Steve estava um pouco preocupado com tudo. O tempo tinha virado em Los Angeles e o clima ameno, com um sol quentinho à tarde e a brisa gostosa matinal tinha se tornado um céu cinza e um tempo seco, mais parecido com o deserto.

Se fosse só por ele, não era muito importante, porém, seu filho era um bebê e sofria muito com as mudanças climáticas, ainda mais se você levar em conta todas as complicações que o pequeno James tivera antes de vir ao mundo.

Já passava das oito e Steve tinha terminado sua sessão de exercícios matinais, aproveitando que seu filho dormira até mais tarde. Quando saiu do banho, ouviu pela babá eletrônica uns resmungos provindos de seu filho e só deu tempo de colocar uma calça de moletom antes do resmungo virar um choro de plenos pulmões.

Rogers adentrou o quarto, e foi até a janela abrir um pouco as persianas, enquanto fazia isso e tirava algumas coisas do meio do caminho, ele ia conversando com o filho.

– Hey garotão! – ele sorriu enquanto abria o armário do filho, procurando uma muda de roupa, faldas e outras coisas. – acordou escandaloso hoje, foi? – ele dizia arrumando a banheira agora. – já ‘tá muito grandinho pra reclamar tanto, não acha? – ele falava enquanto colocava a banheira do Capitão América pra encher debaixo do chuveiro. – o que você acha de um banho quente pra acalmar os nervos, hein? – ele ouviu o filho diminuir o berreiro. – fala com o papai, Jimmy! – foi quando ele ouviu uma risadinha. Steve se aproximou do berço que ficava no meio do quarto e encarou o filho que deu um sorriso banguela. – você gosta de deixar seu pai maluco, isso sim! – ele brincou com a barriga do filho e o pegou no colo e aos poucos foi tirando as roupas do pequeno.

A hora do banho foi relativamente tranquila. Com certeza alguém lá em cima teve pena de Steve e por isso mandou um filho calmo. Por que se James fosse tão agitado como Damien era... com certeza Steve estaria em maus lençóis.

O loiro trocou o filho, procedimento ao qual ele já tinha se acostumado, e foi até a cozinha com James em seu colo, pra preparar a mamadeira da criança.

Ligou o som na sala, tocava Bon Jovi, mesmo no aleatório, era Never Say Goodbye e Steve gostava muito da banda e seu filho, por influência também.

Deixou o som tocando e foi pra cozinha, colocou pó na cafeteira, tirou da geladeira uma mamadeira, tomando cuidado para que Jimmy não pegasse o ar gelado do eletrodoméstico.

Quando tudo estava pronto e outra música tocava no rádio, o celular tocou e ele se levantou de onde estava com James e foi até o aparelho, que tinha sido esquecido no quarto do filho.

– Rogers falando! – ele atendeu e equilibrou o filho entre o ombro e o peito, enquanto consertava o celular na orelha.

– Steve! Já te liguei umas dez vezes hoje! Cê ‘tava aonde? – era Clint.

– Em casa, onde mais? James deu um pouquinho de trabalho esta manhã! Tá, fala logo, você nunca me liga, o que você quer? – o loiro inquiriu desconfiado.

– Tenho uma amiga...

– Pode parar! Você e Tony estão planejando me arrumar um encontro de novo?

– Que?! Não!

– Então fala! – Steve pediu e consertou o filho no colo.

– Lembra da Peggy?

– Hum... nunca vi, não lembro, mas fala!

– Ela foi atacada ontem... – Barton ouviu Steve soltar uma exclamação. – história comprida, enfim, ela precisa de aulas de Defesa Pessoal, umas mais aplicadas, e eu sei quem é o cara certo pra me ajudar com isso! Ajudar ela, você me entendeu!

– O Nick! Ele tá no comando enquanto eu to de licença! Liga pra ele Clint!

– Eu sei, mas sua licença termina em poucos dias cara! Eu sei que você foi na escolinha da Lizzie pra ver sobre matricular o Jimmy!

– Tá me vigiando Clinton?

– A secretária quem me falou, ela sabe que somos amigos, além do mais, você citou meu nome pra ganhar desconto! – ambos riram.

– Tá, dê meu número pra essa Peggy, e eu me resolvo com ela!

– Querendo ter um momento sozinho com ela Steve?

– Ah cale a boca! – Steve disse e desligou na cara do amigo.

Ele poderia até dizer que não, mas ainda se lembrava de ter conhecido Peggy Carter ainda na época em que namorava Natasha.

Steve sorriu com a lembrança e saiu do quarto do filho, levando o celular no bolso dessa vez.

***

Pepper levantou-se da cadeira de sua sala no Departamento Contábil. Ela já não aguentava mais aquelas contas quilométricas. Era certo que ela não fazia nada e sim o computador, porém, aqueles números estavam se embaralhando diante seus olhos.

Atravessou os corredores de seu Departamento e foi até a máquina de café mais próxima. Nada que um café fresco não resolva! Pensava ela, enquanto pegava um copo e esperava a máquina fazer o trabalho.

Mas, não era só por causa dos números que Virginia andava meio aturdida. Outro motivo era que ela só tinha até esta tarde pra decidir se aceitava ou não a proposta de Tony Stark. E o mesmo fazia questão de mandar um e-mail todos os dias a lembrando disso. Ontem mesmo, o A.I de Tony, JARVIS, mandara uma cópia do contrato que ela assinaria se concordasse com a proposta, e ainda colocou espaços para objeções, caso ela tivesse alguma.

Tony era mesmo insistente. Ela não entendia por que dele querer tanto ela como sua assistente. Ela não podia ser muito modesta e dizer que não era boa no que fazia, por que sim, ela era, mas... com tantas mulheres, ou homens, mais experientes no assunto, por que ela?

Pepper tomou seu café e alongou o pescoço antes de voltar pra sua saleta. Que Deus a ajudasse até o final do dia.

***

Pela primeira vez em semanas, Clint estava chegando no horário certo no colégio da filha. Okay, o tempo de espera depois do sinal tinha acabado de começar, mas isso era um recorde pra ele.

Ele carregava a mochila de rodinhas da Barbie Moda E Magia numa mão e na outra segurava a pequena mão de Lizzie, que vinha tentando ir a frente dele e pulava enquanto cantava uma das músicas de um dos muitos filmes da Barbie que ela tinha. Na verdade, Clint achava que tinha comprado todos, mas essa boneca loira dos infernos sempre arrumava mais uma façanha pra lançar um filme! Era pior que a coleção Velozes e Furiosos, a qual ele era muito fã.

– Tia! – ele ouviu Lizzie exclamar e soltar sua mão pra ir correndo até uma mulher morena que estava a poucos metros deles.

– Lizzie! – ela também sorriu e abraçou a garotinha, a pegando no colo em seguida.

– O que eu disse sobre correr mocinha? – Clint advertiu a filha quando se aproximou da menina que estava no colo da professora.

– Que não pode! – ela exclamou, mas fez uma carinha fofa e Barton logo amoleceu.

– Desculpe, parece que não nos conhecemos ainda... – Clint iniciou encarando a mulher morena à sua frente. E muito bonita, sua mente adicionou ao fundo.

– Sou Maria Hill, ou só Maria, professora da Lizzie! – ela cumprimentou Clint com a mão livre, enquanto ainda segurava a garotinha.

– Clint Barton! – ele apertou a mão feminina. – pai da Lizzie! – ambos sorriram. A menina brincava com o cabelo escuro de Maria enquanto os adultos iniciavam uma conversa, cheia de olhares por sinal. – eu tenho que pedir desculpas sobre ter esquecido a hora há alguns dias, meu trabalho exige um pouco além do horário ás vezes... – ele explicou, ambos caminhavam pra perto da sala da pequena Barton.

– Tudo bem, não foi problema nenhum, eu só não fiquei mais por que não pude, espero que não tenha tido problemas com a Diretora quando você chegou! – Maria sorriu e virou pra ele enquanto caminhavam pelo pátio. – ela costuma ser um pouco rude com pais que se atrasam... – ela sussurrou essa parte.

– Ela, foi até legal, talvez por que eu tenha vindo com a Peggy, uma mulher bem intimidadora também!

– Lizzie, nunca comentou sobe ela... – Maria disse displicentemente. – geralmente crianças comentam sobre suas mães, mas ela só fala de você.

– Ah Peggy? Não! – ele riu. – ela é minha melhor amiga, e amiga de trabalho, ela não tem muito tempo de nos visitar, não é Lizzie?

– Tia Peggy? – Clint assentiu. – ela trabalha muuuuuuito, igual o papai! – a menininha respondeu com seu tom inocente. Se ela tivesse ideia do que o pai faz pra viver, talvez não falaria com tanta alegria nos olhos. – quando eu ficar do tamanho da Tia Hill, eu quero trabalhar igual o papai!

– Não vai querer meu amor, garanto que não! – ele riu e foi acompanhado por Hill.

– Chegamos! – a professora anunciou quando estavam na porta da sala. Algumas crianças passavam e cumprimentavam a mulher e até mesmo Lizzie.

– Hora da depesdida? – Elizabeth inquiriu encarando a mulher que lhe segurava e o pai, que estava ao lado.

– É despedida meu amor e sim, papai tem que trabalhar muuuuuito agora! – ele comentou e pegou a loirinha no colo. – papai te ama muito você sabe, certo?

Ela assentiu com os olhinhos fechados e um sorriso de boca fechada.

– E o que você diz em resposta? – ele inquiriu e lhe deu um beijo no nariz.

– Que eu te amo mais! – ela circulou o pescoço dele com os pequenos braços. E depois encheu o rosto do Barton de beijinhos molhados.

– Hora de ir princesa! Papai precisa ir! – ele colocou a filha no chão e lhe entregou sua mochila de rodinhas da Barbie (boneca maldita, só não pior que a Pepa, porca esquizofrênica).

Ele viu Lizzie entrar na sala correndo e sentar-se numa das cadeirinhas coloridas, logo começando a conversar com outras duas garotinhas.

– Ela vai ficar bem, como sempre! – Maria assegurou com um sorriso gentil.

– Eu sei é só que às vezes... – ele deixou a frase morrer.

– Eu acho que entendo...

– Você tem filhos? – ele perguntou, mas depois fez uma careta. – não precisa responder, desculpe.

– Não, tudo bem, muitos pais me perguntam isso! – ela deu um sorriso, mas este foi triste. – infelizmente, eu não posso...

– Oh... – ele olhou pra baixo. – eu sinto muito, desculpe! – ele pediu e colocou uma mão sob o ombro dela.

– Tudo bem, eu tive que me acostumar com a ideia. – ela foi um pouco fria, mas respondeu. – tenho que ir! – ela abriu um sorriso mais uma vez, este mais leve.

– Certo! – ele disse. – te vejo na hora da saída.

Ela não respondeu, somente deu um aceno de cabeça e adentrou a sala de aula.

Clint pode escutar ela cumprimentando os pequenos, ele sorriu com isso e seguiu seu caminho pro lado de fora do prédio escolar.

***

Pepper não olhou no relógio, mas devia passar da hora do almoço e ela subiu até o andar da presidência.

Caminhou pelos largos corredores quando saiu do elevador, viu a sala de Stane, e logo na frente numa porta pesada de carvalho, as iniciais. A. E. Stark. Respirou fundo e bateu à porta. Ouviu um abafado “entre” e assim ela o fez.

– Srta. Potts! – ele abriu um pequeno sorriso quando levantou a cabeça dos papeis para ver quem adentrara.

– Sr. Stark. – ela lhe tratou formalmente, como ele o fez.

– Presumo que esteja aqui pra me dar a resposta que tanto desejo, estou certo? – ele se levantou da mesa e ela continuou parada à poucos passos da mesma.

– Isso dependerá da resposta que espera. – ela respondeu com um pequeno sorriso.

– Eu espero que possa lhe apresentar JARVIS pessoalmente ainda hoje, já que como minha assistente, você terá que conhecê-lo. – ele se aproximou dela, mas a distância ainda era segura.

Ela riu um pouco sem graça e olhou pro chão, antes de encará-lo.

Olhar fundo nos olhos de Tony Stark era perigoso e ela se deu conta disso, assim que o fez.

– Então acho que eu aceito seu proposta Sr. Stark.

– Tony!

– Então, serei Virginia e não Srta. Potts.

– Eu prefiro Pepper... – ele deu de ombros e voltou pra mesa. – esteja pronta pra sair daqui há uma hora.

– Claro, Sr. Stark. – ela sorriu quando ele a encarou mal humorado e depois saiu da sala.

Notas finais
Ela ir pra mansão ia rolar nesse capítulo mesmo, só que ia ficar enooooooorme e a intenção é prolongar a fic mais um pouquinho, já que ela não vai ser muito longa! Anyway, espero que tenham gostado, por que esse capítulo está pronto faz dias, assim como o de 50 First Dates, era só minha internet que estava off Comentem, ou deem outro sinal de vida! Kisses