Long Live
5 Capítulo Quatro
Notas iniciais
— Pra onde Sr? – indagou Happy quando adentro o carro no lugar do motorista. Não pôde deixar de notar que nesta tarde Tony tinha companhia.
— Escola do Damien e depois casa. – explicou o moreno e encarou Pepper. – Pepper, este é Hogan, mas nós o chamamos de Happy. – ele sorriu e encarou Happy pelo espelho retrovisor, assim que o motorista e amigo deu partida no carro.
— É um prazer Srta... – ele deixou a frase morrer.
— Potts! – esclareceu a ruiva. – mas pode me chamar de Pepper, todos me chamam assim. – olhou sugestivamente para o moreno ao seu lado.
— Happy pode lhe levar onde você precisar ir. – explicava Tony. – Damien vai para o colégio todos os dias da semana, ou pelo menos deveria, ele entra às sete, geralmente Happy o leva sozinho, mas eu espero que você possa acompanha-lo também.
Enquanto Tony falava, Pepper ia anotando tudo em seu Blackberry.
— Com certeza com o tempo, você irá se acostumar com nossa rotina, JARVIS também lhe passará a rotina de Damien. Mas, eu não lhe contratei como babá, então não espero que você vá se ater completamente ao meu filho.
— Eu farei tudo o que o Sr solicitar, Sr. Stark. – ela respondeu e o encarou. Pela segunda vez naquele dia, ela foi capturada pelos olhos castanhos de seu chefe. A ruiva balançou a cabeça para desviar seus pensamentos de territórios perigosos como aquele.
Tony limpou a garganta. – JARVIS também irá lhe conceder minha rotina e eu creio que minha secretária no escritório, possa te ajudar com meus afazeres costumeiros. Logo você verá que eu não obedeço demasiado o que esperam de mim. – ele sorriu.
— Chegamos Sir. – Happy anunciou e só então, Pepper percebeu as várias crianças e adolescentes por ali.
A escola de Damien era composta de dois prédios grandiosos, e pelo que Virginia sabia sobre a instituição, eles separavam a escola por idade. Era um ótimo colégio, e com certeza o Sr. Stark deixava uma pequena fortuna ali todo mês, mas ela não esperava menos vindo de quem era.
Hogan saiu do carro e foi até o porta-malas buscar a cadeirinha de Damien. Logo Pepper aprenderia que o pequeno repudiava tal acessório, mas era necessário.
Ela observou Tony sair do carro e adentrar brevemente o portão da escola, Potts viu de relance uma mulher, provavelmente a professora do pequeno Stark, segurando sua mãozinha e cumprimentando Tony com um aceno, antes de liberar o garotinho para os braços do pai.
Pepper estava tão absorta em pensamentos que nem percebera Happy colocando o equipamento no meio do banco traseiro, onde se encontrava.
— Pepper! – ouviu a exclamação de Damien, assim que o pai entrou com ele no carro. – você está indo brincar lá em casa? – o menininho era colocado na cadeirinha pelo pai, e provavelmente só não reclamou por que estava muito distraído conversando com Pepper.
— Pepper agora trabalha com o papai, filho. – explicou Tony e logo eles sentiram o carro saindo do lugar.
— E já não trabalhava antes? – inquiriu o loirinho. Virginia quase não conteve um “awn” quando viu ele se virando para o pai com os olhinhos confusos e os braços cruzados sobre seu uniforme, que consistia em calça social, camisa branca e casaco preto, também social, com as bordas levemente avermelhadas. Curiosamente, Tony trajava um treno de uma cor parecida naquele dia.
Tony riu antes de sanar a dúvida do pequeno. – Já sim Damien, mas agora ela vai ficar bastante na mansão e mais perto do papai. Como uma assistente, entende?
O garotinho mais uma vez fez uma careta curiosa. – Como uma namorada?
Pepper engasgou com o ar e Happy riu levemente. Tony arregalou os olhos.
— Definitivamente não, Damien. – foi a vez da uiva responder.
— Mas, mesmo assim, você vai brincar comigo, né?
— Claro, meu anjo. – ela lhe sorriu e passou uma das mãos na testa dele, tirando os fios loiros do caminho.
Mis alguns minutos e eles já tinha chegado à mansão. Tony tirou Damien da cadeirinha e deixou que ele corresse até a porta. Logo que JARVIS identificou de quem se tratava, o A.I abriu a porta da casa.
— Seja bem-vindo, pequeno Damien. – a voz com sotaque inglês cumprimentou.
— Olá, Tio JARVIS! – respondeu alegremente.
— — Seja bem-vindo Sr. Stark.
Tony viu Virginia soltar uma leve exclamação quando ouviu a voz do A.I, porém sem ser acompanhada de nenhum ser humano.
— Pepper, este é JARVIS, ele comanda a casa e na maioria das vezes, minha vida. Você pode perguntar praticamente qualquer coisa a ele e com certeza, será respondida. Com o tempo, você vai se acostumar.
Ele explicava enquanto adentravam a ampla sala da mansão, que não era nada menos do que Pepper esperava. Estilo moderno, imensas janelas de vidro que iam do chão ao teto e davam uma bela vista para o oceano. A única coisa fora dos padrões, eram os brinquedos de Damien semeados pelo imenso sofá e pelo chão.
— Pep! Vem brincar comigo! – chamou o menor no ambiente.
— Nada disso! – Tony pontuou. – o Sr vai tomar um banho e tirar esse uniforme, enquanto JARVIS vai pedir algo que você queira comer.
Os adultos viram o bico que o pequeno Stark fez, quando seu pai “cortou seu barato”.
— E que tal, se eu te ajudasse com o banho, enquanto JARVIS pede algo que você queira comer? – ela sugeriu para Damien, se aproximando dele no sofá, onde ele já desmontava um de seus robôs.
Por um milésimo de segundo, Tony achou que ela estava se referindo a ele, mas observou os dois e colocou a cabeça no lugar. O eu estava acontecendo com ele, afinal?
Ele sabia de suas necessidades carnais, as saciava, quando podia, mas não era uma prioridade. No entanto, não era motivo para ele ficar se sentindo estranho, toda vez que Pepper falava algo que ele levava pro duplo sentido.
— Eba! – comemorou o pequeno e logo se levantou de onde estava. Com a mão de Pepper na sua pequenina, ele começou a subir as escadas rumo a seu quarto. – nós vamos fazer muita espuma na banheira Pepper, e eu vou riscar as paredes com as canetas legais que papai me deu! – balbuciava o loiro, enquanto Pepper olhou para trás e sorriu para Tony, apenas para ser retribuída pelo mesmo, que se encontrava no pé das escadas. Mais uma vez naquele dia, Pepper teve que controlar as borboletas em seu estômago por causa de Tony Stark.
***
— Papai! – Lizzie exclamou ao ver o pai entrar na escola e rumar até sua sala. – você não me esqueceu! – ela pulou no colo do homem, assim que o mesmo agachou para pegá-la.
— Meu amor, papai nunca te esquece! – ele a beijou muitas vezes no rosto e a encarou sério – nós já conversamos sobre o emprego do papai e em como ele passa da hora às vezes, lembra?
— Lembro simmm! Mas, eu prefiro assim, quando você vem na hora! – ela sorriu para o homem que tinha os olhos tão azuis quanto os seus e abraçou o pescoço dele, um claro sinal de que não havia ninguém no mundo que a dava mais sensação de segurança do que o pai.
— Sr. Barton. – ouviu alguém lhe cumprimentar e sorriu ao ver que era Maria, a professora de Lizzie, que havia conhecido naquela manhã. – hoje está devidamente no horário. – ela lhe sorriu e ajeitou os poucos livros infantis que tinha em mãos.
Ele coçou atrás do pescoço e olhou pra filha, quase adormecida em seu colo.
— Às vezes a gente acerta, né? – ele riu levemente.
— Sim, as vezes sim... – ela deixou a frase morrer e foi andando na direção dele, apenas para passar direto, mas não sem antes passar uma das mãos nas costas de Lizzie.
— Maria!
— Sr. Barton!
Eles disseram em uníssono.
l- Você primeiro. – ele pediu e estendeu a mão, sinalizando para ela continuar, mas não sem antes lhe sorrir.
— A Lizzie tem muita sorte de ter você como pai...
— E você como professora. – ela sorriu sem graça com o comentário e ele a viu corar. Ele começou a caminhar para fora da escolinha, assim como ela começava a voltar para a sala de aula, afim de recolher suas coisas e ir para casa. – Maria!
— Sim?
— Me chame de Clint, por favor. – ele pediu e ajeitou sua filha em seu colo, uma vez que a mesma já tinha adormecido e ele também tinha que levar a mochila dela.
Ela sorriu abertamente para ele e aquiesceu, virando-se novamente para dentro da escola, enquanto o loiro escuro saia do prédio e rumava para seu carro parado ali perto.
***
Peggy já estava com o telefone na mão fazia alguns bons minutos. Ela estava decidida a fazer as tais aulas de defesa pessoal que tinha comentado com Clint no dia do seu ataque. E logo que Barton tinha lhe passado o contato de Steve e ela teve a ideia de pesquisa-lo na internet, a morena se viu em tanto, encurralada.
Lembrava perfeitamente dos olhos azuis, do porte de soldado americano que o loiro tinha. Teve o prazer de conhecê-lo há alguns anos, mas na época em questão, Rogers estava de caso com uma conhecida dele e de Clint. Como uma mulher bem resolvida que sempre fora, não queria se envolver nesse tipo de coisa.
Hoje ela sabia, pelos amigos em comum, que ele tinha um filho pequeno, não sabia a idade exata do garoto, mas sabia que Natasha, a amiga em questão, tinha morrido no parto do bebê e que até então, Steve estava sozinho. Sua chance, bobinha, uma voz no fundo de sua consciência lhe soprou.
Ela balançou a cabeça em negação e discou o número mais uma vez.
— Steve falando. – ela ouviu a voz no telefone e, definitivamente, não estava preparada para os arrepios que sentiu por todo o corpo quando o ouviu respondeu à sua ligação. ´alô?
— Hã... Aham... Oi, Steve? Meu nome é Peggy e Clint me deu seu número, eu ligo a respeito das aulas de defesa pessoal... – ela deixou a frase morrer.
— Claro, Peggy!— ele soltou uma leve risada e ela quase teve um infarto do outro lado da linha; — Clint me falou sobre você mais cedo, sinto muito pelo o que aconteceu com você...— ele coçou atrás do pescoço do outro lado da linha e olhou o filho que estava no carrinho de bebê na sala, ele caminhou até a varanda do prédio, afim de deixar o filho dormir sem interrupções.
A morena ouvia sons da cidade, buzinas, freios de carro e alguns pássaros ao fundo.
— Você está ocupado, posso ligar em outra hora... — ela foi interrompida por ele.
— Não, não tudo bem, eu só sai de onde eu estava para não incomodar o Jimmy, meu filho, não sei se Barton te falou dessa parte... enfim, minha licença termina em duas semanas e só então eu vou voltar a dar aulas na academia, meio período, James é muito pequeno para ficar o dia todo na creche. Você pode ter aulas com o Nick, ou Coulson ou até Melinda, na academia, mas se quiser algo comigo...— ele pensou no que tinha acabado de dizer e a ouviu tossir do outro lado da linha; — digo, aulas comigo, vai precisar esperar...
— Eu espero!— ela respirou fundo, tentando disfarçar eu entusiasmo. – eu trabalho no turno da noite e creio que você dará as aulas de manhã?
— Previu certo!
— Ótimo, então... Steve— ela sorriu levemente do outro lado. – te vejo em duas semanas. – eu te ligo!
— Eu te ligo!— falaram juntos. – o loiro pôde ouvir a risada dela e se permitiu soltar uma também. – sério, Peggy, eu te ligo, antes de voltar, para acertarmos os horários e os outros detalhes.
— Perfeito. – ela sorriu de novo. – boa noite Steve.
— Boa noite Peggy.
E ele ouviu a moça desconectar a ligação.
Rogers ainda ficou encarando o telefone uns bons segundos, até escutar Jimmy chorando ao fundo. Abriu a porta de vidro da varanda e foi logo ver o que o pequeno queria.
Do outro lado da cidade, Peggy também encarava o telefone e pensava que se já era difícil se concentrar pelo telefone, imagina numa luta corpo a corpo com o loiro? Amorena não era deveras religiosa, mas rezaria para não ter uma síncope na hora das aulas.
E foi com esse pensamento, que ela levantou do sofá e foi tomar um banho, seu turno começaria logo mais e ela tinha que estar com a cabeça no lugar se quisesse fazer qualquer coisa produtiva naquela noite.
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