Lonely Without Ya

1 [One-shot] Lonely Without Ya - Narrado por Levy


Notas iniciais
Eu nem vou dizer nada, vão direto aos feels. Se eu chorei, eu farei-vos chorar também! Mwahahhah!

Trabalhar numa guilda, nunca foi fácil.

Após a morte do Gajeel, eu nunca mais consegui ser a mesma. E juro que tentei! Oh, se eu tentei. Foram dias infernais, um após o outro, com a sensação de que, a cada segundo que passava, o ardor que sentia no meu coração aumentava. Como se tivesse bebido algo que me queimava de dentro para fora.

Mas, todos baseavam-se em dizer “Aos poucos, vai passar”. Não; É uma ilusão. Nunca passa nem nunca vai passar. É apenas mais uma dor que se acaba por aprender a viver com ela, dia após dia. Ah, e se pensam que a dor começa a diminuir, não, ela nunca vai diminuir.

A única coisa que, talvez, seja um pouco mais aliviante seja o facto de a dor começar a fundir-se com a saudade e paixão, com memórias antigas e futuras, imaginárias, que nunca irão acontecer.

Ele mesmo disse que fui eu que lhe abri os olhos, que o fiz sonhar e desejar coisas que, em toda a vida dele, ele jamais imaginou que fosse pensar, desejar ou sequer sonhar. O grande sonho da vida dele era comigo; E com mais ninguém.

Ah, mas depois vêm sempre aqueles que choram, após a notícia. Que choram, choram, que não se calam!! Como se eles sequer lhe fossem tão próximos como eu era!!

Eles nunca irão sentir a dor que eu sinto, e senti, no dia que o Lili, o exceed dele, me prendeu com toda a força, impedindo-me de morrer nos braços da pessoa que mais queria viver com. Eles jamais imaginam a dor do que é ver alguém que realmente nos apaixonamos, morrer à nossa frente, após admitir que fui eu que o salvou da dor profunda da escuridão.

Ah, e sabem o que é mais cómico? Depois de meses a choramingar, com palavras perdidas em vazio e o nome dele nunca mais ser mencionado, todos acabam por se esquecer dele! Examente! Do Dragon Slayer de aço, que conseguiu, num estalar de dedos, derrotar praticamente a guilda inteira, que apavorou toda a gente, quando me crucificou naquela grande árvore, em magnólia, local da Guilda de magos mais poderosa, a Fairy Tail, mesmo no centro da cidade.

Mas, sabem que mais? Eu perdoei-o. Perdoei a dor de humilhação que senti; As lágrimas de dor e ameaças vazias que ele me fez deitar, dos meus olhos e boca para fora, quando ele entrou na guilda. Pensei que nunca lhe conseguiria olhar para a cara novamente depois do sucedido.

E sabem o que é engraçado? Eu consegui; Estava enganada. Eu, inclusive, apaixonei-me por ele. Da forma como ele me tratou, dali em diante; Dos “óptimos apelidos” que ele me deu, e nos dava. Era a única coisa que ele tinha de defeito. Oh, espera, não, não era. Ele tinha, e ainda creio que tenha, muitos defeitos!

O Gajeel? Defeitos? São palavras quase sinónimas. Para começar, ele é muito preguiçoso, mal-educado, pouco e nada delicado, muito impulsivo e só por ser alto ele pensa que podia me chamar de baixa! Ou baixinha, no diminutivo, que é ainda pior.

Tenho de admitir que eu gostava do carinho especial que ele me dava; E talvez seja por esse motivo que ele era diferente, aos meus olhos. Mesmo com todos os meus amigos perto e carinhos especiais dos mais próximos, o carinho dele era diferente. Talvez porque, para uma pessoa como o Gajeel, a palavra “carinho” seja desconhecida do seu pouco vocabulário.

No fundo, sempre pensei que fosse porque ele me tinha feito aquela barbaridade, quando declarou guerra contra a Fairy Tail. Eu tentava não pensa nessa hipótese, mas era a mais óbvia. Ele só me tratava assim para eu o perdoar, tirar o peso de cima dele e para se integrar na guilda.

Ou talvez fosse só mais uma desculpa barata minha para tentar esconder, e negar, os meus sentimentos. Acho que nunca quis admitir em voz alta, sequer, que eu estava apaixonada pelo Gajeel. Mas a verdade é que eu estava. Oh, se estava; E ainda estou. E irei continuar.

Mesmo depois do seu último suspiro, eu ainda suspiro por ele. Quando imagino a imagem dele, a chorar, a implorar para eu não ir com ele, eu condeno-me a mim por não lhe ter obedecido; Ao seu último desejo e ter de ser forçada a aceitar pelo Lili.

Ou talvez, seja só outra desculpa barata para aceitar o facto de que não consegui ir ter com ele para o submundo; Que não pude, sequer, me despedir, obter um último abraço e apenas um olhar de superioridade dele, quando me olhava de alto a baixo e comentava: “Quer ajuda para pegar o livrinho, baixinha?”.

Ainda me lembro quando eu e ele começamos a ser mais próximos, mesmo que às escondidas de todos. Ele vinha sempre sentar-se na minha mesa, na guilda, enquanto lia ou almoçava, sem nunca tirar os olhos de um livro; Fosse qual fosse. E todos sabem que eu jamais tirava o olhar de um livro.

Eu só desviava o olhar para o observar, com um sorriso, ou não, a sentar-se à minha frente, ao meu lado, atrás de mim; Fosse qual fosse o lugar. Apenas para me provocar ou irritar, na esperança de ter mais um motivo para juntar à lista de “Coisas para chamar a Levi só para a irritar, parte x”, porque perdi a conta da quantidade de listas mentais que ele fazia só com esse nome.

Mas tinha muito mais nomes. Tinha imensos nomes de listas memorizados na mente, que sabia todas de cor, de trás para a frente; Coisa que me deixava surpresa, já que ele tinha uma memória horrível – Outra coisa para juntar à lista de defeitos dele.

Agora, quando estou sentada no balcão do bar da Mirajene, já que não obtive coragem para, nunca mais, me sentar no lugar habitual que sempre me sentava, eu ainda espero por ele. Continuo a esperar que ele venha, brinque e desarrume o meu cabelo, ridicularize o livro que estou a ler, diga em voz alta as partes mais íntimas de qualquer livro só para me envergonhar à frente de tudo e todos. Ele adorava ver-me vermelha.

Infelizmente, nem mais a minha magia consigo usar. Quando uso a Solid Script, a minha magia que consigo, ou conseguia, criar qualquer coisa apenas a escrever o nome da mesma no ar com os dedos, ou pés, começo a enervar-me e a ter ataques de ânsia e vómito. Começa a consumir demasiado poder mágico e acabo por stressar demasiado, desmaiando ou, em casos extremos, poderia levar à morte, graças ao trauma que recebi.

De qualquer das formas, mesmo com o diagnóstico dos médicos, prometera a mim mesma no leito da morte dele que eu jamais iria voltar a usar aquela magia. Mesmo que em perigo de vida; Não consigo encarar mais a Solid Script como uma magia normal, forte e bonita, e sim algo inútil que não pode salvar aquele que mais amava e queria, na minha vida. Nem sequer me conseguiu fazer desprender dos braços de Lili, para abraçar o Gajeel, dizer os meus sentimentos e o quanto queria que ele volta-se.

Mesmo com o esforço de Gajeel, Lili prendeu-me e obrigou-me a assistir à morte dele, sem poder reagir a nada.

Se eu, talvez, tivesse uma magia mais forte, podia estar agora, a descansar em paz, sem o martírio de ter de acordar todos os dias com um bocado a menos de mim; Uma parte que morreu com ele.

Mas não me vou rebaixar mais pela morte dele; Não posso. Ele ia matar-me por isso. Lili prometeu-lhe salvar-me naquele momento, e sempre. É como se ele fosse o meu Exceed agora. O Lili fez uma promessa também; Proteger-me, por ele, pelo Gajeel. Por mim.

Mas… Sabem que mais?

É tão difícil… Viver sem o sorriso dele.

Por isso, escrevo esta carta. Não só a vocês, pessoas que estão a ler e provavelmente pertencem à Guilda de Fairy Tail, a minha amada família adotiva, mas também ao Gajeel, a minha suposta futura família.

Esta é uma carta a pedir socorro. Que não aguento mais viver sem ti, Gajeel. Não sabes o quanto me dói sonhar, todos os dias, com a tua morte ou um suposto futuro juntos arruinado e falso, cheio de esperanças vazias e palavras mortas.

Tudo pelo teu egoísmo, de não me quereres levar contigo e me fazeres sofrer aqui, neste mundo, a viver sem ti. Como poderias pensar, sequer, em viver sem mim? Agora imagina o contrário.

Mas, não te culpo, porque eu amo-te. Também faria o mesmo, do que ter de morrer a pensar que a culpa da tua morte seria minha; Talvez tenhas feito isso por esse pensamento egoísta e não teres de ser tu a suportar a dor e sim eu. Ou porque simplesmente achavas, ignorantemente, que eu poderia viver facilmente sem ti e que seguiria em frente.

Gajeel, eu odeio-te. Oh, quem me dera que esta frase fosse verdade. Pelo menos, não tinha de suportar a dor de ter de te perder e ter de aguentar isto por mais minutos que sejam de vida.

Bem… Disseram-me sempre que o suicídio dá direito à entrada para o submundo.

…Vemo-nos lá?

XxCarta de suicídio de Levy McGarden, x793 xX

Notas finais
Sim. Eu sou um monstro. Bem, devo fazer mais one-shots deste género, com momentos MESMO marcantes do capítulo novo da semana? Se acharem boa ideia, já sabem! Comentem no que acham que devo melhorar, no que gostaram, não gostaram e se ficaram feels... Bem, se ficaram, o meu objetivo foi cumprido!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!