Londons Sin

45 .Chapter Forty-Five.


Gerard se afastava de Michael cada vez mais assustado.

- Saia de perto de mim, demônio! — Gerard correu para o lado oposto.

- Gerard, eu não vou machucá-lo. — Michael transformou-se novamente, Gerard pareceu mais calmo e pensativo.

- Diga-me que tudo isso é armação...

- Como seria armação Gerard? Não teria como que me transformar de uma forma falsa.

- Eu... ficarei assim?

- De uma forma bem parecida...

- Oh meu Deus! — Gerard se abaixou com as mãos em sua cabeça. — Como eu me aproximarei de Lauren desta forma?

- Calma, Gee... Temos como controlar... Você não ficará daquela forma durante todo o dia. Apenas quando você o quiser...

- Não posso sair durante o dia?

- Não.

Gerard, mais uma vez, ficou pensativo.

- Então é por isso que você dorme durante todo o dia?

- Exatamente.

- O que será de mim, meu Deus? — Michael, mais uma vez riu e disse-lhe calmamente:

- Gerard, agora você não é mais uma criatura Divina...

- C-como?

- Somos seres...hum...obscuros.

Gerard andava de um lado para o outro pelo quarto, desesperado e inconformado.

- Vou acalmar nossos pais, que se assustaram com seu grito e ainda permanecem alarmados na sala.

- Eu ficarei assim para sempre? — mostrou-lhe o braço.

- Não. — Michael olhou para a cuia que levou o sangue para Gerard horas antes. — Vou trazer a cura. Espere por mim. — Michael saiu e, minutos depois, voltou com a cuia cheia de sangue. — Beba!

- O que é isso?

- Sangue. — Gerard devolveu-lhe a cuia cheia e olhava horrorizado para Michael. — É do que nos alimentamos e precisamos para sobreviver, Gerard.

Gerard olhou para o líquido escarlate e bebeu-o. Aos poucos, seu braço fora se regenerando.

- É bom... — lambia os próprios lábios. — Muito bom. — terminou de beber todo o conteúdo da cuia.

- Preciso voltar para o meu quarto e dormir. Faça o mesmo.

- E nossos pais?

- Já os acalmei.

- Michael, eu... preciso falar com Lauren.

- À noite, Gerard. Apenas à noite. Durma agora.

Assim dizendo, Michael saiu, deixando Gerard sozinho e extremamente confuso ao mundo de novidades que teria que carregar em seus ombros.

Rebecca ouviu quando Michael adentrou o quarto aonde dormia e fechou a porta. Esperaria por mais algumas horas. Ele deveria dormir...

Depois de muito esperar, disse a si mesma:

- Vamos, Rebecca! É hora de agir.

Pegou a estaca de madeira, que havia feito, e abriu a porta cuidadosamente. Era dia, então qualquer pessoa da família dele poderia vê-la. Estava vestida apenas com uma fina camisola de algodão, um presente de Michael, que comprou-lhe algumas coisas novas, já que havia perdido todas as suas com o incêndio. Portanto, não queria ser vista por ninguém. Verificou se a porta do quarto dele estava trancada e sentiu-se feliz por não estar. Entrou com cuidado, pisando pelas pontas dos pés. Rebecca se aproximava lentamente com a estaca em mãos. Estava disposta a ir até o fim, mesmo com seu coração em pedaços.

Michael dormia pesadamente. Provavelmente nem sentiria, algo que a consolava. Por mais que doesse ela precisava fazê-lo. Ele havia matado seus pais, precisava pagar por isto.

Criando coragem, posicionou a adaga sobre o peito dele, que, ao sentir o contato da madeira de encontro com a pele, segurou-a com força.

- Faça o que deve fazer. — disse à ela. Seus olhos brilhavam intensamente.

Rebecca ficou imóvel. Se antes ja se sentia incapaz de matar Michael, naquele momento se sentira ainda mais. Michael, ao sentir que ela relutava, começou a afundar a estaca no próprio peito, sem perfurá-lo.

- Vamos Becca! Mate-me!

- Eu odeio você, Michael!

- Acabe com o ódio existente em seu coração: mate-me!

A estaca aprofundava-se cada vez mais.

- Não! — Rebecca tirou a mão da estaca. — Eu não posso! Queria, mas não posso!

Ela tentou se afastar, mas ele a interrompeu, puxando-a pelo braço.

- Se me odeia tanto, por que não pode?

- Você não entende o porquê de eu te odiar...

- Entendo. Porque você pensa que eu matei seus pais.

- Não.

- Por que, então? O que eu fiz a você?

- Não importa, Michael! Poderia soltar o meu braço?

- Não. — Michael se endireitou na cama e a puxou, fazendo-a sentar-se à sua frente. — Por que, Rebecca?

Ela ficou muda. Olhava para ele, tentando demonstrar com o olhar, o quanto ela estava insegura.

- Diga-me, Rebecca! Nunca seria capaz de ferí-la, portanto pode falar.

Ela respirou fundo e olhou-o profundamente nos olhos.

- Eu te odeio, Michael, por te amar...

Belle se encontrava em sua casa. Havia saído pouco depois de, enfim, conseguir se livrar daquela imagem demoníaca. Estava irada. Quem Michael Way julgava ser para tratá-la daquele modo?

Gerard era dela. Por isso o havia transformado. Ele a pertencia e a pertenceria para sempre. Ela precisava trazê-lo para si... Agiria o mais depressa possível. Levaria-o para longe, onde jamais seria encontrado ou tirado de seu poder.

- Gerard, meu pequeno Gerard! Espere-me! Em breve o buscarei e seremos felizes por toda a eternidade...