Long Live
3 Capítulo Dois
Capítulo dois
Já passava das 16h quando Pepper entrou no elevador pela quinquagésima vez naquele dia. Tinha adiantado tudo o que deveria ter sido adiantado e agora subia até o andar da presidência.
Ela tinha em mente encontrar a secretária do Sr. Stark, — ou Tony, como ele preferia ser chamado -, e averiguar se o mesmo estava nos arredores, ou se já tinha levado o pequeno Damien pra casa.
Virginia havia dito naquela manhã, que sairia mais cedo pra brincar com ele. Não brincar, de sair correndo em seus saltos pelas Indústrias Stark afora, mas o distrair.
Por incrível que pareça ela passou o resto de expediente inteiro pensando nisso. Ela sabia como o garotinho se sentia. Ela também não teve irmãos, nem primos da mesma idade, seus pais eram advogados que trabalhavam e viajavam muito... suspirou com a lembrança. Não pode dizer que não teve tudo o que quis, mas...
Ela saiu de seus devaneios quando o elevador parou no andar programado.
Caminhou pelo largo corredor até ver a porta com os dizeres: A.E. Stark.
– Pepper! – ela olhou pra baixo e viu o garotinho loiro. Não teve nem tempo de bater à porta.
– Hey Damien! – ela o cumprimentou abaixando-se pra ficar da altura dele.
– Você veio brincar comigo, ou conversar com o papai? – ele quis saber.
Pepper o encarava sem saber muito o que falar. Tecnicamente, ela tinha que fazer os dois. Mas, quando encarou os olhinhos azuis brilhantes, ela ficou sem fala. Damien era um garotinho tão lindo e tão amável. A mulher, ex-mulher – por que o próprio menino tinha citado a morte da mãe -, de Tony devia ser uma mulher muito linda mesmo, por que o garoto não tinha nada do pai, talvez o temperamento.
– Vem! – ele falou puxando a mão dela, que agora estava de pé. – papai está aqui dentro e meus jogos também.
Ambos entraram à sala e Tony estava na mesa lendo alguns documentos. O que era muito raro, mas, aqueles ali eram de seu interesse. Se Pepper soubesse que aqueles eram seus arquivos, talvez ela não estaria naquela tranquilidade toda.
– Papai! A Pepper chegou! – Damien exclamou.
– Que ótimo! – Tony se levantou da mesa pra cumprimentar a ruiva. – obrigado por vir Pepper.
– Não é nada! – ela sorriu e olhou pra baixo quando Damien puxou a barra da saia do terninho que ela usava.
– Conversa de adulto depois! – ele disse encarando o pai e a mulher. – ela veio pra brincar comigo! – ele fechou os olhinhos com cara de bravo
– E você não pode dividir? – Tony agachou pra ficar do tamanho do filho.
– Hoje não! – ele sorriu travesso.
Tony sorriu e se levantou. – Eu preciso descer na linha de produção. – ele caminhava pra porta e olhava pra Pepper. – fique à vontade. – ele sorriu e antes de sair se virou pra dentro da sala. – Damien... comporte-se, okay?
Ele viu o filho bater continência e dar um largo sorriso infantil.
– E então do que você quer brincar? – Virginia perguntou o encarando.
– Vem! Tem um jogo muito legal! Você já ouviu falar nos Vingadores? – Damien começou a falar e puxava a mão de Pepper até eles chegarem no sofá fronte à uma TV grudada à parede.
***
Clint tiraria zero na prova de baliza se ele estivesse fazendo uma. Estacionou o carro totalmente torto próximo à calçada numa rua residencial e saiu do carro, quase deixara o mesmo aberto, mas um lapso fez com que ele lembrasse de trancá-lo com o alarme.
Ele ainda não conseguia acreditar no que Pietro dissera. Mas, será possível que nem os detetives tem mais segurança. Tudo bem, ele tinha que reconhecer que fora um erro terrível mandar Peggy sozinha pra cena do crime, porém a mesma já tinha sido processada e ela só tinha que colher depoimentos, o que ela estava fazendo na cena? Era o que o loiro se perguntava enquanto subia as escadas da frente da casa.
– Barton... – ele recebeu o cumprimento de Wanda, irmã de Pietro que também era da divisão onde ele delegava.
– Maximoff... – ele disse de volta. Clint podia ser bem próximo de Pietro, mas a irmã do platinado era um mistério pro loiro. Ela era bem séria e até meio esquisita, sombria, sei lá, ele não reparava muito, mas tinha notado isso dela, talvez ele só estivesse enganado. – o que aconteceu?
– Peggy estava na cena sem proteção policial – Wanda explicou.
– E por que? – ele quis saber.
– Você vai ter que perguntar pra ela. – Wanda seguiu com ele pra dentro da casa, mais precisamente na sala.
– Peggy! – Clint exclamou quando a viu. A morena estava sentada numa poltrona próxima com um enfermeiro suturando a testa dela.
– Tá bom! Já chega, eu to bem! – ela disse pro homem que fazia o curativo em sua testa. – foi só um arranhãozinho!
– Um que precisou de pontos... – o homem de branco disse.
– Detalhes... – ela desconversou e deu de ombros.
– Que poderiam ter te matado Peggy! – Clint completou a frase. – ficou louca? Entrar na cena do crime sozinha! Você é experiente, sabe que não deve fazer isso! – ele repreendeu.
O enfermeiro deixou os dois sozinhos e Clint se aproximou dela sentando ao lado.
– O que acontece se eu perder minha melhor amiga? – ele sorriu fraco.
– Você arruma outra – ela fechou os olhos e riu.
– Como se eu conseguisse! Tá complicado arrumar namorada! – ele desconversou rindo.
– Por que você dificulta! – ela comentou e passou a ponta dos dedos sob o ferimento na testa e os arranhões no rosto.
O mais curioso sobre Peggy Carter é que embora ela não soubesse lutar muito bem, e tivesse passado por sei lá o quê com a pessoa que a atacou, ela permanecia tranquila, pelo menos, era o que aparentava.
– Pare de mudar de assunto! – Clint disse – eu conheço esse método menina! – ele sorriu e colocou a mão sob a dela que ainda estava na testa. – o que aconteceu?
Peggy desviou o olhar.
– Se você não falar comigo, vai ter que fazer isso com aquele gordo comedor de Donuts que tem no turno da noite... – ele falava com uma pontinha de brincadeira na voz – mas, sem pressão! – ele deu de ombros.
– Você é um idiota! – ela disse e sorriu.
– E o melhor chefe do mundo! – ele fez uma pose altiva.
– Eu cheguei aqui...
Clint a interrompeu. – sozinha...
– Eu tinha que conferir uma coisa Clint! Você me conhece, sabe que eu não ia conseguir dormir à noite se não viesse checar!
– Por que não ligou pra alguém?
– Todos estavam ocupados, ou não estavam ligando! Você sabe que naquela delegacia tá cheio de macho folgado!
Clint riu, mas depois voltou à compostura. – poderia ter ligado pra mim!
– Não importa mais! – ela comentou se levantando.
– O que aconteceu? – o loiro voltou a perguntar.
– Quer saber como Delegado ou melhor amigo?
Ela ouviu o loiro bufar. Por que mulheres têm que ser tão complicadas? Era o que ele pensava.
– Eu quero saber como Clint Barton! – ele exclamou e se aproximou dela.
– Eu tava na cozinha, e ouvi um barulho no andar de cima... – ela parecia estar vivenciando tudo outra vez. – então eu subi com a minha arma em mãos... e quando eu cheguei no quarto principal, um cara moreno estava mexendo no fundo do armário, parecia ser um fundo falso... – ela parecia um pouco confusa
– Então... – Clint se aproximou dessa vez fazendo-a sentar-se numa outra poltrona.
– Então quando eu fui puxar o gatilho, por que ele já tinha me visto, outro homem me pegou pelo cabelo e bateu minha testa na porta algumas vezes, eu lembro que na segunda vez, ele disse pro outro algo relacionado a um projeto 247 e foi a última coisa que ouvi... – ela parou de encarar o nada e voltou a olhar Clint que estava ajoelhado na frente dela. – por que eles não me mataram Clint?
– Que bom que não! – ele comentou e a abraçou forte. – Peggy... sabe, você foi pega de surpresa, mas talvez se soubesse lutar, teria sido um pouco diferente... – ele pensou na frase. – ou não... esqueça! – ele desfez o abraço e limpou algumas poucas lágrimas que se formavam no canto dos olhos dela.
– Eu já passei por coisas assim Clint... e eu estou bem cansada de ser a mocinha indefesa! Eu vou procurar aulas de defesa pessoal, luta! – ela parecia um pouco mais animada.
– Não é só por que eu falei né? Por que foi um comentário infeliz! – ele exclamou. – essas coisas acontecem!
– Não, não! Você tá certo! E eu já tinha isso em mente, o episódio foi só a confirmação. – ela comentou e se levantou do sofá.
– Tá okay, eu te indico uma academia depois, mas vem, eu te levo pra casa...
– Mas, você não tem que buscar a Lizzie agora? – a morena comentou enquanto eles saiam da casa.
Clint olhou no relógio e arregalou os olhos ao perceber que passava das seis.
– Esqueci minha filha! – ele exclamou e correu pro carro. Peggy fez o mesmo e quase nem deu tempo de fechar a porta antes do Barton cantar pneus.
***
Quando Tony adentrou sua sala, já passava das seis e meia, ele tinha ficado umas boas horas junto à linha de produção corrigindo erros alheios. Era difícil ser gênio afinal.
Ele encarou a sala escura exceto pela luz que provinha dos postes do lado de fora do prédio, além da luz lunar que começava a brotar no céu.
– Hey... – ele ouviu Pepper o chamar baixo. Ela estava sentada no sofá no canto da sala. Tony observou que ela tinha tirado o casaquinho do terno e estava sem os saltos também. E seu filho jazia com a cabeça apoiada no colo dela.
O Stark sorriu com a visão. Fazia tempo que ele não via o filho dessa maneira, claro, o garoto era sua vida, e era um anjo, pra ele sempre estava lindo, mas ali no colo daquela mulher que ambos conheceram há tão pouco tempo o garotinho parecia sentir-se em casa, seguro, feliz, ainda que no sono e isso era muito mais do que Tony poderia pedir.
– Ele estava tão cansado, e não consegui falar com você, então propus que ele ficasse um pouquinho deitado aqui... – ela sorriu quando encarou o garotinho e tirou o cabelo loiro da testa do mesmo.
– Tudo bem. – ele disse e passou um mão sob a testa do filho. – obrigado... – ele disse baixo, pra não acordar Damien.
– Não foi nada, ele é um doce de criança! – ela disse e encarou Tony que sorriu assim como ela fazia.
Ambos ficaram alguns instantes se encarando. Um pequeno silêncio se instalou e quando Pepper sentiu as bochechas quentes ela desviou o olhar pras grandes janelas da sala.
– Não diga que não foi nada... você é a primeira que faz isso por vontade própria e não por que está sendo paga pra tal... significa muito pra mim, claro, mas pra ele, não tem preço. – Tony disse enquanto pegava o filho do colo dela e o acomodava em seu colo com a cabecinha loira entre seu pescoço e ombro.
A ruiva calçou os sapatos, pegou a bolsa e ajeitou o casaco no braço. Abriu a porta da sala para que Tony saísse e ela foi atrás. Ambos caminhando pro elevador quando o moreno soltou: — Você gosta do seu emprego aqui?
– S-sim... – Pepper comentou com um pouco de receio. Não que ela não gostasse, mas é que esse assunto do nada, parecia que ele queria demiti-la.
– Não vou te mandar embora, muito pelo contrário! – ele sorriu quando o elevador chegou e ambos entraram. – tenho uma proposta Pepper...
A ruiva tinha uma sobrancelha arqueada e um pequeno sorriso. Tony sorriu de volta e enquanto a porta do elevador fechava ele apertou para o térreo e ajeitou o pescoço que Damien.
– Eu quero você trabalhando pra mim. – Tony disse naturalmente desviando o olhar do rosto adormecido do filho e encarando a ruiva.
– Tecnicamente, eu já faço isso Sr. Stark. – ela respondeu com um pequeno sorriso e recebeu um olhar repreendedor de Tony quando disse o Sr.
– Primeiro: É Tony! – ele disse e sorriu fraco. – segundo: quero você trabalhando pra mim diretamente Pepper. – o elevador parou no destino. – como minha assistente pessoal. Como você pode perceber eu não tenho mais uma então... – ele deixou a frase morrer.
– E você quer que eu seja sua Assistente? – ela indagou meio incrédula.
– E por que não? – ele disse caminhando pelo Hall da empresa com Pepper ao seu lado. – você pensa sobre isso... – ele parou de andar e ficou fronte à ela. – e me responde um uma semana.
– Tudo bem Sr. Star... – ela recebeu um olhar torno e uma sobrancelha arqueada do homem. – Tony... – ela consertou.
– Ótimo! – ele sorriu e caminhou pra fora da empresa rumo ao estacionamento enquanto Pepper ficou ali sem saber no que pensar.
Fale com o autor