Peter provavelmente usara o corpo de um dos guardas para quebrar a janela, mas ainda sim ele não poderia estar tão longe, pois a escada que cobrira o prédio não era de fácil acesso a quem estava na sala. Ela começara no andar anterior e a única maneira de se alcançá-la era passar pela janela que estava fortemente trancada e depois tentar descer até lá sem cair. O detetive tentara , mas não obteve sucesso. Ele optou ir até o andar de baixo e assim descer as escadas, a tensão e angustia tomara conta de Julian. O detetive jamais poderia deixar que o seu único suspeito fugisse.

Em frente ao hospital, havia um enorme gramado que era utilizado por médicos e pacientes como uma espécie de área de lazer. Estava tudo vazio, ventava bastante e fazia cada vez mais frio. Ele olhara ao redor em busca de poder avista-lo, mas não conseguia ver nada. No entanto, quando este estava a caminhar sobre o gramado, pode vê-lo ao longe. A imagem o deixara em pânico, pois Peter não parecia estar fugindo e nem se escondendo, na verdade, ele estava parado, observando Julian como se o estivesse esperando. Julian não sabia se deveria ir até lá ou ficar parado onde esta. Quando este poste as mãos sobre o rosto e disse:

— Peter... Eu posso ajuda-lo! . – Ele grita. _ Sei que não é o culpado de tudo isto, você só precisa ficar ai.

O indivíduo não o respondeu, ficastes parado apenas o observando, Julian então decidira ir até o rapaz quando este correra como se não quisesse ser alcançado. Não fazia sentido tudo aquilo, mas a situação não permitia escolha, se ele desejava solucionar tudo isto, o teria de segui-lo onde quer que fosse.

— Não tem jeito, não posso perder mais tempo. – Ele diz.

Já estava tarde, as ruas estavam vazias. Os estabelecimentos já estavam todos fechados. Há esta hora ninguém poderia ajuda-lo e se ele parasse, poderia perdê-lo de vista. Mr. Julian o seguira por dois bairros, passando por Hyde Park corner e Knight bridge. E em nenhum deles o sujeito parou, apenas às vezes quando chegava a um determinado ponto, ele parava por um instante e olhava para trás observando o detetive.

È como se ele estivesse sendo controlado por algo. – Ele pensou.

Um clima sombrio tomara conta das ruas, como se ninguém nunca tivesse passado por ali. Peter não aparentava estar cansado, nem ao menos parecia ter acabado de sair de um hospital.

Ao chegar em Downst , a energia do detetive parecia estar esgotada, ele pensou em atirar para assustar o sujeito e fazê-lo parar, mas sabia que se quisesses acabar com tudo isto, ele teria que esperar um pouco mais.

Chovia muito naquela noite, enormes poças cobriam o caminho, sua roupa estava encharcada, seus sapatos estavam cobertos por lama e estavam pesados. Mas ele não sentira frio, e o cansaço não o impedia. Tudo isto o fizera pensar na vez em que ele e seu amigo procuravam pelo assassino de King Cross. O sujeito fizera muitas vitimas na época, quatro apostadores de corrida e três corredores foram encontrados mortos em suas casas. E só fora encontrado quando estes investigavam em uma fazenda na qual ele costumava trabalhar cuidando de cavalos. O infeliz fugira assim que os vira chegando. A perseguição demorara horas até que, quando os três já estavam exaustos e completamente sujos, o sujeito rendera-se. O motivo segundo ele era de que ambos seus chefes não o pagavam e que gastavam seus dinheiros com apostas de corridas. Muitos dos motivos de crimes investigados por eles eram tão banais que Mr. Julian até duvidava se eles eram de fato verdade.

Peter logo fora diminuindo cada vez mais os passos, como se estivesse chegando. Uma pequena carruagem quase o atropelara quando estava atravessando. Eles andaram até mais duas esquinas até que chegaram a um local que estava abandonado. O terreno ao redor estava vazio, o portão não possuía trinca, estava cheio de blocos e com muita sujeira, como se alguém não fosse ali há tempos. O edifício não era tão grande, ao entrar havia uma escada que levara para o primeiro andar. O detetive se escondera atrás de um pedaço grande de concreto assim que o vira subindo. Ele pensou que, há essa hora alguém também poderia estar vindo.

Já passara das 2h00min. A chuva deu lugar a uma pequena garoa e o vento continuava a soprar forte. Mr. Julian ficara ali por cerca de cinco minutos. Ele olhara ao redor pra ver se podia ver alguém chegando, mas não vira ninguém. O detetive estava para entrar no prédio quando pode ouvir sons de passos que vinham da entrada. Estava certo de que alguém se aproximara, o que fez com que se escondesse novamente. A arma agora estava em suas mãos, ele olhara para tentar ver o rosto do sujeito, mas não dava para se distinguir ao certo de quem se tratara, a pessoa parecia estar coberta por um manto escuro e não segurava nada nas mãos. Aparentemente ninguém a acompanhara até o caminho. Ela subira as escadas e quando estava para terminar de subir, o sujeito virastes para trás como se estivesse esperando alguém. Mr. Julian fora até o portão para conferir se mais alguém estava chegando. Ele não pensou duas vezes e adentrou ao local e subiu o mais devagar possível. A escuridão tomava conta do lugar. Não havia nenhum barulho e nem sinal de alguém. Até que, ao adentrar um dos cômodos, ele pode ver a pessoa que havia subido as escadas. Ela estava de costas e de joelho, parecia estar lamentando-se de algo. Julian estava decidido a punir todos aqueles que fizeram mal a Daisy e a esta cidade, mas no fundo, ele não era uma má pessoa e nem ao menos um assassino. A melhor punição para ele ver criminosos enjaulados atrás das grades pagando por tudo que fizeram. E além disso, sua irmã não gostaria de vê-lo fazendo justiça com as próprias mãos, ela sempre orgulhava-se de seu trabalho. Ele então se aproximou e o agarrou bem forte pelo pescoço. O sujeito dormira na hora. Era uma mulher, parecia ter seus quarenta anos. Julian a amarrou nas mãos com um pedaço de corda que encontrastes e logo seguira adiante.

Ao subir uma das escadas, enormes gritos ecoavam pelos corredores. Os gritos pareciam ser de mulher e o outro de Peter. Mr. Julian correra rápido e logo quando chegara a uma sala, pode ver alguém que estava de pé o observando.

— Eu quero que fique parado onde esta! . Quero saber o que está acontecendo. – Ele diz.

O sujeito olhava para ele como se o esperasse.

— Então... Você veio até nós, Mr. Julian.

— Quem é você? . E o que estão fazendo? .

O detetive estava para atirar na perna do indivíduo quando alguém chegara por trás e o acertara forte na cabeça. Ele não pode fazer nada, a pancada o fizera desmaiar na mesma hora.

— Logo você ira saber, detetive. – Diz o sujeito.

Mr. Julian ainda estava consciente e pode perceber que duas pessoas o carregavam, ele procurou identificar seus rostos mas sem sucesso. Sua cabeça sangrava e difultava sua visão. Apenas um detalhe fora percebido; um deles possuíra um corte profundo que ia do braço direito até sua mão. Ele fora perdendo cada vez mais a consciência até que desmaiou.

O detetive finalmente acordara. Sua cabeça sangrava e doía bastante, ele estava muito assustado, não estava mais com sua arma e o lugar onde fora colocado estava trancado. Ele puxara do bolso o colar dado a sua irmã. A imagem de Daisy não saia de sua cabeça, um grande sentimento de impotência e tristeza partira sobre a mente do detetive. A única pessoa que poderia fazer com que os culpados fossem punidos estava indefesa e sem a menor ideia do que fazer. Ele pensara em chamar por alguém, mas logo pode ouvir o barulho da porta. Alguém estava entrando na sala. Eram cerca de três pessoas, todas estavam vestindo o manto escuro e uma delas possuía uma faca. Eles pegaram o detetive e o levaram até o corredor.

— O que querem? . – Murmura o detetive

Ele não fazia ideia para onde estava sendo levado quando, derrepente vira uma imagem terrivelmente assustadora. Sua empregada, Bridget estava caída sobre o chão, havia muito sangue, seus olhos estavam arregalados e seu corpo parecia ter sido aberto.

— Não, vocês não podem... NÃO! .

Mr. Julian gritara muito, ele não podia crer no que estava diante de seus olhos, seu coração batia forte, como se estivesse para pular fora de seu peito, lagrimas caiam sobre seu rosto e ele nada podia fazer.

Ele fora levado até uma sala maior, onde se encontravam outras pessoas. Ambas estavam em circulo, velas cobriam o local e havia um símbolo no centro. O corpo de Peter estava no canto, já sem vida, seu pescoço fora inteiro cortado. Eles colocaram o detetive de joelhos sobre o meio da sala quando um dos membros chegou sobre ele e o fitou.

— Mr. Julian... Você realmente veio até nós.

— Eu não sei o que esta acontecendo, mas... Por favor, peço que parem com isso. – Disse o detetive.

A pessoa parecia ser o líder do grupo. Ela usava as mesmas vestes e seu rosto não podia ser visto. Ele aproximou-se mais do detetive e continuou a falar.

— Infelizmente, não posso fazer o que pede. Tudo saístes conforme o planejado. Induzimos este rapaz para que visse até nós, Mr. Julian. Nós finalmente conseguimos pega-lo, vós sempre fostes nosso maior alvo e felizmente, a sua maestria e inteligência estava do nosso lado, desta vez. – Ele diz.

— Mas eu não entendo, Mas e todos aqueles crimes. Tantas pessoas foram terrivelmente mortas por vocês. Por quê? .

— Aquilo fora nosso primeiro passo, detetive. Mas depois de tudo achamos que você e seu amigo desistiriam. Mas tu continuastes tentando proteger esta cidade.

— Mas o que significa tudo isto, que espécie de grupo são vocês?... Todos aqueles crimes, aquela carta e o que fizeram com minha irmã. Eu não compreendo. E este rapaz, o que vocês faram com o corpo dele, estão o usando como um sacrifício? .

O sujeito colocara o rosto sobre o detetive e o falara algo que só ele pudera ouvir.

— Não, Mr. Julian... O trabalho dele terminou... O único sacrifício aqui...

— È você! .

O semblante do detetive era de intenso pavor. Ele estava desesperado, sua respiração estava ofegante e seu corpo inteiro tremia.

Um dos rapazes puxara uma faca e partira em direção de Julian.

— Por favor, não!

Ele não podia se mexer, suas mãos e pernas haviam sido presas. O sujeito o perfurara no estomago, em seguida o acertara no peito. A dor era intensa, sua boca jorrava sangue, ele se contorcera de dor. Ele conseguio olhar por um momento ao redor e com muito esforço pode ver seu rosto. O indivíduo aproximou-se do detetive e colocara uma faca sobre seu pescoço e acabara de vez com seu sofrimento.

Mr. Julian já não se movera mais, não havia mais dor. Seus olhos se fechavam aos poucos, seu corpo caíra sobre o chão e seu único resquício de vida era o vermelho do sangue que corria sobre a lâmina do sujeito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.