London Love
12 Às escondidas
Notas iniciais
– Acho melhor eu ir. – disse ele verificando as horas em seu celular. – Está ficando tarde, seu pai pode chegar à qualquer momento.
Ele se sentou na cama, prestes a se levantar, porém o puxei pelo braço impedindo-o de sair. Henri me encarou um pouco confuso, mas então sorri.
– Ah, não. – resmunguei puxando-o de volta fazendo bico, fazendo ele rir. – Você pode ficar mais um pouco, meu pai demora para chegar. Ele disse que ficaria até tarde a gravadora resolvendo alguns problemas de um outro cantor.
Henri pensou um pouco e voltou a se deitar ao meu lado, colocando os braços cruzados abaixo da cabeça. Eu estava morrendo de sono, mas tê-lo ali ao meu lado impediu que eu me sentisse sozinha e eu gostava de ter Henri ali. Ficamos em silêncio, sem dizer nada por um longo tempo, apenas aproveitando a presença um do outro.
– Você vai acabar dormindo. – disse ele rindo. Eu estava deitada de lado agora, usando um travesseiro abaixo de minha cabeça e como ele dissera, estava quase dormindo. Henri começou a brincar com as pontas de meu cabelo subindo e descendo os dedos por ali e quando pegou mais confiança, seus dedos contornaram suavemente meu rosto.
Abri os olhos lentamente dando de cara com seus olhos extremamente azuis de Henri estudando meu rosto. Ele tinha uma expressão calma, passando os olhos lentamente em cada canto de meu rosto até que pousaram em meus lábios.
Eu corei.
– Sabia que você é linda? – sussurrou lentamente. Nossas respirações se confundiam e eu não conseguia desviar os olhos dele.
Não disse nada, o observei mais uma vez deslizando os dedos de forma lenta por toda a extensão de meu rosto, até que levantei, ficando sentada e ele, apoiado no cotovelo. Meu coração estava acelerado, como todas as vezes que eu via Henri e uma coisa era verdade.
Eu estava me apaixonando por Henri Price.
– Isso vai parecer loucura.- sussurrei. Henri foi se aproximando devagar, os olhos azuis cravados nos meus sem desviar em nenhum momento. – Acho que eu...
E antes que eu pudesse dizer qualquer palavra, sussurrar qualquer som, os lábios de Henri tocaram os meus impedindo-me de falar. Ele forçou para que eu abrisse meus lábios e ele pudesse me beijar de verdade, colocando os braços ao redor de minha cintura e me puxar para perto dele. Minhas mãos puxaram o cabelo de Henri fortemente, trazendo ele para mais perto.
Com a intensidade do beijo, eu caí para trás, fazendo com que ele ficasse sobre mim. Enrolei minha mão na gola de sua camisa me agarrando a ela e Henri, com as mãos em minha cintura tocando a pele nua exposta onde a barra da camisa não chegava.
Eu estava sem controle, completamente sem controle dos meus atos e ele, parecia sentir o mesmo. Henri interrompeu o beijo, descendo os lábios até meu pescoço, depositando ali beijos e mordidas, fazendo meus pensamentos voarem. Eu sabia que estava indo longe demais, porém, fazer ele parar estava se tornando impossível a cada beijo que ele deixava em meu pescoço antes de voltar para meus lábios.
Mas, ao ouvirmos uma voz grave vindo do andar de baixo, joguei Henri para o lado.
– Ai, droga! – falei, mas acabou saindo alto demais. – Meu pai!
Henri arregalou os olhos e se levantou da cama olhando para os lados, como se não soubesse o que fazer. não sei por quanto tempo ficamos ali conversando e “outras coisas”, porém fora o suficiente para meu pai chegar.
– Scar, o que eu faço?! – Henri estava com a expressão agonizada, respirando rápido demais me encarando com os olhos azuis arregalados. – Por onde posso sair?! Caramba, se Tom me pega aqui ele me mata! Você não entende, ele vai me matar de verdade!
– Henri, se acalma! – falei segurando ele pelos ombros assim como fez quando contei sobre eu trabalhar no filme. – Ele não vai ver você aqui!
Isso não ajudou muito, pois ele ainda parecia aflito alternando o olhar entre mim e a porta com medo de Tom entrar. Soltei os ombros de Henri e olhei em volta a procura de algum lugar por onde ele pudesse sair, porém todos pareciam difíceis demais.
– Você vai ter que sair pela porta mesmo. – falei mordendo os lábios começando a ficar tão aflita quanto ele. – Se você sair pela sacada de meu quarto, vai se esborrachar no chão! A governanta sabe sobre você estar aqui, então posso pedir ajuda dela.
Henri nem piscou esperando que eu continuasse. Ok, eu estava segurando o riso, ele estava muito desesperado.
Mandei-o esperar no quarto enquanto eu ia atrás da Sra. Godwing para pedir ajuda dela. Não sei bem se ela iria ajudar a Henri sair de casa sem meu pai vê-lo, mas valia o risco, pois se ele não havia ainda ido até meu quarto matar Henri, queria dizer que ela não disse nada.
E isso já ajuda.
– Eu vou descer, fique aqui em silêncio, entendeu? – abri a porta olhando em volta a procura de alguém, mas estava vazio. Henri estava parado bem atrás de mim com sua expressão aflita só aumentando. – Quando eu voltar, vamos ter que correr até a porta.
Ele apenas assentiu nem piscando. Achei graça disso, porém coloquei minhas duas mãos em seu rosto e o puxei levemente para um beijo rápido. Eu me afastei pronta para sair pela porta, mas Henri juntou nossas testas olhando-me bem nos olhos.
Quando consegui me soltar, sai do quarto fechando a porta logo atrás de mim e fui até o andar de baixo. Meu pai estava na sala, vendo algum programa de televisão e a governanta, arrumava a mesa do jantar silenciosamente. Respirei fundo andando até ela em silêncio para não chamar a atenção de Tom, porém meu plano foi completamente por água abaixo, quando ouvi sua voz grave soando atrás de mim.
– Olá, filha. – disse ele olhando-me por cima do ombro. – Como foi seu primeiro dia?
Engoli um seco tentando disfarçar meu medo.
– Ahn... tudo bem. Adorei o estúdio, as pessoas são bem legais. Meu papel é pequeno, mas bem importante no filme. – eu falei muito no automático, quase como um robô. Droga.
Ele me olhou de cima a baixo com uma expressão um pouco desconfiada no rosto, os olhos severos me fitando. Controlei minha respiração e soltei um meio sorriso para tentar mostrar a ele que estava tudo bem e eu não estava escondendo Henri Price no meu quarto. Claro que não, eu sou uma boa filha e prometi para Tom que não me envolveria com Henri.
Só que não.
– Que ótimo. – disse simplesmente. – Vamos jantar?
– Eu... ahn, preciso conversar com a Sra. Godwing por causa de umas coisas... coisas de garota. – dei de ombros e ele pareceu entender. – Já venho.
Tom voltou sua atenção para o programa que passava na televisão, então aproveitei a oportunidade e fui até a governanta que me encarava com uma sobrancelha arqueada, provavelmente já havia entendido tudo. Apontei a ela a cozinha e juntas andamos até lá.
– Sra. Godwing, preciso de um favor seu. – falei corando. – Henri está lá em cima e meu pai não pode vê-lo, Tom o odeia! Eu não estou namorando ele e nada demais, mas meu pai vai mata-lo se souber que Henri ficou todo esse tempo aqui comigo.
A governanta pensou por alguns instantes antes de dizer qualquer coisa.
– O Sr. White me disse sobre aquele garoto. – disse ela. – Ele não quer vocês dois juntos. – abaixei os olhos já esperando que ela falasse que contaria a meu pai. – Porém, percebi que vocês não fizeram nada de errado, só ficaram conversando. Eu passei do lado do quarto para levar algumas roupas de seu pai e os ouvi. Vou ajudar.
Sorri de orelha à orelha abraçando-a por impulso. É, achou que estou ficando imune ao olhar assustador da governanta da casa de meu pai.
– Obrigada. – falei quando a soltei. – Vou trazê-lo aqui para baixo e a senhora distrai meu pai. Só por algum tempo para Henri poder sair com o carro.
Ela assentiu e me mandou subir para busca-lo. Subi as escadas rapidamente evitando o olhar curioso de Tom, contando os segundos para encontrar Henri no quarto olhando para a porta com os olhos azuis arregalados e a expressão de terror no rosto.
Quando a abri, tive a exata imagem que imaginei, o que me arrancou uma gargalhada.
– Não tem graça. – disse ele franzindo o cenho e cruzando os braços. – E ai, a governanta assustadora vai ajudar?
– Vai. – peguei ele pela mão e o puxei para fora do quarto. – Ela vai distrair meu pai, enquanto isso passamos pela sala e vamos para o lado de fora. Você vai até seu carro e vai embora antes mesmo de ele vê-lo.
Henri apenas assentiu novamente e me seguia de forma silenciosa pelo corredor do segundo andar em direção à escada em forma de meio círculo. Quando chegamos nela, fiz um sinal de silêncio colocando o dedo indicado à frente dos lábios. Olhei lá de cima tendo uma visão parcial da sala, ele não estava lá.
Fiz um sinal com a cabeça para irmos, então fui puxando Henri rapidamente pela escada até que finalmente conseguimos alcançar a sala. Estava indo a caminho da porta quando senti-o puxando com força meu braço para me esconder atrás de uma das paredes que separava a sala e a cozinha. O encarei irritada, mas Henri apenas fez um sinal de silêncio e apontou para a cozinha.
Tom estava lá procurando alguma coisa em um armário.
– Sr. White, precisamos resolver o problema da piscina. – disse a governanta olhando rapidamente na nossa direção. – O encanador irá arrumar um dos canos e vai precisar quebrar alguns pisos da piscina.
Isso chamou a atenção de meu pai, quem a seguiu para fora da casa.
Verifiquei mais uma vez para ter certeza que ele saíra pela porta dos fundos e voltei a puxar Henri para a porta da frente. Quando conseguimos sair, eu estava ofegante, não conseguindo parar de rir daquela cena. Parecia que eu estava no meio de um filme de espionagem ou fuga, o que deixava tudo mais divertido.
Já Henri, estava com as mãos apoiadas nos joelhos tentando respirar fundo puxando o ar para seus pulmões. O único problema, era que parecia que ele não conseguia respirar direito, o que me preocupou.
– Henri? – chamei-o indo até ele e colocando uma mão sobre seu ombro. Ele estava com os olhos fechados, puxando o ar rapidamente. – Você está bem?
Ele levantou a cabeça ainda com os olhos fechados como se estivesse querendo me responder. Agora, eu começava a me desesperar, ele não parecia nada bem e não melhorava de jeito nenhum, era como se estivesse piorando a cada segundo.
E foi ai que entendi. Henri tinha asma.
– Droga, onde está a bombinha? – perguntei. Ele respirou fundo mais três vezes antes de me entregar a chave de seu carro.
Desesperada, sai correndo até seu carro estacionado na rua bem ao lado da casa. Procurei por todo canto algum sinal da bombinha, mas não conseguia encontra-la. O desespero só aumentava dentro de mim, eu sabia muito bem o quão ruim poderia ser a asma, ainda mais ele que não conseguia respirar à alguns segundos.
Quando encontrei a bombinha, fechei a porta e corri na direção dele, quem se encontrava ainda na mesma posição de antes. Peguei sua mão direita e coloquei ali a bombinha, vendo-o surpreso e finalmente usá-la.
Depois de longos minutos, a respiração dele se normalizou.
– Como sabia? – perguntou respirando fundo.
– Minha amiga brasileira, Jes, tem asma. – murmurei passando as mãos lentamente por sua testa, tentando arrumar seu cabelo um pouco bagunçado demais por causa do suor. – Quando tínhamos 12 anos, ela teve uma crise no meio de uma aula, ninguém sabia o que ela tinha, só eu. Fui a única que pôde ajuda-la.
Fomos andando lentamente até o carro com medo de que Tom pudesse nos ver ali na frente de casa conversando. Henri estava um pouco exausto, respirando fundo enquanto me seguia até seu carro.
– Agora preciso ir. – murmurou ele sorrindo de lado. Encostou-se à porta do carro encarando-me com seus olhos azuis reluzindo algo que parecia tristeza, mas ao mesmo tempo alegria.
– É. – eu ri. – Deveria ter deixado você ir quando quis, pelo menos meu pai não tinha chegado e não teríamos que sair às escondidas assim.
Ele deu de ombros pegando minhas mãos.
– Mas ai eu não teria chance de beijar você. – isso me fez lembrar do beijo, ainda melhor que o primeiro, intenso, vivo e com algo a mais. Não pude evitar, escapou de mim um sorriso e Henri percebeu. – Pela sua cara, acho que você gostou.
– Talvez... – murmurei me aproximando apenas alguns centímetros dele. – Quem sabe você não me relembra?
Ele me encarou com um sorriso malicioso antes de me envolver puxando-me pela cintura para ainda mais perto dele. Ele encostou nossos lábios lentamente num beijo inocente, como se fosse o primeiro e todos os outros nunca tivessem acontecido. Ele se inclinou um pouco desfrutando do beijo, tirando os fios de meu cabelo que caem em meu rosto. Entramos em uma sintonia perfeita, sentindo uma conexão que nunca tive antes em minha vida.
Senti que Henri sorria por cima do beijo, coisa que me fez desconectar do exterior completamente, esquecer do mundo em volta e do quão perigoso era para um artista como ele, estar beijando uma garota bem a frente da casa dela. Fotógrafos poderiam aparecer a qualquer momento e fora isso que me afastou lentamente de Henri.
– Entendi. – sussurrou ele em meu ouvido antes de depositar um beijo em meu rosto.
Ele não tirou os braços de ao redor de minha cintura, como num abraço, abaixou a cabeça colocando-a em meu ombro, usando de apoio.
– Quero perguntar uma coisa, mas não consigo. – sussurrou ele com a voz abafada por meu cabelo.
Eu ri passando os dedos em seu cabelo.
– Isso é timidez? – perguntei franzindo o cenho. – Saiba que isso é muito estranho vindo de você, Price.
Henri levantou a cabeça lentamente, seus olhos azuis estavam cravados em mim numa expressão intensa com um misto de confusão. Esperei que ele arrumasse as palavras certas, como parecia que estava fazendo.
– Scar, você vai querer me matar, esse é o problema. — disse coçando a cabeça. – Seu pai vai me matar, os gêmeos e principalmente Will, que vai dizer que sou irresponsável. Mas.. eu não consigo evitar.
– Só diga logo.
Eu estava sorrindo, mas na verdade morria de preocupação por dentro pelo medo do que ele queria dizer com isso.
– Scar... – ele pegou minhas mãos novamente e me encarou nos olhos seriamente. – Namora comigo?
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