London Love
46 O detetive
Notas iniciais
– Ok, o que foi isso?
Eu e Ana estávamos em meu quarto, o último do corredor estreito do segundo andar da casa de meu pai. Depois do que acontecera naquele corredor com a minha chegada na casa após passar a noite fora, eu realmente pensei que causaria uma segunda briga séria com todos, porém para a minha surpresa, Tom pareceu simplesmente nem sequer dar atenção ao fato de que eu poderia ter estado com Henri. Alguém o havia feito mudar de ideia e não havia dúvidas de que a responsável fora sua futura esposa, Anabelle Fitzpatrick. Desde o dia em que me contara sobre ser madrinha de Henri Price, eu soube que havia encontrado uma ajuda para mudar a opinião de Tom sobre ele, mas nem fazia a menor ideia de que ela me ajudaria tão rápido assim.
Em menos de um dia, Tom parecia finalmente aceitar.
– Não faço a menor ideia. – resmunguei jogando-me sobre minha cama ainda com a toalha envolta em meu cabelo. Havia acabado de sair do banho e me surpreendi ao encontrar Ana ali querendo conversar sobre o que ocorreu no corredor. – Mas parece que Anabelle fez Tom se acalmar.
– Ou foi o casamento. – Ana deu de ombros. – Vai saber o que ele ganhou para mudar de ideia...
Interrompendo, fiz um sinal com as mãos para o alto para que ela parasse.
– ECA! – exclamei mal conseguindo esconder o tom de nojo. Ok, eu definitivamente não precisava saber disso. – Não vamos falar sobre isso. Saber o que meu pai e sua namorada fazem no quarto é a ultima coisa que pretendo saber hoje. – franzi o cenho ao voltar a imaginar isso. — Mas eu ainda quero tentar entender o que ela disse afinal. Não é nada fácil lidar com Tom e olha que estou tentando fazer isso há quase um ano.
– Vai saber quanto tempo faz que eles estão juntos, Scar. – Ana estava ocupada demais tirando as pontas duplas de seu cabelo, porém eu sabia que sua atenção estava voltada a toda a bagunça emocional em minha casa. – Pode ser que a boneca assassina está lidando com ele há um bom tempo.
Cerrei os olhos enquanto encarava Ana de forma desconfiada. Minha amiga estava sentada na cadeira de minha escrivaninha usando a mesa como apoio para seus pés. Ela me encarou de volta e deu de ombros não notando que poderia ter falado algo errado.
– Nem pense em me encarar com essa cara feia. O que interessa mesmo é que ele não fez uma cena porque você passou a noite fora. – e assim como sua expressão de pura seriedade desapareceu, em seu lugar surgiu um mínimo sorriso recheado de malícia. – E então, como foi a noite?
Sem conseguir segurá-lo, acabei por rir sozinha com as lembranças da noite anterior. Perdi-me em imagens e recriei cada cena mentalmente sentindo que a mesma paz interior que surgiu naquela noite, fosse passada para cada um de meus membros de novo. Era como sentir os braços de Henri ao meu redor como num sonho e cada mínimo detalhe que acontecera.
Porém assim como as imagens vieram, o detalhe de que ainda não havíamos nos falado desde de manhã, também o acompanhara.
– Ótima. – murmurei sentando-me na ponta da cama e sorrindo feito uma boba. – Você não faz a menor ideia.
Ana negou levemente com um movimento da cabeça e exibia um meio sorriso travesso.
– Nunca vi você tão feliz assim. – murmurou ela sentando-se ao meu lado na cama. Apesar de não olhar diretamente para mim, eu sabia bem o que estava pensando. – Nem mesmo quando eu e Jes demos a notícia de que ela havia conseguido um teste para você aqui em Londres. – agora, a expressão de Ana estava melancólica de uma forma que eu jamais havia visto antes. – Eu fico lembrando dessa época quando você morava no Brasil conosco e mal sabia falar português. Lembro quando chegou e eu e Jes tivemos que pesquisar no google como conversar com você, porque nenhuma de nós sabia tão bem inglês.
– Eu não entendia nada o que diziam. – nós rimos baixinho com essa frase. – Nem mesmo quando Jes tentava me explicar onde eram as salas de aula na escola.
– Você se perdeu e foi parar no laboratório de ciências. – lembrou Ana e nós gargalhamos mais uma vez. – Xingou Jes um tempão em inglês e até hoje ela não sabe o que você disse.
– “Se você quiser aprender inglês, posso contratar um burro que saiba.” – repeti lembrando-me bem do que havia falado.
Ela me fitou por alguns instantes confusa com aquela frase e quando enfim entendeu, começou a rir.
– Ual, você tinha um senso de humor estranho desde aquela época.
Nós ficamos daquela forma conversando e rindo sobre as lembranças do passado por um bom tempo. Não havia nada mais reconfortante do que ter uma melhor amiga e quase irmã ao seu lado num momento que sua cabeça parece querer explodir a qualquer momento. Eu já conseguia pensar com mais clareza e me sentir mais calma em relação a tudo o que estava acontecendo ao meu redor, principalmente sobre a The Blue e o misterioso convite de Tyler. Eu havia jogado o assunto sobre o casamento de Tom de lado em minha mente e pensava esse ser o assunto menos importante do momento, afinal, um casamento era algo feliz e não se tratava de convites assustadores e desvios de uma alta quantidade de dinheiro.
Eu sabia que devia permanecer em foco com meu trabalho, ainda mais em uma época tão importante quando ele estava prestes a estrear pelo mundo afora. Porém, como não havia nada para eu fazer além de ir à algumas entrevistas com o resto do elenco, minha atenção estava mais voltada a The Blue e o fato de eu ser madrinha. Eles precisavam de mim e ficar apenas esperando que um detetive particular nos dissesse o que achara, não ajudaria em nada.
Bom, eu achava isso. Pelo menos até Noah me ligar 5h da manhã.
– Scar, ele achou alguma coisa! – berrou um Noah aflito e um tanto agitado considerando as horas. Mesmo de longe, eu praticamente podia sentir ele saltitando com o celular em mãos. – Vamos reunir todo mundo hoje da minha casa! Você tem que trazer a Ana e Jordan, ok? Elas sabem demais para ficar fora dessa. – ele falava depressa demais e eu já começava a não entender mais nada. – Na verdade, tem que trazer Ana de qualquer jeito, porque ela fica muito engraçada quando se irrita. Principalmente quando Tyler é o motivo para ficar irritada. Ela vem, não é? Eu...
– Noah! – interrompi alto fazendo-o finalmente parar. – Será que você não percebeu que horas são?! Eu nem acordei ainda e você está me lançando uma dúzia de perguntas!
– Opa. – murmurou ele soltando um risinho baixo. – Desculpe, Scar, acho que me empolguei.
– Tudo bem. – um suspiro cansado escapou de meus lábios. – Vou fazer tudo o que me pediu, ok? Vou levar Ana e Jordan e nos reunimos na sua casa de tarde.
– Ok, Scar! – exclamou ele feliz. – Nos vemos mais tarde.
Assim que ele desligou, eu desmaiei sobre os travesseiros dormindo como um bebê e, por sorte, sem sonhar com nenhum bad boy com segundas intenções ou um garoto loiro saltitante.
[...]
Logo pela manhã quando meu despertador tocou de forma constante e irritante bem ao lado de meu ouvido, coloquei-me de pé pronta para receber as bombas do dia. Resolvi que vestiria uma calça jeans de tecido claro, botas pretas, uma camisa xadrez esverdeada e por cima, uma jaqueta de couro preta que guardara de minha época no Brasil. Fazia anos que nem sequer olhava para aquela jaqueta e, para a minha surpresa, ela ainda servia como uma luva.
Enquanto caçava o café que a Sra. Godwing fizera quase que de madrugada, temi que fosse encontrar Anabelle ou Tom perambulando pela casa apenas para me lembrar do que aconteceu noite passada. Ainda não conseguia engolir o fato de que ela conseguira mudar a opinião de meu pai e ainda por cima, conseguira fazê-lo não brigar comigo por ter passado a noite fora. Sem ela ali, ele teria feito um churrasco da minha carcaça e nem sequer sobrariam os ossos. Provavelmente teríamos nos metido numa briga eterna, mas ela havia me salvo.
Mas conforme experimentava o café e assistia à algum programa de notícias matinais, avistei o pior de meus pesadelos arrastando uma pantufa azul escura por entre a entrada da cozinha e um roupão com estampa de rosas vermelhas.
Não, não era Tom e muito menos Anabelle.
Era só a Sra. Godwing mesmo. Só que eu nunca a havia visto daquela forma – o roupão caia um pouco sobre os ombros e o cabelo grisalho que sempre esteve preso em um coque perfeito agora caia sobre os olhos cansados e envoltos por olheiras. Ela quase não parecia a mesma comparando com a versão que eu sempre vi dela.
– Ahn... Sra. Godwing? – me atrevi a chamar.
A governanta indicou que eu fizesse silêncio e apoiou-se na bancada da cozinha.
– Srta. White, você acorda cedo demais. – resmungou ela coçando os olhos. – Nem amanheceu direito ainda.
Bom, eu realmente acordava mesmo cedo demais. Desde que as filmagens do filme de Jason começaram, eu não conseguia perder a mania de quase madrugar todos os dias por causa da ansiedade, tanto que acabou por se tornar uma rotina diária. Mas desde que essa rotina começou, eu ainda não havia visto a governanta da casa de Tom daquela forma cansada, quase como se um furacão tivesse a jogado de um lado para o outro.
Na verdade, para eles eu acordava cedo demais. Não que 8h da manhã fosse lá uma madrugada como na hora em que Noah me ligara.
Enquanto a governanta bebericava uma enorme xícara de café – ahá, achei sua fonte de carranca diária – ousei me aproximar dela na cozinha e tentar arrancar dela alguma informação do que acontecera enquanto eu estivera fora.
– Sra. Godwing, a senhora por acaso sabe o que aconteceu aqui ontem?
Ao invés de me dar uma bronca ou coisa parecida, a governanta apenas deu de ombros.
– Ah, não me faça perguntas difíceis. – ela se sentou sobre um dos banquinhos da bancada da cozinha e novamente tomou um longo gole do café. – Eles brigaram por horas, menina. A discussão durou até de noite antes de eu ir dormir.
– Mas então como ele ficou tão bonzinho de repente?
– Não faço a menor ideia. – disse a governanta dando de ombros. – Seu pai é um caso sério, Srta. White. Desde que comecei a trabalhar nessa casa, as coisas mudaram milhares de vezes, fora que a cabeça dele também mudou muito. – ela suspirou. – Quando você e Anabelle entraram na vida de Tom... ele mudou ainda mais. Talvez ela tenha conseguido fazer que mude de novo.
Eu não respondi logo de imediato. A Srta. Godwing estava sugerindo o mesmo que Ana sobre Anabelle ter o ajudado a mudar de ideia, então nada daquilo foi novidade. Talvez elas estivessem certas, talvez minha futura madrasta tenha finalmente arranjado uma forma de transformar a cabeça de meu pai.
E eu esperava que fosse isso mesmo.
– Tomara que você e Ana estejam certas. – murmurei remexendo a xícara de café posta a minha frente na bancada. – Isso pode mudar tudo por aqui.
Por sorte, eu não encontrei nem Anabelle e muito menos Tom no caminho para a casa dos gêmeos. Eu e Ana resolvemos pegar um dos carros de meu pai, que no caso era o mesmo em que eu usara para fugir para a casa de Henri e ele nem sequer pareceu notar que um de seus carros desapareceu.
E pela segunda vez em uma única semana, estávamos reunidos novamente, porém em uma casa diferente. A sala dos gêmeos estava tão bagunçada quanto a de Tom ficara da última vez, com lanches do McDonald’s espalhados pela mesa de centro e alguns refrigerantes pelo chão. O detetive dissera no telefone para Zack que chegaria em uma hora, então nos reunimos um pouco antes para discutir opções do que fazer caso tudo desse errado.
Mas enquanto eu os ouvia fazendo piadas e jogando batatas fritas um nos outros, minha mente estava voltada na situação em que estávamos vivendo e a ansiedade que me tomava por completo para saber o que diabos o detetive particular descobrira nos últimos dias em que ficara investigando. Ele estava demorando muito e eu já sentia uma vontade surreal de ligar para ele e força-lo a correr até a casa de Noah.
– Ei, ele já está vindo. – disse Henri ao meu lado com um dos braços ao redor de meus ombros quase como se lesse meus pensamentos. – Trate de ficar calma, White.
– Eu estou calma, ok? – resmunguei numa falsa irritação. – Só quero saber o que ele descobriu logo e começar a montar um plano de como pegar Tyler desprevenido.
Henri sorriu com minha frase, ainda mais porque sempre deixou bem claro que achava “fofo” me ver irritada, principalmente quando estava dessa forma em relação a Tyler. E fora isso que me fez lembrar do breve convite para uma festa em sua casa como forma de estrear a casa nova que ele comprava. Eu ainda não havia comentado nada com os garotos sobre o convite, pois achava que o momento deveria ser depois que soubéssemos de fato o que ele fizera e como o fizera. Apenas quando soubéssemos os culpados que o ajudaram poderíamos talvez montar um plano contra ele, como uma armadilha ou coisa parecida.
No momento em que terminei minha fala, um sinal de que alguém batia na porta chamou a atenção de todos.
Quando enfim Zack abriu a porta e cumprimentou o detetive, eu finalmente pude vê-lo. O homem deveria ter uns 50 anos, era calvo com poucos fios de cabelo nos cantos da cabeça. Era baixinho e usava roupas um pouco formais demais, além de possuir uma barriga um pouco saliente.
– Vocês devem ser os garotos da The Blue. – disse ele assim que parou em frente à bagunça feita por nós na sala. – Quem seriam as mocinhas?
Vendo que ele se referia à mim e as garotas, eu mesma tomei a iniciativa de explicar.
– Meu nome é Scarlet, sou a madrinha da banda. – e então apontei para as outras. – Essas são Ana, Jordan e Heiley. Somos amigas dos garotos.
O homem baixinho sorriu de leve e seguiu Zack até o meio de nossa bagunça onde apenas uma poltrona estava livre para o detetive sentar. Ele se acomodou na poltrona em silêncio e começara a procurar algum papel em especial entre uma pilha guardada dentro de uma pasta preta. Ao contrário do que pensei sobre ele, o detetive Oliver se parecia mais com um professor de ensino médio, no qual os alunos poderiam fazer o que bem entendiam durante sua aula. Parecia muito atento ao que fazia, porém também desviava o olhar dos papéis caso algum de nós fizesse qualquer som que fosse, mostrando que ele poderia sim ser um pouco distraído.
Quando enfim encontrou o papel que queria, ajeitou os óculos que tinha na ponta de seu nariz gorducho e pequeno.
– Vejamos... o caso The Blue. – murmurou ele mais para si mesmo do que para nós. – Foi bem difícil encontrar alguma coisa, garotos. O que fizeram com vocês é um tanto maldoso e muito bem elaborado.
– A pessoa que fez nasceu da maldade em meio a planos elaborados. – resmunguei sem conseguir evitar revirar os olhos.
O detetive não pareceu notar meu comentário sobre Tyler e continuou, mas Noah, quem estava ao meu lado, não se conteve e começou a rir baixinho.
– Tyler Blackwell tinha um belo plano em mente. – disse ele arqueando um das sobrancelhas. – Quando me contou o que aconteceu. Sr. Thompson, a gravadora de Tom White foi o primeiro lugar que tentei encontrar alguma prova. E, de fato, era lá que estava a primeira prova de que Tyler era o culpado e que recebeu ajuda de alguém.
Mal contendo a ansiedade, Noah se colocou sentado na ponta do sofá chegando mais perto do homem estranho em sua casa. Quando ele se referiu a um Sr. Thompson, talvez não tivesse notado que haviam dois deles e eram exatamente iguais, mas eu tinha quase certeza que ele estava falando de Zack.
Will, quem estava sentado ao meu lado também batia os dedos de forma constante sobre o tecido do sofá, fazendo com que um som irritante incomodasse a Heiley, quem deu um tapa nos dedos dele. Eles ficaram discutindo por algum tempo até ouvirem as palavras do detetive interrompendo-os.
– Ao que parece, apenas uma pessoa possui algum contato com o Sr. Blackwell. – Oliver remexeu na papelada e encarou a todos nós antes de prosseguir. – Nathalie Petit.
Sem conter a agitação, Henri me soltou dando um pulo do sofá.
– O QUE?! – esbravejou tanto os gêmeos quanto Will e Henri ao mesmo tempo. Eles pareciam em choque com aquela afirmação, como se Nathalie fossem a última pessoa que esperavam. Mas apesar de todos estarem boquiabertos, apenas Henri foi capaz de continuar. – Nathalie? A que trabalha no marketing? Impossível!
Oliver deu de ombros num sinal de que sentia muito.
– Bom, creio que seja sim possível. – comentou ele voltando o olhar na direção dos papéis que tinha em mãos. – Ela é a única pessoa que já teve algum contato com o Sr. Blackwell e que poderia ter ajudado. Mas, além disso, vocês precisam tornar relevante mais um fato que descobri. – o homem gorducho se ajeitou na poltrona da sala dos gêmeos e pegou mais um papel em meio à sua pasta preta. – A Srta. Petit possuí um parente próximo também trabalhando na gravadora. Seu irmão, Alex Petit é responsável por todo o esquema de segurança do local e há muito tempo está por lá.
Will parecia perplexo. E não apenas ele, todos os garotos da The Blue e inclusive eu e as garotas parecíamos não acreditar que Tyler havia envolvido uma família em todo seu esquema de como ferrar a banda. Parecia um tanto surreal demais, até mesmo para ele e toda sua maldade interior.
– Qual a probabilidade de... os dois estarem envolvidos nisso? – perguntou Henri na forma de um suspiro cansado.
O detetive encarou a cada um de nós bem nos olhos e ajeitou novamente os óculos.
– Muito grande.
[...]
Logo depois que Oliver fora embora e deixou todos os seus papéis com anotações do que descobriu sobre o caso dos garotos, o clima na casa dos gêmeos ficara um tanto perturbado. Henri e Will discutiam em um canto afastado sobre o fato de Nathalie ser a única quem tinha algum tipo de contato com Tyler. Eles pareciam agitados e sem acreditar de que uma “amiga” havia feito algo parecido com eles, principalmente Will que não parava de olhar na direção dos gêmeos como se dissesse em silêncio “isso não pode estar acontecendo”.
Por um momento, Jordan cogitou a ideia de envolver novamente a polícia nesse assunto, mas Heiley a interrompeu de forma um pouco irritada dizendo que eles não ajudariam em nada. A polícia estava mesmo é nem ligando para artistas que poderiam ter roubado, como se a instituição de caridade nem sequer fosse importante. Era uma droga, eu pensava, eles deveriam no mínimo tentar descobrir o que nosso detetive encontrar, porém nem sequer isso foram capazes.
– O pior de tudo isso é que eu gostava de Nathalie. – resmungou Noah sentado ao meu lado fingindo estar com a atenção voltada para a barra de sua camiseta numa forma de esconder a tristeza. Dava uma dor imensa no coração ver Noah Thompson com vontade de chorar. – Ela sempre foi... sei lá, legal.
– As pessoas mais legais podem ser aquelas que mais querem ferrar conosco. – Zack viu minha expressão brava e deu de ombros. – O que?! É só o que eu penso. Hoje em dia, quanto mais você confiar em alguém, mais essa pessoa pode acabar destruindo sua vida no futuro.
Enquanto Heiley batia em Zack dizendo o quão besta ele estava sendo ao dizer isso, minha atenção voltou-se para o garoto moreno que discutia com o amigo. Henri estava de braços cruzados e mordia o lábio com certa raiva, provavelmente porque também não conseguia acreditar em quem ajudara Tyler. Mas conforme repassava mentalmente as palavras de Zack, um questionamento veio até mim. Eu confiava minha vida à Henri e sabia que ele faria de tudo para me ver feliz e bem, ele deixara isso bem claro na noite passada e eu sabia que também havia feito o mesmo. Será que com tanto amor e confiança, ele ou eu seríamos capazes de destruir a vida um do outro no futuro assim como Zack dissera?
O amor pode ser um caminho com duas vias no final. Por um lado, você pode partir para a beleza da relação, onde ambos confiam um no outro e sabem que existe de fato amor. Porém, você também pode seguir para o outro caminho, onde um pequeno detalhe sem qualquer importância pode simplesmente destruir um futuro belo e alegre.
Não fazia a menor ideia se um de nós poderia fazer isso um com o outro, porém lembrei-me de quando brigamos e Henri fora tão frio comigo que mal parecia o mesmo. Aquele era um sinal de que a destruição poderia acontecer?
Sentada em meio à eles, peguei meu celular, no qual eu revia um dos vídeos dos garotos, no qual eles apareciam se divertindo em meio à um parque de diversões como se não fossem famosos. Era um vídeo divertido e tirava-me de pensamentos negativos e coisas ruins como as que aconteciam no momento. O vídeo trazia a mim lembranças boas de quando cheguei à Londres e conheci os garotos, de quando experimentei a neve mais uma vez em minha vida e experimentei um amor que nunca achei que viveria.
Pelo vídeo, eu via os garotos correndo por entre um carrossel fazendo caretas para a câmera e no fundo, uma música agitada e alegre enchia meus ouvidos combinando muito com as cenas. Mas por entre elas, eu vi as luzes se espalhando pelo parque, onde parecia acontecer uma festa, algo como as que acontecem muito em filmes americanos.
E para a minha total surpresa, fora aquele vídeo completamente nada relevante que me dera a ideia mais genial que eu já tive.
Eu sabia como e onde fazer Tyler admitir.
– Gente. – chamei em meio às vozes agitadas que tomavam conta da sala, porém por conta do barulho excessivo que misturava-se entre as vozes e o som da televisão no fundo, eles não me escutaram. – Gente! Será que podem calar a boca por um segundo?!
E com minha voz mais irritada e alta, eles finalmente colocaram a atenção em mim.
– O que foi, Scar? – perguntou Will de braços cruzados ao lado de Henri, quem me encarava da mesma maneira curiosa.
– Tive uma ideia, mas pode parecer loucura.
Os gêmeos franziram o cenho ao mesmo tempo, uma cena que fora um tanto engraçada considerando que eles tinham o mesmo semblante.
– Como assim? – perguntou Zack. – O que essa sua cabecinha engenhosa está tramando agora?
Um meio sorriso surgiu em meus lábios, porém fora um sorriso de puro desdém. Era a sensação de parecer um Sherlock Holmes da vida ou qualquer coisa parecida.
– Sei como vamos pegar Tyler e nos livrar dele.
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