London Love

11 Primeiro dia de gravação


Notas iniciais
Geeeeeeente me perdoem a demora '---' sério, eu to escrevendo quatro fics ao mesmo tempo e acabei atrasando esse cap! Desculpem, desculpem, desculpem!!Prometo que posto o 12 daqui dois dias sem falta ok? Dessa vez eu juro de dedinho uhsushsuh Boa leitura!

Depois de uma longa conversa no telefone com meus avós e com Jes e Ana, finalmente consegui deitar em minha cama e fechar os olhos com um grande sorriso estampado nos lábios. Provavelmente aquele estava sendo meu melhor dia em Londres, mesmo com tantas outras coisas acontecendo, eu tinha que colocar isso de lado e me concentrar em realizar meu sonho de atuar.

No outro dia, acordei com o pé direito, nem ligando para vinte mensagens de Ana em meu celular, fui escovar os dentes e me trocar. Coloquei uma roupa confortável, já que teria que tirá-la para vestir o figurino de Valentina. As roupas de minha personagem eram um pouco reveladoras demais, o que me deixava constrangida, eram geralmente vestidos longos com uma grande fenda indo da barra até minha cintura ou corpetes e saias.

Quando cheguei no estúdio depois de pegar uma carona com meu pai, fui surpreendida por uma roupa um tanto constrangedora. Já na primeira cena que eu apareceria, era uma blusa vermelha de couro indo apenas até o meio de minha cintura e a saia, bom, comprida e com a fenda do lado esquerda. Claro, me senti bem envergonhada de usá-la, mas ainda bem que eram apenas alguns minutos de cena, afinal, meu personagem não aparecia tanto.

– No roteiro, Valentina tem um par romântico, não é? – perguntei para Daiana, uma das produtoras com quem fiz amizade. Ela era loira assim como eu, pequenos olhos escuros e uma pele um pouco morena, provavelmente vinha de algum lugar com praia.

– Sim, mas o ator ainda não foi escolhido por Jason. – disse ela. – Ele tem que escolher entre três atores ainda, então acho que o conhecerá daqui alguns dias, já que o personagem dele só aparece depois da metade do filme.

Senti-me melhor com essa notícia, pois não queria pensar em beijar ninguém logo no meu primeiro filme. Ainda mais porque eu tinha outros problemas relacionados a “beijos” para resolver.

A primeira cena do dia era tensa, eu teria que encenar uma parte em que Valentina tem uma briga séria com Ben, o mesmo com quem fiz uma cena para meu teste para o filme. Não era nada complicado, apenas uma cena um pouco sombria e assustadora.

– Lembre-se de fazer o mesmo do teste, Scarlet. – disse Jason antes de começar a cena. – Vocês dois têm que fazer contato visual durante toda a briga e Scarlet, não perca a expressão séria!

E assim, depois de ouvir um “Ação!” bem alto, começamos a cena já entrando no clima sério briga, tentei não perder o foco nenhuma vez, me concentrando em apenas fazer meu trabalho.

A briga durou bastante, até que finalmente ouvimos “Corta” e a cena mudaria para outra entre os dois personagens principais do filme. Eu estava animada em estar naquele ambiente, com toda aquela bagunça de câmeras, figurinos e iluminação, com muitas pessoas andando para todos os lados, mas com o silêncio durante a gravação.

Sai de lá e fui até onde estavam os figurinos para colocar a roupa que vim para o estúdio. Daiana estava lá, conversando com uma das atrizes de figuração e quando me viu, sorriu.

– E ai, como está sendo seu primeiro dia?

– Até agora incrível. – abri um sorriso. – Só fico triste de as minhas cenas serem curtas.

– Hoje você sai mais cedo, mas amanhã vamos gravar até tarde. – disse ela checando em uma prancheta em suas mãos. – As cenas iniciais são tranquilas, o problema são as finais. São sempre mais angustiantes, pois o filme está no final.

De acordo com Daiana, eu poderia ir embora daqui alguns minutos, mas decidi continuar no estúdio para observar Jason dirigindo e os avisos que ele dava, para mim eram bem importantes. Era bom para mim ficar por lá e aprender e, além do mais, quando eu saísse do estúdio, iria para a gravadora de meu pai, pois eu não queria ir para casa.

Tom estava estranho naquela manhã, porém eu já suspeitava que o porquê era o fato de ele ter chegado ontem e encontrado eu e os meninos vendo “O homem de ferro” no sofá e eu com a cabeça deitada no ombro de Noah. É, não é uma cena que algum pai gostaria de ver.

Depois de algumas horas apenas assistindo ao resto das gravações, resolvi ir embora, mas iria para casa, pois me sentia com sono. Consegui um táxi em um ponto bem próximo do estúdio e finalmente fui para casa morrendo de sono.

– Srta. White? – disse a governanta quando abriu a porta para mim. – Achei que as gravações iriam demorar um pouco.

– Eu também. – falei antes de bocejar. – Amanhã vou trabalhar até tarde, mas hoje as cenas foram curtas.

Entrei em casa e fui direto para o banheiro para tomar um banho bem longo. A água quente que escorria pela minha cabeça e corpo estava conseguindo me relaxar, meus pensamentos chegaram até a fluir mais depressa. Fiquei por lá por vários minutos e quando me senti mais relaxada, sai do banheiro enrolada a uma toalha, porque havia escolhido minhas roupas no quarto.

Abri a porta sem olhar para dentro do quarto e quando fechei a porta e me virei na direção de minha cama, gritei.

– Mas que merda você está fazendo aqui?! – berrei logo depois do grito sentindo meu rosto queimar de tão vermelho por estar só de toalha na frente dele.

– Ei, calma! – disse Henri depois do susto que dei nele por causa do grito. Ele estava sentado na ponta de minha cama, porém havia se levantado ao me ver. – Desculpa pelo susto!

Peguei minhas roupas penduradas na cadeira da escrivaninha – as mesmas roupas que eu deveria ter levado para o banheiro – e tentei me cobrir com elas.

– Ok, mas o que você está fazendo aqui no meu quarto?! – perguntei irritada.

– A governanta assustadora me deixou entrar. – disse ele fazendo uma careta. Ele e Noah se referiam à Sra. Godwing da mesma forma e nem posso culpa-los, já que essa também foi minha primeira impressão dela quando cheguei na casa. – Ela disse que você estava aqui, mas não sabia que você estava tomando banho.

Soltei um suspiro longo ainda sentindo minha pele do rosto completamente quente e vermelha. Ele agia como se eu não estivesse só com uma toalha cobrindo o corpo bem a sua frente, provavelmente Henri estava achando muita graça disso tudo, era a cara dele pensar nisso.

Mordi o lábio quando ficamos em silêncio. Eu estava irritada por ele não perceber que era para sair e me deixar trocar de roupa.

– Então... acho melhor você sair. – falei apontando para a porta. – Preciso... ahn, colocar uma roupa que não seja uma toalha.

Ele piscou várias vezes como se estivesse acordando de um transe. Olhou para os lados um pouco nervoso e depois caminhou na direção da porta.

– Ah... claro, desculpe de novo. – disse antes de sair e fechar a porta logo atrás dele.

Suspirei fechando os olhos tentando controlar minha respiração acelerada. Droga, Henri Price estava no meu quarto, ou melhor, do lado de fora do meu quarto e ainda havia visto eu apenas de toalha. Tentei pensar em todas as opções possíveis do porquê que ele estava na minha casa, porém nenhuma realmente boa me veio a mente. Então, o que aquele louco estava fazendo ali?

Coloquei um shorts jeans rasgado, uma blusa vermelha e um all star qualquer, penteei meu cabelo ainda molhado e respirei fundo antes de abrir a porta novamente. Quando o fiz, ele estava parado a poucos metros dali, com uma das mãos no bolso da calça e a outra, segurando seu celular vendo alguma coisa.

– Pode entrar agora. – murmurei fazendo-o dirigir os olhos para mim. – Pelo menos não estou só de toalha.

Ele coçou a nuca parecendo um pouco nervoso com aquela cena.

– Desculpe de novo por isso. – disse ele entrando no quarto depois que fechei a porta e me virei para ele. – Eu deveria ter esperado na sala.

– Claro, porque você adoraria ser observado pela Sra. Godwing. – falei com a voz carregada de sarcasmo. Henri riu de minha piada.

– É, seria estranho.

Ficamos em silêncio por alguns instantes constrangedores, olhando para todos os lados, exceto um para o outro. Vê-lo ali perto de mim novamente me fazia lembrar da cena da cozinha “Como eu poderia esquecer de nosso beijo? Ou do que senti? Disse ele por pouco não me beijando. Eu ainda sentia meus lábios formigarem todas as vezes que tocava os dedos, lembrando do beijo no London eye. Fora um beijo intenso, confuso e com tantos sentimentos perdidos. Isso tirava meu fôlego, fazia meus batimentos cardíacos aumentarem.

Toquei a ponta de meus dedos sobre meus lábios num movimento involuntário, o que fez com que Henri desviasse os olhos azuis na minha direção.

– E então... por que veio aqui? – perguntei tentando desviar meus olhos dos seus, pois começava a sentir meu rosto esquentando.

– Eu, ahn... queria saber como foi seu primeiro dia. – disse ele coçando a cabeça. Sentei-me na cadeira da escrivaninha e ele, na ponta de minha cama parecendo desconfortável com aquela cena. – Sabe, os garotos estavam curiosos, mas só conseguimos sair agora. Hoje foi um dia puxado.

– Ah. – murmurei. – Foi legal, gravei uma cena curta hoje, mas amanhã vou passar o dia todo no estúdio. Nem todos os atores foram escolhidos ainda, por isso as cenas de hoje foram pequenas. Mas exceto por isso, foi incrível. Acho que escolhi a carreira certa.

Henri sorriu de orelha à orelha.

– Isso é ótimo! Fico feliz por você, Scar. – ele se levantou de minha cama como se estivesse prestes a ir embora. Parou por alguns instantes à frente da porta, porém voltou na minha direção. – E... sobre aquilo que eu disse ontem...

– Não foi por causa do meu trabalho que você veio aqui, não é? – interrompi-o com uma sobrancelha arqueada. Henri engoliu um seco. – Quero dizer, se fosse por causa das gravações, você não estaria tão nervoso.

Ele piscou várias vezes novamente antes de dizer qualquer coisa.

– Ok, não é. – admitiu. – Eu... ahn... queria pedir desculpas por ontem na cozinha. Eu disse que daria um tempo a você e disse aquelas coisas... não foi certo da minha parte. – ele olhava para os pés. – Então... é isso.

Arqueei uma sobrancelha. Henri poderia ser tudo – charmoso, bonito, engraçado e sério – mas quando se tratava de assuntos como esse, bom, ele era péssimo.

– Entendi. – resmunguei levantando-me da cadeira da escrivaninha. – Mas sabe o que acho? Nós tentamos dar tempo um para o outro, porém, nenhum dos dois consegue ficar um minuto longe. Isso não está dando certo, Henri. – mordi os lábios. – Você disse que daríamos um jeito. Mas acho que isso não vai dar certo, meu pai não pode nem suspeitar de nós.

Henri franziu o cenho.

– Você está terminando comigo? – ele bem que tentou ficar sério, mas acabou soltando o riso logo depois. Ok, eu também tive que rir, pois isso soou tão idiota quanto eu tentando parar uma briga dos gêmeos. – Ah, claro, como se tivéssemos alguma coisa para terminar.

Nós dois começamos a rir novamente como duas pessoas completamente piradas. Sentei-me na beirada da cama terminando de rir e ele, sentou-se ao meu lado.

– Vamos mudar de assunto. – falei caindo deitada para trás. – Nunca me contou nada sobre você.

– É que não tem muito o que contar. – ele se deitou ao meu lado. – Bom, eu nasci em Bradford como todos os garotos, tenho uma irmã pequena chamada Lessie e meus pais odeiam minha fama. E antes que você pergunte, é, eles não gostam de me ver sempre em todos os jornais e revistas e sempre falado na tv. – ele suspirou. – Lessie nem sabe o que está acontecendo direito, ela não entende porque só a vejo no final de semana.

– Ela deve sentir sua falta.

– É. – Henri virou o rosto na minha direção. – Também sinto falta dela. Mas, é por uma boa causa, esse é meu trabalho, ficar longe da família faz parte do que faço.

Abaixei os olhos entendendo exatamente o que ele queria dizer. Eu estava longe de meus avós, eles haviam substituído meus pais desde que tenho oito anos e ficar longe deles estava sendo difícil, porém, necessário se eu quisesse realizar meu sonho.

– Sei bem como é. – murmurei. – Ficar longe da família é uma escolha se quer realizar um sonho.

Ficamos conversando sobre nós por um longo tempo, rindo, dizendo coisas bobas e nos conhecendo. Henri era mais ou menos o que eu esperava, amava a família mais do que tudo no mundo, adorava o que fazia e se sentia melhor quando cantava. Isso eu sabia, já havia o visto cantar e é como se ele tivesse uma ligação com a música, pode senti-la na pele, funciona quase como um remédio.

Depois daquela conversa, Henri me pareceu mais próximo e por mais estranho que seja, ele é mais parecido comigo do que já imaginei.

Notas finais
Owwwwn Harlet é tão fofo! O que acharam?