Long Live
6 Capítulo Cinco
Notas iniciais
Steve acordou suando frio.
Passou uma das mãos pelo cabelo loiro, levemente grudado em sua testa por conta do suor e respirou fundo. Mais um sonho estranho. Mais um sonho estranho com Natasha...
Já fazia cinco meses... cinco meses sem vê-la, sem tocá-la...
Ele não poderia dizer que estavam na melhor das fases com ela quando tudo aconyeceu, quando James nascera e ela escolhera dar sua vida pelo filho.
Apesar de não se entenderem em muitos aspectos, mais do que gostava de relembrar, Steve não esperava outra atitude vinda dela, uma vez que sua, — podemos chamar de namorada, ou seria melhor colocá-la apenas como mãe de Jimmy? -, Natasha era... ela era belissimamente altruísta e o loiro sabia que aquilo seria o fim dela, só não esperava que seria tão rápido, ou tão doloroso.
Por outro lado, entrava em sua vida agora outra mulher. Uma tão altruísta como. Diabos, Peggy era detetive, trabalhava combatendo o crime junto com Clint e precisava da sua ajuda para aprender a, — imagine só você — se defender, quando o assunto era defesa pessoal.
Ele já estava ansioso.
Havia se encontrado com ela na noite anterior, antes da mesma ir para seu turno na delegacia, para acertar os últimos detalhes das aulas de defesa pessoal que ela tomaria, por ninguém menos, que ele como professor.
Steve Rogers estava ferrado.
Ferrado por que já não se satisfazia há meses, ferrado por acordar no meio da noite depois de sonhos desconexos com a mãe morta de seu filho, ferrado por que seu filho era um bebê de cinco meses, precisando de sua completa atenção enquanto o mesmo estava divagando paranoias que a noite trazia.
Levantou-se da cama e encarou o relógio digital de numerais vermelhos sob seu criado mudo.
5:12 A.M.
Bocejou e caminhou para fora de seu quarto. Sentiu seus pés deixarem de tocar o macio carpete do quarto e entrarem em contato com o frio porcelanato do corredor. Empurrou a porta entreaberta do quarto do filho e colocou a cabeça dentro do cômodo, afim de observar se o bebê estava dormindo ainda.
Graças a Deus, estava.
Deixou a porta encostada, e foi para a cozinha passando uma das mãos atrás da nuca, uma tentativa de aliviar a tenção naquele músculo.
Ligou a TV da sala no caminho, embora tivesse- a deixado no mudo. Ligou a babá eletrônica da cozinha e colocou a máquina de café para funcionar. Precisaria da maior quantidade que pudesse ingerir hoje.
***
Elizabeth saiu de seu quarto e foi na pontinha dos pés até o quarto do pai. Empurrou a porta devagar, tomando cuidado para não fazer barulho. Tinha seu bichinho de pelúcia debaixo do braço e apoiou o animal no baú estofado aos pés da cama para que pudesse ‘escalar” o móvel.
— Papai... – ela sussurrou balançando o pai e ficando de joelhos na cama. – papai! – ela chamou mais alto e ouviu ele resmungar. – papai, acorda! Eu to com fome! – ela o sacudiu mais uma vez, o mais forte que uma menina de quatro anos poderia.
— Lizzie? – indagou. O sono ainda nublando sua visão. Ele retirou as cobertas de si e sentiu a mocinha juntar-se a ele, colocando a cabeça dela em seu ombro. – tá tudo bem, Liz? O que você quer?
— To com fome. – ela falou com o rostinho enterrado na nuca de Barton.
Ele soltou um riso e deixou um bocejo escapar. – Vamos, papai vai fazer o café. – ele se levantou, ainda com a filha agarrada a si. Ele a ajeitou no quadril e saiu do quarto, indo para a cozinha, passando pela sala e a depositando no sofá. Pelo menos tentando, por que a loirinha não queria desgrudar do pai nem por um decreto.
— Liz! – ele tentou mais uma vez coloca-la no sofá, mas a menina resmungou e se agarrou mais a ele. – minha filha, você tem que ajudar o papai aqui! Eu não consigo preparar seu café com você grudada no papai! – ele tentou explicar, mas ela, ainda assim, não o largou.
— Eu quero ficar com você hoje, papai... – ela pediu fazendo bico.
— Lizzie, não é assim que funciona e você sabe disso, papai não pode faltar o trabalho, você não disse que queria trabalhar como o papai um dia? – ela assentiu, mas não desfez o biquinho. – então! Precisa deixar o papai aprontar as coisas. Você não quer ver a professora Maria, hoje? – a menção da mulher fez um sorriso abrir-se na face da menina.
Clint sorriu com isso. Sorriu com a capacidade que a mulher tinha de fazer sua filha sorrir com a simples menção do nome dela.
— Eu queria que vocês fossem como o Tio Steve era com a Tia Natasha. – ela deixou escapar quando desgrudou-se do colo do pai e o viu ligar a TV em um de seus desenhos favoritos.
— Liz... você sabe que as coisas não funcionam assim, isso é papo de adulto, alias! – ele sorriu parava filha e bagunçou as madeixas loiro escuras dela e foi para a cozinha.
Clinton Barton estava tão ferrado.
Se sua filha continuasse pensando nesse tipo de coisa e investisse nas ideias que ela criava, ele teria cabelos brancos antes dos quarenta.
Ele se recusava a pensar em outra mulher na sua vida que não fosse Elizabeth. Ela era sua prioridade, era para ela e por ela que ele enfrentava o crime todos os dias, era por causa dela que ele não tinha sucumbido ao álcool e todos os demais vícios há quatro anos quando ela o deixou com um bebê e uma desculpa esfarrapada redigida num papel de carta.
Ligou a máquina de café e abriu a geladeira para tirar os ovos da cartela.
Barton não queria pensar em outra mulher que não fosse Lizzie, porém isso não significava que ele conseguia. Maria Hill, como ele descobriu depois do último encontro que tiveram na escolinha da filha, teve um efeito instantâneo sobre ele.
Ela não era nada parecida com nenhuma mulher que conhecia, e isso ele gostava. Seu ar doce e simples o cativara também e o sorriso de Lizzie agora há pouco quando mencionara o nome dela, só o fazia encher a cabeça com mais caraminholas. Ele estava tão absorto nos pensamentos que quase deixou o café derramar da caneca.
Como queria ter a facilidade de Tony na hora de lidar com o sexo oposto. Falando nele, tinha que contatar o amigo, junto a Steve para marcarem alguma coisa, já fazia tempo que não se viam para trocar figurinhas de como andava a vida de pais solteiros.
— Lizzie! – Clint gritou da cozinha – tá pronto! – ele colocava uma tigela de cereal e um copo, da Barbie veja só você, com suco na bancada.
Quando a loirinha adentrou o cômodo e, com a ajuda do pai, sentou-se na sua cadeira alta, Clint parou por um momento para observar o ser humano que estava criando ali. Sorriu com o pensamento e logo sua mente vagou para outra mulher.
Olhos azuis invadiram sua mente e ele sorriu com isso enquanto tomava seu café.
***
Já havia se passado uma semana que Pepper começara a trabalhar diretamente para o Sr. Stark. Ela poderia dizer que estava se saindo bem até agora. Contava com a ajuda de JARVIS, o que fazia imensa diferença e a presença de Damien constantemente no seu dia-a-dia, ajudava a deixar o clima mais leve. Agradecia bastante aos céus, pois se não fosse o pequeno Stark, a tensão entre os adultos seria insuportável e ela já teria conhecido os charmes de Tony mais de perto e de forma prática.
Ela não era uma louca por homens, ou alguma aproveitadora, mas ele era incrivelmente desleixado e isso o deixava om um ar jovial que ela, secretamente, adorava. Tony também tinha os olhos castanhos mais profundos que ela já tinha encarado e um sorriso que deixava as pernas dela perto da estabilidade de uma gelatina.
Saiu de seu carro e foi felicitada por JARVIS ao adentrar a mansão.
— Bom dia Ms. Potts.
— Bom dia JARVIS! – ela sorriu ao ver os brinquedos de Damien juntos em um canto da sala, a mesma tinha o incitado a guardar o que usava depois de tal e ficara feliz em ver que o garotinho o tinha feito. – eu perguntaria se você dormiu bem, mas visto sua situação, vou pular essa parte da nossa saudação matinal. – continuou Pepper apoiando seu notebook e Blackberry na mesa de centro da grande sala.
— Com o Sr. Stark como criador, eu não tenho meu merecido descanso, Srta. Potts. – ela ouviu algo parecido com um riso do AI, mas resolveu ignorar, por que isso seria além de sua capacidade cognitiva matinal e descafeinada.
— O Sr. Stark já acordou, JARVIS? – quis saber a ruiva.
— Já e estava ouvindo minha criação e minha mais nova assistente conspirando contra mim! – ele anunciou entrando na sala com duas xícaras generosas de café em mãos.
Pepper não pôde deixar de notar que ele estava descalço e de jeans, além da camisa cinza, que ele provavelmente usava para dormir, se é que ele usava alguma peça de roupa para isso... uma vozinha na sua cabeça cutucou.
Ela raspou a garganta e pegou a xícara que ele oferecia, mas sem o encarar.
— Dormiu bem, Pepper? – indagou o moreno.
Alguém lá em cima só poderia estar de brincadeira com ela!
— Sim, Sr. Stark, obrigada. E você? – ela não queria saber, mas perguntou por educação.
— É Tony! – ele corrigiu. A partir do segundo dia dela como sua PA, ele a tinha solicitado que o chamasse por Tony. – teria dormido melhor se – ele foi cortado por JARVIS.
— O Mister Stark acaba de acordar e não se sente muito bem, Sr. Stark.
Tony apoiou a xícara de café em um dos aparadores da sala e subiu as escadas dois degraus de cada vez, Pepper em seu encalço.
— Damien? – ele chamou quando adentrou o quarto do filho. JARVIS ainda não tinha aberto as cortinas das grandes janelas e o cômodo ainda estava escuro.
— JARVIS, as cortinas. – pediu Tony e sentou-se ao lado do filho na cama.
Aos poucos o quarto foi ficando mais claro, mas o AI teve o cuidado de clarear apenas um pouco o ambiente.
— Filho, fala pro papai o que você está sentindo? – pediu Tony e passou as mãos pelos cabelos, agora aparados, do menino. Pepper tinha tido o cuidado de levá-lo até o barbeiro mais cedo naquela semana.
— Minha garganta tá doendo e minha cabeça também... – ele esfregou os olhos, que já estavam um pouco vermelhos. Ambos adultos não sabiam se era por causa da iminente gripe, ou pela dor que ele informara sentir.
Tony viu o filho arrepiar-se e pousou a mão sob sua testa.
— JARVIS, temperatura?
— Mister Stark tem uma febre de 39 graus, Sir. – informou a inteligência artificial.
Pepper já caminhava para o banheiro e pegava o kit de primeiros socorros, com alguns comprimidos e também já molhava uma toalha na água gelada da pia.
Logicamente Tony já tinha passado por situações como essa. Provavelmente, a garganta do filho estava inflamada, mas passar por aquilo com alguém que tinha a cabeça no lugar, era deveras mais fácil. Pepper já tinha alguns remédios em mãos e a toalha gelada na direção de Tony, para que o pai colocasse na testa do menino.
O mais velho tentou fazer o filho levantar para tomar as pílulas, mas ele fez uma careta e seus olhinhos encheram-se de lágrimas.
— Damien, filho... – Tony suspirou – não faça isso mais difícil do que já é, apenas tome os remédios e em dois tempos você vai se sentir melhor, você não acredita no papai? – ele passou uma das mãos de novo pela testa do filho, que já estava suada.
Ele olhou pra Pepper e tentava encontrar nela uma forma de escapar. As lágrimas começavam a rolar pelo rostinho infantil dele e isso só deixou Tony mais aflito.
— Damien, você nunca fez isso antes, o que tá acontecendo? – Tony tentou colocar a toalha na testa do filho, mas ele cercou o rosto com os bracinhos. – Damien! – Tony exclamou o olhando seriamente.
— Tony! – Pepper pousou uma das mãos sob o ombro dele. – desce e faça alguma coisa leve para ele comer, eu vou dar um banho nele enquanto isso e vamos fazer ele tomar o remédio depois, okay? Deixa comigo, eu assumo aqui... – ela pediu e o puxou levemente da cama do garotinho. – vamos, meu bem, você vai se sentir melhor depois de um mergulho na sua banheira mágica, que tal, hein? Vamos colocar outro pijama em você e até leremos uma história, hum, o que acha? – ela o pegou no colo e o levou até o banheiro enquanto Tony observava a cena abismado.
Pepper ouviu Tony descer as escadas da mansão, rumo a cozinha, provavelmente, enquanto ela tirava a roupa suada de Damien e começava a encher a banheira com água morna e alguns sais de banho, que ela sabia, o acalmariam.
Quando ela terminou o banho, pelo qual o loirinho não se entusiasmou muito, ela o pegou no colo mais uma vez, sem os saltos nos pés, — ela só conseguia carrega-lo por determinado período de tempo com eles -, e foi até o closet do menino, pedindo a opinião dele no pijama que vestiria.
Ele não prestou muita atenção, pois estava com o rostinho enterrado no pescoço dela e as mãos apoiadas nas costas dela como suporte.
Ela o vestiu, penteou o cabelo loiro, coisa que ele detestava, gostava dos fios bagunçados, ‘igual aos do papai”, ele dizia, o colocou na cama e pediu para JARVIS ligar a televisão do quarto em algum canal de desenho.
A ruiva colocou o rosto dela no pescoço dele e sentiu a temperatura dele com a testa dela. Se sentiu ser abraçada por ele e se ajeitou na cama junto a Damien.
— Pep... – a voz do menino saiu rouca.
— Shhh... – ela o interrompeu. – não precisa falar nada, meu anjo, pode ficar quietinho, daqui a pouco o papai vem com seu café, okay? – ela o sentiu a apertar um pouco mais e ela fez o mesmo com ele, não sem antes deixar um beijo no topo das madeixas loiras.
Ouviu Tony voltando para o quarto e encarou a porta.
O moreno quase não conteve a exclamação quando viu aquela cena a sua frente. Pepper abraçada com seu filho, enquanto ele tinha o rostinho enterrado no peito dela. Ele sorriu e entrou no quarto pela segunda vez naquela manhã.
— O papai chegou com seu desjejum Damien, o que acha de tomar aquelas pílulas secretas, que nós falamos no banheiro, hein? – ela sorriu pro garotinho e recebeu o mesmo dele, na medida do que a dor dele permitia.
O moreno apoiou a bandeja com um mingau e um suco, no copo do homem de ferro, claro, na beirada da cama, ele também pegou o remédio que jazia no criado mudo, de quando Pepper tinha pegado no banheiro alguns minutos antes.
Depois que Damien foi alimentado, por Tony e Pepper, sim o pequeno fez os dois revezarem, e depois de Pepper ter feito um espetáculo digno da Broadway, para que o pequeno tomasse os remédios, ambos adultos puderam deixar ele descansar. Não demorou muito e ele caiu num sono profundo, segurando a mão do pai e de Pepper.
— Devíamos sair daqui e deixá-lo dormir. – pontuou Tony.
— Deveríamos. – Pepper concordou, mas sem tirar os olhos do menino.
Tony foi o primeiro a sair do lado do menino e a ruiva o seguiu para fora do quarto, fechando a porta.
— JARVIS, monitore ele, qualquer coisa nos avise, okay? – Tony pediu.
— Sem dúvidas, Sir.
— Tony!
— Pepper!
Eles sorriram quando falaram na mesma hora.
— Obrigado, eu não teria conseguido sem você. – o Stark referia-se a Damien.
— Teria sim... – ela sorriu. – você com certeza, já fez isso outras vezes e essa não será a última.
Tony a encarava com admiração, curiosidade, ela não sabia dizer, mas sabia que suas bochechas estavam ficando vermelhas.
— Espero que das próximas vezes eu tenha você, assim, como hoje.
Ela ajeitou a blusa branca por baixo do terninho.
— Isso é tudo, Sr. Stark? – ela havia criado o habito de perguntar isso quando as coisas ficavam palpavelmente estranhas.
— Por enquanto, sim, Miss. Potts. – a encarou uma última vez antes de descer para a oficina e a deixar ali no corredor.
Aquele seria um longo dia, ela pensou enquanto descia as escadas para cuidar dos compromissos de Tony daquele dia, os quais ele provavelmente não iria, devido a situação do filho.
Tinha que ligar para a escola de Damien e informar os eventos da manhã também, logicamente omitindo a parte onde tinha encarado seu chefe descaradamente por alguns instantes, enquanto cuidava do filho dele.
Pepper estava tão ferrada.
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