Lonely
7 This is all my fault.
Notas iniciais
P.O.V Effy
Eu tinha arrumado meu cantinho naquela pequena — e aconchegante — cabana de Daryl, claro, deixando seu devido espaço.
Me perguntava mais de mil vezes em minha cabeça, Daryl e Carol?
Eu via o jeito que ela olhava para ele, mas ele nunca olhava para ela da mesma maneira.
Droga, Daryl porque você não olha para ela da mesma forma? Por que você tinha que ser tão teimoso? Aliás, por que ele não dava apenas uma chance para ela? O que ele iria perder?
Carol de fato, me parecia ser uma boa pessoa — ela se preocupou comigo — e acho que ela seria boa para Daryl.
Vi Carl chegando por trás de mim, sorri com aquilo, puxei o seu chapéu que Rick havia lhe dado, colocando em minha cabeça.
– Como eu estou, Xerife? — Perguntei fazendo posses, Carl riu daquilo.
– Fica gata do mesmo jeito — Falou Carl
– Wow! Posso dizer, que ganhei meu dia, Xerife — Falei colocando o chapéu de volta em Carl, ele sorriu daquilo.
Rick apareceu, provavelmente, procurando por Carl, nos achou e riu do meu cabelo bagunçado — e provavelmente da minha pequena conversa com Carl.
Ele pediu para Carl pegar o campo de vigia por um momento, enquanto ele iria ficar com Judith — Eu não havia pego Judith no colo mas de longe já sabia que ela era uma criança incrível — E de certo modo eu achava essa relação de Rick com os filhos dele, fofa. E o jeito dele ser pai, mesmo agora, que o mundo estava um inferno.
– Uma gata de qualquer jeito né? — Falou Rick rindo, e Carl saindo envergonhado.
– Deixe o garoto — Falei rindo.
Rick levantou aos mãos para cima em menção de redenção, ainda rindo daquilo tudo mais um pouco, acompanhei ele nos risos, e percebi — depois de um longo tempo — que ele me olhava daquela forma de novo, eu olhava para os lados, tentando amenizar a situação e a minha cara envergonhada, mas ainda — e nunca vou estar — não estava corada, isso era uma besteira ao menos para mim.
– Eu estive pensando — Falou Rick se aproximando, mas ainda mantendo um devido espaço entre nós, ao menos, era um espaço aceito.
– No que? — Perguntei curiosa.
– Sabe, lembra do que eu disse antes? — Perguntou cauteloso.
– O quê? — Perguntei, tentando me lembrar ao que ele se referia.
– Da nossa conversa, sobre... Hãn — Rick falava colocando as mãos no cabeço, e os coçando logo em seguida, nervoso — Você sabe sobre o lance de a gente se conhecer melhor.
– Ah — Quase gritei aliviada com sua resposta, Rick riu novamente do meu desespero — Mas o que tem ela? — Perguntei ainda mais curiosa.
– Eu estive pensando, e... Amanhã é a minha noite de vigia, Daryl está cansado, eu estive pensando se você não estiver cansada, você poderia...
– Sim, eu estarei lá — Falei interrompendo a sua ideologia.
– Ótimo, eu encontro você lá — Falou rápido demais, ri daquilo, Rick me perguntou se eu queria descer para ficar com os outros, respondi que não pois iria dormir um pouco, pois eu estava cansada.
Me arrumei naquela pequena cabana. Pensei na minha resposta, e meio que respondi a verdade pois eu realmente estava cansada mas o que me incomodava mesmo, eram as tais das pessoas, eu sabia que me apegaria igual me apeguei a Carl, sei que são duros mas aquela infecção já tomou mais da metade do mundo, não existe cura, só existe um inferno.
Aquelas pessoas de certa forma — Especialmente Carl e Judith — Eram boas demais para tudo aquilo, não diria inocentes mas boas, e eu não queria me aproximar delas pois sei que são elas — Assim como eu — vão morrer, e a única que irá sair realmente machucada, sou eu.
Eu tenho agora também, Rick que mexia com tudo que havia em mim, ele me fazia sentir — Além de uma adolescente boba de 15 anos, de novo — Viva, de alguma forma, ele havia provocado o melhor de mim, aquilo eu não podia negar, e olhe que muitas poucas pessoas conseguiram isso comigo, sabe? Provocar meu melhor.
O que ele estava fazendo comigo? Ai Deus!
Suspirei cansada, fechando os olhos por meio segundo.
E ouvi o zíper sendo aberto, eu não precisava abrir os olhos para saber que aquela pessoa era Daryl.
Ele entrava sorrateiro, sem fazer um barulho sequer.
– Eu não estou dormindo sabe? — Falei abrindo os olhos e vi ele se assustar — Não precisa entrar sorrateiro como um adolescente que acabou de chegar da primeira fuga de casa — Falei e ele riu se deitando logo em seguida de barriga para cima, eu estava deitada de lado e o vi suspirando cansado.
– Como estão as coisas? — Perguntou depois de um longo período de silêncio.
– Bem — Suspirei, pois eu sabia muito bem a quem Daryl se referia.
– Eu quero dizer, depois de hoje? Na floresta?
– Ah! — Foi tudo o que pude falar no momento, pois não sabia exatamente o que sentir, ou o que dizer.
– Eu sei o que você sentiu, sabe? — Daryl falava.
– Eu sei.
– Então, eu irei perguntar novamente — Falou Daryl — Como você está?
– Quer a verdade? — Pergunte e senti seu olhar em mim — Eu... Eu não sei o que eu deveria sentir, eu deveria sentir algo? — Perguntei meia incerta.
– Você sempre sente algo — Falou Daryl.
– Mas eu não sei agora o que sentir — Falei.
– Grite, chore, só faça algo, vamos lá, você é Effy... Sempre sente algo — Tentou Daryl me animar, e senti que ele estava preocupado.
– Eu só não entendo, por que eu? — Desabafei.
– O que você quer dizer? — Perguntou Daryl.
– Quero dizer, ele era do exército, muito mais treinado que eu, aliás, eu aprendi mexer em armas e essas coisas, depois que o mundo virou um inferno, então, porque não eu? — Perguntei angustiada suspirando.
– Eu não sei, talvez...
– Talvez o que, huh, Daryl? J.C resolveu me dar uma chance do nada? — O interrompi irritada — Você ainda não entendeu? Isso é tudo minha culpa — Falei me levantando ficando sentada e vi ele olhando para mim, atentamente, mas resolveu não se levantar — É isso que eu faço Daryl, eu afasto as pessoas, ou eu as magoo, ou eu simplesmente as destruo — Falei quase gritando.
– Seu pai, ele....
– Meu pai não é o caso, Daryl — O interrompi novamente — Ele nunca gostou de mim, eu entendo. Aconteceu com você, minha melhor amiga, você nunca devia ter ido embora e ela nunca devia ter morrido — Falei explodindo e confessando tudo o que eu estava guardando a muito tempo.
– Hey — Protestou Daryl — Eu fui embora, não foi sua culpa.
– Por culpa minha — Gritei o encarando — Eu nunca devia ter brigado com você, e ela nunca devia ter colocado a porcaria daquele cigarro na boca — Gritei novamente — Minha culpa — Gritei batendo em meu peito de leve — Não do meu pai, não sua, não do meu irmão, e a culpa é muito menos da minha amiga, mas minha — Falei mais calma — Só minha — Completei sussurrando. Senti meus olhos lacrimejando então me virei para o lado, pois ninguém nunca havia me visto chorar depois de crescida. Sei que isso me tornava fraca, e eu odiava aquela ideia de ser fraca na frente dos outros.
– Você está chorando? — Perguntou Daryl me olhando preocupado.
– Não, claro que não, eu não estou chorando, eu nunca choro — Falei mas ainda sem o olhar.

– O que está pensando? — Daryl me perguntou me observando pensativa e calada.
– Estou pensando que o inferno me fez uma carta, especialmente para mim — Falei e ele bufou rindo brevemente.
– E o que ela diz?
– Ela diz algo mais ou menos assim... "Querida Effy, o inferno está na terra, agora você vai parar todos os seus pecados, com amor, Demônio"– Falei suspirando, vi Daryl rindo.
– Ah, vamos lá Effy, seu irmão só estava no lugar certo só que na hora errada — Falou Daryl sério, voltei a o encarar.
– É, deve ser... — Sussurrei — Desculpa Daryl.
E então ele me puxou para si, e me abraçou, o abracei de volta forte — se ele não fosse meu irmão, diria que a situação entre nos havia ficado seria pois estávamos deitados e abraçados mas não, eramos só irmãos — Ri mentalmente daquilo, e me aconcheguei mais nele.
Sabia que Daryl estava cansado então não demorou muito para ele cair no sono, sei que ele era forte, mas sabia também que ele estava cansado ainda mais sei que ele era braço direito de Rick — por mais que seja bom — era cansativo.
Aliás se antes a gente sobrevivia, hoje em dia, a gente batalhava e muito duro aliás.
Fechei os olhos e logo em seguida o sono chegava, eu não lutava contra, e logo ele chegando, adormeci ali mesmo, aconchegada em Daryl.
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