Lonely Girl

8 Complication


Notas iniciais
O-Olá, pessoal...
Nem consigo chegar em meu habitual ânimo pela vergonha que eu estou sentindo, depois de tanta, TANTA demora para postar.
Um ano sem atualizar é demais.
Eu estava com medo. Estou, pra falar a verdade. Passei todo esse longo tempo me esforçando para continuar a fanfic, tentando pôr pingos nos is, tentando continuar, mas nada saía... E eu me reprimia por isso, eu quase que me castigava.Eu própria me sentia humilhada por tudo aquilo, sem conseguir continuar com uma fanfic que é tão... eu.
Problemas de solidão e carência são a minha cara. Desequilibrio emocional e tudo mais são puramente minha essência. O desejo de ter alguém que te ame também faz parte disso tudo. Não me conformo que acabei abandonando essa fanfic, chegando ao ponto de excluí-la e restaurá-la várias vezes! É de partir o coração.
Esses dias eu passei por algo que me motivou à voltar as minhas raízes, voltar às minhas fanfics de Soul Eater. Foi um sonho que tive, que vou entrar em detalhes em algum lugar mais particular, provavelmente meu blog (vide meu profile), para não encher muito isso aqui, mas eu percebi que se tem algum lugar ao qual eu pertenso, mesmo que imaginariamente, é a Shibusen. Portanto, eu provavelmente irei voltar a postar mais fanfics.
Enfim.
Estes dias consegui finalmente suceder em escrever um novo capítulo, e trago-o para ele nesse último domingo antes de minha volta às aulas. Tentei me aventurar um pouco e voltar a narrar com a Ornitotrinta Feia (Maka) e um pouco com as Thompson.
Espero que gostem e que não me odeiem pela demora!

Aquela ideia, aquele pedido que suas armas haviam lhe feito tão repentinamente, pareceu-lhe extremamente péssima e sem cabimento; pior do que todas as ideias que elas já haviam lhe dado em vida.

-Não dá para sair em missão agora, Liz. – Death the Kid disse, amargo, parando durante sua caminhada pelos corredores do Shibusen, assim que saíram da sala de aula – Chrona precisa de mim aqui. – subitamente, virou para o corredor à sua esquerda – Por isso, estou indo falar com Chichiue.

-O que seu pai tem a ver com a Chrona?! – Como sempre, os objetivos de Kid eram um completo mistério, mesmo para quem tinha longos meses ou anos de convivência.

-Eu quero levar a Chrona para morar com a gente.

As irmãs Thompson se entreolharam, sem saberem o que dizer a respeito; afinal, elas não tinham de verdade nenhum motivo para não querer a menina na Shikedai. Mas o foco naquele momento era tirar o shoukunin da academia, então insistiram mais uma vez para que pegassem imediatamente um trabalho. Diziam que não aguentavam mais a monotonia que era passar todos os dias indo da mansão para a escola e para a mansão de novo, numa tentativa desesperada de cumprir com o que tinham combinado com Maka. Mas aquilo pareceu pouco surtir efeito sob o rapaz, uma vez que ele continuou a andar.

Elas precisavam de uma ótima justificativa para botar Death the Kid para fora da Academia ou, preferencialmente, da própria Death City. Sabiam muito bem o quanto aquele Shinigami podia ser teimoso, mesmo que normalmente não tivessem problemas em persuadi-lo a certos tipos de coisas.

Suas tentativas iam caindo por terra uma de cada vez, até que, num dos poucos momentos ‘iluminados’ de Patty, o motivo perfeito para saírem de lá imediatamente surgiu.

-Neh neh, onee-chan! – a mais nova levou um dos indicadores ao lábio inferior, em sinal de dúvida – Tô com a impressão de que a gente dividiu as almas errado na ultima missão... Você acabou ficando com uma a menos.

-... – só com aquilo, o jovem Shinigami estatelou os olhos, virando-os logo para Liz.

-P-Pois é! –ela hesitou, mas tinha de prosseguir com o plano; Não que tivesse um plano, mas tinha que fazer alguma coisa – Tem razão! Como fomos distraídas, não é, Patty? – e sorriu nervosa.

Não foi preciso dizer mais nada. Não se ouviu um grito, exclamar ou xingo. Quando as duas foram ver, tudo que restava da presença de Kid naquele lugar havia se extinguido e ele já havia ido tão rapidamente ao quadro de missões disponíveis do Shibusen, no final do corredor, que pareceu teletransporte. As duas armas se olharam, e voltaram a olhar o rapaz desesperado, que arrancou uma missão do quadro e foi logo registrar que ele estaria indo realiza-la, e quando elas foram ver, ele passou correndo de novo, dessa vez no sentido contrário – que era o sentido da porta.

As duas trocaram sorrisos, e depois foram atrás de seu shoukunin, correndo um pouquinho. Ele abriu a porta e deixou-a aberta, esperando ali ao lado esperando que elas viessem com um olhar de raiva. Óbvio que ele estava bravo com o ‘erro’ delas, mas optou por consertar aquilo ao invés de dar sermão (ou de entrar em depressão, coisa que normalmente fazia).

Saíram da Academia e nas escadas que levavam à cidade deram-se com Maka, a quem as irmãs Thompson fizeram sinal positivo. “Conseguimos”, era o óbvio significado para aquilo. A mais baixa fez um sinal positiva com a cabeça e começou a subir as escadarias com passos apressados.

Agora, só elas só podiam torcer para que tudo corresse bem.

~

O que e por que aquilo estava acontecendo?

Estava sentada nos degraus do Shibusen já havia um tempo. Sequer havia voltado pra casa, apenas suportando o sol em cima de sua cabeça por ter tirado sua capa negra. Ela estava ali aguardando que o trio se retirasse de lá. Soul, seu parceiro, iria até esperar ao seu lado, mas foi embora com a premissa de que levaria mais tempo para isso acontecer do que ele tinha paciência para aguardar, e deixou que ela aguardasse sozinha. Ela se negou a abandonar seu posto de vigília. Ela não podia desistir por nada naquele mundo, e não o faria. Porém, sua paciência também tinha um limite e ela estava acabando, por causa da ansiedade.

Já estava lá havia um bom tempo, sentada na escada de pedra, com os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto apoiado nas mãos, olhando vez ou outra na direção da Academia. Começou a achar que Liz e Patty não estavam conseguindo cumprir com sua parte do combinado. Não conseguia culpa-las, uma vez que sabia muito bem que Death the Kid parecia ser teimoso por essência.

Levantou-se para se esticar, logo em seguida se entortando para frente e apoiando as mãos nas juntas das pernas. Aquela era a pose de um desistente. Estava começando a pensar em ter de adiar aquilo que queria fazer para o dia seguinte, e aí ela própria poderia tomar providências melhores.

Foi nesse instante que um vulto negro passou ao seu lado correndo como se não houvesse amanhã. Logo em seguida, as Thompson passaram correndo também, fazendo-lhe um sinal positivo com o polegar e logo acelerando o passo de novo. A loira ficou um tempo observando a cena de longe, até que respondeu o sinal recebido com um outro sinal, que fez com a cabeça, deu meia volta no degrau e começou a subir as escadas.

Entrou na Shibusen e fechou a porta apressadamente, o que fez seu estrondoso e característico baque de porta velha que era, deixando seu interior em completo silêncio depois. Era até assustador de ficar lá, ouvindo a própria respiração. Ficou parada um tempo no meio do corredor, olhando ao redor. Tinha algo estranho por ali. Tinha a estranha sensação de não estar realmente num corredor fechado. Mas Maka sabia que não tinha tanto tempo à sua disposição, por isso, ficou apenas alguns segundos contemplando a esquisitice que estava sentindo e correu em direção à escadaria ali próxima. Desceu os degraus o mais rápido que seus pés eram capazes de aguentar, fazendo isso por praticamente todos os lances de escada, mas ao calcular mal o número de degrau de um desses, acabou caindo feio, começando a rolar escada baixo. Sua sorte era a que só tinha mais um lance de degraus até chegar ao subterrâneo e bater as costas numa parede.

As costas na parede de pedra cinza, os pés pra cima e a cabeça no chão. Teve a sensação de ter apagado um instante, uma vez que sequer se lembrava de ter tropeçado. Chegou àquela certeza pelas circunstâncias e pela posição que se encontrava.

Pôs-se de pé mais uma vez, superando a tontura. Sua nuca latejava e seus olhos, verdes e sem brilho, lutavam para continuar abertos. Quando ela menos precisava preocupar-se com seu próprio bem estar, conseguiu se acidentar. Era quase humilhante. Passou, mais uma vez, alguns instantes parada, virando-se de leve na direção do corredor que se formava a partir da parede na qual havia esbarrado, vendo o fundo e tentando recuperar-se do susto. Fechou os olhos um pouco e abriu-os de novo depois de soltar um profundo suspiro. E, novamente, aquela sensação estranha de não estar num corredor. Parecia mais estar num lugar amplo, o que era contra aquilo que era lógico.

-Isso tá muito estranho... –ela falou para si, franzindo o cenho.

Quis investigar, então começou a prestar mais atenção naquilo, enquanto caminhava na direção onde acreditava que ficava o quarto-cela de Chrona. Dava passos lentos, concentrando-se mais em tentar entender o que aquela vibração, o que aquela energia, estranha era e de onde vinha. A única coisa que soube diagnosticar era que aquela energia não pertencia ao Shibusen. Não era daquele lugar. E parecia se fortificar conforme ia avançando pelo corredor. Tinha cada vez mais a sensação de estar em um lugar amplo e de estado aparentemente mutável, que substituía a energia do local em que de fato estava. Aquilo estava começando a perturbá-la.

Continuando a andar pelos claustrofóbicos corredores subterrâneos, começou a pensar que aquilo pudesse estar vindo do quarto de sua amiga. Até onde estava sabendo, ela era a única a estar ocupando um quarto daqueles. Aquilo a fez pensar nas coisas que Liz e Patty haviam lhe contado...

Coisas novas estavam acontecendo dentro da alma da Chrona. Coisas que não conseguia entender. Ter um mundo próprio dentro da alma era algo que ela sabia a respeito da amiga, mas aquilo que haviam lhe dito, as experiências que o rapaz havia tido, descrevia uma situação além daquela que conhecia. Aquilo lhe soava ruim, muito ruim.

Começou a correr pelo corredor. Aquela energia não era de jeito algum da Academia, mas sim do Mundo da Chrona. Deveria estar se expandindo e se espalhando pelo ambiente com as ondas de alma dela. Aquela era a explicação, mas o que estava fazendo essa energia vazar? Não conseguiria achar uma solução tão rapidamente quanto gostaria. De preferência, gostaria de chegar ao cômodo em que a amiga estava já sabendo aquilo que deveria fazer, mas aquilo estava complicado demais para se resolver no período da caminhada.

Quando deu por si, já estava defronte para a porta do quarto-cela onde estava a outra menina. Ofegava, olhando para a maçaneta. Podia sentir a vibração da alma da amiga se chocando contra ela. Aquela onda de alma perturbadoramente complexa, que se expandia com força e intensidade absurdas. Mas, por um outro lado, não sentia mais a frequência da alma de Ragnarok. Esta se fazia totalmente ausente. O que estava acontecendo? Tudo bem que não havia mais visto, mas Chrona ainda se demonstrava capaz de materializar a espada. Tudo estava ficando mais estranho, e algo como medo brotou dentro de si.

Voltou à terra ao ouvir um gemidinho vindo do lado de dentro. Um gemido amedrontado, quase que um choramingar. Havia naquilo, também, uma ponta de medo. Maka não pôde mais permanecer em silêncio diante da porta e a abriu.

-...Chrona? – foi logo entrando pelo vão da porta que abrira, contemplando um quarto quase que inteiro escuro, se não fosse a janela no topo da parede oposta à porta que deixava o sol entrar oblíquo. Encontrou a amiga sentada toda encolhida debaixo da janela.

-Maka? – não demorou em responder, erguendo seu rosto com os olhos azuis estatelados, abaixando as mãos que estavam no rosto e deixando que suas madeixas róseas cobrissem seu rosto no lugar, com uma expressão tão, tão perdida.

Palavras não eram suficientes para demonstrar sua confusão. Aquele quarto era, em todos os sentidos, um cubículo. Era difícil imaginar alguém estando perdido ali dentro, quando era possível alcançar qualquer coisa dando alguns breves passos. Ficou deveras perplexa com aquilo. O que poderia causar tamanho medo em sua amiga? Ficou a observá-la exaltada alguns momentos, enquanto ela começava a se arrastar no chão, com uma mão a tatear o chão e a outra suspensa no ar, como se tentasse alcança-la. Ainda chamava seu nome em um tom amedrontado, tremido.

Engoliu a saliva a seco. Algo sério estava acontecendo. Sentiu um aperto no coração e uma vontade de chorar também, mas não poderia fraquejar agora. Foi só naquele momento em que realmente entendeu a seriedade do que acontecia. Ficou mais do que óbvio que Chrona não conseguia mais diferenciar o que era real e o que não era. O que fazia parte de sua alma e o que não fazia. Ela não estava enxergando o ambiente que está realmente ao seu redor, e aquilo era sinal de problema. De um grande problema.

-Chrona! – correu ao encontro dela e jogo se jogou de joelho, parando bem diante da amiga, que conseguiu tocar seu ombro e se exaltou. – Chrona, se acalma um pouco!

-Maka! –ela disse, começando a de fato a chorar- Eu não consigo sair daqui! E-E eu não consigo te ver! – estava, realmente, desesperada.

-Você já vai me ver, eu prometo! – segurou com força a mão da amiga – Eu vou te ajudar, ok? Mas eu preciso que você fique calma!

-T-Tá... – passou as costas da mão livre sobre os olhos.

-Mantenha a calma, Chrona... Mantenha a calma...

Maka repetia à amiga, fazendo um carinho em sua mão, como se tentasse confortá-la. Era uma forma de acalmá-la, mas não era realmente justo. Ela própria não estava nem um pouco calma.

Aquilo tudo parecia mais complicado do que ela poderia fazer sozinha, mas tentaria o seu melhor.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.