Lonely Opera

1 Capítulo 1 -ÚNICO


Como fosse um par que nessa valsa triste se desenvolvesse ao som dos bandolins



Christine contemplou a Ópera de Paris,completamente vazia.Sua respiração descompassada produzia um eco solitário nas paredes do teatro.O medo da solidão preenchia o espaço que ele havia deixado.Seus pulmões pareciam comprimidos,por isso sua respiração estava sempre irregular.A dor que estava sentindo a engolia,era maior do que seu frágil corpo e estava se apoderando dela.Ela estava no palco.Não havia platéia.Seu peito apertou quando veio á sua mente a imagem de Raoul de Chagny sentado na primeira fila aplaudindo-a.



Calçava sapatilhas de ballet e vestia um collant cor-de-rosa.Seus cabelos estavam presos em um coque.Se sentou no tablado arranhado do palco e permitiu que uma lágrima escorresse em sua face alva.Ele havia partido.Não voltaria.Seu braço pendeu para o lado e seus dedos se entreabriram revelando uma bola de papel,que ela desembrulhou com cuidado e releu.Era a carta de Raoul.



‘Christine,



Espero que compreenda.Precisei partir.Aqui não é mais o meu lugar.Um dia,volto para te buscar.Sinto falta de sua bela voz.



Te amo quanto respiro.



R. de Chagny’



Seria justo que agora que não havia fantasmas do passado entre eles,Raoul seguisse seu caminho?E que ela não fizesse parte de seu destino? Ainda mais depois do sonho que ela havia tido.Sonhara que sua alma viajava até um parque,um cemitério na verdade e lá se deparava com dois túmulos: o dela e ao lado o de seu grande amor.Era esse o seu desejo.Viver e morrer ao lado de Raoul.Amanhecer com o cheiro dele impregnado no travesseiro.Ter um filho que possuísse o mesmo brilho no olhar e a mesma beleza implacável.Construir um barco,de modo que eles pudessem fugir.Poderiam viver ao sabor das ondas,poderiam viver sem precisar de nada mais.Mas naquele momento,ela só queria deixar que sua voz fluísse tão encantadoramente que arrancasse lágrimas furtivas dos olhos brilhantes de Raoul e que ele a aplaudisse como fizera tantas e tantas vezes.



Levantou as pálpebras pesadas de lágrimas e imaginou Raoul no camarote observando-a.Levantou rapidamente corrigindo sua postura e começou a cantar,fechou seus olhos para sentir a melodia invadindo cada célula de seu ser.Cantou a plenos pulmões com o entusiasmo que ela sentia quando via a casa cheia.



Ao final da música,ela abriu os olhos calmamente e visualizou uma sombra no camarote.Sentiu medo e pensou em correr mas mãos ágeis tamparam-lhe os olhos.



Sua pele congelou.Seus dedos ficaram rígidos.Ela abriu a boca mas não saiu som nenhum,como um peixe no aquário.



___Cante para mim Chirstine...



___Estou ficando louca... – bradou.



Os dedos que tampavam seus olhos vacilaram debilmente e revelou a ela a visão mais encantadora que poderia desejar naquele momento.



Raoul encontrava-se parado,com uma rosa vermelha no bolso.Seu rosto angelical implorava perdão.



___Raoul...estou sonhando?


___Talvez eu esteja sonhando,pois ainda hoje,não acredito que você seja real.



Os lábios dele colaram febrilmente nos dela.Uma lágrima quente atingiu o beijo.Eles ficaram assim por alguns instantes.Sem se mexer,apenas sentindo a textura.Consumindo a respiração um do outro,sintonizando os batimentos cardíacos.Suas mãos se encontraram e permaneceram imóveis naquela posição.Ela mantinha o braço fracamente flexionado com a mão espalmada na de Raoul,como se fossem iniciar uma valsa.Queriam congelar aquele momento.Christine implorou que se estivesse sonhando,amanhecesse morta para não ter que conviver com uma realidade diferente daquela.



Seus olhos mantiveram a íris estática nos olhos dele,sem piscar por alguns segundos.Seu corpo estremeceu com o calor que emanava dele.



___Eu vim buscar você...podemos ir para um lugar mágico onde não precisaremos de nada além de um ao outro, ou você pode acordar neste momento e não se lembrará de nada que está acontecendo.



___Morrerei? Então meu sonho significava isto? Que eu teria a opção de morrer ao seu lado? Mas Raoul,eu quero viver...quero viver ao seu lado uma vida feliz antes de finalmente deixarmos este mundo.



___Desculpe minha querida.É a opção que te ofereço.



Seu hálito parecia um sopro gelado.



___Não,Raoul...eu quero viver...



___Tudo bem Christine.



Uma luz fraca cegou-a por alguns instantes.Havia dormido no palco.Seu coração estava disparado.Havia tido um sonho intenso.Será que sonhara com Raoul? Alguém sacudiu seus braços.



___Christine! – Uma voz doce chamou-a.


___O que...aconteceu?


___Não sei... – respondeu Meg Giry saltitante. – Estive te procurando.Você tem uma visita em seu camarim.



___Raoul!



Christine deixou Meg falando sozinha e correu mais do que suas pernas permitiam.Seu coração tinha certeza.Iria viver e ele também.



Ela valsou e encantou o mundo,se julgando amada ao som dos bandolins

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