Lonely Star

23 Férias de Tony Stark


Notas iniciais
Esse capítulo não estava programado. Eu achei melhor coloca-lo. Os três capítulos finais que mencionei serão depois desse. Então, desculpe pelo atraso do fim!

N: Zoe.

Depois de quase perder Julia, eu precisava descansar a mente e respirar fundo, para continuar a seguir em frente. Tentava ficar feliz com o noivado de Steve e Katrina, mas isso só me fazia pensar que isso tudo estava indo rápido demais. Katrina não sabe ser devagar e Steve tem experiência negativa em esperar pelas coisas. Apostava que estariam casados em poucas semanas. Mas...

Julia e Collin de corações partidos, as feridas do meu último rompimento voltam a doer, Wanda se recuperava psicologicamente de uma tentativa de suicídio, Cléo logo voltaria para a S.H.I.E.L.D. e Tony se sente o pior pai da história da humanidade.

A vida é complicada, mas ninguém nunca disse que seria fácil. A forma como perdi o controle na Base ainda me deixava inquieta, mesmo já tendo se passado há dias. Nunca pensei que chegaria a esse ponto. Alimentar a discussão, provocar como eu fazia por diversão antigamente. Eu gostava de provocar os outros por pura brincadeira, mas parece que amadureci mais dos 107 aos 110 do que de qualquer idade até 100 anos. Vai saber. Talvez seja o fato de eu ter me tornado criança uma vez e recomeçado. E essa coisa de herói muda muito a nossa cabeça. Eu criei maturidade e senso de liderança.

Me sentei na minha cama e pensei no quanto eu evolui com o tempo, não apenas em poderes, mas em caráter. Eu era uma mulher diferente. Minha mente afirmava que eu precisava voltar ao normal e eu conseguiria isso zoando a Romanoff de alguma forma, como sempre foi nos velhos tempos, antes de sermos amigas. Quando ela fingia ser namorada e ter ciúmes de Clint, que era meu ex. Começo a pensar em meu nome. Nas coisas que já me disseram sobre ele. "Zandaia"... "Zoe"...

— Eu preciso voltar, irmã. — afirmou Cléo pela milésima vez – Eles acharam a um jeito de salvar a Jemma. Ela é minha amiga.

— Eu sei. — falei, assentindo – Mande um abraço pra o TeamCoulson.

— Vou mandar. — respondeu rindo e se levantando.

Nos abraçamos. Naquela mesma manhã, Cléo recebe uma ligação de Phill, dizendo que acharam uma forma de trazer sua amiga de volta de seja lá onde ela estava. Agora ela vai pegar uma carona com um agente da porta da minha casa para um lugar onde os dois pegam um quinjent e partem para a base deles.

Ela foi e me deixou só. Retirei os chinelos de dormir assim que vi o carro sair, com ela e Lance Hunter, que conhecia de fotos. Não das memórias dela, eu as respeitava... e não estava afim de ver ela e esse tal de Tales fazendo cosas que eu desaprovo. Espantei esse pensamento e me deitei na cama, buscando os bons sonhos que costumo ter.

A primeira pedra na janela me assustou.

A segunda foi ignorada.

A terceira me fez cobrir o rosto com o cobertor.

A quarta foi suficiente para me fazer perder a paciência.

Me levantei e caminhei até a mesma, que estava suja e um pouco rachada devido às pancadas. Parei a quinta pedra no ar e abri a janela, olhando pra baixo e encontrando algo inusitado: Sam Wilson, o Falcão, usando uma calça jeans suja e uma camisa verde amaçada, com uma garrafa de cerveja na mão. Tão tonto que não se aguentava em pé e completamente embriagado.

— ZOEEE!!! — gritava.

— SAM, É DE MADRUGADA, O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO AQUI?! Então... ele começou a cantar o refrão de uma música que gostamos.

"And it feels like I am just too close to love you"

Ou, traduzindo para vocês

"Isso me dá a impressão que estou muito perto de amar você"

— Sam, por favor... — ele me ignorou.

"There's nothing I can really say"

Ou:

"Não tem nada que eu realmente possa dizer"

— Samuel Wilson, sério!

Ao invés de me ouvir, ele continua:

"Can't lie no more, I can't hide no more

Got to be true to myself"

Traduzindo:

"Eu não posso mentir mais, eu não posso esconder mais

Tenho que ser verdadeiro comigo mesmo"

— Droga, Sam...

"And it feels like I am just too close to love you

So I'll be on my way"

Que é...:

"Isso me dá a impressão que estou muito perto de amar você

Então eu vou seguir meu caminho"

Cansei. Desci as escadas e voei para a porta, a abrindo e ele entrou sem pedir. Nos últimos dias, ele pouco falava comigo. Estava voltando ao normal, com seu ar descontraído e divertido. Mas aquela tentativa frustrada de "serenata de amor" foi completamente idiota. Deitei ele no meu sofá e tranquei a porta, ambos com a mente.

— Eu nunca te vi bêbado antes. — afirmei.

— Momentos desesperadas pedem medidas de desespero. — ri da resposta embolada dele — Não ri de mim, tá?! A culpa é sua, Zoe!

— Oh, alguém aqui está sofrendo por amor? — zombei.

— Você está usando alguma técnica de tortura mental em mim! — afirmou Sam desesperado, se encolhendo e colocando as mãos na cabeça.

— Não faria isso com alguém que gosto.

— Viu! Você me ama! Acabou de dizer! — afirmou.

— Nunca disse "amor". — comentei.

— Disse muito nos bons tempos.

— Que bons tempos? — perguntei confusa.

— Quando você era minha.

— Você está muito bêbado, Sam...

— Eu comprei um anel, sabe? — me interrompeu – Queria ver no seu dedo, então eu trouxe... — falou, tirando a não vazia do bolço e afirmando confuso em seguida — Mas tava bem aqui?! Cadê o anel?!

— Na sua imaginação?

— Não! Ele estava meu bolço!

— Boa noite. — afirmei.

— Deita comigo? — ele pediu.

— Não.

Voltei para o meu quarto e abri o guarda-roupas, pegando no fundo um travesseiro e uma coberta. Desci as escadas correndo para terminar rápido e voltar para a cama. Ergui sua cabeça e coloquei o travesseiro embaixo. O homem bêbado ainda chorava.

— Você é má, Zoe! — ele insiste – Você quer o que com isso?!

— Não te deixar com frio a noite. — afirmei, o cobrindo com o cobertor.

— Seria melhor pra todos se você me deixasse congelar! Quem sabe não me descobrem daqui a setenta anos e...

— Sam, você não é o Steve. — afirmei, revirando os olhos.

— Ah, é? Aposto que eu sou o Capitão América em algum universo paralelo, Zoe!* — ele retrucou, tentando se levantar.

O empurrei de volta e coloquei minha mão na cabeça dele.

— É, sonhe com isso. — sorri e continuei – Boa noite, Sam.

Eu o fiz dormir com meus poderes e me levantei. Mas a cada passo que eu dava, me lembrava de um momento de nós dois que nos marcou. Houve uma vez em que fomos à um parque de diversões e pedi que uma turista tirasse uma foto nossa. Ele me segurou pela cintura e me ergueu. Dobrei as pernas e coloquei minhas mãos no rosto dele e o beijei. A foto daquele beijo naquela tarde ficou presa no meu coração.

Pensei em Ben, mas era algo estranho. Eu nunca pensava em Ben quando estava com Sam. Se quer os comparei! Porém, agora eu pensava. Amava tanto meu falecido marido, mas ele estava morto há muito tempo. Como minha filha. Já estava mais do que na hora de seguir em frente. E eu não quero dizer "Apagar Zandaia de mim", e sim "Seguir em frente como a Zandaia". Está na hora de voltar à mim. Voltei para o sofá onde estava Sam dormindo e beijei sua testa.

Fui para o meu quarto, apoiei minha cabeça na cama e dormi.

N: Julia

Terminava de arrumar as malas no meu quarto na Torre. Preparei a gaiola de gato de Rome e me sentei na cama. Respirei fundo e bufei. Minha cabeça doía dês de... você sabe quando. Bom, se não souber, dês de que matei à sangue frio dois inimigos meus. A questão perturbadora que assolava minha mente é: ainda tenho o coração puro? Abri mão de muita coisa para o que eu fosse uma Vingadora. Abri mão de uma certeza de voltar viva para casa, de ir à festar de amigos todas as noites, de ter hobbies para matar o tempo... mas a pureza não foi uma delas. Nunca será e eu sempre lutei para defende-la.

Mas a questão que assolava minha mente pode não ser o motivo d'eu estar tão angustiada.

Eu ia até usar o termo "confusa", mas eu estava decidida à deixar tudo pelo tempo que eu precisasse, mesmo que isso significasse deixar os Vingadores de vez. Jones achava que eu não o amava, não atendia minhas ligações e fugia de mim como podia. E ainda por cima, o meu pai não falava comigo dês de que contei para ele que passaria um tempo no Brasil com o meu tio Derek. Ouvi alguém bater na porta.

— Julia! — conheço essa voz.

É a voz mais materna e cuidadosa que conheço. Não me importaria de ouvi-la o resto da minha vida. Uma verdadeira mãe, mesmo não tendo o mesmo sangue que eu. Corri e abri a porta.

— Pepper! — a abracei e fui correspondida — Senti tantas saudades!

— Eu também, meu Raio de Sol! — ela diz. Peps sempre me chama de "Raio de Sol", pela minha alegria e tudo mais – Fiquei sabendo que vai para o Rio de Janeiro amanhã.

O abraço sessou e ela me encarou com algo que parecia um sorriso triste de quem ainda vai sentir saudades. Um sorriso de despedida. Rome acariciou minha perna e miou para minha madrasta, que está mais para mãe adotiva, pois me criou mais do que meu pai de sangue. Peps a pegou nos braços e acariciou sua cabeça.

— Eu só preciso esfriar a cabeça. Depois, eu volto com tudo, eu prometo.

— Você pode negar, mas é muito parecida com seu pai. — afirmou ela – A quantidade de "eu's" nessa frase é fantástica.

— Peps, eu...

— Viu? De novo!

— Chata.

Rimos juntas. Pepper e eu somos muito mais mãe e filha do que babá e criança ou madrasta e enteada. Muitos momentos importantes da minha vida foram compartilhados com ela.

— Tem certeza de que quer ir? — ela perguntou – Eu acabei de voltar! Você vai justamente quando eu cheguei?!

— Eu preciso disso. E, alias, não é pra sempre.

— Por quanto tempo então?

— Eu não sei.

— Está apoiada, se quer saber. As vezes todos precisamos de férias de Tony Stark. — rimos novamente — Mas se acerte com seu pai antes de ir.

Me acertar com meu pai? Era uma opção depois do que ele me disse no dia que contei para ele que ia tirar férias?

Flashback On:

— Filha! — ele se senta na maca e segura minha mão — Que bom que está bem.

— Não surta. Eu tô ótima. — falei, bem esgotada.

— Precisa descansar, amor. Foi uma grande luta.

— Sim, fato. E é sobre isso que precisamos conversar.

— Diga, filha. Passagens para o Caribe ou Havaí? Sabe que pode...

— Brasil. Rio de Janeiro.

— Julia, não quer pensar um pouco melhor não?

— Tarde demais. Já liguei para o tio Derek e está tudo combinado. Vou com ele em alguns dias.

— Assim, sem me avisar? — perguntou surpreso.

— Como você disse, eu preciso descansar.

— Mas... o Heimond?! Você sabe que eu posso de levar a qualquer lugar, só eu e você, talvez Pepper e Rome, mas só nós! Sem Vingadores, inimigos ou qualquer tipo de stress...

— Você só não que eu vá com meu tio, certa?

— Isso. Exatamente.

— Pai, por favor, ele é meu tio! Qual é o problema?!

— Qual o problema? Qual o problema dele chegar aqui, achando que pode tirar minha filha de mim quando bem quer e você colaborar com ele?!

— Tudo tem que girar em torno do seu ego, não é? — ironizei.

— Ju... filha, não é bem isso...

— Como não?

— É que... se fosse qualquer outra coisa...

— Mas você me quer longe do meu tio, não é? — rosnei.

— Julia...

— É claro que quer!

— Droga, Julia! Para de me interromper! — quase gritou.

— Você não se importa comigo. Só com você.

— Você sabe que eu te amo, Julieth! — ele falou, pela primeira vez em muito tempo, meu nome verdadeiro.

— Então me prove. Diga agora que apoia minha viagem. — desafiei.

Ele não falou nada. Apenas se levantou e saiu da enfermaria.

Flashback Off:

— A gente brigou. — contei à ela.

— Sei como se sente. Negue o quanto quiser, mas um de vocês precisa furar o ego e pedir desculpas para o outro.

— Podia ser o papai, só pra varear.

— Ou você, que está tomando a atitude mais radical.

— Pepper, eu preciso de férias. Aliás, como você disse, todos precisam de férias de Tony Stark as vezes.

Dito isso, peguei Rome nos meus braços e senti seu beijo em minha testa, com a ternura de uma mãe. Dalí, fui dormir. Eu precisava descansar, já que iria viajar na manhã seguinte. E dormi tranquilamente, ao contrario do que eu imaginei que seria.

Notas finais
*Sam Wilson é o atual Capitão América nos quadrinhos. Próximos capítulos: *** (surpresa) Um brinde à todos! Epílogo P.S.: Os nomes podem mudar, porque sou danada pra isso. Comentem, meus amores!