London Love
10 Surpresa
Notas iniciais
Eu e Noah demoramos pelo menos meia hora discutindo qual filme seria, ainda mais porque ele queria assistir qualquer um terror ou coisa parecida. Claro, fiquei revoltada e disse que poderia ser até mesmo “Monstros S.A.”, mas terror nem pensar.
Ok, posso ser chata às vezes, porém filmes de terror na maioria das vezes são nojentos e não estou a fim de vomitar e não comer os cupcakes que eu e Noah fizemos.
– Eles já chegaram. – disse ele terminando o mesmo cupcake que estava comendo a minutos atrás. – Vou lá abrir a porta.
Eu nem havia respondido e Noah já estava indo em direção à porta para abri-la para os garotos, quem faziam a maior bagunça do lado de fora dizendo que Noah era um lerdo. Quando entraram, os gêmeos vieram rapidamente ao meu lado, enquanto Will vinha logo atrás brigando com eles por fazerem muita bagunça.
Olhei de relance para a porta sendo fechada pelo último dos garotos, o qual estava de costas com os cabelos negros bagunçados como sempre, usando uma blusa xadrez azul e jeans escuros um pouco amassados. Foquei nele por alguns instantes, até que ele se virou na minha direção, então desviei os olhos para Will e os gêmeos.
– Nossa, que cheiro bom. – disse Will se sentando no tapete da sala ao meu lado e colocando um braço ao redor de meus ombros. – Ei, vocês fizeram cupcakes?
– Sim. – falei rindo e dando um a ele. – Eu e Noah.
Will pareceu chocado.
– Espera, a cozinha está inteira e você também... então quer dizer que ele não explodiu ou botou fogo na casa do seu pai? – Will fez uma expressão espantada antes de levar um tapa na cabeça por Noah. – Ual, estou assustado.
Eu ri da piada enquanto os garotos se acomodavam no sofá se deliciando dos cupcakes.
– Milagres acontecem. – disse Zack rindo. – Pelo menos não aconteceu o mesmo acidente da casa do Henri. Noah resolveu fazer o jantar e conseguiu colocar fogo em tudo. – Noah franziu o cenho irritado. – Mas, Henri, a culpa é sua por deixa-lo cozinhar.
Henri estava na ponta do sofá, com uma expressão um pouco incomodada. Porém, não pelo fato de estar sendo difamado assim como Noah, mas sim por alguma outra coisa. E, bom, eu sabia exatamente o que era.
– Você queria o que? Que eu adivinhasse que Noah iria colocar fogo na minha cozinha? – por mais que isso tenha sido um comentário irônico, Henri não riu, ao contrário dos outros garotos.
Will saiu de meu lado tirando o braço que repousava sobre meus ombros e se sentou ao lado dos gêmeos no sofá, ficando apenas eu em pé. Obviamente os quatro estavam esperando eu escolher um lugar para sentar, entretanto, minha escolha estava entre me sentar ao lado de Noah e o outro, ao lado de Henri na outra ponta do sofá.
– Ahn... vocês podem escolher entre esses filmes que eu e Noah separamos... eu vou... na cozinha. – gaguejei deixando-os completamente confusos.
Sai disparadamente na direção da cozinha que eu e Noah havíamos limpado depois da bagunça de farinha e confetes de brigadeiro. Peguei um copo de água e o enchi até a boca, tomando-o rapidamente. Apoiei-me na bancada tentando respirar fundo.
Ok, são os garotos, não tem problema nenhum.
Eu não fazia a menor ideia que a presença de Henri seria tão confusa e constrangedora como estava sendo, principalmente porque os garotos estavam aqui e eu tinha que disfarçar. Respirei fundo lentamente e várias vezes tentando manter a calma e não parecer uma louca.
Obviamente, isso não estava dando muito certo.
– Scar? – sua voz rouca me tirou do transe dando-me um susto. Mas, a única coisa que consegui fazer foi ficar paralisada. – Você está bem?
Engoli um seco.
– Claro. – murmurei me virando na direção de Henri parado na entrada da cozinha. – Já decidiram o filme?
– Mais ou menos, eles estão brigando. – Henri revirou os olhos, mas isso não me fez rir como deveria. – Eu, ahn... acho que não foi bom eu vir, não é?
Franzi o cenho. Não esperava aquele tipo de pergunta vindo dele, ainda mais porque vê-lo admitir isso fora ainda mais estranho do que tê-lo ali.
– Por que acha isso?
– Porque sinto que eu estou incomodado e você ainda mais. – ele mordeu o lábio inferior, isso fez com que minhas pernas ficassem bambas. É, autocontrole é tudo na vida de uma mulher. – Eu disse que daria um tempo para você...
– Isso mesmo, você disse que daria um tempo para mim. – o interrompi. – Mas fora ideia de Noah, então ninguém pode culpar ninguém. Olha, Henri, vamos apenas fingir que nada aconteceu só por hoje. Acho que vai ser bom para ambos.
Henri saiu da entrada da cozinha dando passos vagarosos na minha direção com os olhos intensamente azuis cravados nos meus. Isso tirou meu fôlego, tanto quanto o beijo dele quando estávamos no London eye. Quando estava bem a minha frente, com a respiração confundindo-se a minha, ele sussurrou:
– Como quer que eu esqueça nosso beijo? – uma mão tocou levemente meu rosto. – Ou o que eu senti?
Engoli um seco sentindo que sua proximidade estava superestimando qualquer resto de autocontrole que ainda me restava. Se não fossem meus alarmes internos, eu teria me entregado e o agarrado ali mesmo.
– Henri... – sussurrei afastando-o lentamente. – Os garotos estão na sala.
Ele suspirou um pouco desapontado e se afastou de mim, indo para a sala antes de mim para não levantar qualquer suspeita. Quando finalmente me senti forte o bastante, voltei para a sala vendo os garotos se sentarem novamente no sofá como se nenhuma briga tivesse acontecido. Fui até o filme que eles haviam escolhido e soltei um pequeno riso.
– “Homem de ferro”? – levantei uma sobrancelha na direção deles, mas eles apenas deram de ombros. – Tudo bem, mas só porque Robert Downey Jr. está no filme.
Will e Henri me encararam chocados, principalmente Henri que levantou uma sobrancelha na minha direção me lançando uma indireta.
– O que?! – perguntei ofendida. – Ele pode ter mais de quarenta anos, mas ele é charmoso.
Ri da reação deles e coloquei o filme, finalmente tirando a atenção dos dois “arrasa corações” da The Blue para o filme “O homem de ferro”. Sentei-me ao lado de Noah – claro, né – e desfrutei do momento calmo naquele dia, tendo os quatro ali quietos prestando atenção apenas no filme e em mais nada. Tenho que admitir, estava sendo boa a companhia deles, a The Blue estava fazendo bem para mim.
Bom, exceto por aquele detalhe delicado.
O filme era longo, mais de 1h e meia e por isso eu já estava começando a pegar no sono quando estava na mais da metade do filme. Noah me olhou de rabo de olho e sorriu, apontando-me seu ombro. Sorri de volta e deitei minha cabeça em seu ombro e por pouco não cai no sono finalmente.
Olhei para a mesinha e encontrei a bandeja de cupcakes completamente vazia com apenas pedacinhos de chocolate deixados para trás. Pensei em levantar para leva-la para a cozinha, mas Noah colocou um braço ao redor de meus ombros e acabei me aconchegando mais, então desisti do que iria fazer.
Pelo menos até que o telefone de casa tocar.
A Sra. Godwing apareceu de repente e atendeu para mim apenas franzindo as sobrancelhas ao ver nos cinco sentados no sofá quase como crianças assistindo desenhos de manhã. É, se eu fosse ela também estaria fazendo esse tipo de expressão.
– Sra. White? – chamou-me ela. – É para você.
Franzi o cenho e me levantei do sofá indo ao telefone. Os meninos apenas me observaram indo ao telefone, mas desviaram a atenção para o filme quando uma cena de ação começou.
– Alô? – perguntei me sentindo incomodada de receber uma ligação. Se fossem meus avós ou Jes ou Ana, eles ligariam no meu celular e não na casa de meu pai.
– É a Srta. White? – ouvi uma voz grave e profunda dizer no telefone, coisa que me causou arrepios.
– Sim, sou eu.
– Aqui é Jason McNight, diretor do longo que a srta. fez o teste dois dias atrás. – engoli um seco. Ai meu Deus, era o diretor. – Estou ligando para dar o resultado do teste. Eu mandaria um dos produtores ou assistentes ligarem, mas nesse caso preferi ligar eu mesmo. Srta. White, seu teste foi um dos melhores que já vi e acredite, não digo isso muitas vezes.
Eu estava chocada. O diretor do filme estava dizendo que meu teste havia sido ótimo!
– Você conseguiu representar exatamente o tipo de vilão que eu gostaria de ter em meu filme. – franzi as sobrancelhas. Esperai, eu não fiz teste para um vilão... – Nós omitimos o fato de o personagem ser um vilão, pois isso altera um pouco o comportamento de alguns atores novos no mercado. Muitos deles começam a pensar “os donos do mundo”. – ele riu rapidamente. – Então, como já deve ter notado, eu gostaria muito de contratá-la como atriz para interpretar Valentina em meu filme.
Acho que eu teria um ataque cardíaco a qualquer segundo. Olhei para o lado e vi os garotos me encarando com curiosidade, provavelmente loucos para saber o motivo de minha expressão chocada e feliz.
– Ai meu Deus, obrigada! – falei um pouco alto demais. Tentei controlar minha voz e voltar ao normal. – Desculpe, quero dizer, isso é incrível! Fico muito feliz que meu teste tenha sido tão bom!
– E foi. – pelo tom da voz, eu pude notar que havia um sorriso. – Meus parabéns, você foi contratada.
E depois de alguns segundos, Jason McNight desligou o telefone.
Eu estava sem reações, completamente paralisada ao saber da melhor notícia de toda a minha vida. Era sorte demais para ser verdade, eu havia sido contratada por um dos melhores diretores e ainda por cima, faria o papel de vilão para o filme dele. Pisquei pelo menos uma vinte vezes achando ser tudo um sonho, aquele dia estava sendo surreal! Não apenas pelo o que aconteceu no London eye, mas porque eu havia acabado de receber a notícia de que atuaria de verdade e profissionalmente.
Meu Deus, eu tenho que estar sonhando!
– Acho que ela está tendo um ataque epilético. – sussurrou Will para Zack.
– Não, isso é loucura mesmo. – disse Noah sussurrando para Will antes de soltar um riso baixo. – Alguém interna ela!
– Será que ela está bem? – ouvi a voz muito baixa de Henri dizer.
– Não sei não. – disse Zack para Henri. – Mas estou preocupado.
Eu não conseguia me mover, ainda estava absorvendo toda a informação e tentando arrumar uma forma de dizer algo a eles.
– Scarlet? – perguntou Noah alto o suficiente para que eu escutasse. – Você está bem? O que aconteceu?
Arqueei uma sobrancelha me virando para eles e até para a Sra. Godwing que tinha um meio sorriso no rosto, pois de onde ela estava dava para ouvir tudo que era falado pelo telefone. Os quatro estavam já na ponta do sofá, olhando-me curiosamente e até mesmo de um jeito apavorado, o que me fez rir descontroladamente.
– Eu disse que era loucura. – disse Noah revirando os olhos para Will.
– Será que tem algum remédio para ela tomar? – ouvi Henri perguntando para a governanta num tom preocupado, mas ela apenas negou com a cabeça e soltou um risinho me acompanhando. – Ok, acho que ela não está bem.
– Heiley já teve esse ataque de riso. – disse Zack. – Foi quando conseguiu uma vaga no desfile da Vitoria’s Secret.
– Como assim você namora uma modelo da Vitoria’s Secret?! – berrou Will de forma chocada.
– Ué, achei que vocês sabiam. – ele deu de ombros. – Ei, eu sei que minha namorada é linda de morrer.
– Será que vocês podem parar de falar de modelos da Vitoria’s Secret?!! – berrou Henri. – Scarlet está ficando louca e vocês ai discutindo sobre a Heiley!
Ele parecia irritado com os garotos e bom, se esse era o jeito de Henri de disfarçar, não estava dando certo e é bom ele saber disso. Ele levantou do sofá e colocou as duas mãos em meus ombros tentando me acordar o transe enquanto me balançava violentamente. Ok, me senti uma boneca de pano e isso não é legal!
– Henri, Henri! – berrei fazendo-o parar de me balançar. – Eu estou bem, seu louco! Na verdade, bem até demais! Eu consegui! Vou fazer o filme! Henri, eu vou fazer o filme!
O que eu fiz fora um pouco precipitado, admito, mas abraçar Henri foi uma das melhores coisas que eu fiz de forma precipitada. Ele tinha braços fortes, um perfume viciante e ainda por cima, me aproximou ainda mais dele. Claro, eu estava aflita contando a notícia, mas os garotos pareceram ficar pior ainda quando pularam em cima de mim e Henri me abraçando com força e gritando alguma coisa confusa.
Acho que mesmo que tenham ocorrido coisas confusas na minha vida agora, esse tipo de momento deixa tudo melhor. Eu me senti, pela primeira vez, em uma família. Ter os garotos, meu pai e contando com meus avós e Jes e Ana, agora eu finalmente pude dizer que tinha uma família.
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