Lonely Star

20 Uma guerreira...


Notas iniciais
Espero que tenham gostado! O próximo vai ser eletrizante! Bjs!

N: Julia

Eu estava presa e deitada no chão. Pelo menos foi como eu me senti. Fui abrindo os olhos lentamente e aos poucos me adaptando à escuridão total de onde eu estava. Escuridão não era um problema para mim. Já ganhei da Natasha no escuro uma vez, em um treino muito épico e... bom, isso aí é outra história. Me ergui e me apoiei na parede, então veio alguém e acendeu a luz, o que me fez fechar os olhos instintivamente.

— Isso dói, tá bem?! Avisa quando for acender a luz!

— Ah, Julia, essa dor é pequena comparada ao que preparei para você.

Quando meus olhos se acostumam com a luz, vi Zack parado na minha frente e Jones, ao fundo, preso como eu. Finalmente pude identificar onde eu estava. Era o arsenal da Base dos Vingadores, onde também ficavam os uniformes. Idiotas.

— Por que aqui? — perguntei.

— A maior parte das pessoas que eu conheço preferem morrerem casa.

— Eu prefiro não morrer hoje.

— Isso será inevitável, Estrela. — ele riu e se virou, indo até Jones, que estava desacordado – Sempre achei seu nome ridículo. "Estrela Solitária", isso parece mais um time de futebol.

— Uau, quanta criatividade. Mas ele remete à...

— Sim, eu sei. Independência. O que é irônico, já que nunca trabalhou sozinha. É um péssimo nome para você, francamente.

— Quer dizer que eu posso, se eu quiser. — comentei.

— Jura? Então... — Zack soltou Jones e jogou seu braço pelo pescoço dele – prove sua independência e lute sozinha contra nós três. Quem sabe assim você salva seu querido Collin?

Ah, não. Usando o Jones como ameaça? Nanão. Não se meche com gente com quem me importo. Assim que ele saiu, procurei uma forma de me desamarrar ou cortar a corda. Eu não consegui entender nada: Pulsar-de-Vela estava ao meu lado. Não fazia sentido! Ninguém é tão idiota. Puxei a adaga com meu pé e consegui ativa-la e cortar com certa velocidade (já que a adaga é muito afiada), e ao me soltar, vesti meu uniforme e peguei minhas espadas.

Se você não se lembra de como é meu uniforme, então recapitulando:

Um macacão de tecido confortável justo, sem mangas e branco, de gola alta. A estrela dourada de quatro pontas (tipo um +) no peito, meu sapato, que era algo parecido com aqueles tênis com salto dentro dele todo branco e liso, quase não se via o fim do sapato e o começo da roupa. A saia curta, dourada e de inclinada na diagonal, como se estivesse caindo. Luvinhas de renda branca, com o cabelo solto e aljava dourada.

Caminhei lentamente pelos corredores. Eu precisava encontra-lo. E pensar que há anos eu fiz um inimigo sem saber. É como meu pai diz, as vezes, criamos nossos próprios demônios. Mas eu ainda acho que foi culpa do Stane. Imaginei que ele estivesse no telhado, então corri para o elevador, mas lá estava ela: Chicote Negro.

— Oi, Kara. — falei – A gente vai lutar ou você vai continuar me encarando?

Ela avançou correndo contra mim, mas desviei quase milagrosamente de seu golpe com o chicote. Dou-lhe uma rasteira e ela cai de bruços. A Base dos Vingadores fica em um lugar sigiloso. Como eles acharam? Agora essa pergunta conseguiu me atormentar. Tentei destruir a parte de trás, para que parasse a carga elétrica, mas era muito resistente.

— Acho que você não é tão forte quanto pensou que era. — zombou.

— Bom, no mínimo eu sou inteligente. — falei, pegando uma de minhas adagas.

Ela me derrubou e ficou sobre mim, mas consegui dar uma joelhada em sua barriga, o que a fez recuar e se ajoelhar, com a mão na mesma. Soquei seu rosto e, quando daria um segundo soco, ela segurou o meu punho e enrolou meu pescoço com o chicote do outro punho.

— Últimas palavras? — perguntou.

— Você já foi mais inteligente que isso, Srta. Vanko.

Cravei uma adaga no reator no peito dela. Ela foi eletrocutada. Me deu um choque, mas foi pior pra ela. Quando ela caiu deitada inconsciente, desenrolei meu pescoço e chequei seu pulso. Estava viva ainda, mas os batimentos estavam muito fracos. Me levantei e ergui o nariz. Consegui vence-la sem mata-la. Mas agora, ela pode acordar e voltar. Eu posso mata-la agora. É o mais racional a fazer.

Mas será o certo?

Meu lado espiritual fala mais alto que o racional. Era um ser humano sego pelos erros que precisava de uma grande ajuda. Era a hora perfeita de mostrar que eu não guardo rancor. Aliás, se algo me diferencia de muitos outros heróis, é que eu tenho compaixão até pelo meu inimigo. Não é o que diz na Bíblia? Amai vossos inimigos?

A levei até a ala hospitalar da Base, tirei sua arma e a algemei deitada na maca, um braço de cada lado. Ela vai acordando aos poucos, mas eu procuro algo para tratar das queimaduras. Ela se queixava, mas eu continuava a limpar e enfaixar seus ferimentos. As marcas ensanguentadas estavam por todo o tórax, mas eu não precisei tirar o top marrom dela.

— Por que está fazendo isso? — perguntou fraca.

— Heróis cuidam das pessoas. — respondi.

— Não de seus inimigos. — ela rebateu. Mordi o lábio inferior, assentindo. De certa forma, ela estava certa. O que meu pai diria agora? Que eu fui uma completa idiota, provavelmente. E de repente, ela diz: — Você serve à Jesus Cristo. — a encarei surpresa – As pessoas que O seguem geralmente são tão boas com todos, que cuidam até de quem tenta contra a vida deles. Sua fé a manda amar seus inimigos.

— Fique aqui. — pedi, me levantando – Vou salvar meu amigo. Espero que eles sejam compreensivos e inteligentes como você. — brinquei.

— Boa sorte. — ela retrucou.

— Não preciso. Você sabe porquê.

— Pode tirar as algemas?

— Ainda não confio em você.

Saí andando em alerta, na defensiva, esperando alguém aparecer. O que fiz a ela pareceu toca-la. E eu esperava que tivesse a tocado. Não é algo normal vindo de nós. E eu pretendia bater um bom papo com ela mais tarde, quando aquilo acabasse. Vai que ela muda de lado ou sei lá? Eu apenas queria que ela ficasse boa... talvez nos dois sentidos.

Então, senti o lugar ficar mais quente. O corredor parecia tomado de lava e quente como o interior de um vulcão. "Edwards" pensei. Segui, mesmo o calor tendo me deixado um pouco sonsa. Olhei para frente e vi Kevin Edwards com uma mão na parede. O calor iniciava ali. Me ergui e peguei uma espada. Uma clássica. Péssima ideia. Contra gente com extrimes, é bem melhor usar meu "sabre de luz" amarelo. Ele se soltou da parede e começou a lançar rajadas de lava em mim. Me joguei no chão. Me levantei meio zonza e guardei minha espada.

— Entregando a luta, Stark? — zombou.

— Nunca. — saguei e ativei a espada laser amarela, que funcionava diferente de um Sabre de Luz – E eu detonei muito dos seus om essa balazinha aqui, okay? Chora!

— Então, não é tão pura quanto pensei...

— Não considero vocês humanos.

O mesmo avançou contra mim e me jogou na parede. Cortei seus braços com minha espada laser e me afastei enquanto seus braços cresciam de novo. Era meio nojento. Quando o mesmo terminou de se regenerar, me coloquei em posição de luta.

— Killian era meu mentor. Sou humano o suficiente para sentir a falta de alguém com quem me importava. Você entende o que eu digo, metida a mestra Jedi?

— Bom, eu não sou nenhuma maníaca por vingança. — afirmei.

Dei as costas e corri. Corri como pude e pedi que Sexta-Feira ligasse o diminuísse a temperatura até uns quinze graus, bem frio. Achei a área de refeições da Base e peguei um suco de caixinha. Era de melancia e eu amo melancia. Melancia, uva, abacaxi... ah, eu amava quando eu ia ao Rio de Janeiro e o tio Derek comprava abacaxis... esquece. Logo depois, Edwards apareceu por lá.

— Suco de caixinha? Você é infantil mesmo, não é?! — zombou.

— Essa briga toda me deu sede. — respondi, enquanto ele caminhava na minha direção.

— Você é louca. — afirmou, ficando com o rosto quente e laranja, parecendo assustador – Completamente louca.

— Já dizia o Chapeleiro Maluco que os loucos são as melhores pessoas.

Ao dizer isso, mandei um jato de suco de melancia na cara dele. Ele recuou um pouco e eu consegui fugir. Não consegui terminar o suco, mas já empunhei minha espada laser e comecei a lutar com ele. Ele era forte, mas eu era ágil. Ele era bruto, mas eu inteligente. Eu pensava mais do que batia, já ele queria me esmagar à todo custo. Em determinado ponto, o parti em três e afastei seus pedaços.

Me senti terrível. Mas eu não tinha muita escolha. Kara era humana, mas ele era imparável. Não me ouviria. E do jeito que são esses caras, duvido que eu tenha feito danos permanentes nele. Com esse pensamento, peguei um suco de maracujá que achei por lá e voltei para a enfermaria, ver como estava Kara. E ela me recebeu com tanto carinho!

— O que faz aqui?

Só que não.

— Vim ver como estava e te trazer um suco. Desculpa se isso é ruim.

Ela bufou e respondeu.

— Tanto faz.

Coloquei o canudo no suco e a ajudei a se sentar. Não tirei as algemas (que, aliás, nem sei o que faziam na ala hospitalar), mas apertei alguns botões e fiz a maca se sentar sozinha. Estendi o suco, mas ela não pôde pegar, pois estava com as duas mãos presas.

— Não foge, tá? — pedi, derretendo uma das algemas com minha espada laser e ela pegou o suco da minha mão.

— Não vou. — ela afirmou — Você é diferente do seu pai. Fui uma completa idiota.

— Como acharam a Base? — perguntei.

— Um rastreador no reator que você quebrou quando lutou comigo pela primeira vez.

— Imaginei. Onde estão os Vingadores?

— Sendo distraídos. — respondeu.

— E o Stane?

— No terraço. Mas ele não vai deixar você chegar perto dele. Eu Edwards estávamos esperando por você. E não vai conseguir vence-lo sozinha.

— Na verdade, eu acabei de partir ele em três. — respondi e ela me encarou incrédula.

— Você está brincando, Stark.

— Não, eu não estou brincando. — respondi rindo – Foi na sala de refeições. Eu aproveitei e peguei esse suco pra você.

— Kevin era um idiota. Obrigada por isso.

— Então, eu te poupei e te trouxe pra cá, mas você só me agradece quando fatio um cara que você acha idiota?

— Obrigada por isso também.

A porta se abre do nada, nos assustando.

Notas finais
Espero que tenham gostado! O próximo vai ser eletrizante! Bjs!