London

1 Capítulo Único – First Times


01 de setembro de 1987, Londres; Inglaterra.

~*~

A primeira vez que ele o viu foi em seu primeiro dia na faculdade.

Ele, assim como muitos outros calouros, olhava pra tudo com admiração e espanto o campus da Goldsmiths College, uma das mais antigas e prestigiadas universidades públicas de Londres.

E foi exatamente espanto que o corrompeu ao ver um grupo de pessoas vestidas com roupas estranhas, rasgadas e camisetas com frases e nomes estranhos ou desconhecidos para si. E ali, no meio do círculo que se formava estavam os olhos mais eletrizantes e maliciosos que já havia visto, os mesmos pertencendo há um jovem de cabelos extremamente negros – que de nada havia de igual com os moicanos espetados e coloridos ou aos cabelos longos, ultrapassando o limiar do ombro –, mas mesmo com essa diferença escandalosa no corte de cabelo, ele parecia ser o centro das atenções na pequena roda de pessoas. Suas calças coladas e rasgadas em alguns pontos, os coturnos negros com os cadarços meio frouxos, a camiseta negra com um símbolo e nome desconhecido e a jaqueta de couro remendada em alguns locais pareciam ter sido feitos para ele.

“São os punks.” Alguém falou ao seu lado, fazendo-lhe tomar um susto. Olhou para o lado se deparando com uma garota vestida quase igual ao grupo que antes ele olhava. Cabelos longos, lisos e negros com algumas mechas em tons de roxo.

“Quem?” Respondeu de volta com uma pergunta, a testa vincando em um franzido confuso e os olhos cerrando-se por um momento. A jovem sorriu sarcástica e com ar meio superior.

“As pessoas ao qual você estava olhando e parecia que iria começar a babar por isso.” Ele avermelhou-se, desviando os olhos timidamente. “São punks, babacas que se acham um máximo pelo estilo próprio e único, na verdade eles se acham os defensores do mundo.” Falou com desdém, como se aquilo fosse o maior absurdo do mundo. “A propósito, sou Taissa. Taissa Winter.” Taissa apresentou-se, tirando uma das mãos do bolso do casaco grosso e estendendo a mão para um cumprimento. O dia em Londres havia amanhecido frio demais para ser somente o quase começo do outono

“Sou Thomas. Thomas Hentz” Respondeu, apertando a mão, aceitando o cumprimento.

“Bom Hentz, eu adoraria continuar nosso pequeno dialogo, mas nem você ou eu queremos nos atrasar para nossas aulas, não é mesmo?” Falou a jovem com estilo exótico, olhando para um pequeno relógio feminino no pulso. Thomas adiantou-se a acompanhar os passos de Taissa, seguindo-a em direção à entrada da instituição.

“Taissa, por acaso você não saberia onde é a sala de História da Arte nº 3, não é?” Perguntou, olhando em um papel meio amassado o que seria seu horário de aulas e um mapa do campus que naquele momento estava parecendo mais uns rabiscos em uma língua composta por símbolos por conta de sua miopia. Maldita hora que seus óculos foram quebrar.

“Siga-me, Hentz, parece que sua sala fica perto da minha.” Respondeu Taissa com um sorriso lateral humorístico, achando graça do jeito atrapalhado que Thomas parecia ter. Ele parece um filhote de cachorro perdido que caiu do carro de mudança. Pensou de forma meiga a jovem rebelde.

Ao chegarem à porta da sala, Taissa barrou a porta por um momento, olhando fixamente para o loiro um pouco menor que ela. “Por sinal, eu me esqueci de avisar. Fique longe dos punks. Eles são uma encrenca que nenhum novato ou qualquer um de fora do mundo deles gostaria de se meter, entendido?” Taissa olhou ameaçadoramente para o calouro e depois saiu de perto da porta. Ela só esperava que o jovem seguisse seu conselho.

01 de outubro de 1987, Loring Hall – moradia de universitários da Goldsmiths College.

~*~

A primeira vez que Thomas falou com ele foi totalmente por acaso e sem qualquer intenção em acabar em desastre.

Já havia se passado um mês do começo da vida universitária e tudo que ele poderia dizer era que ele estava cansado. Os professores eram rígidos ao ponto que nos finais de semana Thomas ainda tinha trabalhos para fazer, sendo que ele era tão organizado quanto poderia ser. Por sorte seus óculos haviam sido concertados três dias depois de começar sua vida universitária o que lhe poupou várias dores de cabeça por ter que forçar a vista.

Na verdade, nesse exato momento Thomas estava terminando um dos últimos exercícios que o Sr.Moosgod, seu professor de Curadoria, havia passado. Havia passado mais de cinco horas sentado na desconfortável cadeira que fazia par com sua mesa de estudos. Suas costas, mãos e mente doía e ele já previa que teria que ter uma overdose de remédios para que todas as dores musculares e nervosas sumissem ou pelo menos aliviassem, não importava qual fosse a opção, qualquer uma das duas seria bem recebida.

Andou em direção ao banheiro acoplado ao seu pequeno quarto do dormitório e parou ante a uma pequena estante de madeira pregada na parede cheia de remédios e produtos de higiene pessoal. Procurou pelos remédios certos e os tomou a seco, sem qualquer auxílio de água. Naquele momento ele só queria dormir.

Preparou-se para dormir – ou seja, vestiu sua grande camisa com figuras do escudo do Capitão América e a imagem chibi dele na frente com uma cara determinada e uma calça de algodão suja de tinta – e andou displicente em direção a sua cama, até estacar no lugar depois de escutar um enorme estrondo na sua minúscula sacada e logo depois gemidos e uivos incoerentes de dor. Tem um ladrão na minha sacada! Tommy entrou em pânico com a possibilidade que seus pensamentos deram a ele. Olhou em direção de onde saiu o estrondo e caminhou vagarosamente em direção há um vaso que havia em sua mesa de estudos. Ele nem queria pensar no que aconteceria com o vaso se acertasse o que ele presumia ser um ladrão. Pobre vaso.

Foi em direção à pequena extensão de seu dormitório, abrindo silenciosamente a porta de correr que dava acesso à área, preparou o vaso quando percebeu a movimentação de um vulto negro em meio à escuridão. Jogou o vaso.

“Porra! Tá maluco?!” Exclamou o vulto. Thomas jurava que conhecia aquela voz de algum lugar. “Você é o que? Um tipo de assassino com vasos?” Thomas se sentiu encabulado, o ar frio da noite londrina arrepiando os pelos de seus braços descobertos, fazendo o mesmo os esfregá-los com as mãos também meio gélidas. O inverno estava chegando, dava para perceber. Voltou sua atenção para o vulto negro que já passava a ganhar forma, a primeira coisa que percebeu do suposto ladrão foi o sangue escorrendo de um pequeno corte na testa, culpa do vaso jogado pelo Hentz, a segunda foram os olhos incrivelmente azuis que as vezes pareciam se misturar com tons de verde marinho que o encaravam com uma irritação descomunal.

“Você está sangrando.” Afirmou o óbvio. Viu o outro revirar os olhos, soltando um bufo descrente.

“Não brinca Sherlock.”

01 de novembro de 1987 – Devonshire Arms Pub; New Cross.

~*~

A primeira vez que Thomas viu o lado problemático dele tinha sido em uma briga envolvendo o namorado da sua melhor amiga.

Taissa, com o passar do tempo acabou se mostrando uma ótima pessoa e uma amiga extremamente super-protetora, por isso ela era considerada sua melhor amiga.

E era por esse único e exclusivo motivo que Thomas se encontrava ali no Devonshire, o clube alternativo e um dos mais badalados de New Cross. Ou seja, nem um pouco o lugar dele. Thomas era um peixe fora d’água naquele local, mas era por sua melhor amiga, tinha que valer a pena, certo? Ele estava cogitando dizer que não.

“Ei, Tommy! Eu encontrei o Dean!” Escutou a voz de Taissa vindo de algum lugar e varreu seu olhar pela multidão, encontrando mechas azuis e lábios pintados em um roxo escuro de cara. Taissa estava vindo em sua direção, um enorme sorriso no rosto e um garoto alto com uma camisa vermelha berrante. Aquele deveria ser Dean Snow, o namorado que Taissa não parava de falar desde que ela cruzou o olhar com o cara. Amor à primeira vista, que legal.

“E aí.” Cumprimentou Dean assim que ele e Taissa chegaram perto o bastante do local onde Thomas estava que era o balcão do bar do pub. Thomas acenou com a cabeça reconhecendo o cumprimento, enquanto bebia um gole da cerveja em seu copo.

“Bem, Dean esse é o Thomas, meu melhor amigo. Thomas esse é o Dean, meu namorado!” Apresentou Taissa alegre, possivelmente pela situação e por já ter bebido algumas doses de álcool aquela noite.

“É legal conhecer você finalmente Dean.” Respondeu Thomas depois de mais uns goles em sua bebida, sorrindo educado. “Taissa não parava de falar que eu tinha que conhecê-lo.” Respondeu, soltando uma risada nasalada ao ver sua amiga avermelhando-se enquanto o namorado olhava para ela com certa pitada de humor no olhar e no sorriso de canto.

“Ei! Eu não fiquei falando dele todo momento, tá?” Respondeu a jovem universitária com um pequeno bico nos lábios. “Só algumas horas...” Completou, desviando o olhar, constrangida por ter que assumir aquilo. Thomas, assim como Dean, gargalhou da mulher.

“Bom, ela também não parava de falar de você, se também serve de consolo.” Falou Dean, arrancando outro riso humorado de Thomas. “Mas, agora que tal irmos lá pra frente? O show já vai começar!” Falou olhando entre a namorada e o loiro.

“Boa ideia!” Concordou Taissa, já puxando o namorado e o amigo pelas mãos. Taissa com certeza era outra quando bebia.

Quando estavam chegando próximo à frente do palco, Taissa parou abruptamente, cambaleando alguns passos pra trás, sendo amparada pelo namorado que já não mais segurava a mão da jovem, assim como Thomas.

“Você é cega, retardada?!” Thomas escutou um grito masculino indignado à frente de si, dando alguns passos para frente vendo na sua frente um grupo de punks mal encarados e o dono dos enigmáticos e perigosos olhos azuis que intrigava tanto a Thomas.

“Ora seu babaca! É você quem não olha por onde anda Gold!” Gritou Taissa de volta, com a mesma raiva que o outro. Aparentemente, os dois se esbarraram fazendo o copo de vodka do outro na camisa do jovem a frente deles.

“O que disse?” Respondeu o outro, trincando o maxilar, moendo os dentes com raiva. Os outros atrás de si pareceram entender o recado e foram se preparando para um possível briga física. Seis contra três, um número totalmente injusto. Dean tentou apaziguar as coisas, mas a única coisa que ganhou foi um grito para não se meter nos problemas dos outros, vindo de um dos garotos do grupo do outro. Aquilo foi à gota d’água. Taissa partiu pra cima do garoto que havia gritado com Dean, acertando o soco em cheio no nariz do punk. A música ao redor estava alta, mas Thomas jurou ter ouvido o som de um osso quebrando.

A balbúrdia tomou proporções épicas quando pessoas que não tinham nada a ver com o conflito se meteram em meio à briga levando e dando socos. Thomas saiu com um possível olho roxo e um corte superficial no lábio inferior.

Alguém tocou seu ombro e ele quase se preparou para dar um soco em alguém, quando percebeu ser Taissa, com namorado apoiado em seus ombros e meio tonto, um corte horrendo – que com certeza precisaria levar pontos – na lateral da cabeça, próximo ao inicio da testa.

“Vou precisar levar Dean ao hospital, você consegue voltar para o dormitório sozinho?” Thomas pensou por um momento, depois acenou com a cabeça, o ferimento na cabeça de Dean parecia ser mais importante que a carona do Hentz. Taissa deixou o pub, seguido de Thomas depois de alguns minutos tentando escapar da briga que ainda ocorria. Escapou se deparando logo na saída com um desorientado punk que sempre invadia os pensamentos do loiro. O punk de olhos enigmáticos estava ali a sua frente com uma mão na cabeça massageando um futuro galo, tendo um olho roxo e um lábio cortado e sangrando.

O punk olhou para cima, dando um sorriso seguido de uma careta de dor por conta do lábio cortado ao reconhecer Thomas. “Parece que sempre que nos encontramos eu acabo me machucando.”

“Eu acho que você não precisa da minha presença para se machucar.” Rebateu Thomas, ao se encontrar com os olhos desdenhosos do outro. Thomas não sabia por que agia assim, sua irritação com o outro surgia do nada sempre que falava com o outro ou se pegava pensando nele.

“Gold” soltou uma risada sarcástica e humorada com a resposta venenosa do outro. “Cuidado com o que fala Sherlock.” Tentou se levantar, mas cambaleou e encostou-se mais uma vez ao pequeno muro que circulava a entrada do pub.

“Ou o que? Você vai fazer algo contra mim?” Perguntou desdenhoso, mas seu olhar franzido demonstrava preocupação ao olhar novamente o estado do outro e perceber que nem podia se levantar corretamente. Gold percebeu o olhar e sorriu de canto.

“Preocupado?” Perguntou, tirando Thomas de um transe.

“O que?”

“Preocupado comigo? Achei que não gostava de mim.”

“É claro que não.” Respondeu percebendo o outro arquear uma de suas sobrancelhas com o duplo sentido da frase. “É claro que não me preocupo com você, além do mais você quase espancou o namorado da minha amiga.” O outro soltou uma risada nasalada, se desencostando do muro, cambaleando mais uma vez e sendo acudido por Thomas.

“Tem certeza?” Arqueou mais uma vez a sobrancelha ao perceber a ação de Thomas.

“Cale a boca.” Replicou Hentz, resmungando.

31 de dezembro de 1987 – Uma hora para a virada; Londres.

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Thomas não fazia a menor ideia de como aquilo foi acontecer. Em um momento ele estava em seu quarto lutando para encontrar sua carteira para poder ir ver os fogos com Taissa e Dean e no outro ele estava com um convidado inusitado em sua sacada com um convite mais do que inusitado. Suspeito.

“E então?” Thomas varreu seu olhar pelo quarto mais uma vez pelo quarto, avistando sua carteira em cima de uma mediana pilha de livros e depois retornou seu olhar ao jovem mais velho a sua frente com um semblante pensativo.

“Não.” O outro olhou atordoado por um momento e Thomas continuou. “Vou passar o ano novo com meus amigos e não com alguém desconhecido.” Observou o outro cerrar os punhos e dar alguns passos para frente, em sua direção.

“Acho que você não me entendeu. Você vai passar o Ano Novo comigo e só comigo.” O olhar e a firmeza das palavras do outro fizeram Hentz tremer.

“Você não manda em mim. Eu nem mesmo te conheço!” O outro não esperou mais, avançou contra Thomas fazendo o outro cerrar os olhos a espera de um soco, mas o que veio a seguir o tirou literalmente do chão. Em um momento ele estava com seus pés bem colocados no chão, no outro ele se encontrava nos ombros de sua visita inesperada olhando para o chão e para as costas largas do outro. Isso só pode ser brincadeira!

“Ei! Largue-me! ME LARGUE!” Gritou desesperado, batendo com seus punhos nas costas do outro.

“Não.” Foi só o que recebeu, antes de ser levado para fora do seu quarto passando pelos corredores vazios e quase silenciosos do prédio do dormitório de Thomas.

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Thomas não fazia a menor ideia de onde ele estava o levando. Os dois já haviam saído da área de New Cross, o carro em uma velocidade acelerada, mesmo que as ruas deveriam estar lotadas de pessoas, carros ou ônibus para irem ver a queima de fogos no final da contagem regressiva.

Fazia quase vinte minutos que os dois estavam na estrada e Thomas já estava começando a se acostumar, quando o veículo parou de repente. No meio de uma ponte.

“O que estamos fazendo aqui?” Perguntou, vendo o outro se preparando para sair do carro, fez o mesmo, batendo a porta do carro em seguida e seguindo o outro até a margem de um dos lados da construção. O ar frio daquela noite estava transpassando o casaco grosso de lã que usava causando-lhe arrepios, olhou para seu acompanhante para aquela noite vendo a mesma jaqueta estilo aviador que sempre o viu usando. Como ele pode não estar sentindo frio?

“Aqui é um dos locais com a melhor vista para a queima de fogos.” Respondeu o outro se sentando na murada da ponte. “E também quase ninguém vem pra cá nessa hora, todos querem ficar bem perto do local da queima.”

“Mas aqui não é a Ponte Lambeth Bridge?” Perguntou confuso, já que aquele era um conhecido trafego rodoviário. O outro soltou uma risada, ficando ereto e caminhando em direção ao carro, não respondendo a pergunta de Thomas.

Thomas o viu abrir o porta-malas e tirar de lá uma garrafa de vinho e duas taças. Aquelas taças pareciam caras.

31 de dezembro de 1987 – Dez minutos até a Virada; Ponte Lambeth Bridge.

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A garrafa de vinho já estava pela metade e Thomas já se sentia embriagado o bastante para dar altas e engraçadas risadas sem saber ao certo o motivo. Ele e o dono dos olhos turquesa acabaram se conhecendo melhor, mas mesmo sabendo sobre a banda que ele tinha e que fazia faculdade de Direito ainda faltava algo. Bem importante na verdade.

“Qual o seu nome?” Sim, Thomas não fazia a mínima ideia do nome de seu acompanhante, ou melhor, seu sequestrador. O outro soltou uma gargalhada alta que impregnou nos sentidos auditivos de Thomas o fazendo pensar que aquela era uma boa risada.

“Sério que você saiu comigo sem nem mesmo saber o meu nome?” Outra risada deixou as pregas vocais do punk, dessa vez mais arredia, baixa. “Você é uma comédia. Meu nome é Vincent Gold, mas a galera me chama de Vinci.”

“Como Leonardo da Vinci? Que apelido você foi arranjar, hem?” Thomas soltou uma risada, sendo acompanhado por Vinci, mas o outro logo parou olhando para um Hentz tendo um ataque de risos. As covinhas ressaltadas, os olhos cerrados pela risada, os lábios e as maçãs do rosto avermelhadas pelo frio, e os fios loiros e cacheados na frente e que com a risada balançavam suavemente. Thomas Hentz era adorável e nem mesmo sabia disso.

Saiu de seus pensamentos ao ouvir de longes gritos de pessoas contando. A contagem regressiva havia começado. Thomas já havia recuperado o fôlego e também parecia ter escutado os gritos.

10

Vinci olhou novamente para Thomas, vendo os lábios mexerem-se ao contar junto com os ruídos que ouviam. Os olhos adquirindo um brilho próprio e também por conta das luzes dos pequenos postes na murada da ponte, Vinci percebeu que eles estranhamente eram uma mistura de verde e de uma cor parecida com o café.

9

Thomas percebeu estar sendo observado e olhou para o lado, chocando-se com os olhos que desde o principio o encantaram. O olhar de Vinci era de encanto, como se estivesse em transe, e parecia haver algo a mais lá. Algo quase obscuro. Desejo.

“Vinci...?”

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Os dois pareciam estar em um transe estranho, em que os corpos pareciam se magnetizar e quiser mais e mais aproximação. Os dois, juntos, sussurravam a contagem regressiva, mas parecia que era uma contagem para outra coisa.

“Sim...?”

7

“Por que você me trouxe aqui?” Thomas perguntou de supetão, mas o transe que se mantinham postos não havia se quebrado.

6

“Você me intrigou desde a primeira vez que eu te vi na frente da Goldsmiths com aquele olhar de espanto e admiração.” Aquilo pegou Thomas de surpresa.

5

“Você me viu no primeiro dia?” Agora estava tudo confuso e Thomas não sabia se era pelo vinho ou pela constante aproximação entre os dois.

4

“Você também me viu, certo?” Vinci perguntou em resposta.

3

“Sim...” Confirmou Thomas.

2

Vinci já não estava mais suportando, colocou uma mão na nuca de Thomas o puxando para si e colando seus lábios, em um beijo casto, mas repleto de desejo.

1

Thomas correspondeu na mesma intensidade, apoiando uma de suas mãos no local onde estava sentado e a outra agarrando o final da jaqueta do outro, com força.

Os fogos rugiram em meio ao céu naquele momento. Colorindo o céu com suas variadas cores e suas variadas formas, gritos animados eram ouvidos a distância. E se alguém passasse naquele momento pela Lambeth veria dois jovens homens se beijando apaixonadamente e o brilho dos fogos refletindo em suas faces e na água do Tamisa, eternizando aquele momento.

[Happy New Year!]

Notas finais
1987 porque, bem, se vocês forem fãs de Green Day saberão o porque, mas se não são então deixe-me dizer que foi o ano em que a banda foi formada.
Goldsmiths College é considerada uma das melhores universidades públicas de Londres em suas áreas de Artes, Cultura e Sociais. É localizada na área de New Cross.
Loring Hall é um dos salões que a Goldsmiths oferece para os alunos residirem, é um dos salões que mais recebem alunos de intercâmbio.
The Devonshire Arms, é um pub muito bem conhecido por sua decoração gótica e pelos shows de estilo alternativo, punk, rock, gótico, etc. Em 2008, depois de uma reforma e depois de mudar de dono, seu nome passou a ser The Hobgoblin, para aqueles que acompanham as notícias sobre Rupert Grint, então deve saber que foi lá que nosso Ron acabou ficando nu, quebrou coisas e acabou saindo delirando sobre estar vendo uma coruja.
Lambeth Bridge é um tráfego rodoviário e passarela que cruza o rio Tamisa na direção leste-oeste, no centro de Londres.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!