London Love

2 Olá de novo, frio


Notas iniciais
Heey ai vai o próximo cap como prometido! Tomara que vocês gostem bbs, qualquer coisa me mandem uma MP ou no twitter @delespaces

O taxista não demorou muito para chegar bem a frente da grande casa de meu pai. Maldito frio, estava congelante do lado de fora do carro, mesmo eu com centenas de blusas, ainda não conseguia me acostumar com aquele frio intenso de inverno, sendo que eu já o conhecia muito bem.

Desci do carro ainda encarando a casa enquanto o taxista pegava minhas malas e me ajudava a leva-las até a porta da casa, e depois de pegar o dinheiro, desapareceu em seu carro, me deixando sozinha ali. Havia um jardim longo, lotado de flores muito bem cultivadas seguindo o caminho até a casa de pintura branca e bem cuidada.

– O senhor sabe onde é a casa de... ahn, Tom White? – perguntei ao taxista me sentindo estúpida em me referir ao meu pai assim.

O homem me olhou pelo espelho como se eu fosse louca.

– Claro, vou leva-la até lá. – disse ele secamente. Depois, ouvi-o murmurar algo como “porcaria de fãs malucas”.

Claro, quase me esqueci de dizer. Meu pai era o grande Tom White, empresário musical de centenas de bandas muito bem conhecidas em todo Reino Unido. Mas, eu odiava dizer que meu nome era Scarlet White e por isso, omitia o sobrenome para que ninguém me perguntasse estupidamente “Ai meu Deus!! Você é filha de Tom White! Conhece os The Blue, né? Nossa, que pergunta idiota, é claro que conhece! Como eles são?!!”

Os The Blue eram a banda mais conhecida de meu pai, foram descobertos na região de Bradford quando cantavam em bares por toda a cidade. Ok, tenho que admitir, eu amava a banda. Posso me considerar uma fã completamente louca por eles, mas ninguém – exceto Ana e Jes – sabia disso, pois o empresário deles, era meu pai.

Tirei o fone de ouvido – que por obra do destino estava tocando o maior sucesso dos The Blue, “Best love” – e finalmente tive coragem de tocar a campainha. Mas então, um desespero tomou conta de mim ao ouvir passos do outro lado da porta.

O que eu diria a ele?

O que eu faria?

Droga.

Meu pai finalmente abriu a porta se revelando bem diferente do que eu lembrava – cabelos escuros com alguns resquícios de fios brancos, a mesma pele esbranquiçada como a minha, os olhos azuis severos e... um pouco mais gordo do que eu lembrava. Ele ficou me encarando por algum tempo até que um sorriso grande se instalou em seus lábios antes que ele me puxasse para um abraço.

– Scarlet! Finalmente! – disse entre o abraço. – Seus avós me ligaram ontem a noite dizendo que você viria hoje. Eu estava muito ansioso para ver minha mais nova estrela de Hollywood!

Estava?

– Ahn... oi, pai. – murmurei sem muito o que dizer. Tudo bem, eu estava completamente constrangida com aquela situação, principalmente porque logo atrás de meu pai, estava uma mulher séria, de pele enrugada e olhos severos me encarando.

– Como foi a viagem? – acabei murmurando apenas um “bem” antes que ele pudesse me puxar para dentro da casa na direção da mulher de olhos severos que começava a me meter medo. – Essa é a governanta da casa, Sra. Godwing. Ela vai cuidar de você quando eu não estiver aqui.

Nós duas nos cumprimentamos (mesmo com minhas pernas tremendo de medo dela) e meu pai me levou para uma espécie de tour pela casa. Tenho que dizer, era um local muito grande, aquele tipo de casarão antigo que foi reformado para parecer mais moderno e sofisticado – de pé alto, algumas colunas de marfim pela sala principal indo até uma escadaria em forma de meio-círculo até o próximo andar. Ele me mostrou a sala, a cozinha (muito moderna, por sinal) até o segundo andar, onde se seguia um corredor largo. Havia quatro quartos sem contar o da governanta, sendo o meu o último do corredor. Meu pai me levou até ele e quando abriu... bom, eu tive um ataque cardíaco.

O quarto era bem maior que meu antigo, com alguns móveis como escrivaninha, prateleira para uma enorme quantidade de livros e uma cama de casal bem no centro. Havia um candelabro pequeno (eu estava rezando para não ser de cristal) bem no centro do cômodo. Não havia janela, apenas uma abertura de portas duplas que se abria e revelava uma sacada grande, com cadeiras e até uma espreguiçadeira.

– Ual. – resmunguei. – Pai... isso é incrível! O quarto é lindo demais.

Ele estava parado na porta com um grande sorriso estampado nos lábios vendo o quão alegre eu estava sobre o quarto. Ao lado dele, acabei me pegando de surpresa ao ver que até mesmo a governanta parecia feliz com minhas reações, provavelmente ela sabia sobre minha história com meus pais.

– Fico contente que gostou do quarto, filha. – disse ele ainda com um sorriso. – Fique à vontade para arrumar suas coisas, a Sra. Godwing pode ajuda-la se precisar. Enquanto isso, eu vou estar no meu escritório resolvendo alguns... problemas.

E com isso, os dois se retiraram do quarto me deixando ainda completamente apavorada com aquele local. Pois é, eu estava sorrindo de medo (isso é coisa de louco, acho que sou louca) com aquela situação – o quarto, o reencontro com meu pai, o fato de eu estar na Inglaterra novamente.

Isso é assustador!

Peguei minha agenda e verifiquei mais uma vez o dia do teste, seria exatamente daqui dois dias, então, eu teria algum tempo para voltar a aprender inglês e me acostumar com tudo o que estava acontecendo.

Eu trazia comigo um caderno com todas minhas anotações das aulas de teatro, assim, poderia ensaiar um pouco minha forma de falar e como agir como atriz. De acordo com o pai de Jes, meu papel não seria de protagonista, e sim apenas um personagem que apareceria algumas vezes do começo e meio do filme. O diretor, Jason McNight pareceu uma pessoa bem calma e simpática no telefone quando conversei com ele sobre o teste. Eu estava apavorada, mas ele não pareceu perceber isso, o que aumentava minhas chances.

Eu queria muito esse papel. Meu grande sonho, desde que descobri meu talento, era conseguir atuar com grandes atores, diretores famosos e principalmente, fugir de meu passado e ser alguém importante.

Arrumei minhas coisas colocando roupas dos cabides, sapatos nos “cubinhos” dos armários e outras coisas no banheiro bem ao lado de meu quarto. Em algumas horas, eu já havia conseguido arrumar tudo. Meu estômago começou a roncar instantaneamente, e pude ter certeza que já estava na hora do jantar quando senti o cheiro maravilhoso vindo do andar de baixo.

– Srta. White, o jantar está servido. – bem a tempo, lá estava a governanta me lançando seu olhar severo e com um sorriso perturbador nos lábios. Tentei sorrir de volta ao avisar que já estava indo antes de vê-la saindo.

Desci a escada de meio círculo e encontrei meu pai sentado à mesa de jantar terminando de colocar alguns legumes em seu prato. Ao me ver, mais uma vez ele esboçou um sorriso estranhamente convidativo.

– E então, filha, conseguiu arrumar tudo? – disse ele tentando puxar assunto. Me sentei do outro lado da mesa me servindo com algumas coisas muito saborosas. – Vi que trouxe muitas malas.

– Com dificuldade, mas consegui. – forcei um sorriso. – O quarto tem mais espaço do que minhas coisas. Minha antiga casa do Brasil é muito menor que essa, mas ainda assim, obrigada pelo quarto, pai. É lindo.

Ele sorriu parecendo contente em saber disso e continuou seu jantar em silêncio enquanto eu observava a governanta passear pela casa andando de um lado para o outro. É, os dias ali seriam longos.

– Quando é seu teste? – perguntou ele quebrando o silêncio constrangedor da casa.

– Daqui dois dias. – eu disse terminando de comer. – É com o diretor Jason McNight, mas não vou ser protagonista nem nada assim. Só mais um personagem com poucas falas e poucas cenas.

– Bom, sempre temos que começar de algum lugar. – murmurou ele sorridente. Aquele sorriso já estava me irritando. – Depois que eu e sua mãe nos separamos, eu não esperava fazer tanto sucesso como empresário musical. Só quando descobri os quatro meninos do The Blue que percebi que uma carreira começa sempre e baixo.

– Achou que a separação ia impedi-lo de fazer sucesso?

– Não, impediria que eu fosse a mesma pessoa. – sua expressão tornou a ficar séria e pensativa. – A separação acabou comigo por algum tempo, eu só continuei trabalhando porque ela me ligava dia e noite dizendo o quão babaca eu era.

Isso me fez ficar irritada de repente. Então minha fez questão de todos os dias esfregar na cara de meu pai que ele era um babaca? E se isso foi o estopim para que eles esquecessem completamente de mim?

Ah, quem estou querendo enganar, é claro que foi isso!

– Então minha mãe fez isso? – perguntei sentindo meu rosto corar, mas não por vergonha e sim, por raiva. – Por que ela fez isso?! Parece até que queria mesmo eu fora da vida de vocês, se não queriam uma filha, por que não dizer na minha cara logo?!

Eu havia ido longe demais, sei disso. Sei muito bem a expressão dele quando empurrei a cadeira para poder sair correndo até a escada e finalmente poder me trancar no quarto. Acho que não ligo realmente. Não estou aqui para fazer as pazes com meus pais, estou em Londres, do outro lado do oceano porque quero realizar meu sonho de me tornar atriz.

Voltar para essa droga de cidade fria nunca foi meu sonho.

[...]

Não sei por quantas horas dormi chorando, só sei que acordei quando tudo estava apagado pela casa. Verifiquei meu celular e mandei as inúmeras mensagens para Ana e Jes, fiz algumas ligações para meus avós e finalmente me senti melhor.

Fui até o banheiro e senti revivendo aquela cena em que acordei depois do pesadelo com o rosto molhado de lágrimas. Estava acontecendo novamente, porém, de um jeito um pouco pior. Eu pude dizer o que sempre quis bem na cara de meu pai, coisas que mantive dentro de mim na esperança de dizer finalmente para ele.

Estava feito.

Seria bem complicado ver a cara dele no outro dia, mas foi um preço que eu teria que pagar. Afinal, por quase 8 anos eu fiquei esperando para dizer aquilo para ele.

“Scar, você estava estranha no telefone. Tem que me contar o que aconteceu amanhã, entendeu? Haha – Ana”

Engoli um seco. Ana ia me entender, mas Jes, nossa, Jes iria arrancar meu coro só por eu ter falado naquele tom com meu pai.

Deixei as coisas de lado e voltei a dormir, deixando que o sono tomasse conta de mim, deixando que minha visão escurecesse aos poucos até que finalmente adormeci.

Notas finais
E ai, o que acharam? Me digam, não sejam tímidos!