London Love

19 Ana britânica?


“Durante uma tempestade na cidade de Londres na Inglaterra, a atriz filha do famoso Tom White, Scarlet White, foi vista andando sozinha pelas ruas durante uma tempestade. Testemunhas que estavam próximas ao local, dizem que a atriz estava em um jantar com seu pai, mas ao que parece, o jantar deu errado e Scarlet teria saído do local chorando. Há rumores de que a filha de Tom White tenha sido vista entrando na casa do cantor Henri Price, integrante da banda The Blue. Será um possível novo casal?”

– Ótimo! Agora que Tom vai ter certeza que eu estou com Henri! – falei não conseguindo controlar meu tom de voz. – Já não basta os rumores da briga com meu pai, agora eles ainda falam isso num programa de televisão!

Henri estava sentado no sofá de sua sala com Will bem ao seu lado, quem se deliciava com um pacote de doritos. Na verdade, ele parecia o menos preocupado com toda aquela história, afinal, tudo o que poderia acontecer era a The Blue perder uma madrinha em segredo.

– Tem alguma chance de seu pai estar assistindo tv agora? – perguntou Will ainda mastigando.

– Não importa, ele vai ficar sabendo de qualquer jeito. – disse Henri antes de eu responder. – Tom sempre sabe quando qualquer um dos nossos nomes é citado na mídia. E nesse caso, não só o meu foi, como também o da Scar, que é filha dele. Não acho que esse segredo passa de hoje, Scarlet.

Ao perceber na enrascada que havia me metido, simplesmente desabei no sofá bem ao lado dos dois. Não havia mais como esconder de Tom o fato de eu ser a madrinha da banda e muito menos sobre meu relacionamento com Henri. Ele iria descobrir tudo isso a qualquer segundo e o máximo que teríamos que fazer, era simplesmente falar a verdade.

Interrompendo meus pensamentos, algo começou a vibrar no bolso da calça de moletom que eu usava de Henri. Deveria ser Tom pela milésima vez tentando descobrir onde eu estava, porém, quando peguei o aparelho, praticamente joguei-o em meu colo de novo. Esse movimento chamou a atenção de Will e Henri.

– Quem era? – perguntou Will com o corpo praticamente sobre o de Henri para poder ver o aparelho agora virado para baixo.

Corei.

– Ahn... ninguém importante. Deve ser Megan do estúdio pedindo para eu ir logo ou me avisando de alguma coisa.

Droga, eu odiava mentir para eles. A verdade era que, quem estava me ligando, não era Megan, porém trabalhava no estúdio e provavelmente estava me ligando para que eu fosse logo. As ligações de Tyler pareceram se tornar cada vez mais frequentes, se tornando algo impossível de suportar. A qualquer momento eu poderia jogar meu celular na parede ou atender de uma forma... hum, digamos, nada educada.

– Então o que vamos fazer se seu pai descobrir? – perguntou Henri acordando-me de meu transe. – Não acredito que Tom vá ser bonzinho sobre isso.

– Ele não foi “bonzinho” nem comigo quando saí com a Britney. – Will fez aspas com as mãos para a palavra bonzinho. – E ela era muito gata.

– Isso não vem ao caso agora, Will. – murmurei não conseguindo conter o riso. – É bem provável que meu pai me proíba de sair com vocês ou alguma coisa assim. Mas que ele vai pirar, vai com certeza.

Henri soltou um longo suspiro deixando seu corpo despencar no sofá e pegando minha mão livre para prendê-la na sua. Aquele simples movimento foi capaz de fazer minha respiração parar por um segundo, coisa que não costumava acontecer com muita frequência. Isso deveria significar alguma coisa, certo? Quero dizer, não se tem a respiração parada por um segundo de repente. Algo muito intenso deve acontecer.

Não conseguindo chegar a lugar nenhum, resolvi que seria melhor ir até em casa para que eu pudesse trocar as roupas de Henri pelas minhas para que eu pudesse ir para o estúdio de filmagem. Will disse que me daria uma carona, já que também estava indo embora.

– Qualquer coisa, e quando digo isso é porque é qualquer coisa mesmo – sussurrou Henri em meu ouvido quando me deu um abraço antes de eu ir. – é para você me ligar, entendeu? Qualquer coisa, Scar.

– Dramático você. – resmunguei pousando uma de minhas mãos sobre seu rosto. Como alguém podia ser tão bonito? Quero dizer, como a pele branca num tom comum entre os britânicos, algumas sardas na região do nariz, olhos intensamente azuis, lábios rosados e um cabelo negro podem ser tão perfeitos?

Sem nenhum aviso, Henri pousou os lábios sobre os meus num movimento lento e delicado. Fora um beijo lento e demorado, assim eu pude sentir cada movimento dele, inclusive suas mãos que desciam e subiam lentamente em minha cintura. Eu sorria sobre o beijo, pelo menos até ouvir o som de Will limpando a garganta.

– Vocês tiveram a noite inteira para se agarrar, não acham? – disse ele quando enfim nos separamos. – Podem me poupar dos detalhes sórdidos.

Revirei os olhos para ele e Henri jogou uma almofada na direção do melhor amigo, quem apenas pegou a almofada no ar e colocou-a na ponta do sofá. E assim, segui Will até seu carro estacionado bem a frente da casa em que estávamos.

[...]

Will estacionou o carro bem em frente a casa de meu pai depois de longos segundos dirigindo alegremente enquanto me contava as histórias de coisas que aconteceram com a The Blue nos últimos anos. Pelo o que parecia, eles se divertiam muitos juntos, como verdadeiros irmãos, porém, coisas como a mídia, alguns fãs malucos e até mesmo os familiares haviam influenciado para que coisas ruins acontecessem. Ano passado, de acordo com ele, a banda perdeu um dos prêmios mais importantes da Inglaterra, pois uma notícia absurda havia sido publicada e por conta da mídia, eles foram desclassificados.

Eu nunca achei que gostaria tanto de conversar com Will, pois sempre imaginava que sua personalidade era totalmente diferente do que ele estava demonstrando. Sempre imaginei que ele fosse quieto, educado e responsável, mas depois de alguns minutos conversando com ele, percebi que ele era divertido, gostava muito de falar o tempo todo e principalmente fazer gracinhas com qualquer que fosse a pessoa.

– Então, Scar, antes de você ir... eu queria conversar uma coisa séria com você. – disse ele ao desligar o rádio do carro. – Vai achar meio estranho no início, mas eu preciso mesmo dizer isso.

– Claro, pode falar. – dei de ombros.

– É que, bom, não é a coisa mais fácil do mundo de dizer, porque posso ser mal interpretado. – ele coçou a nuca. – Sabe, eu sou o melhor amigo de Henri faz um bom tempo, na verdade acho que minha vida inteira e... eu nunca vi ele desse jeito. O Price é um pouco retardado, perdido e ingênuo as vezes, então como sou mais velho, eu meio que cuido dele...

– Ahn... Will, eu não sei bem onde você quer chegar. – murmurei não contendo o riso.

Will riu ao perceber que havia se enrolado todo.

– Me empolguei, desculpe. – ele sorriu. – O que quero dizer é qe, Scar, eu nunca vi Henri do jeito que ele está desde que a conheceu. Ele realmente gosta de você e como sou meio que o irmão mais velho dele, eu tenho medo de que...

– Will, eu não vou magoá-lo. – seu olhar se voltou na minha direção. – Eu amo Henri e nunca faria nada que pudesse deixa-lo triste.

Will sorriu de uma forma aliviada ao me ouvir dizendo aquilo. Eu o entendia completamente, estava apenas preocupado de que o melhor amigo fosse se deixar levar demais por mim e eu o acabasse magoando como muitas vezes acontece. Porém, eu nunca faria aquilo. Como nunca jamais pensei sentir, eu estava completamente apaixonada por Henri Price e nada me impediria de fazer de tudo para que ele ficasse feliz.

– Tudo bem... – ele murmurou. – Obrigado por isso. Sabe, me sinto aliviado.

– Imagino. – eu ri novamente. – Pode deixar, Will, eu prometo que vou fazer Henri a pessoa mais feliz do mundo.

Depois de um rápido beijo em meu rosto, ele finalmente deixou a casa de meu pai, deixando-me ali logo a frente da porta preparando-me psicologicamente para enfrentar o segundo desafio do dia: meu pai. Desde a noite passada, eu jurava que não queria vê-lo nunca mais, mas não poderia fazer isso realmente, pois estava morando com ele e se eu fosse embora, teria que deixar Henri e desistir do meu papel no filme de Jason McNight. Nada, nem mesmo o ódio e a tristeza me impediriam de realizar meu sonho e me separar da The Blue. Por mais que eu havia os conhecido há algumas semanas, já havia me apegado à aqueles garotos. Eu precisava deles na minha vida, pois haviam preenchido um buraco em meu peito que fora feito anos atrás quando meus pais me deixaram.

Respirei fundo tentando manter os pensamentos negativos para trás e arrumei o moletom de Henri que eu usava por cima do vestido da noite passada, o qual secara durante a noite. Tive que pensar duas vezes antes de tocar a campainha e rezar para que não fosse Tom quem abrisse aquela porta.

– Sra. Godwing? – perguntei ao vê-la séria (como sempre) me encarando ao abrir a porta. – Está tudo bem?

– Se está tudo bem, Srta. White?! – disse ela de uma forma furiosa. – Você sumiu durante a noite, não voltou com seu pai do restaurante! Tudo o que ele me disse foi “ah, ela saiu correndo, mas deve ter voltado para casa e se trancado no quarto! Está tudo bem!”! Não está tudo bem, vocês dois quase me mataram de susto!

Eu estava completamente paralisada com aquela cena.

– Onde você dormiu? – perguntou ela ainda furiosa tentando chamar minha atenção.

– Eu, ahn... dormi na casa de um amigo. Eu e Tom brigamos. – murmurei conseguindo conter as lágrimas que insistiam em escapar de meus olhos. – Mas está tudo bem agora.

Ela não disse mais nada, apenas deixou-me entrar na casa para seguir até meu quarto e depois tomar um banho longo e quente. Ainda hoje teria que ensaiar algumas falas para o filme e ainda ir até o estúdio para a gravação durante a tarde. Hoje e amanhã seriam dias longos no estúdio, pois as cenas eram mais pesadas e de acordo com o diretor, eu e Tyler precisaríamos nos entrosar bem para que existisse química entre nós dois.

Ok, a última coisa que eu queria era me entrosar com Tyler, mas quando se tratava de trabalho, eu teria que superar nossas diferenças e enfrenta-lo logo de uma vez.

Enquanto arrumava minhas coisas, percebi que meu celular vibrava sobre o moletom de Henri sobre minha cama.

– Ana? – perguntei ao ver seu nome escrito na tela.

– Scarlet, você sumiu do mapa! – berrou ela do outro lado da linha quase me fazendo perder a audição. – Mas que droga, garota! Eu liguei para você a noite toda e tudo o que eu ouvia era “sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal”. – disse imitando a voz da telefonista, coisa que me fez rir. – Onde você estava?

– Eu não quero mesmo falar sobre isso agora, ok? – resmunguei.. – Descobri algumas coisas sobre minha mãe e bom, não são nada agradáveis. Sério, Ana, acho que nós duas poderíamos conversar outra hora e...

– Nem me venha com essa. – interrompeu. – Não precisa me contar se quiser, na verdade sei mais ou menos o que aconteceu. As caras de você, seu pai e Henri Price estão em todas as revistas, sites de fofocas e programas de televisão que você pode imaginar. Não há outro assunto a não ser que você e seu pai brigaram e você passou a noite toda na casa de Henri.

Essa não.

– Bom, então você sabe de tudo.

– Já posso até imaginar. – disse ela. – Você me contou sobre seu pai odiar Henri e tal, mas fiquei preocupada por causa das fotos. Na maioria você está chorando e andando sozinha na chuva. Scar, eu estou muito preocupada com você.

– Não fique. – murmurei. – Eu estou bem, Ana. De verdade.

Ficamos em silêncio por longos segundos até finalmente ela resolver dizer alguma coisa.

– Na verdade, eu nem liguei para falar sobre isso que aconteceu, só fiquei preocupada. Eu tenho uma notícia que acho que vai alegrar você, Scarlet.

Ok, eu realmente tenho medo quando Ana diz que pretende me fazer uma surpresa. Quando estávamos no quinto ano, ela organizou uma festa surpresa para mim convidando nossa turma inteira, porém, naquela época os garotos me chamavam de “gringa” e outros apelidos péssimos por eu ser de fora. Então, durante a festa, esses garotos me chamaram disso e estouraram vários balões.

Então, pode-se notar que tenho pânico de surpresas.

– Surpresa?

– Sim. – eu ouvia a risada dela do outro lado da linha, porém sentia medo de perguntar o porquê do riso. – Digamos que chequei meu correio ontem de manha e recebi uma carta da faculdade de Biomedicina de Londres.

Meu coração praticamente pulou para fora do peito.

– VOCÊ VAI VIR PARA LONDRES! – berrei ao telefone não conseguindo conter a felicidade em ouvir aquilo. Ok, ela nem sequer falara mesmo isso, mas tudo o que eu mais precisava era de minha melhor amiga comigo naquele momento.

– Ei, se acalme! – disse ela rindo. – É quase certeza, ainda preciso ir atrás de algum apartamento para morar durante o tempo que eu estudar por ai e...

– Apartamento? Jura, Ana? – revirei os olhos mesmo que ela não pudesse ver isso. – Vou me sentir a pior amiga do mundo se você não vier morar comigo. Não importa o que seus pais vão dizer, tenho certeza que Tom deixaria, então você vai morar aqui.

Era tudo o que eu menos esperava, mas quem liga? Ana estava vindo para Londres!