London Love
54 "Siga em frente"
Notas iniciais
“E o caso The Blue mais uma vez enche todas as manchetes de jornais do mundo todo, só que dessa vez sem acusações aos jovens cantores. Henri Price, Will Evans, Noah e Zack Thompson foram liberados de todas as acusações sobre o desvio de dinheiro para suas contas pessoais depois que a polícia recebeu uma ligação anônima com o ator Tyler Blackwell admitindo em tempo real sobre ter feito o desvio. A polícia ainda não divulgou o motivo que levou o ator a cometer esse crime para acusar a The Blue, porém temos informações que, além dele, duas pessoas que trabalhavam na gravadora responsável pelos garotos foram presos hoje de manhã ao serem incriminados por ajudar Tyler Blackwell. Seria uma vingança? Inveja? Não se sabe ao certo o que aconteceu, mas agora os fãs da The Blue podem respirar aliviados com a inocência dos jovens cantores.”
Eu estava tão acostumada com o inverno quente do Brasil, que me esquecera como na Inglaterra era possível congelar os dedos sem usar luvas em um dia de natal. Com as mãos escondidas dentro do casaco, fitei admirada a imagem de Henri e sua mini versão (ou irmã) Max brincando de guerra de bolas de neve. Henri estava ajoelhado atrás de um boneco de neve capenga que eu montara e a pequena corria de um lado para o outro entre duas moitas do jardim rindo algo e gritando para o irmão. Fazia, pelo menos, vinte minutos que eles guerreavam sem parar e o casaco preto de Henri já estava todo coberto pela neve branca, além do cabelo preto de ambos que agora exibia uma tonalidade branca em vários fios.
De longe encostada ao batente da entrada da casa dos pais dele, não pude conter o sorriso de satisfação com aquela imagem. Se não tivéssemos criado planos mirabolantes contra Tyler e seus “ajudantes”, essa cena definitivamente não aconteceria e Henri e os garotos estariam atrás das grades. Todas as brigas, riscos e perigos que passamos acabaram por valer a pena e eu via as consequências disso tudo ali naquela imagem adorável de Henri e sua irmã Mas jogando bolas de neve um no outro.
Ainda prestando atenção à guerra, senti meu celular vibrar no bolso do casaco e, ao pega-lo, encontrei a mensagem de meu pai com uma foto do local onde estavam passando a lua de mel. Com aquela foto, lembrei-me dos dias depois do casamento em que Tom e Anabelle, em que os dois ficaram em cima do muro achando que eu não aceitaria passar o natal sem a família. Claro, eu tive que insistir para que eles fossem, afinal, não passaria sozinha. Eu tinha uma família imensa em Londres, com pessoas que eu jamais achei que fossem fazer parte dela há anos atrás. Tinha meu pai, sua esposa, um namorado e amigos, colegas de trabalho e muito mais! Mesmo que eles passassem longe de mim, eu nunca estaria sozinha.
E com a mensagem, lembrei-me também dos garotos que passariam o natal em suas casas, as quais ficavam tão próximas daqui. Lembrei-me dos presentes de natal e das meias que recebi de Will.
“Não zombe das minhas meias, você vai ficar quente e estilosa! Não pode reclamar!” disse ele gargalhando ao me entregar um pacote imenso com uma dúzia de pares de meias coloridas.
– Ei, Scar, venha participar! – ouvi a pequena Max gritar de trás de um arbusto tirando-me de meu transe. No momento em que colocou sua cabeça para fora dos galhos, foi atingida por uma bola de neve e seguida pelo riso alto de Henri. – Não é justo! Henri, vou enterrar sua cabeça na neve!
Em resposta, o garoto – que por ser alto demais, mal conseguia esconder o corpo atrás de meu boneco de neve capenga – soltou mais um riso e tirou o chapéu no boneco colocando-o em sua própria cabeça.
– Quero ver conseguir! – gritou ele em resposta.
Eles continuaram jogando neve um no outro até eu ver que Max saiu de trás dos arbustos e correu até onde o irmão estava. No momento seguinte, eu mal pude conter o riso ao ver que ela se jogara em cima dele e que ambos rolavam na neve quase atingindo o boneco. Apenas assim eu resolvi ir até eles já que havia menos chances de ser atingida por uma montanha de neve e tivesse que participar da guerra.
– Vocês dois estão competindo para ver quem congela mais rápido ou o que? – zombei ao me aproximar e encontrar os dois Price com o corpo quase totalmente coberto pela neve branca.
Assim que Max saiu de cima dele, Henri se colocou de pé sendo seguido pela neve que caia de todos os pontos de sua roupa e cabeça, principalmente do cabelo que agora parecia bem mais comprido e cobria quase todo seu rosto.
– Sua mãe vai matar vocês. – eu disse rindo enquanto o ajudava a tirar a neve do cabelo.
– Ah, eu tenho quem culpar. – seus olhos fitaram de rabo de olho Max, quem se levantou apoiando-se em meu casaco e jogou mais uma bola de neve no casaco do irmão. – Ei! Eu estava quase limpo!
– Você não vai me culpar! – exclamou ela correndo na direção da casa. – Você que começou, Henri!
Rindo da cena, nós dois seguimos a pequena em direção à casa da família e Henri passou o braço ao redor de meus ombros trazendo-me mais para perto dele. Ele estava frio por conta da neve, mas assim que senti seu corpo mais próximo do meu, quase pude esquecer o frio que estava em Bradford. Juntos e quase dividindo o mesmo casaco, fomos até a varanda da casa sendo fuzilados pelo olhar irritado da pequena Max.
– Ainda está brava comigo?
Em resposta, ela assentiu e virou-se para a porta fazendo pirraça. Henri alternou seu olhar entre mim e a irmã mais nova e piscou na minha direção, de modo que eu soubesse que ele aprontaria alguma coisa. Lentamente, eu observei ele se aproximar de mim e puxar-me pelo casaco até que estivéssemos ainda mais juntos e mais lento ainda, ele deixou que seus lábios pousassem sobre os meus num beijo gelado que logo se tornou quente. Quando nos separamos, Max fez uma careta de nojo e corou bastante na região das bochechas.
– Desnecessário. – resmungou a garotinha.
Só para irritar ela, Henri me soltou por apenas alguns segundos antes de pegar a garota de surpresa e depositar um beijo na bochecha dela. Max gritou e o xingou de vários nomes antes de bater em seu peito mandando ele ficar longe dela. Mas como Henri permaneceu do jeito que estava, ela começou a rir e abraçou o pescoço do irmão de uma forma brincalhona.
Ok, eu sei que vou soar ainda mais iludida que no dia do casamento de meu pai, mas eu juro que imaginei Henri sendo pai naquele instante.
E, olha, eu gostei bastante da imagem que me veio à cabeça.
– Ai meu deus! – ouvimos a voz de Kate, a mãe dos dois, soou em algum ponto atrás de nós. Quando me virei, ela estava na porta da casa com a expressão surpresa e horrorizada ao mesmo tempo. – Max, Henri, olhem para as roupas de vocês!
De forma quase irritada, Kate seguiu até a pequena Max e bateu as mãos no vestido de frio da menina fazendo com que a neve se espalhasse por toda a varanda.
– Vá lá para dentro e peça para o seu pai te limpar. – mandou e Max nem sequer questionou. Dando pulinhos e risadinhas, a menina correu para dentro da casa gritando pelo pai.
Com um olhar ainda mais repreendedor, Kate fitou seu filho mais velho, quem agora coçava a nuca de maneira culpada. A mãe foi até ele e repetiu o mesmo ato que fez com Max e limpou todo o casaco preto de Henri, inclusive seu cabelo também preto bagunçando os fios para todos os lados quando o fez.
– Olha só para você, desse jeito a Scarlet vai pensar que é uma criança e não um homem. – zombou mesmo que séria. – Acho melhor trocar de casaco, vamos servir o jantar daqui meia hora.
Henri assentiu de forma brincalhona e depositou um beijo rápido no rosto da mãe antes de seguir apressado para dentro da casa deixando um rastro de neve pelo caminho. Kate revirou os olhos e acompanhou meu riso baixo enquanto éramos deixadas sozinhas.
– Ele não tem jeito. – murmurou ela de repente deixando que minha atenção se voltasse para Kate, quem soltou um longo suspiro antes de cruzar os braços e sorrir na minha direção. – Henri sempre foi agitado, desde criança, mas impressionante como ele fica ainda mais quando você está por perto. Sabe, Scar... eu fico feliz de ele ter encontrado alguém como você. Não deve ser fácil namorar alguém que vive na mídia, eu sempre fiquei preocupada desde que ele resolveu fazer parte da banda com os amigos. Achei que... ele acabasse sozinho. – Kate mordeu os lábios. – Bom, você sabe como uma mãe age. Eu só quero que ele seja feliz.
Por um momento, tive vontade de dizer que não sabia como uma mãe agia, porque, bom, eu de fato não sabia como. Desde criança, meu exemplo de mãe fora tão simplório e superficial que... não sabia como uma mãe deveria ser carinhosa, encorajadora. Na verdade, não sabia, Kate. Eu não sei como ela se sente em relação a Henri e isso me trazia uma dor horrenda no peito, de uma forma que eu tive que apenas engolir um seco e assentir de forma falsa para ela. Kate não precisava saber sobre essa parte de minha vida, não agora.
– E você o faz feliz. – continuou ela pousando a palma de sua mão sobre meu ombro direito. – Obrigada por isso, Scar.
Um sorriso triste brotou de meus lábios no instante em que Kate simplesmente passou os braços ao meu redor puxando-me para um abraço. No início, eu não sabia bem o que deveria fazer, mas logo deixei que a emoção me permitisse corresponder ao abraço dela e minhas pálpebras se fecharam. Talvez fosse o sentimentalismo do natal, quando todos estão juntos e aquela sensação de felicidade plena enche o coração até mesmo dos mais frios. É, talvez fosse o natal que estava me permitindo deixar o passado para trás, de preferência para bem longe de mim.
Por muito tempo, fiquei presa ao meu passado. Fiquei presa às lembranças das brigas de meus pais, da separação e quando me mandaram para o Brasil para que meus avós me criassem. Fiquei presa no pensamento de que meu pai não queria saber nada sobre mim, que ele preferia ficar sozinho na Inglaterra a ter em casa uma criança cheia de perguntas sobre a mãe não presente. Por um longo tempo, eu o imaginei trabalhando e saindo para festas todas as noites, como quem não se importa. E hoje, sei que todos os anos que passara longe de mim foram um tormento, que ele chorava sempre que se lembrava de mim ou minha mãe. Agora, eu sabia a verdade.
Fiquei presa ao passado sobre Tyler, sobre quando namoramos e ele me fez passar uma das maiores vergonhas da minha vida. Achei que nunca poderia esquecer o que ele me fez e isso causou todo o desejo de vingança em meu coração desde o momento em que o vi no set de filmagem do primeiro filme que eu participaria. Fiquei tão presa àquele passado, que não notei que ele apenas queria uma segunda chance e eu não fui capaz de simplesmente dizer não. Um simples não mudaria tudo.
Então, depois de tudo o que passei nos últimos meses, uma pequena frase surgia em minha mente depois de Kate se afastar e dizer que iria atrás de Max.
Siga em frente.
Nós ficamos presos demais em lembranças, em como fomos no passado e as vezes em momentos que nem sequer foram importantes. Não me canso de notar que, em muitos momentos, me perdi dentro de mim mesma e agia de forma que não aprovaria mais. Droga, isso não importa agora. Quem era Scarlet White meses atrás? Por acaso aquela Scarlet derrubaria Tyler daquela forma ou teria o enfrentado? Ela teria, no mínimo, se escondido em seu quarto e chorado por noites só por ter ouvido as coisas imbecis que ele disse. Ela culparia a todos, exceto pela pessoa que de fato merecia a culpa por diversas coisas.
Eu mesma.
No jantar, enquanto eu observava a família de Henri e suas conversas sobre o próximo natal e o fato do filho mais velho ser famoso, fiquei pensando – pela primeira vez – no futuro. O que aconteceria a partir dali? Eu continuaria namorando Henri? Seria amiga dos garotos da The Blue? Seria uma atriz famosa por mais bobo que isso pareça? Eu e meu pai continuaríamos tendo um relacionamento bom? Por mais que estivesse curiosa pela resposta, preferi deixar de lado cada mínima pergunta que me surgiu em mente durante o jantar. Nem ao menos durante aquela noite de natal, quando dormi no quarto de Max e ela me disse sobre o monstro de baixo de sua cama.
– Você enfrentou seus monstros, Scar? – perguntou ela no meio da noite balançando um coelho de pelúcia marrom no ar.
– Enfrentei. – minha voz não se passou de um murmúrio, mas estava tão silencioso, que eu sabia que ela havia ouvido. – E Henri tinha razão, Max. Agora eu posso dormir a noite.
O único som que ouvi depois de minha frase foi o risinho alegre de Max, que ainda balançava o coelho no ar imitando os sons dele como se o bicho pudesse voar ou tivesse asas. Eu estava deitada na segunda cama do quarto dela, a qual era usada as vezes por uma prima mais velha dos irmãos que costumava aparecer nos feriados. Porém, naquele em especial, a tal prima não aparecera e os pais de Henri me deixaram ficar com a cama. Claro, Henri teimou por um tempo dizendo que eu poderia ficar com ele no quarto e que não faríamos “coisas inapropriadas”, mas isso apenas rendeu em Kate furiosa e eu completamente constrangida.
Droga, Henri.
– Por que estou ouvindo meu nome na conversa de vocês? – disse de repente ele mesmo ao abrir a porta do quarto rapidamente e dar um susto em nós duas. – Estão fofocando sobre a minha beleza, não é?
– Larga a mão de ser metido, bobão! – ouvi Max dizer no momento em que jogou o tal coelho de pelúcia na direção da porta e atingindo certeiramente o irmão na cara.
Henri cuspiu os pelos que devem ter entrado em sua boca com o coelho em seu rosto e correu na direção da cama da irmã. Ele pulou em cima dos cobertores dela e ambos começaram uma guerra de travesseiros muito parecida com a de bolas de neve do começo do dia. E eu, claro, continuei ali apenas rindo do outro lado do quarto sentada de costas para a parede.
– Acho que sua mãe tem razão, Henri, eu vou pensar que você é uma criança e não um homem. – zombei vendo-o me fitar de uma maneira fingindo estar indignado.
– Sou uma criança que cresceu demais. – disse antes de ser atingido por um travesseiro. – Achei que soubesse disso, amor.
– Eu não. – ri no momento em que ele começou a fazer cocegas em Max, quem gritava e ria de forma desesperada. – Fui enganada esse tempo todo.
[...]
No último dia daquele ano, fiz uma coisa que deveria na verdade tirar todas as minhas noites de sono. O cemitério era ao sul da cidade, um local um tanto solitário e triste apesar de isso soar irônico. Havia muitas criptas assustadoras que me lembravam filmes sobre vampiros, lapides pequenas e solitárias, montes de terra compridos para famílias mais pobres e claro, os locais vazios sendo escavados por coveiros. Eu me sentia como em um filme de terror enquanto caminhava pelos corredores do cemitério, como se estivesse sendo perseguida por algum fantasma brincalhão que estivesse esperando o momento certo de puxar meu cabelo.
Mas quando cheguei enfim à lápide que pretendia, a sensação de ter um fantasma atrás de mim praticamente evaporou. No momento em que descobri sobre a morte de minha mãe, um vazio imenso tomou conta do meu ser, como se tivessem aberto um buraco em meu peito. De alguma maneira, eu criei expectativas de que, quando chegasse em Londres, teria alguma chance de eu encontra-la e pudesse perguntar “por que diabos você não me criou como uma mãe normal teria feito?”. Então, no momento que eu soube que jamais poderia fazer essa pergunta, foi como se tirassem uma parte de mim.
Fitei a lapide pequena e cinza envolta em grama no chão. Era estranho encarar àquilo, parecia um tanto mórbido e eu não sentia como se minha mãe estivesse enterrada ali. Meus dedos se apertaram firmes em torno da margarida que eu trouxe para colocar no túmulo, um estímulo em resposta ao pensamento sobre ela estar enterrada ali. Era engraçado eu estar segurando uma margarida, mas aquela flor parecia representar muito bem minha chegada à Londres e todo aquele ano que passara voando.
Ajoelhando-me em frente ao túmulo, pousei a flor bem em frente à lápide e um sorriso pequeno brotou em meus lábios.
– Oi, mãe. Espero que você tenha seguido em frente de onde seja lá que você esteja.
Logo que me coloquei de pé, um vento frio me fez abraçar ao próprio corpo, como num verdadeiro filme de terror. Paralisada e com medo, voltei a fitar a lápide apertando os braços ao meu redor.
– Uma margarida? Achei que não tivesse levado a ideia do Will a sério.
Assustada, virei-me rapidamente para trás encontrando um Noah de cenho franzido e todo encolhido em um casaco marrom escuro e uma touca vermelha vibrante. Ok, o quão fofo Noah parece de touca vermelha? Nem consigo explicar.
– Droga, Noah, faça algum barulho. Não sabia que assustar pessoas em cemitérios dá azar?!
– Desde quando você é supersticiosa, White? – perguntou ele rindo. – Mesmo que eu tivesse chegado com um megafone você iria se assustar. Estamos num cemitério!
– Ah, não me diga, gêmeo número 1. – revirei os olhos. – Vamos embora, isso aqui está me dando calafrios e temos que chegar na festa de aniversário do Will antes que ele devore o bolo que a Ana escondeu na geladeira da minha casa.
Noah assentiu enquanto já caminhava na direção da saída do cemitério, deixando-me um pouco para trás. Antes que pudesse seguir atrás dele, virei-me uma última vez para o túmulo de minha mãe, no qual agora parecia ainda mais solitário com a margarida posta à sua frente. Novamente, um pequeno sorriso surgiu em meus lábios e um pensamento me surgiu em mente “não sei você, mas eu segui em frente, mãe. Adeus.”.
– Ei, Scar, anda logo! – ouvi Noah gritar de longe na entrada do cemitério. Ele parecia muito pequeno entre os portões imensos do local. Atrás dele, eu via Henri com a cabeça para fora do carro estacionado. – Henri disse que Will encontrou o bolo!
– Droga, Will! – resmunguei enquanto corria em direção a eles. — Eu juro que se ele comer o bolo que eu demorei um dia inteiro para fazer, eu mato ele!!
E enquanto corria na direção do Range Rover preto estacionado em frente ao maior cemitério de Londres amaldiçoando os dedos de Will que poderiam ter tocado no bolo, mal notei quando o vento gelado varreu para longe a pequena margarida solitária da lápide de minha mãe. Agora e mais uma vez, o túmulo parecia ainda mais solitário que antes.
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