazer também. – Acrescentou.

— Vai? – Felicity perguntou surpresa.

— É claro. – Assentiu. – Tenho conversado um pouco com um tal de Gabriel, quase estou certa que Jesus 2.0 vem por aí. – Concluiu com uma tirada irônica. – Quem vai primeiro? – Olhou de uma para outra, percebendo não só a hesitação de Felicity, mas a minha também, ela suspirou cedendo. — Está bem, eu vou. – Sem dizer mais nada ela entrou no banheiro nos deixando sozinhas.

— Ela é sempre assim? – Perguntei encarando Felicity. – Tão... Irritante?

— Caitlin é a mais doce das pessoas. – Felicity falou sentando-se na cama ao meu lado. – Ela é mais frágil do que parece, mas tem essa atitude de foda-se o mundo. Sempre que ela me vê preocupada ela sorri, não por que esteja ignorando meus ataques, ou os diminuindo, ela se preocupa, mas...

— Ela sabe que o que você precisa é de alguém que sorria e diga que vai ficar tudo bem. – Completei entendendo.

— Mesmo quando não vai. – Felicity falou.

— Mas vai. – Murmurei em tom firme. – Eu não tenho esse humor irreverente de Caitlin e não consigo esconder quando estou preocupada, mas eu sei que vai acabar tudo bem, especialmente nesse caso. Você e Oliver, vão ser bons pais, e ainda que não estejam felizes agora, vão estar. – Falei com firmeza. Respirando fundo e em tom um pouco mais delicado continuei. – Sinto muito. – Ela franziu o cenho sem ter certeza do por que eu dizia isso. – Sei que queria que Helena estivesse aqui. – Ela soltou o ar de vez, tristeza a dominando, segurei sua mão não sabendo o que mais poderia fazer além disso.

— Eu estou bem. – Murmurou fazendo com que eu a encarasse com descrença. – Tanto quanto eu poderia estar. – Corrigiu-se. – Eu queria que ela estivesse aqui, mas mesmo que ela estivesse, eu ia querer vocês também, eu tenho vocês. – Sorriu. – E eu estou bem por conta disso.

— Caitlin é parecida com ela. – Murmurei a surpreendendo. – Não conheci Helena, só uma vez, mas eu posso perceber que ela assim como Helena compartilha com você experiências que eu jamais poderei compreender, que as fazem entender como aborda-la.

— Caitlin não é Helena. – Negou. – Sim, ela passou por muita merda, como nós duas, e isso faz com que ela me compreenda de uma maneira que talvez você nunca irá. – Assentiu. – E eu fico feliz por isso.

— Eu... – Comecei entranhando sua escolha de palavras.

— O que passamos eu não desejo a ninguém. – Murmurou séria. – Nenhuma mulher merece isso, e eu fico muito feliz por você não ter sido tocada tão profundamente por esse tipo de escuridão. Você é minha amiga Sara, uma das melhores. Eu tenho sorte por ter encontrado isso em Helena, em Caitlin e em você. – Sorriu. – Eu sou uma sortuda.

Respirei fundo contendo minha emoção.

Felicity havia passado por tanto, por coisas que eu sequer posso pensar e ela ainda reunia forças para chamar a si mesma de sortuda. Era impossível não admira-la, não sentir orgulho de ser chamada de melhor amiga por ela.

— Felicity eu...

— Próxima! – Caitlin murmurou abrindo a porta erguendo o exame como se fosse um troféu, suspirei sentindo Felicity apertar minha mão mais uma vez antes de solta-la. – Vou deixar o tempo passar e só vou revelar o meu quando vocês também puderem. – Meneando a cabeça e dessa vez encontrando certo humor em seu jeito, eu me ergui novamente, decida a participar da brincadeira. Eu não tinha dúvidas de que o resultado seria negativo, então foi com tranquilidade que após fazer o bendito teste me sentei ao lado de Caitlin, que novamente estava no chão.

Aguardando a volta de Felicity.

Quando ela abriu a porta parecia ter todo o peso do mundo nos ombros.

— Ok. – Assentiu. – Agora é só esperar. – Murmurou sentando-se entre nós duas.

— Garotas. – A voz de Tommy se fez presente. – O que diabos está acontecendo?

Segurei um sorriso havia me esquecido de Tommy.

— Estamos esperando. – Gritei de volta.

— Por quê? – Devolveu.

— Queremos saber se vamos ser mamães. – Caitlin respondeu. Tommy demorou alguns segundos para responder de volta, mas quando finalmente o fez sua voz deu um guincho.

— Vocês todas estão fazendo? – Segurei o riso ciente de que neste momento, Tommy Merlyn devia estar suando frio. – Por que ninguém me responde? Sara Lance abra essa maldita porta!

— Isso é maldade. – Felicity murmurou me encarando. – Você o assustou.

— Caitlin o assustou. – Corrigi. Caitlin apenas deu de ombros, sua cabeça voltada ainda para as pancadas insistentes de Tommy na porta. – Não é como se eu tivesse falado que ele ia ser pai, enquanto ele está preso. – Encarei Felicity, era para ser uma brincadeira, mas me arrependi, estava claro que Felicity ainda se sentia culpada por isso. – Eu estava brincando.

— Eu sei. – Assentiu.

— Eu sei que vocês estão conversando entre si, eu quero saber o que está acontecendo! – Tommy continuou.

— Tommy. Momento de meninas, saia. – Caitlin falou.

— Você disse para me provocar? -Perguntou parecendo aborrecido. – Não é divertido.

— Acabe com o tormento dele. – Felicity murmurou para mim.

— Nope, é bom para quando for realmente real. – Brinquei. – Ele vai estar mais preparado.

— Sara, querida. Você está... – Meneei a cabeça com diversão quando escutei sua voz falhar, se eu não acabasse logo com isso, era certo de quando eu abrisse essa porta Tommy me receberia com sapatinhos de bebê.

— Veja o que você fez. – Murmurei encarando Caitlin. Ela suspirou e se ergueu, para minha surpresa foi até a porta e abriu, Tommy que estava encostado fortemente contra a porta quase caiu sobre ela, salvando-se por pouco. Caitlin colocou uma mão em seu peito o barrando, quando ele tentou mais uma vez entrar.

— O quê?

— Estamos em um momento íntimo. – Falou. – Estamos sendo solidárias com Felicity, não estrague o momento de Felicity, você terá seu momento depois. – Falou o empurrando.

— Mas...

— Mais tarde você fala com sua noiva sobre possíveis pequenos Merlyn. –Falou colocando agora as duas mãos e o empurrando. – Tchau Tommy.

— Você... – A porta se fechou em sua cara.

— Eu me pergunto se algum dia ele terminará sua ofensa. – Caitlin sorriu voltando. Sorri. Tommy sempre foi aquele que me tirava do sério, ele estava tendo o contrário com Caitlin. Eu devia estar preocupada com sua reação a ela? Não tinha certeza, eu me sentia confiante em relação aos seus sentimentos por mim, e pelo o que havia visto Caitlin e Ronnie se amavam profundamente, embora eu ainda não compreendesse por que oficialmente eles não eram um casal. A questão é que eu amava Tommy, e sabia que ele sentia o mesmo por mim, Tommy nunca teve amigas fora eu, e acho que pela primeira vez ele estava a caminho de estabelecer esse tipo de relacionamento com Caitlin. Então, não, eu não me preocupava com os dois, sabia que no momento em que Caitlin fosse se abrir para um homem, este homem seria Ronnie.

Caitlin me encarou com cenho franzido, talvez notando que eu ainda a encarava. Deixando de lado a estranheza da situação, seu olhar foi até o relógio em seu pulso. – Bem, como todo esse drama tivemos tempo mais que o suficiente, então, quem quer ser a primeira?

— Eu vou. – Murmurei tirando o teste da embalagem novamente. Não tinha por que prolongar isso. Sem nenhuma surpresa a tirinha me informou que eu não estava grávida. – Negativo. – Ergui mostrando a elas.

— O quê? – Tommy perguntou do outro lado. Revirei os olhos com isso.

— Homens são tão estúpidos. – Meneei a cabeça com diversão. – Eu uso DIU e ele esquece isso só por que Caitlin brincou com ele? – O que eu disse pareceu surpreender Felicity.

— Eu queria ter usado. – Felicity falou. – Mas a médica disse que meu corpo não reagiria bem.

— Uma pena. – Caitlin murmurou a encarando, imagino que assim como eu pensava em como deve ter sido estressante para Felicity, enquanto prostituta, ter que se preocupar com isso. – Bem, suponho que seja minha vez. – Caitlin murmurou erguendo seu teste sem cerimônia. Assim como o meu estava negativo, meneado a cabeça com diversão ela encarou Felicity. – Eu devia saber que na bíblia eu seria a Maria Madalena.

— Você está dizendo para mim? – Felicity riu. E foi impossível nós duas não compartilharmos de seu riso, mas então ela ficou séria, seu sorriso se esvaindo, sabia que era sua vez. Muito mais hesitante do que qualquer uma de nós duas fomos ela pegou seu teste, nos mostrando as duas tirinhas.

Positivo.

Felicity Smoak ia ser mãe, estando preparada ou não.

O olhar que ela nos dirigiu foi cheio de cansaço e conformidade.

Sem saber bem o por quê estava fazendo isso, eu caminhei até a cama onde a sacola com as outras caixinhas estavam. Surpreendendo as duas entreguei uma para cada.

— De novo?

Notas finais
Hey, não era nem urgente as notas, mas alguns sabem que gosto de brincar de fazer vídeo, vou deixar aqui em baixo o link do mais recente, com relação ao capítulo espero que tenham gostado e fico na espera do feedback de vocês. Xoxo, LelahBallu. LINK: https://www.youtube.com/watch?v=Grz_XvWKpDo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.