A noite finalmente havia chegado. Tomei meu banho e vesti um vestido preto curto e calcei uma sandália preta de salto alto. Prendi meu cabelo, me maquiei, peguei minha bolça e fui para a recepção do prédio. Jayde e Eddie estavam me aguardando.

– Oi, gente!

– Olha só! Que roupa linda! — disse Jayde.

– Obrigada. A sua também é. Eu vou com o meu carro mesmo, eu sigo vocês. — respondi.

– Então vamos. — disse Eddie se levantando da poltrona.

Jayde pegou seu carro, Eddie pegou o dele e eu peguei o meu. O clube não era longe, ficava bem perto de carro. Externamente ele é misterioso, discreto, mas quando eu entrei vi que era um lugar especial. Era enorme, tinha um pista de dança gigante, um bar no fundo, vários puffs espalhados, bastante gente e no fundo, se abrisse a porta era possível ver uma enorme piscina iluminada com luzes coloridas e várias mesas. Jayde me disse que aquela área era para as festas na piscina e para os almoços que de vez em quando fazem lá.

Eddie e Jayde foram bem legais, me apresentaram para quase todo mundo lá, eles conheciam o clube inteiro. É como se fosse vários "Eddies" e várias "Jaydes", em um só lugar, todos eram lindos, simpáticos e divertidos, me senti um nada.Perdi a conta de quantas vezes tive que explicar de onde eu vim e porque eu vim para Long Beach.

Fiquei em um dos puffs conversando com Jayde e Kristin, uma amiga da Jayde.

– Então Megan, você é nova aqui, mas me conta vai, que garoto você se interessou? — perguntou Jayde.

– Não sei, são tantos. — respondi sem graça.

– Mas tem que ter algum que te atrai mais.

– Jayde, eu vim de uma cidade pequena, a maioria aqui me atrai.

– Já sei! Espera ai que eu vou chamar o Ed. — disse ele se levantando.

Eu fiquei eufórica por dentro, tinha certeza que ela ia chamar Eddie para conversar comigo, provavelmente ele havia comentado sobre mim. Já comecei imaginar como ele beijava, como ele iria me tratar. Minutos depois vi Jayde trazendo Eddie e meu coração acelerou.

– Pronto. Eddie, leva a Megan para conhecer seus amigos. — disse Jayde, acabando com minhas esperanças.

É claro, como um garoto como ele iria se interessar por uma garota como eu, sem graça, do interior e sem nenhuma experiência.

– Claro, eu levo sim. — respondeu ele, me olhando.

Me levantei tentando esconder a raiva e decepção e fui com Eddie.

Fui seguindo ele até o final do clube.

– Cadê seus amigos? — perguntei.

– Devem estar lá fora. — respondeu ele.

Eddie me levou para fora, onde havia a piscina e umas 13 pessoas.

– Eles provavelmente estão lá dentro, mas eu não quero te apresentar pra eles não. — disse Eddie me parando.

Ótimo. Além de não mostrar nenhum interesse em mim agora aquele garoto perfeito tinha vergonha de me apresentar para os amigos dele. Sinceramente, eu sabia que era ruim, mas não tão ruim assim.

– Ok, então e vou voltar lá pra dentro. — respondi meio zangada.

Ele me puxou pelo braço e ficou me encarando.

– O que foi? — perguntei.

– Não vai perguntar por que eu não vou te apresentar para os meus amigos?

– Eu já sei.

– Sabe mesmo?

– Sei, não precisa falar, e isso é muita maldade.

– Maldade? Por que?

– Você sabe ! Ter vergonha até de me apresentar.

– Que maluco que teria vergonha de você?

– Eddie, para de sarcasmo.

– Eu não vou te apresentar porque eu não acho justo.

– Justo?

– É, eu te vi primeiro.

Era isso mesmo que eu estava pensando? Ele me cantou? Ele gostou de mim?

– Em que sentido você me viu primeiro? — perguntei.

– Você não ta facilitando.

– Muito menos você. Escuta, eu vou ficar com a Jayde e depois você esclarece isso pra mim, porque...

– Entendi. Então você não quer? Nem um pouco? Achei que quisesse, ficou me encarando quando eu entrei no elevador,e...

– Isso é uma grande...uma grande...mentira! — disse, enquanto ele dava um sorriso convencido.

Droga, ele percebeu.

– Vamos marcar alguma coisa... — disse ele, acendendo um cigarro duvidoso.

– Depois a gente vê isso.

Como eu estava morrendo de vergonha, fiquei sem reação e fui procurar Jayde sem olhar para trás. Depois de um tempo e sem achar alguém, fui embora pro meu apartamento, afinal, eu iria de qualquer jeito, já estava com sono. Não parava de pensar nas coisas novas e ao mesmo estranhas que aconteciam na minha vida, eu definitivamente estava bem longe da minha zona de conforto.