London Love
16 Madrinha
Notas iniciais
Sentei-me em minha cama respirando fundo, tentando manter o ar dentro e fora de meus pulmões em sequências rapidamente. Não era um ataque nervoso, eu não estava nervosa, apenas querendo estrangular Tyler e tirá-lo de minha mente de uma vez. Não, eu não sinto nada por ele se é isso que está passando por sua mente, eu odeio ele, parece que Tyler arruma sempre um tempo para me fazer perder a paciência.
Sequei algumas lágrimas que insistiram em escapar de meus olhos e desci as escadas da casa em direção à cozinha, dando de cara com a governanta e meu pai parecendo estarem tendo uma discussão séria. Sem saber muito bem o que fazer, apenas ouvi algumas míseras palavras de Sra. Godwing.
– Tom, ela é apenas uma garota! Tem todo o direito de se apaixo... – a me ver, a governanta parou de falar no mesmo instante.
Tom se virou em minha direção, seu rosto tinha uma expressão séria e um pouco irritada. Se não fosse impressão minha, havia um pouco de frustação em seu olhar, assim como na forma em que me encarou surpreso em me ver ali.
– Ahn... filha, bom dia. – Tom engoliu um seco e desviou seu olhar de mim, seguindo para fora da cozinha sem dizer mais absolutamente nada.
Ranzi o cenho enquanto pegava uma xícara de café. A governanta ainda permanecia no mesmo lugar, assim como eu, seu cenho estava franzido e a expressão parcialmente preocupada. A outra parte, era irritação ou coisa parecida. Não disse nada, peguei o que queria e sentei-me à mesa ainda com os olhos presos nela, achei que se ficasse a encarando, arrancaria tudo o que eu queria sobre aquela conversa perturbadora entre ela e meu pai.
“Tom, ela é apenas uma garota! Tem todo o direito de se apaixo...”. De se apaixonar, seria o final daquela frase. Claro, não poderia ser mais óbvio o assunto que os dois conversavam discretamente antes que eu interrompesse.
A Sra. Godwing ajudara Henri a sair de minha casa aquele dia sem que meu pai desconfiasse de qualquer coisa, mesmo que isso fosse contra os princípios dela. Com certeza, a governanta estava tentando convencer Tom de que seria inevitável que eu acabasse gostando de alguns dos meninos, afinal, eu estava sempre com eles.
Mas, era um deles em especial.
E ainda, o que meu pai mais odiava no mundo: Henri Price.
– Sra. Godwing? – chamei vendo-a se virar lentamente e arrumando a calça social que usava. – Tem alguma coisa que quer me contar?
A governanta nem piscou. Estava tão obviamente qual o sentido de minha pergunta, que ficou quase claro no olhar dela o medo de que meu pai pudesse ouvir. E isso só se concretizou, quando Tom apareceu na cozinha e do mesmo jeito que entrou, saiu rapidamente com um bolinho feito pela governanta em mãos.
– Talvez. – disse ela quase que num sussurro. – Seu pai está desconfiado.
Eu não havia contado a ela sobre o pedido de namoro de Henri, pois não tinha certeza de que a governanta guardaria para si mesma ou se, sem querer, deixaria o assunto escapar com meu pai.
– Disse para mim, que acha que você está quieta demais esses dias. – continuou ela sentando-se ao meu lado, numa cadeira da mesa de jantar. – Tom está preocupado, Sra. White. Ele acha que pode ser algo relacionado às filmagens ou... relacionado aos garotos da The Blue. Principalmente o que esteve aqui.
Engoli um seco. Na mosca.
– Não contou nada a ele sobre Henri....?
– Não, apenas dei um conselho a seu pai. – a governanta soltou um longo suspiro. – Ele precisa perceber que você já é uma adulta e pode tomar suas próprias decisões. Você é apenas uma garota, Sra. White, tem o total direito de se apaixonar por quem quiser.
Mas é claro que Tom não a havia escutado, afinal, dizer a ele que eu tinha o direito de me apaixonar pode até ser que ele concorde, porém não quando o garoto, for Henri.
– Tudo bem, obrigada. – murmurei levantando-me da mesa e deixando a xícara sobre a pia. – Vou subir para meu quarto.
Ela assentiu e apenas observou enquanto eu subia as escadas novamente em direção ao meu quarto e me trancava por lá mesmo. O dia seria tediante, talvez um sábado entre os piores de minha vida, pois todos os pensamentos que rodeavam minha mente, eram relacionados à Tyler e o ódio de meu pai por Henri.
Fui até o computador de minha escrivaninha, o qual nunca havia ligado desde o dia que cheguei em Londres e o liguei por algum tempo. Haviam diversas notícias relacionadas a meu pai, principalmente sobre os garotos da The Blue e seu estrondoso sucesso. Em uma das reportagens, encontrei as tais fotos de nós saindo da pub, uma em que Henri segurava uma jaqueta para esconder meu rosto e outra, com nossas mãos entrelaçadas.
Em outra matéria, muitas fotos minhas e de meu pai chegando no estúdio e até mesmo algumas de eu indo para as gravações do filme de Jason McNight. Lu coisas sobre eu ser a mais nova atriz de hollywood e não consegui evitar um sorriso, aquele era meu sonho e vendo todas as coisas positivas em relação a mim, era impossível não ficar feliz.
No twitter, algumas pessoas me elogiando por coisas que eu nem lembrava e claro, os fãs da The Blue jogando perguntas inusitadas sobre mim, mas a principal de todas ela era “Quem é você?”
Antes que eu pudesse continuar, recebi uma chamada no Skype de Henri. Rapidamente, antes de atender, fechei a porta de meu quarto até que a tela se abriu e lá estava ele – um sorriso largo estampado nos lábios, os olhos azuis interessados em me achar e o cabelo negro completamente bagunçado, como sempre. Atrás dele, não conheci o ambiente, provavelmente aquele era seu quarto de sua casa que eu ainda não conhecera. Pude ouvir o som de alguém falando e só assim tive certeza que ele não estava sozinho.
– Scar, você está com cara de sono. – disse ele desconfiado. – E de choro. O que aconteceu?
– Nada. – resmunguei dando de ombros. – São sete horas da manhã de um sábado, você queria que eu estivesse como?
Henri riu.
– Will está aqui, não repara se ouvir algum som estranho. – no mesmo instante, bem atrás dele apareceu a cabeça de Will, quem apenas acenou antes de levar um empurrão de Henri. – Ele só veio para me atrapalhar, sabe como é.
Eu ri da cena, era incrível como a amizade de Henri e Will nem ao menos se abalava com um briga ou até mesmo, uma garota envolvida. Por um momento, achei que seria certo dizer a ele sobre meu pai estar desconfiado sobre mim e Henri, mas com Will ao lado não seria uma boa ideia. Will era o mais responsável da banda e provavelmente contaria sem nós nem ao menos concordarmos.
– O que estão fazendo? – perguntei logo depois de soltar um longo bocejo de sono.
– Estamos escrevendo uma música nova. – respondeu Will por Henri. – Já temos um refrão e algumas partes, mas Henri é burro demais para inventar um título. Quer ajudar?
Antes mesmo de eu dar minha resposta, Henri deu um tapa bem forte no ombro de Will por conta da frase sobre ele ser burro demais. Ainda rindo, senti-me um pouco desconfortável em ajudá-los, pois sempre fui péssima com poesias e músicas são praticamente iguais.
– Como é? – falei vendo que Will trouxera um violão e o colocara sobre seu colo.
Henri distanciou a cadeira de frente do computador para que ficasse bem ao lado de Will. Quando começaram a cantar, não consegui conter o sorriso, lembrei-me de que fora assim que virei fã da The Blue, pois eles cantavam sem dificuldade nenhuma, as vozes eram muito afinadas e eles cantavam de uma forma diferente dos cantores daquela época. Havia um sorriso no canto dos lábios de Henri a cada palavra, como se houvesse uma mensagem por trás da música.
E quando terminaram as poucas partes que haviam escrito, um título surgiu em minha mente, eu que ficaria simplesmente perfeito para a música.
– “Flyer”. – murmurei mais para mim mesma do que para os dois, quem me encaravam de uma forma um pouco confusa.
– “Flyer”? – os dois se entreolharam e um sorriso largo se estampou nos lábios de Henri. – Acho que combina.
– Concordo. – disse Will. – Parece que escolhemos bem a madrinha da The Blue, Henri, só na primeira já inventou um título bom e...
Arqueei as sobrancelhas o encarando.
– Will! – berrei o interrompendo. – Como assim madrinha?!
Ainda completamente surpresa e assustada observei os dois encarando-me com uma dupla de sorrisos sugestivos e cumplices. Sinceramente, essa era a última coisa que eu esperava ouvir. Tornar-me madrinha de minha banda favorita, namorar um deles e ainda por cima um de meus melhores amigos ser da banda? Isso é demais para uma pessoa sã, eu jamais esperava que tudo isso estivesse acontecendo em minha vida de uma forma tão assustadoramente rápida e imprevisível. Eu adorava ser amiga dos garotos, eles animavam meu dia como ninguém conseguia. Eu amava Henri mais do que tudo no mundo, mesmo não dizendo isso a ele e não pensava nem mesmo na possibilidade de deixa-lo. E por fim, ser madrinha da The Blue?
Henri se inclinou sobre a mesa que estava olhando-me diretamente nos olhos. Mesmo estando separados por uma tela de computador, seus olhos azuis ainda eram capazes de me arrancar um suspiro.
– Então... estamos pensando no assunto. – disse ele sorridente. – Só não sabemos qual vai ser a reação de Tom. Will acha que será muito suspeito, mas os gêmeos acham uma boa ideia.
– Mas por que precisam de uma madrinha?
– Precisamos de alguém que nos deixe com os pés no chão. – respondeu Will com seu ar de “papai”. – Alguém que possa nos distrair do mundo dos flashes e fãs, sabe? Nós adoramos nosso trabalho, mas têm horas que precisamos de um tempo de folga. Nem que sejam por apenas algumas horas.
– E achamos você perfeita para isso. – Henri piscou. – Não é a toa que Noah gosta tanto de passar o tempo com você. Scar, você nos faz esquecer essa coisa de ser famoso e sem vida própria.
Um sorriso fugiu de meus lábios, assim como uma pequena lágrima que insistiu em deixar meus olhos. Jamais imaginei que pudesse ser importante para aqueles garotos e que eles precisassem tanto de mim como diziam. A verdade é que sempre reparei a forma com que Noah costumava me procurar como um refúgio do mundo externo, apenas para ter alguns segundos como uma pessoa normal.
– E então...? – perguntou Henri com uma sobrancelha erguida. – Aceita ser a madrinha da The Blue?
Meu sorriso só se alargou.
– É claro que sim! – falei alto demais esquecendo-me completamente de que meu pai estava no andar de baixo e provavelmente estaria ouvindo tudo.
Eu sabia que aquilo seria perigoso para minha imagem e principalmente para a imagem da The Blue, mas quando se tratava de ficar sempre perto dos meninos e ajuda-los em tudo, era simplesmente difícil de discordar. Agora, nada poderia me afastar de Will, Zack, Noah e principalmente, Henri.
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