Londons Sin

23 .Chapter Twenty-three.


Mia desceu, pouco tempo depois que Michael havia saído.

- Alfred! – gritava pelo mordomo.

Alguns segundos depois:

- Sim, senhora.

- Quero o meu café-da-noite. – olhou em volta. O silencio predominava o ambiente, o que a fez estranhar pois era a hora em que Gwendolyn estaria tocando seu piano infernal. – Onde está Gwendolyn?

- Não a vejo há dias, senhora.

- Será que finalmente foi embora?

- É o que parece, senhora. Com licença, trarei o seu café.

Mia ficou pensativa. Não era de todo o mal de Gwendolyn tivesse mesmo ido embora, mas precisava ter certeza. Sua intuição lhe assegurava o pior.

Subiu até o quarto da irmã e abriu o guarda-roupas. Estava tudo ali. Tudo. Ela não teria fugido. Isto era fato.

Desceu. Passou por Alfred, que arrumava a mesa do café e saiu mansão a fora. Precisava saber o que teria acontecido. Iria até a cidade. A encontraria, ou não se chamava Mia Moore.

Uma semana havia se passado e Michael ainda não tinha aparecido em casa. Gerard estava ainda mais preocupado com o irmão, não mais que sua mãe, que nem ao menos queria sair àquela noite. Só ia porque Donald insistira por demais.

Gerard sentava-se sobre o braço do sofá, enquanto Donald andava de um lado a outro.

- Se sua mãe o ver sentado aí, iniciará uma guerra.

Gerard, instintivamente levantou-se, ouvindo a voz de Donna atrás de si.

- Eu vi, mocinho. Tarde demais!

“To perdido!”, Gerard pensou. Quando virou-se, deparou com sua mãe à sua frente, que segurou seu rosto em suas delicadas mãos, beijando-o e o surpreendendo.

- Está linda mamãe.

- Obrigada, mas sua opinião não conta. – piscou-lhe. – Vamos?

- Vamos. – Donald respondeu.

Michael agarrou Rebecca pela cintura, que o olhou desconcertada.

- Calma! Apenas atenderei a seu pedido.

Abraçou-a, mantendo-a junto a si e flutuou em um pré-vôo. Foram poucos minutos. Mas tempo o suficiente para que o contato dos corpos, acelerasse o coração de ambos. De repente ele iniciou o vôo em uma velocidade alta e acabou assustando Rebecca, que enrijeceu em seus braços.

Ao chegar à chácara dos Campbell, tudo estava em completo breu, o que a deixou alarmada. Olhou para Michael, ainda confusa, e correu em direção ao hall de entrada.

Quanto mais perto chegava, um forte mau cheiro lhe embrulhava o estômago. Em frente à casa, pode perceber que estava diferente. A pintura branca e intacta se encontrava mais escura, em um tom de cinza em quase toda a fachada. Adentrou a casa. O mau cheiro era ainda mais forte ali. Seus sentidos, agora vampíricos e conseqüentemente mais aguçados, faziam com que se sentisse ainda mais enjoada.

Michael a seguia. Sério. Calado. Apenas observava. Também sentia o aquele odor, mas não comentava.

Rebecca começou a caminhar em direção ao mau cheiro. Ao adentrar a biblioteca, tudo estava em mais completo breu. Esperou que sua visão se acostumasse à escuridão, o que não demorou muito. “Até que ser vampira tem suas vantagens”, pensava. Olhava em volta. Tudo estava destruído: os móveis, quadros, livros.. tudo. Abaixou o olhar para o sofá e um grito escapou-lhe dos lábios. Um corpo carbonizado e irreconhecível jazia sobre o sofá, ao seu lado o corpo de sua mãe, já em decomposição também jazia. Estava ali explicado aquele horrível odor.

Tentou se aproximar, mas Michael a segurou pelo braço.

- Não é uma boa idéia.

Ela soltou o braço em um gesto brusco e correu até os pais. Seu pai estava sim irreconhecível, apenas sabia que se tratava dele, pelos rastros de vidros, provavelmente de uma garrafa de alguma bebida, sobre seu peito.

No peito de sua mãe, uma espada cravejada. Fora assassinada. Sim. Não havia outra explicação. Levou a mão aos lábios e se permitiu chorar. Chorou. Um choro sofrido. De saudade. De ódio.

- Você sabia?

- Sim.

- Por que não me contou?

- Não sabia como reagiria. – Michael era frio. Frio até demais.

Rebecca caminhou até ele e o olhou no fundo dos olhos.

- Tire-me daqui! Pelo que mais ama! Tire-me daqui.

Michael a abraçou e saíram sobrevoando pela janela afora.

Thomas andava pela cidade. Cansou de se esconder. Não poderia viver assim para sempre. Já não usava seu colarinho branco, o mesmo fazia Gerard. Nenhum dos dois tinha a intenção de voltar àquele seminário de fachada.

Parou em frente a uma taverna, desceu, procurou uma mesa, pediu uma bebida e por ali ficou.

Lauren havia descido mais cedo que o de costume. Quanto mais cedo descesse, mais cedo poderia alegar cansaço e subir para seu quarto. Apenas fazia aquele esforço pela promessa de seu pai, senão não o fazia.

Estava sentada olhando para a noite. A lua estava enorme e as estrelas enfeitavam o seu, com toda sua beleza e brilho.

Um ruído se fez. O coche dos convidados havia chegado. Uma mulher loira e um senhor levemente careca adentraram o ambiente de braços dados. Lauren se levantou com um sorriso aos lábios e caminhou em direção a eles. Foi quando ele apareceu: Gerard Way. Seu sonho. Seu pesadelo. Seu amor platônico.

Ele, ao entrar na sala, lançou-lhe um olhar, o mesmo que não foi capaz de tirá-lo. Lauren, de repente sentiu de frio a calor. Virou-se para a escada e começou a correr para a mesma, mas foi interrompida pelos braços de aço do pai, que a capturou pelo cotovelo, dizendo-lhe entre os dentes:

- Aonde pensa que vai desta maneira?

- Desculpe, papai, mas não me sinto muito bem...

- Estava muito bem até agora mesmo, não faça isso comigo, Lauren. – a soltou bruscamente e foi ao encontro da família Way. – Donald, meu amigo, como vai?

Neste momento, não era apenas Lauren que se encontrava mais branca que papel. Em um cantinho da sala, escorada, encontrava-se Geórgia, com os olhos levemente arregalados olhando para Donald. Este, ainda não a havia reconhecido, mas para Geórgia, aqueles olhos seriam eternamente inesquecíveis.

Por falar em olhos, os de Gerard continuavam em Lauren, que se sentia ainda mais incomodada com a situação.

Mia, em sua forma de mamífero voador, adentrou certo ambiente, o que deixou um homem, grande, com uma expressão pouco amigável. Ele estava sem camisa e ainda deitado em sua cama, provavelmente fora acordado.

- Mia Moore. Boa noite!

- Sem cerimônia, Angelus. Preciso de sua ajuda, priminho.

- Sabia! Nunca me procura, quando aparece assim de repente é porque quer alguma coisa. Não sei se estou disposto a ajudar. — virou-se na cama.

- Me poupe de suas frescuras, Angelus.

- Não é frescura. Não sou subordinado a você como os demais. Não a temo. Sou mais forte que você. O que poderia fazer contra mim?

- Não estou questionando sua força. Nem poderia... — Mia se aproximou brincando com seus pelos de uma forma bem provocante.

- Suas artimanhas não funcionam comigo.

- Ah não? — Mia descia a mão pela barriga máscula e musculosa. Ele parou a mão dela.

- Não.

- Nem interessa saber que sua querida e doce Gwendolyn está desaparecida, provavelmente raptada?

- Ela deve, enfim, ter tido a brilhante idéia de fugir para longe de você, o que eu não a culpo.

- Não. Ela não levou roupa alguma, nem mesmo os objetos dos quais ela nunca se separa.

- Não queria qualquer lembrança sua?

- Angelus! Até parece que não conhece Gwendolyn. Por mais que ela me odeie e odeie a forma que eu a trato, ela não teria coragem suficiente para abandonar o próprio lar.

- Tem razão... Neste ponto ela é um tanto covarde... Já a procurou pela cidade?

- Ainda não. Preciso de sua ajuda, Angelus. É noite de lua cheia. Uma noite perigosa, principalmente para nós, já que nossos piores inimigos estão à solta por aí. Por mais estranho que possa parecer, me preocupo com ela.

Angelus arqueou uma sobrancelha, mas não comentou.

- Olhe pela cidade, tavernas, esquinas... Enfim, por todos os lados. Deixe a floresta por minha responsabilidade. Hoje ainda, Gwendolyn estará em casa. Ou eu não me chamo Angelus.

Mia virou-se para sair. Tranformou-se novamente em morcego, mas antes de sair, perguntou:

- Ainda a ama?

Com todo o meu coração obscuro...

Gwen esperou que Frank adormecesse para agir. Assim que sentiu que a respiração dele tornava-se cada vez mais lenta e pesada, levantou-se sorrateiramente, pegou a chave da porta no colete dele e saiu.

A aldeia, ao contrário de quando chegou, estava movimentada. Em volta de uma fogueira, homens-lobos uivavam para a lua cheia. Por um instante, sentiu medo. Apenas por um instante. Ela sabia exatamente sobre o que se tratava, e sabia que precisava sair o quanto antes dali.

Começou a correr. Para seu infortúnio, fora vista. Vista e seguida. Tentava aumentar sua velocidade, mas com o pé ainda ferido, não era capaz. O lobo feroz estava a seu encalço, tão próximo que pulou sobre ela, jogando-a ao chão jogando-a ao ch a seu encalço, t Tentava aumentar sua velocidade, mas com o pue precisava sair o quanto antes dali.

ida pelos . Ela iniciou ali sua metamorfose, assustando a criatura que ainda estava sobre si.

- Então você é uma...

- Vampira? Sim eu sou. E estou faminta... – tentou capturar-lhe o pescoço, mas ele foi mais rápido em um movimento único que os fez rolar ao chão.

Quando, enfim, pararam, ele ficou sobre ela, disposto a atacá-la.

Angelus sobrevoava a floresta com seus olhos atentos a qualquer movimento, por menor que fosse. Até mesmo os passos de formiga não passavam despercebidos.

Ouviu outros passos. Desta vez, era uma criatura maior. Bem maior. Alguém corria: fato. Angelus se pendurou em uma árvore próxima e esperou. Pelo barulho das anáguas, se tratava de uma mulher. Sua apreensão aumentou quando ela se aproximou e ele pôde reconhecê-la. Sim, era ela. Gwendolyn.

Ele teria descido e a capturado se não tivesse avistado um Werewolf a seu encalço. Esperou um pouco, ainda não era o momento para atacá — lo.