Looking For A Bright Smile

16 Capítulo 16: A Culpa


Notas iniciais
Eu quero mandar um graaaaaande beijo á todos que leem minha fic! Vocês me fazem sorrir com cada review que vocês me mandam! :3 Agradeço muito mesmo. Beijos, Gabi.
Boa leitura! ;D

Eu estava muito melhor no dia seguinte. Minha pressão tinha voltado ao normal, eu não estava mais fraco, pálido... O sorriso voltou para meu rosto, junto com minha auto-estima. Ajeitei minha gravata borboleta listrada de vermelho, preto e amarelo quando vi Santana tirando livros do seu armário –que por acaso é a direita do meu, já mencionei que somos vizinhos de armário– parei ao seu lado e sorri. Ela me mediu da cabeça aos pés com o olhar.

-O que você quer gravatinha?

-Obrigado.– Ela deu um sorriso torto –Por tudo que fez por mim ontem.

-Não há de que.– Ela deu uma leve desajeitada na minha gravata –Aliás, era estranho te ver sem essa coisa brega pendurada no seu pescoço.– eu sorri.

-É bom ter a velha Santana de volta...– Os olhos dela brilharam e avistei Brittany se aproximando.

-Hey, B!– Britt deu um leve tapa em minha mão.

-Beleza, Britt?– Ela sorriu e pegou na mão de Santana.

-Vamos, Sant. A treinadora quer que as Cheerios cheguem mais cedo hoje.– Santana fechou o armário sorridente.

-Até o Glee Club, gravatinha.

-Até o Glee Club, muchacha.– Ela deu um leve riso e foi para o fim do corredor de mãos atadas com as de Britt. Sorri ao me lembrar dela falando sobre Brittany para meu pai. Do nada, senti mãos sobre meus olhos, tapando toda minha vista. Sorri e apalpei aquelas mãos macias como seda, aquele toque nunca me enganou.

-Eu sei que é você, Quinnie!– Quinn tirou as mãos dos meus olhos e deu uma risadinha. Me deparei com aquela beleza retundante que ela possuía. Estava perfeita, como sempre, com o colar da letra Q que a dei de presente entrelaçado em seu pescoço.

-Nem tem graça brincar com você!– Abri meu armário e tirei meu livro de matemática.

-Como vai?

-Eu vou bem, obrigada.- Disse ela tirando uma mecha de seu cabelo loiro da frente de um de seus olhos.

-Qual o motivo de sua visita para meu armário?

-Sabe aquele vocalista principal dos Warblers? O... Esqueci o nome dele... Sebastiano?– Eu ri.

-Sebastian?

-Isso! Ele me encontrou no ponto de ônibus e me pediu para entregar isso á você.– Ela estendeu sua mão e nela havia um envelope meio alaranjado, num tom fosco. Peguei e o analisei por fora.

-Você o leu?

-Claro que não! Tenho lá cara de ser bisbilhoteira?

-Eu não quis dizer isso...– Eu apalpei o papel e mordi o lábio. Não podia ler aquilo na frente de Quinn, então resolvi mudar de assunto –Ei, e essa história sua e do Puck?– ela corou.

-Ah, ahn... Não está rolando nada...– Ela fez uma pausa. –Ainda.

-Hmmm... Pensei que não gostasse dele.

-Ele mudou, Blaine. Ele é um doce.

-Realmente, ele estava mais simpático das Regionais adiante...– O sinal soou.

-Preciso ir pra aula. Até o Glee Club, B!– Ela me deu um beijo na bochecha e andou para a sala de física. Voltei á olhar pro papel. A curiosidade estava me matando, abri levemente a aba do envelope e lá estava escrito com uma letra bem detalhada:

“Oi, Blaine.

Eu sei que poderíamos estar nos falando por mensagem de texto, mas achei mais sensato um simples bilhete. Eu queria saber se você gostaria de me encontrar hoje á tarde no Lima Bean, só para batermos um papo... Adoraria te conhecer melhor. Abraços.

Sebastian.”

Caramba.

Eu sei que eu ia me arrepender, algo me dizia que eu não devia ir... Mas peguei meu celular e enviei a seguinte mensagem pro Sebastian: “Claro.” Ergui o rosto e soltei um suspiro. Vi Kurt se aproximando e rapidamente, escondi o bilhete no armário e desliguei o celular. Olhei para ele sorrindo e assim que ele chegou á mim, me abraçou e deu um leve beijo em meus lábios.

-Bom dia, Blainie!

-Bom dia, meu doce... –Ele pegou na minha mão e fomos juntos para a sala de física. Aquilo que eu estava fazendo era traição? Não... Sebastian só queria conversar comigo e eu nem gosto dele. Mesmo assim, ficava com a culpa pesando em minhas costas.

Depois que assistimos todas as aulas, fomos para a sala do Glee Club. Havia só Rory, Tina, Mike, Sam e Mercedes sentados, o resto ainda não havia chegado. Cumprimentamos-os e sentamos um pouco afastados deles e peguei sua mão.

-Kurt,- Ele olhou para mim com aqueles olhos azuis irresistíveis –eu te amo, ta?– ele deu um leve riso.

-Por que esta dizendo isso pra mim do nada?

-Porque não importa o que aconteça, saiba que eu te amo.– Eu sabia que eu não devia ir pro café com Sebastian, mas agora não tinha como eu voltar atrás. Podia inventar uma desculpa, quem sabe... Dizer que estava passando mal, ou que tinha que ir á algum compromisso repentino. Mas acho que ficaria muito na cara, então eu tive de ir.

Cheguei no Lima Bean ás 14:00, assim que saí da escola. O café não era tão perto assim da escola, mas eu gosto de andar, sentir o vento, olhar a rua... Aquilo sempre me deixava mais calmo. Revire os olhos, o lugar não estava tão cheio. Avistei Sebastian com o uniforme do Dalton Academy sentado com um café médio na mão, olhando para todos os cantos. Assim que me viu, sorriu e acenou.

Engoli seco. Me sentia um traidor. Para de pensar isso, Blaine! Dizia minha consciência. Você não está traindo Kurt. Respirei fundo e sorri.

-Blaine! Que prazer em revê-lo!– Ele puxou uma cadeira. –Sente-se.

-Oi Sebastian.– Me sentei. –Você está aqui á muito tempo?

-Não. Não, quase nada! Não se acanhe...– Ele sorria gentilmente. –Então Quinn entregou meu bilhete.

-Aham.– Não conseguia puxar assunto com ele.

-E como foi a recepção do McKinley quando chegaram com o troféu?– suspirei.

-Pra falar a verdade, quase nada.– Sebastian franziu a testa –Não somos respeitados do mesmo modo que os Warblers são respeitados no Dalton Academy...

-Por que? São tão talentosos...

-Obrigado. O mesmo pra vocês dos Warblers... Mas eles acham o Glee Club careta.–Sebastian mordeu o lábio e balançou a cabeça.

-Você merece mais que isso, Blaine.– Demos uma pausa. –Am... Seus pais aceitam seu relacionamento com Kurt?

-Assim que minha mãe conheceu Kurt, aceitou na hora. Ela o adorou! Foi tão incrível o jeito que os dois se deram bem assim que se conheceram... Meu pai demorou um pouco, mas aceitou também. Meu irmão me apóia em praticamente todas as escolhas que faço.

-Você tem um irmão?

-Aham. Você deve conhece-lo.

-Como assim..?

-Cooper Anderson.– Sebastian abriu um sorriso.

-O cara do comercial!– Assenti. –Blaine! Que incrível! Realmente, talento é genealógico como dizem...– Eu ri. Ficamos um bom tempo conversando e depois precisava ir embora.

-Mas já? Fica mais um pouco.

-Eu estou bem cansado, Sebastian... Não parei um segundo hoje.

-Ok. – Sebastian ficou de pé e me deu um abraço apertado –Até mais, Blaine.

-Até, Sebastian. Obrigado pelo convite.

-Não há de que! Obrigado você por ter vindo.– Eu sorri e saí andando. Sebastian era um cara bem legal, afinal de contas. Eu queria ser amigo dele, nada além disso, mas eu sabia que se Kurt me pegasse conversando com ele seria briga na certa. Assim que pisei em casa, meu celular tremeu no bolso. Quando peguei havia uma nova mensagem. Apertei “visualizar” e era uma mensagem de Sebastian, dizia assim:

“’Não importa quão altas sejam as barreiras, ou seja, tudo que me impede de me aproximar de você... Eu nunca desistirei de ver seu sorriso próximo á mim.’ Essa frase me lembrou você :)”

...

Preciso falar alguma coisa?

Acho que Cooper achou estranho eu estar na porta, congelado, com o celular na mão, praticamente de queixo caído e veio em minha direção.

-Blaine? Você está pálido...

-N-não é nada, Coop– Escondi o celular no bolso. –E-eu só estou muito cansado. Cadê o pai e a mãe?

-Saíram– Ele cruzou os braços –Eu sei quando você está mentindo, Blaine. Onde estava?– Eu suspirei e me joguei no sofá.

-No Lima Bean.

-Com Kurt?– Cooper sentou ao meu lado.

-Não. Com o Sebastian.

-Quem é Sebastian?

-O vocalista dos Warblers.

-Idaí?

-Idaí que ele gosta de mim.– Cooper ficou em silêncio.

-Como sabe?– Estiquei minha mão com o celular. Ele pegou e leu a mensagem.

-Eu já sabia antes disso...

-É... Ele te ama.

-Não exagera, Coop. Ele só está gostando de mim.

-E por que foi no café com ele?– Nem eu sabia responder essa pergunta. Fiquei em silencio e suspirei.

-E-eu não sei.

-Você é um cara estranho, Blaine.

-Não sou!– Protestei.

-Claro que é.

-O caso é que... Kurt tem uma certa rivalidade com esse cara. E eu me senti um traidor saindo com ele. Mesmo eu não querendo absolutamente nada dele. Eu só peguei o celular e enviei uma mensagem dizendo que sim!

-Foi só um café, Blaine. Não fica assim preocupado. E eu sei porque você fez isso.

-Por que?

-Porque você é um cara bom, B. Bom até demais. Você sabe que Sebastian gosta de você e você sai com ele só para não deixá-lo magoado.– Eu olhei para o chão. Podia ser isso... Compaixão? Talvez.

-Tenho medo de Kurt me pegar falando com ele.

-Por que será?– Disse Cooper, sarcasticamente –Será que não é porque ele fica dando em cima de você?– Suspirei e subi pro meu quarto. Decidi cochilar, eu estava muito estressado e tenso ultimamente. Assim que me deitei eu recebi outra mensagem.

Merda.

Mas assim que peguei o celular e vi que era uma mensagem de Kurt. Cliquei em “visualizar” e estava escrito:

“Ei, Blaine. Eu te amo também.”

Sorri e deixei o celular na minha cômoda, me deitei e senti a tranqüilidade chegando aos poucos em meu corpo.

Eu tive um sonho naquela tarde. Eu estava em um lugar escuro, não havia nada, literalmente, eu estava no meio do nada. Não via nada além do preto. De repente, um holofote acendeu sobre mim, eu estava confuso, olhava para todos os lados procurando algo que não seja o nada, mas não conseguia sair do lugar. Até que outro holofote acendeu do meu lado esquerdo e lá estava Kurt. Ele estava com uma expressão confusa, olhar distante, mas assim que me viu, ele sorriu levemente e seus olhos brilharam. Ele estendeu sua mão á encontro da minha, fiz o mesmo, mas quando eu ia segurá-la um vento forte soprou entre nós e nos afastamos. Debatíamos contra a força do vento tentando nos encontrar, mas quanto mais nos aproximávamos, mais o vento soprava. Atrás de Kurt havia um buraco grande, ele estava quase caindo, seus olhos transmitiam medo, frustração. Ele olhava pra mim suplicando para ajudá-lo, mas eu não conseguia me aproximar. Quando ele chegou na beira do abismo, sua boca se abriu e ele disse: “Adeus, Blaine.” Quando ele ia cair, acordei assustado.

Eu estava suado e a cama estava toda bagunçada. Quis saber se esse sonho significou alguma coisa. Esfreguei os olhos com os punhos e estiquei meus cobertores, quando olhei no relógio eram 18:00.

Droga, não dormiria mais de noite, com certeza.

Depois daquele sonho senti falta de Kurt. Troquei de roupa e fui para sua casa. Cheguei lá e Kurt me recebeu com calorosos abraços e beijos, o que me deixou bem aliviado. Quando entrei, como sempre, Finn estava vendo futebol junto á Burt. Os dois me cumprimentaram e Carole estava fazendo cookies naquela cozinha toda decorada de flores. O cheiro de chocolate percorria pela sala toda. Subimos e ficamos em seu quarto. Tirei meu casaco e fiquei dando voltas, inquieto, enquanto Kurt estava sentado na cama com as pernas cruzadas.

-Você está todo agitado, Blaine...– Reparou Kurt. Realmente, eu estava ansioso e milhares de pensamentos preenchiam minha mente.

-Eu sei. Eu tive um sonho... Quer dizer, pesadelo com você nesta tarde e estou preocupado.

-O que aconteceu no pesadelo?– Eu o contei todo o meu sonho até a parte que acordei. Kurt me ouvia atentamente enquanto parecia estar preocupado.

-Tenho medo que talvez isso seja algum tipo de sinal...

-Bobagem, Blaine. Tudo está perfeito! Nossos pais nos aceitando juntos, nós saímos vitoriosos das regionais... O que poderia dar errado?– Ele se levantou e me encheu de beijos. Kurt tinha razão. Estava tudo perfeito. Tudo perfeito demais...

Meu celular tremeu. Kurt parou de me beijar e revirou o pescoço e olhou pra direção de meu celular. Ele tirou os braços sobre meus ombros e quando foi pegá-lo para ver quando me lembrei: Sebastian. Corri em sua direção e tomei o celular de sua mão.

-O que foi, Blaine?– Disse Kurt, assustado.

-Deve ser o resultado de quem ganhou o jogo hoje!– Menti. Abri a mensagem e era uma de Sebastian que dizia:

“Já estou com saudades. Vamos marcar de nos vermos outra vez! :) Abraços.”

Kurt se levantou para vir ver e eu a fechei imediatamente.

-Os Lakers perderam.- Nem sabia se eram os Lakers que jogavam hoje, mas Kurt não entende nada de futebol, o que me deu uma vantagem.

-Não faço a mínima idéia do que seja, mas eu não ligo.– Ele me puxou pela blusa, me jogou na cama e ficamos nos beijando. Mas aquele sentimento de culpa percorria sobre meu corpo e eu não senti o mesmo prazer que sentia ao beijá-lo. Kurt ia tirar minha camisa mas eu recuei. Ele me encarou com o olhar frio e se afastou.

-O que houve, Blaine?

-É... É que eu não quero que façamos isso com todos aqui na sua casa. Imagine se eles nos pegassem...

-Ninguém vai nos pegar. A não ser se você faça silencio e...

-Kurt,- Ele parou de falar e me fitou com o olhar –me desculpe, mas hoje eu não estou com vontade, ok?– peguei seu pescoço, o joguei contra meu rosto e voltei á beijá-lo para quebrar aquele clima. Ficamos algum tempo nos acariciando e decidi voltar para casa.

-Não quer nenhum cookie, Blaine?

-Não estou com fome, Carole. Obrigado.– Kurt tocou meu ombro e sussurrou:

-Pegue um, vai deixá-la chateada.

-Acho que vou querer um só.– Disse eu pegando um cookie com várias gotas de chocolates espalhadas por ele. Estava quentinho e parecia estar saboroso. Dei uma mordida, me despedi e saí andando pela rua enquanto saboreava aquele sabor doce e caseiro que eu tanto gostava. No meio do caminho, não percebi por onde andava e acabei esbarrando com alguém.

-Me desculpa!– Disse a pessoa. Eu conhecia aquela voz.

Ah, não...

-Sebastian..?– Ele sorriu assim que me viu.

-Que surpresa, Blaine! Eu acabei de te enviar uma mensagem mas você não respondeu... –Sabe o que eu senti naquela hora? Ódio. Porque Sebastian estava me fazendo ter remorso de tudo quando estava com Kurt, cada vez me sentia mais distante dele. Quis fazer de tudo para jogar na cara dele que eu amo Kurt, que não quero nada com ele, mas sem ser grosseiro.

-Acho que eu esqueci meu celular em casa.

-Aonde estava?

-Na casa de Kurt. Fiquei com saudades e dei uma passada lá.– Já sentia pena de Sebastian por eu dizer aquilo. Droga! Por que eu tinha que ser tão coração mole? Aquilo saiu num tom tão frio. Sebastian abaixou os olhos e assentiu com a cabeça.

-Legal. Eu disse na mensagem que podíamos nos ver de novo, qualquer dia desses...

-Seria adorável.– O QUÊ EU ESTAVA FAZENDO?!

-Tudo bem, eu te mando uma mensagem qualquer dia.– Disse ele sorrindo. AAARGH COMO EU ERA IDIOTA! NÃO POSSO FAZER ISSO!

-Beleza, até mais.– Me virei e saí andando me perguntando como eu consegui ser burro o bastante pra aceitar aquilo.

Notas finais
Continuem aguardando os próximos capítulos! ;D Muita coisa ainda está para acontecer...