London Love

49 A trágica história do abacaxi e da esponja


Notas iniciais
Heeeeeeeeeeeeeeeeey, amoras! Chegay TUTS TUTS Esse capítulo da trágica história do abacaxi e da esponja vai especialmente para a minha margaridinha AlwaysAlone que recomendou minha história! Muito obrigada, flor, eu ADOREEEEEI!

Quando Will deixou o quarto de Henri ainda reclamando sobre estarmos demorando, uma ansiedade além do normal tomou conta de meu corpo, principalmente depois do “temos muito o que conversar”. Havia grandes chances de termos conseguido as provas necessárias, nem que fossem apenas confissões de cada um dos alvos escolhidos por mim e os gêmeos. Eu estava eufórica, pronta para descobrir se poderíamos ir até a polícia e entregar os vilões da história, mesmo que fosse necessário ver Tyler sendo algemado.

Não que isso fosse algo ruim.

Ainda que sentindo uma tontura passageira por conta da dor na cabeça na região em que eu deveria ter atingido quando caí, tentei me levantar da cama sendo amparada por Henri, quem fazia piadinhas sobre eu parecer bêbada e isso ser engraçado. Eu usava uma blusa dele, um tanto grande e que cobria minhas pernas até o meio das cochas. Claro, a dúvida de como acabei naquelas roupas foi um tanto... perturbadora.

– Olha, você estava encharcada e desmaiada. – disse ele levantando os braços no ar no sentido de se render. – Queria que eu fizesse o que?

– Tudo bem, eu realmente não quero ouvir como você me vestiu desmaiada e encharcada. – murmurei finalmente conseguindo me colocar de pé sozinha. – Mas eu preciso das minhas roupas. Não quero que os meninos me vejam assim.

Acrescentando um ar dramático, apontei para a camiseta grande de Henri, a qual me fazia parecer minúscula perto dele.

Em resposta, Henri começou a rir antes de seguir em direção ao banheiro da suíte e de lá saindo com minhas roupas da noite anterior. Vendo as peças, imagens da festa voltaram a me assombrar e a sensação de que eu estava esquecendo alguma coisa me incomodou. Era como se um detalhe tivesse sido apagado de minha mente, um detalhe essencial para o plano.

– Estranho... – resmunguei ao segurar a camisa xadrez vermelha e os jeans.

– O que foi?

– Parece que estou esquecendo alguma coisa. – com o cenho franzido, toquei de leve a camisa sentindo o tecido ainda que um pouco úmido, mas pelo menos não estava molhado como na noite anterior quando caí na piscina. – Alguma coisa importante.

Henri franziu o cenho.

– Deve ter sido a batida. Você ficou com um galo gigantesco na cabeça, fora que o tombo foi bem forte. Logo vai lembrar de tudo, inclusive isso que pensa que esqueceu.

Ainda que incomodada com essa história de me esquecer de algo que... Ergh, aquilo estava me matando. Poderia ser qualquer coisa, desde uma informação valiosa que ajudaria com o plano ou apenas um detalhe de como a briga entre eles começaram. Mas, parecia algo muito importante, algo que poderia mudar tudo.

Juntos, descemos as escadas de sua casa em direção ao andar de baixo, onde os garotos estavam reunidos para conversar sobre o que dera errado na noite passada. Claro, basicamente tudo deu errado, desde o início até a briga de Tyler e Henri que resultou em eu desmaiando e os dois tomando um banho na piscina da casa nova dele. Porém, ainda havia mais um detalhe em meio à tudo o que dera errado: Will conversara com Nathalie e poderia ter informações preciosas que ainda não sabíamos.

Mas quando chegamos à sala, eu juro que mal pude esconder a surpresa. Quando Will dissera que os gêmeos pareciam um tanto acabado por conta da festa, achei que ele estava apenas brincando e exagerando como sempre. Porém, quando avistei os dois dividindo um dos sofás, meus lábios se abriram ligeiramente no sentido de surpresa.

– Mas o que aconteceu com vocês?! – questionei um pouco alto demais alarmando ambos, os quais deram um pulo no sofá.

Noah estava com olheiras profundas abaixo dos olhos castanhos claros, o cabelo loiro completamente bagunçado e sua pele parecia ter desaparecido com a cor quase bronzeada natural dos gêmeos. Estava pálido, quase como se estivesse doente. Seu irmão não estava nada melhor – com também olheiras, Zack segurava alguns cubinhos de gelo envoltos em um pano de prato e os pousava com força sobre algum ponto em seu rosto, como se ele tivesse caído e não eu.

– Nem queria saber. – resmungou Zack deixando o pano de lado e revelando um hematoma pequeno na bochecha esquerda. – A história é bem longa.

Se metendo no meio dos dois, Will cruzou os braços e os encarou com uma expressão irritada e ameaçadora.

– Ah, estão achando que vão fugir das explicações, é? – o mais velho da The Blue balançou o dedo indicador em forma de negação bem na cara dos gêmeos. – Scar vai saber de tudo. Podem começar a falar.

Em protesto, Noah soltou um resmungo alto e afundou o rosto nas almofadas do sofá de Henri. Claro, sobraria para o outro gêmeo explicar o que diabos eles haviam aprontado na festa ou pelo menos o que aprontaram com eles.

– Olha, é uma longa história... – resmungou Zack aumentando o número de “o” na palavra “longa”.

– Não importa. – disse Will interrompendo com certa autoridade. – Explicações. Agora, gêmeo número 1.

– Fala logo para eles, inferno! – esbravejou Noah de repente e logo dando um tapa de leve no ombro do irmão. Ele parecia acabado e totalmente zonzo de tanto sono.

– Ok! – rendeu-se Zack. – Eu e meu irmão ficamos o tempo inteiro com Jordan, mas quando um cara resolveu chamar ela para dançar ou sei lá, acabamos nos separando. Ficamos perto da piscina até outro cara nos chamar para beber e... bom, acho que exageramos. Principalmente Noah.

– Ah, não vem com essa! – protestou Noah. – Você sabe que não foi minha culpa o cara encher nossos copos cada vez que a bebida acabava! Eu devo ter ficado alterado, mas Zack tem sim sua parcela de culpa.

De sobrancelhas franzidas, fitei ambos por um tempo tentando imitar a mesma expressão ameaçadora de Will, porém acrescentando as feições que costumava fazer quando interpretei Valentina no filme de Jason. E parecia mesmo que eu poderia ser assustadora, já que ambos pareceram mais assustados e prontos para prosseguir sem brigas.

– O que aconteceu? – perguntei calmamente.

Zack soltou um longo suspiro antes de fitar o irmão e passar os olhos novamente para mim.

– Ok, agora vem a pior parte da história. Noah pegou um dos abacaxis da cozinha e começou a esfaqueá-lo enquanto gritava “BOB ESPONJA, EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AI!”. – sem piscar, ele continuou enquanto todos os encaravam com uma expressão tanto abismada quanto perplexa. – Daí ele encontrou uma esponja na pia e gritou de novo “QUAL A MALDITA FÓRMULA DO HAMBURGUER DE SIRI?”. – Noah escondeu o rosto nas almofadas antes do irmão continuar. – Partiu a esponja ao meio e sumiu para dentro dos quartos.

Ele mal pode continuar já que Henri estava se contorcendo para não soltar uma gargalhada com toda aquela história de Noah perguntando para abacaxis e esponjas sobre a fórmula secreta do hambúrguer de siri e chamado pelo Bob esponja. Não havia como culpa-lo, aquilo havia totalmente saído do controle!

– E depois...?

Noah já havia afundado todo o tronco até o peito para dentro das almofadas, porém eu quase podia sentir seu constrangimento dali.

– Eu estava meio... ok, muito bêbado, mas acho que o que vi era real. Econtrei Noah em um dos quartos montado em uma almofada fazendo-a de pônei ou alguma coisa assim. Ele saiu pelo corredor cavalgando na almofada enquanto cantava a música tema de My Little Poney.

Ok, nem eu consegui segurar. Imitando Henri, eu tive que me contorcer de tanto gargalhar ao imaginar aquela cena, principalmente porque não conseguia visualizar Noah montado numa almofada cantando My little Poney. Mas também não conseguia vê-lo esfaqueando um abacaxi e partindo uma esponja ao meio. Parecia... surreal de tão engraçado.

Mas ao contrário de todos nós, Will ainda os encarava com a expressão irritada. Desde que ele voltara da parte do plano em que deveria conversar com Nathalie, Will parecia ter mudado completamente, como se fosse outra pessoa ou estivesse escondendo algo. Suas feições estavam mais sérias e os lábios formavam uma linha fina e irregular. Ele estava de fato diferente, pois o Will que conheci há algum tempo sempre estava sorridente e usando frases sarcásticas como marca registrada.

Aquele não parecia o mesmo Will.

– Tudo bem, agora sabemos porque vocês estão parecendo que foram atropelados por um caminhão. – eu disse depois de rir o bastante. – Mas não é importante já que nenhum paparazzi resolveu aparecer por lá e deixar tudo ainda pior. Precisamos rever os planos. – olhei na direção do mais velho da The Blue, quem tinha as mãos nos bolsos e a expressão dura encarando o chão. – Will?

Distraído, ele voltou o olhar na minha direção.

– Ahn? – perguntou, mas fechou os olhos logo em seguida ao perceber minha pergunta. – Claro. Ontem, enquanto esses dois estavam lutando contra esponjas, abacaxis e pôneis, eu estava conversando com Nathalie sobre ela ter ajudado Tyler.

Isso pareceu captar a atenção de todos na sala, inclusive Henri, quem resolvera sentar-se em uma das poltronas e desligar a televisão que esteve ligada esse tempo todo.

– Ela admitiu. – soltou Will de uma única vez. – Foi ela quem o ajudou mesmo, mas parecia bem arrependida apesar de ter dado a ideia a ele de que já sabíamos de tudo.

Henri franziu o cenho.

– Espere, mas isso quer dizer que...

– Sim, ele já sabia. – Will cruzou os braços. – Os dois sempre souberam que descobrimos a verdade. Pensem direito e liguem os pontos! O cara que tirou Jordan de perto dos gêmeos estava com ele e fez isso de proposito para que outro pudesse embebeda-los e tira-los do caminho. Depois, ele arrastou Scarlet para o lado de fora e a beija sabendo que Henri está na festa, apenas para tentar acabar com a paciência dele de novo! Tudo faz sentido.

E de fato fazia. Porém, ainda assim parecia que algo estava faltando, como uma peça perdida de um quebra-cabeça quase totalmente montado.

– Mas... por que ele me beijaria só para irritar Henri se nós já sabíamos e toda a verdade? Pra quê montar uma briga e praticamente apanhar o tempo todo se isso não mudaria nada?

Will murchou no mesmo instante. Sua pose de Sherlock Holmes desapareceu e ele pareceu magoado por toda a sua lógica ter ido água abaixo apenas com uma pergunta minha. Eu me sentia triste por ter acabado com sua alegria, porém minha lógica estava certa. Não fazia sentido ele armar todo circo se não haveria público algum!

Entretanto, enquanto ouvia os gêmeos e eles discutindo sobre o que poderia ter acontecido, eu senti uma forte dor de cabeça e uma imagem lotou minha mente. Como um filme antigo, primeiro não ouvi som algum, apenas a imagem de eu e Tyler conversando e logo a imagem mudava e meus olhos surgiam arregalados como se tivesse ouvido algo com muito impacto. Depois, o som surgiu em minha mente e eu tive que me segurar em algo para não cair.

– Ele vai mata-lo. – ameacei mesmo que, por dentro, estivesse quase gritando por ajuda. Talvez Henri ou meus amigos nem sequer estivessem próximos de nós e isso significaria que o plano iria por água a baixo.

– Tem certeza disso, White? – questionou pressionando mais os dedos contra a pele de meu queixo. Não havia escapatória. – Se ele fosse mesmo me matar, já teria o feito depois que eu acabei com o futuro da bandinha dele.

DROGA.

– ELE ADMITIU ONTEM! – eu berrei alto demais, causando um susto nos garotos. – Ele admitiu! Consegui me lembrar do que estava esquecendo! Pouco antes de ele me beijar, Tyler disse que se Henri fosse agir contra ele, já o teria feito depois que ele “acabou com o futuro da bandinha dele”!

No início, ninguém se moveu ou disse qualquer coisa que fosse. Podia-se ouvir o som da respiração e o bater de pés constantes de Noah, quem era o único a mover-se depois do choque de ouvir o que eu finalmente lembrara. Mas logo o choque dos garotos se dissolveu e Will foi o primeiro a agir, soltando um palavrão alto e seu rosto assumir um tom de vermelho vivo. Ele estava furioso.

– Você só pode estar de brincadeira comigo! – esbravejou ele logo depois do palavrão. Estava irado e mal podia esconder isso. – Ele falou isso na sua cara? O ator é totalmente maluco! Por que ainda não internaram ele? Mas que inferno, ele merece uns bons tapas na cara e...

– Will, nós já entendemos. – Zack era o único que parecia um pouco mais calmo, apesar de limpar as mãos suadas na camiseta. – Henri já deu uma bela surra nele noite passada.

Meu olhar passou na direção de Henri. Ele estava sentado na poltrona usando os joelhos de apoio para os braços, nos quais ele escondia o rosto. Nunca o havia visto com aquela aura sombria lhe cobrindo o corpo como se estivesse pensando em cometer um homicídio ou coisa parecia.

Bom, e ele estava sim pensando em homicídio.

– Eu deveria voltar lá e acabar com ele de uma só vez! – Henri tinha o rosto tão vermelho quanto Will, porém parecia mais descontrolado, com uma fúria que nada poderia impedi-lo. – O cara está me pedindo para matar ele!

Furioso, ele se colocou de pé como se pensasse em ir até a casa de Tyler novamente e terminar o serviço. Mas assim que colocou-se de pé, eu o impedi ficando bem a sua frente. Uma cabeça e meia nos separava me impedindo que eu ficasse na mesma altura que ele, mas apenas meu olhar instigador tentando acalmar a fera interior de Henri fora o bastante para faze-lo aquietar.

– Henri, se você fizer isso, vai estar seguindo com o plano dele. – eu disse apenas para que ele ouvisse. – Pense comigo, não acha que tentar arrebentar a cara de Tyler vai ser exatamente o que ele está esperando de você? – em silêncio, Henri assentiu derrotado. – Ótimo. Mas que tal pensar do meu jeito?

Will se sentou ao lado dos gêmeos e me fitou com as feições confusas por causa daquela pergunta.

– O que quer dizer com isso, Scar?

– Ora, vamos fazer o que ele quer. – um sorriso malvado surgiu em meus lábios.- Vamos seguir com o plano dele de achar que estamos caindo aos poucos. Porém, quando ele pensar que está ganhando, vamos fazer totalmente o contrário do que ele esperava. Ou em outras palavras, vamos jogar o veneno dele contra ele mesmo.

[...]

“E as coisas estão novamente caminhando para uma direção negativa para a banda The Blue! Após serem acusados por terem desviado uma enorme quantia em dinheiro de uma conta que seria doada para uma importante instituição de caridade, as coisas pareceram estar melhorando para a banda, mas por pouco tempo. Nesta quinta feira, o integrante mais velho, Will Evans de 21 anos, revelou que desistiram de tentar se defender legalmente contra as acusações do desvio. De acordo com o cantor, não havia mais porquê de alongar mais os julgamentos e que eles estão prontos para aceitar aquilo que for devido a eles! O que será que aconteceu? Será que os garotos finalmente irão admitir que de fato desviaram o dinheiro? É, parece que o dono da gravadora responsável pelos garotos, Tom White, terá muitos problemas judiciais nos próximos dias...”

Tom desligou a televisão com um único toque do controle remoto. Sua expressão dura e com emoções que eu jamais seria capaz de explicar em palavras demonstravam claramente que um sermão dos mais perigosos poderia começar a qualquer segundo. Eu mesma já havia testemunhado aquela expressão diversas vezes em casa, tanto que a mais memorável fora quando eu disse com todas as letras que Henri me amava. Naquele dia, eu cheguei a pensar que as veias de seu rosto fossem explodir.

Os garotos sentados um em cada cadeira da mesa de reuniões pareciam inertes à expressão perigosa no rosto de meu pai. Na verdade, eles pareciam alheios à tudo em volta, inclusive a reportagem totalmente devastadora e negativa que ele passara na televisão de plasma posta no canto esquerdo da sala. Mas o mais incrível, não era ver o olhar tranquilos dos garotos perante à expressão monstruosa de Tom e sim, saber o porquê de eles estarem daquela forma.

– Eu devo perguntar o que significa essa reportagem, William? – Tom não se sentou em nenhuma das cadeiras como eu previa. Ele apenas ficou ali de pé usando a mesa de vidro como apoio para suas mãos espalmadas sobre a mesma. – Porque acho que não ouvi direito.

– Ela disse tudo correto, Sr. White. – respondeu Will com uma confiança quase que assustadora. Meses atrás, ele responderia à aquela pergunta com a voz cheia de pavor e com os ombros encolhidos. – Do começo ao fim.

Tom fechou os olhos por meros dois segundos como se estivesse tentando absorver as palavras do cantor.

– Você disse que não irão mais lutar contra as acusações. – repetiu Tom como se tentasse convencer a si mesmo dessas palavras. – O que diabos isso quer dizer, William? Vocês roubaram aquele dinheiro?!

Dessa vez, fora Henri quem respondeu.

– Não, senhor. Não tocamos em nenhuma nota desse dinheiro. – ele esboçou um mínimo sorriso e eu juro que tive vontade de gargalhar ao notar a expressão chocada de meu pai. – Mas não iremos mais envolver a polícia nesse caso, apenas no momento necessário.

Por um momento, achei que Tom voltaria a encenar todos os momentos e a raiva acumulada contra Henri que teve por tanto tempo. Tanto que achei que ele fosse pular sobre aquela mesa e estrangular meu namorado sem medo algum de ser preso por isso. Mas, mais uma vez me surpreendendo, Tom fez uma careta antes de franzir o cenho e me encarar quase pedindo por piedade.

– Filha, você sabe o que tem na cabeça desses garotos? Se sabe, por favor me diga o que eles estão fazendo.

Mesmo que uma sensação gigantesca de ser piedosa com meu pai surgisse em meu peito, eu dei de ombros exibindo um sorriso tanto confiante como o deles quanto solidária.

– Acho que você vai ter que confiar neles, pai.

Meu pai encarou a mesa à sua frente de forma que eu pude entender que ele havia desistido de tentar ser o amedrontador Tom White de sempre. Com a postura quase que desabando sobre a mesa, ele fez um sinal negativo usando a cabeça e logo depois fez um sinal para que fossemos embora.

– Bom, talvez eu deva sim confiar em vocês. – ele suspirou. – Por favor, garotos, não abusem da minha confiança. Se estou dando-a para vocês, quero que a usem bem, ok? Seja lá o que for que estão tramando... tratem de fazer dar certo.

Quando enfim aquela reunião perturbadora acabou, nós saímos pelos corredores da gravadora juntos tentando mostrar a todos que nada havia nos abalado. E, bom, pelas expressões de cada funcionário, havíamos feito direito. Eu deixei que eles fossem na frente, andavam um bem ao lado do outro sorrindo e conversando alto sobre qualquer besteira que pudesse fazê-los rir. Will estava com um braço sobre os ombros de Henri, quem batia o cotovelo com graça no braço esquerdo de Zack. Para todos ali, aquela cena deveria ser quase como ver um alienígena, pois desde que as acusações começaram, todos os olhavam feito achando eu de fato eram os culpados. Mas agora, deveriam estar mordendo a língua após ver a reportagem e a alegria deles.

Sentia-me orgulhosa. Se continuássemos daquela forma, o plano acabaria exatamente como eu espera e seria ainda mais fácil do que pensei. Tudo acabaria logo e Tyler estaria na prisão em menos de uma semana.

Na saída, tive que me despedir dos garotos, pois Ana e eu iriamos provar alguns dos vestidos que me enviaram para a estreia de noite e ela me ajudaria a escolher um. Eles não queriam de forma alguma que eu fosse embora, porém, sabiam que até mesmo a prova de vestidos e a estreia do filme de Jason a noite eram parte do plano de acabar com a graça de Tyler.

– Então eu a vejo de noite? – Henri deixou que eles fossem juntos para o carro de Zack enquanto ele ficava para trás. Com os braços ao redor de minha cintura, Henri certificou-se de que não haviam paparazzi e me puxou para perto dele.

– Uhum. – murmurei achando graça quando ele distribuiu uma sequência de beijos por todo meu rosto. – Tem alguma preferência de cor para meu vestido, Sr. Price?

Pensativo por um breve momento, Henri apenas assentiu de forma negativa e me roubou um beijo.

– O que você quiser. Vai estar bonita de qualquer jeito.

Depois de um longo beijo e Will protestando enquanto gritava com a cabeça para fora da janela, Henri finalmente correu para o carro e despedi-me de meus amigos e meu namorado. O carro dos gêmeos desapareceu em meio ao trânsito e encontrei minha deixa para seguir para o carro de Tom – que passaria a ser meu, de acordo com ele por conta de minhas fugas sempre o usando – e ir para casa.

Quando cheguei, encontrei Ana em meu quarto colocando os possíveis vestidos — que estavam cobertos por uma espécie de saco — organizados um ao lado do outro sobre minha cama. Pelo pouco que os sacos revelavam dele, eu podia notar que havia um azul escuro, um preto e até mesmo cor de rosa. Droga, a última vez que me vestira daquela forma fora na premiação que acompanhei os garotos e Henri foi um tremendo babaca comigo, não estava preparada para escolher roupa de gala pela segunda vez em menos de dois meses.

– Qual vai querer escolher primeiro? – questionou minha amiga ainda que de costas para mim enquanto terminava de organiza-los. – Valentino, Stella McCartney ou Oscar de La Renta? Só saiba que eu vou dar minha opinião mais do que valiosa.

– Hum... – pensei. – Qualquer um. E é sério que tem um Oscar de La Renta?

Um sorriso mais do que animado surgiu nos lábios rosados de Ana.

E no fim, Oscar de La Renta ganhou com milhares de pontos acima do outros. Não era um vestido que esbanjava elegância e muito menos que todos esperavam que eu vestisse para a estreia. Porém, refletia em parte minha personalidade e o fato de que eu não gostava muito de coisas comuns como brilhos e cores extravagantes. Era um vestido simples com decote quadrado com listras horizontais pretas e brancas que marcava um pouco acima da minha cintura. Logo abaixo dela, as listras mudavam de direção formando quase triângulos que seguiam até a barra, deixando o vestido com um ar mais descontraído e menos arrumado para uma estreia.

Aquele enfim seria o escolhido para a próxima fase do plano, quando o veneno de Tyler ia diretamente para as veias dele.

Notas finais
Olha essa Scarlet, cara, a bicha ta vingativa hein... Pra quem quiser ver melhor o vestido Oscar de La Renta mara dela, ta aqui o link http://trends4ever.com/wp-content/uploads/2013/10/Jelena-Ristic-striped-Oscar-de-la-renta-dress.jpg Vejo vocês no próximo xx