Look In My Eyes
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Vamos lá então???
Os dias continuaram passando, muito devagar na opinião de Draco Malfoy. Já não sentia mais as dores em seus ferimentos, todos devidamente cicatrizados. Ele podia sentir a pele grossa, finas linhas, algumas mais grossas outras mais longas, havia inúmeras delas. Não sabia dizer como estava a sua aparência, a beleza que por tantos anos ele sustentou como troféu, mas que agora de nada lhe importava.
Hogwarts tinha sido completamente restaurada e as tendas desmontadas, agora ele habitava um quarto separado no antigo aposento dos monitores chefe, McMagonagal e Snape sabiam que ele não poderia mais ficar em um local com tantas pessoas, por isso, o deixaram ali. O feitiço sonorus que lhe haviam lançado ajudava bastante em suas tarefas do dia-a-dia, mas ainda assim sentia saudade de ver...
Estava sentado em frente à lareira, o fogo estalava baixinho... Estava frio e nevando lá fora, as aulas ainda não haviam começado, e muitos alunos tinham ido para casa comemorar o fim da grande guerra... Mas ele, estava ali. Não tinha motivo para ir para a Mansão Malfoy, não haveria ninguém lá para recebê-lo.
Um ruído lhe chamou a atenção, alguém tinha chegado... Talvez fosse a velha Minerva, ou até mesmo seu padrinho. Sorriu sem humor, a que ponto tinha chegado para que o próprio Severu Snape tivesse pena dele, e fosse lhe oferecer sua compania? Mas então, um cheiro agridoce lhe invadiu as narinas e impregnou todo o ar a sua volta, só uma pessoa no mundo tinha aquele cheiro tão bom...
- Malfoy? – ele pode sentir os cabelos dela fazendo cócegas em seu rosto, ela estava perto... Muito perto. – Está acordado? – Todos seus músculos enrijeceram quando o hálito quente dela tocou-lhe o rosto. Ele manteve os olhos fechados, e respirou fundo antes de falar.
Hermione sentiu o rosto queimar quando ele finalmente abriu os olhos, se Harry não tivesse lhe contado que Draco Malfoy estava cego, nem por um minuto desconfiaria de tal coisa. Aqueles olhos sempre tão agitados e tempestuosos, agora estavam calmos e cinzentos como num dia nublado de inverno. Não se lembrava quando começou a gostar de olhar para eles... Sabia que eles eram perigosos e traiçoeiros, mas ainda assim... Sempre que o olhava nos olhos não podia evitar de pensar que Draco Malfoy era mais do que aparentava. Lembrou da primeira vez em que realmente se olharam...
FlashBack On
- Olá Lupin. Sabe onde estão Rony e o Harry? – Hermione tinha acabado de chegar ao Largo Greenwald, a nova sede da Ordem da Fênix. A grande guerra estava para estourar e ela e seus amigos precisavam encontrar as Horcruxes restantes e destruí-las.
- Olá Hermione, eles estão na sala de reuniões. É melhor você ir pra lá... Eles estavam te esperando.
-Oh! Já estou indo então. – ela virou em direção a pequena sala que era utilizada nas reuniões, mas antes começar a caminhar, ele a chamou.
- Hermione...
-Sim Lupin?
- Temos visitas. Não se espante ok?!
Hermione achou estranho o comentário do antigo professor, mas quem poderia estar naquela sala para surpreendê-la tanto assim?
Sua resposta veio assim que passou pela porta velha vermelha de madeira lixada, o cômodo era discreto e de cores neutras assim como o resto da casa; e ali estavam Harry Potter, Ronald Weasley, Alvo Dumbledore, Severu Snape e Draco Malfoy.
- Srtª Granger! Que bom que nos honrou com a sua presença, estávamos a sua espera para começar a reunião, por favor, sente-se. – Dumbledore tinha a voz macia, era quase um calmante.
Hermione andou em silencio pela sala, até que se acomodou confortavelmente ao lado de Rony e Harry, olhou ao redor e viu-se presa aos olhos dele. Draco tinha a cara impassível, e impossível de decifrar qual sentimento lhe passava pelo coração, ele apenas sustentou o olhar até que finalmente Dumbledore começou a falar.
- O que ele esta fazendo aqui? – Rony cochichou na orelha de Hermione, o hálito quente arrepiou os pêlos da sua nuca, e a reação dela não passou desapercebida pelo garoto que estava na sua frente.
- Como vou saber Ronald. Acabei de chegar esqueceu?
- Bom, acredito que o Sr. Weasley perguntou o que todos queremos saber. – Dumbledore começou, ele não parecia surpreso de forma alguma, no fundo parecia estar satisfeito. – Sr. Malfoy, o que um comensal da morte deseja com a Ordem da Fênix?
- Uma troca, é claro. – Draco sorriu presunçoso olhando diretamente para os olhos de Dumbledore, nunca teve medo daquele velho.
- Seja especifico Malfoy! – Harry parecia impaciente, não acreditava que Draco Malfoy não fosse lhes trair assim que possível.
- Posso dar informações importantes sobre cada passo daquela cobra nojenta.
- E por que faria isso? – Ela não pode segurar a língua. E quando ele a olhou pela primeira vez nos olhos, estranhamente ela gostou da sensação.
- Granger, acha mesmo que um mestiço idiota pode controlar os puros-sangues? Isso é a coisa mais idiota que já ouvi! – De certa forma ele tinha razão, não havia lógica. Mas de algum jeito, Hermione sabia que não era bem por essa razão que ele estava traindo o Lord das Trevas.
- E o que quer em troca?
- Proteção.
- Não acha que vamos proteger você não é? Sua doninha albina! – Rony tinha as orelhas vermelhas e as sobrancelhas franzidas.
- Eu não preciso de proteção sua cenoura pobre!
- Draco! Não esqueça que a inteligência do Sr. Weasley não é tão desenvolvida quando a dos outros participantes dessa reunião. – Snape falou ao afilhado, e não pareceu se incomodar com os olhares mortais que lhe foram endereçados. Apenas Dumbledore ria baixinho, como se já soube que tudo isso iria acontecer.
- Vamos continuar, Sr. Malfoy... – o velho diretor fez um sinal com a mão para que o jovem continuasse.
- Quero que protejam minha mãe. – Pela primeira vez Hermione viu Draco com a cabeça baixa, respirando fundo antes de continuar. – Entendam minha mãe nunca quis fazer parte disso. Lúcio a obriga! Sei que não há como garantir nada, mas se ao menos me prometerem que irão tentar ao máximo, eu cumprirei a minha parte no trato!
FlashBack OFF
- Precisa de alguma coisa Granger? – Oh céus! Como queria olhá-la, nunca estiveram tão próximos como estavam agora, e não podia vê-la! Sentiu o ar agitar-se quando ela se distanciou rapidamente.
- Desculpe! Achei que estivesse dormindo! – a voz dela parecia tensa, já fazia alguns meses desde que tinham se visto pela ultima vez.
- Hum. Tudo bem... – Era difícil se manter firme com ela ali, depois de tantos dias preocupado e querendo saber como ela estava. – Sente-se. – Ele fez um gesto para uma poltrona ao lado da sua, sabia que ela estava ali...
Hermione sentou-se e permaneceu em silencio por um longo tempo, não sabia o que falar. Lembrava-se perfeitamente de que ele a tinha salvo e de que precisava agradecê-lo, mas a maior dúvida em sua mente era: Por quê?
- Snape me disse que teve algumas costelas quebradas, pode ficar andando por ai? – Draco mantinha os olhos fechados, como se tivesse um sono tranqüilo seu rosto estava calmo, quase translúcidos devido à luz fraca que entrava pela janela.
- Sim. Madame Pomfrey fez uma poção... Fiquei alguns dias em observação apenas por precaução.
- Draco, eu... – mesmo que por impulso ele arregalou os olhos e virou o rosto em direção a voz dela, nunca ela lhe tinha chamado pelo nome. – Eu quero agradecer por você me salvar, se você não tivesse me protegido acredito que eu não estaria aqui. – Ela falava baixinho, mas agora ele podia ouvi-la perfeitamente. – Sei que é minha cul...
-Posso ver você? – ele a interrompeu, não queria que ela dissesse aquilo, não era culpa dela... Foi a escolha dele, mesmo que essa escolha o levasse a morte certa, ele não se arrependeria.
- Como? – ela assustou com o pedido repentino, como ele iria vê-la? Por deus, ele estava cego! Hermione sentiu as lágrimas queimarem os olhos lentamente.
Ela viu ele se levantar, não usou a bengala encostada na poltrona; a professora Minerva tinha lhe contato como funcionaria o feitiço que iria auxiliar Draco em sua nova vida. Ele virou e ficou de frente para ela, e sorriu... Hermione sentiu o coração acelerar...
- Venha, não posso vê-la se não deixar. – ele estendeu a mão, esperando pacientemente que ela aceitasse sua proposta, enfim, poderia tocá-la.
A garota estendeu a mão, primeiro tocou-lhe os dedos brancos e finos... “mãos de pianista” era o que sua mãe diria, a mão dele era quente diferente do que ela esperava. Ela se aproximou, e percebeu que era consideravelmente mais baixa que ele. Draco sorriu ao sentir o contato da pele macia da mão dela na sua, era maravilhoso...
Ele levou a outra mão até a dela para que pudesse apoiá-la com a mão esquerda com a palma para cima, com a mão direita leve tocou-lhe o centro da palma percorrendo a extensão de cada um de seus dedos, ele percebeu a respiração irregular dela... – Está com medo? – ficou tenso, não queria que ela tivesse medo dele, pelo menos não mais. – Não. Só que isso faz cócegas. – Ele sorriu aliviado, continuou explorando até constatar que nada estava errado. Começou a subir pelo braço, passou pelo pescoço e enfim chegou a seu rosto.
Usou ambas as mãos para tocar-lhe a face, o rosto era redondo, as bochechas levemente mais altas, e estavam quentes, podia jurar que ela estava vermelha, sorriu ao imaginá-la... as sobrancelhas era delicadas e curvilíneas, cílios longos e espessos...
- Perfeita... – ele sussurrou. E por fim levou as mãos aos cabelos cacheados que tanto lhe importunavam, lembrava-se de quando estavam nos primeiros anos de Hogwarts...eram espetados e cheios de pontas, mas agora tinham um caimento perfeito, com grandes cachos nas pontas.
- Terminou sua inspeção Sr. Malfoy? – ela perguntou com a voz divertida enquanto ele mantinha uma mão em cada lado do seu rosto.
- É. Parece-me que esta inteira Srtª Granger. – ele disse pegando um pouco do cabelo dela e levando-o rosto muito próximo ao dela para que pudesse cheirá-lo. – Adoro o cheiro do seu cabelo sabia...
Instintivamente ela levou as mãos até as dele, queria olhá-lo nos olhos, mas eles ainda estavam fechados...
-Draco...
- Não é sua culpa Hermione. – ele a pegou pela mão e a trouxe até seu corpo e com um baque surdo a abraçou forte, se pudesse não a deixaria ir nunca mais. – A escolha é minha... e eu escolhi proteger você.
Hermione tinha escondido o rosto no peito dele, o cheiro dele era tão bom. Gostaria que pudesse sempre senti-lo assim. Não sabia quando tinha começado a gostar de estar perto de Draco Malfoy, mas mesmo que não fosse lógico já não tinha mais forças para ficar longe dele.
- Vou encontrar um jeito de devolver a luz pros seus olhos Draco. Vou salvar você! – a voz dela estava abafada pelo choro e o contato do corpo dele com seu rosto. Ele sorriu ao ouvi-la, será que ela nunca iria entender...
- Você já me salvou Granger...
Notas finais
Mandem suas críticas, sugestões e comentários. Todos são importantíssimos para mim!
Até a próxima, bejoks
Lyah-chan
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