Lola
1 Cuidado
Notas iniciais
— Preste atenção Ana, este artefato precioso esculpido com alabastro, maravilhoso. — A senhora de pele morena, nariz arrebitado chama a filha cujo interesse não correspondido. — Ana! — Chama severamente, a menina desvia o olhar, solta ar com força, vai até a mãe. — Tem de saber diferenciar produtos raros de vis, entendes? Tu no sabes nada menina teimosa, sale, ja basta! — Mudara para espanhol em questão de instantes, Ana revira os olhos, se afasta da mãe. Uma boneca chama sua atenção numa barraca próxima, ela anda até, parando em frente.
— Eu quero ela — Determina, em questão de segundos um homem de terno compra o brinquedo, entregando à jovem menina.
— Aqui senhorita Ana, permita-me carregar.
— Não — Estende a mão, pegando bruscamente — Não toque mais, é minha agora. Vou te chamar de Lola. Gostou do nome?
— Ana!! — O grito rasga a multidão num português carregado de sotaque latino. — Baianos.
De volta, Ana corre ao quarto, jogando-se na cama grande florida. Uma sêmita respeitada por todos. Olha a boneca, analisando, virando de costas, um buraco. Franze as sobrancelhas, colocando o dedo no buraco: pano, algodão, papel.
— Papel? — Murmura, retira, analisa, abre. — Não molhe, cuidado, perigosa, fuja. — Os olhos da menina arregalam, soltando o papel no chão e limpando dedinhos pelo vestido solto. — Hijo de pero — Corre ao banheiro, lava as mãos e volta ao quarto, se joga na cama e pega a boneca, passando uma pontinha úmida nos lábios de Lola. Por um segundo eles abrem e prendem. Ana grita. Lola a mordera. Lola a mordera? Tira a mão rapidamente, pulando. Lola levanta, sorriso estampado, macabra. Ana congela, sente um toque, prende a respiração. Olha sua mão rosada e outra surge, a envolvendo.
— Mãe.
— Ana? Venha aqui.
— Não sou Ana, sou Lola.
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