Tomado pela fúria Loki caminhou em direção a Sigyn, contudo ele parou no meio do trajeto. Ele se lembrou de que esse era o plano, ela iria distrair o rei para que ele conseguisse a chave. A moça o viu e sorriu sem parar de dançar, seu sorriso diminui ao olhara para o rei. Loki mudou de rumo, não queria que o esforço dela fosse em vão, sem falar que era a única oportunidade que ele teria.

Sigyn não sentia-se bem dançando com o rei, apesar de todo o ódio que nutria pelo Loki, existia algo que ainda a fazia ter fé nele. Um sentimento forte sem explicação, talvez fosse tolice ajudar ele depois do que ele aprontou com ela, porém sua consciência gritava para ajuda-lo. O rei a olhava com malícia, os olhos dele passeavam pelas curvas sensuais da moça. A respiração dele era repugnante e suas mãos eram tocavam onde não deveriam. Theoric era um homem alto, de cabelos castanhos escuros e olhos cinzas como o céu num dia nublado de inverno. Tais olhos davam um aspecto frio e assustador. Assim que a música acabou alguém tocou no ombro dela, ao virar-se ela viu Loki. Ele curvou-se e perguntou polidamente.

– Dá-me a honra de ter essa dança?

O deus estendeu a mão, seus olhos olhavam diretamente nos dela. Apesar de tudo ela aceitou e o acompanhou, o rei observou os dois caminharem para o meio do salão. A música ainda não havia começado e Loki segurava as mãos dela.

– Perdoe-me, não era minha intenção te machucar daquela forma.

– Não, você queria aquilo e o fez. Depois que terminarmos, cada um segue seu caminho.

– Prometi te levar a Asgard, mantivestes a promessa, devo-lhe fazer o mesmo.

A música começou a tocar e a midgardiana moveu o indicador chamando ele de forma sedutora. Loki deu um leve sorriso nos lábios e seus olhos eram de uma fera pronta para atacar a presa. Ele a rodeou, porém ela manteve-se lateral e o olhar dela não era de uma presa, mas sim de outra fera também pronta para atacar. Ambos os olhos eram fixos um no outro. A mão dela tocou no peitoril do deus, mas os olhos dele não deixaram os dela. Eles afastaram-se, Loki abriu os braços num sinal claro de que estava pronto, Sigyn passo as mãos no próprio corpo, descendo da cintura, tocando os quadris e segurando por fim com a esquerda a saia do vestido. Os dois avançaram com os olhos fixos um no outro. Sigyn jogou a saia para o lado em sinal de confronto como um toureiro faria para o touro. Loki ficou do lado direito da moça, com a mão esquerda levantada e a direita tocando a cintura dela com os joelhos flexionados. Ela fez o mesmo, a diferença é que seu corpo projetou-se para trás como se estivesse entregando-se ao condutor. Ambos levantaram-se, contudo eles levantaram com as mãos direitas segurando-se, a esquerda dela tocava o antebraço dele, sentindo os músculos por que se escondiam nas mangas.

Num só movimento rápido ele a fez girar em seus braços, eles voltaram a ficar frente a frente. A mão direita dela se posicionou na esquerda dele, e a esquerda dela apoiou-se no ombro do príncipe. Ele por sua vez toucou a cintura dela com a mão direita. Seus joelhos direitos flexionaram-se e suas pernas esquerdas se estenderam no chão. Em momento algum eles deixam de olhar um para o outro. A multidão havia parado de dançar, resolvendo contemplar o casal.

Lentamente eles levantaram-se, suas testas colaram uma na outra. As respirações eram próximas e seus corações batiam descompassadamente. Nenhum sorria, apenas olhavam-se. Seus corpos começaram a mover-se na pista, num movimento Sigyn enroscou a perna direita exposta entorno da coxa do Loki. Ele a conduziu num rodopio sem deixa-la cair. Quando ele parou, o tronco dela projetou-se para baixo ainda com a perna direita enroscada ao corpo dele. Os olhos dele percorreram do pescoço, passando pelos seios e chegando a intimidade que tocava seu membro viril. Rapidamente a mão firme dele puxou o troco dela puxando-a para si.

A mão esquerda dela segurou-se nos ombros definidos do deus e seus rostos ficaram colados, seus lábios quase tocaram-se por um momento. Ele a colocou em sua lateral direita ainda com suas mãos guiando o corpo dela, em confronto ela movia seus pés fervorosamente cruzando as passadas. Loki colocou a perna interrompendo o ato de fúria, o príncipe a girou para que Sigyn ficasse de costas para ele e a pudesse conduzir, ela girou ficando novamente de frente para o condutor. Seus olhos eram fixos, ambos tentando seduzir o outro. Novamente a moça moveu os pés fervorosamente, em confronto com a recém tentativa de controla-la. Ele a rodopiou, quando seus braços ficaram esticados ela deu um tapa no braço dele. Loki por sua vez ficou de costas para ela em repúdio ao ato. Ela arrependeu-se e o abraçou por trás, sua perna esquerda subiu esfregando-se no companheiro, ele olhou a perna e virou-se furiosamente. Sigyn recuou com medo do que ele poderia fazer, Loki por sua vez caminhou até ela, ele fez sinal de que dar-lhe-ia um tapa, ela ajoelhou-se e colocou uma mão em sinal de 'pare eu suplico'.

Em vez de bater nela ele tocou a nuca dela, Sigyn levantou-se segurando no ombro dele. Ele a rodopiou e a colocou numa situação de perigou o corpo dela pendia apenas em um braço, mas ela não teve medo, deu voto de confiança. Ao ver o voto ele imediatamente a levantou e a puxou de costas para si, ela sentiu o membro viril dele, porém não teve medo seu corpo queria entregar-se a ele, as mãos dele envolverão o corpo dela e o príncipe passou os lábios no pescoço da moça. Ele a virou de frente e novamente fez o tronco dela formar um arco para baixo, dessa vez a mão dele tocou os seios, abdômen, passou pelo glúteo e por fim a coxa exposta. Loki a puxou de volta, ela tocou-lhe na nuca e deixou o rosto colado ao dele, ele não resistiu e a beijou ardentemente. Sigyn acariciou a base do cabelo dele enquanto ambos perdiam-se naquele sentimento forte, seus corações pulsavam rapidamente e os dois sentiam aquele famoso frio na barriga. Foi como se o tempo parasse e não houvesse nada além do que o casal. Quando seus lábios separaram-se seus olhos abriram-se e começaram a ouvir os aplausos.

Ambos sorriram e abraçaram-se. O rei a olhava de uma forma nem um pouco educada. Loki decidiu que já era hora de saírem desse baile de outono, ao sair ele colocou o casaco sob ela. Ambos subiram no mesmo cavalo e voltaram para a estalagem. Sigyn sentou-se na cama junto com o Loki.

– Conseguiu pegar a chave?

– Sim, eu agradeço pelo o que tu fizestes por mim hoje. Espero que um dia me perdoe.

– Não se preocupe, eu te perdoo. Eu me preocupo demais com você, nunca mais grite comigo.

O deus sorriu removendo a bota, ele pegou a chave no bolso e abriu a peça metálica do tornozelo. Ele sentiu sua energia voltar e deitou-se, Sigyn aproveitou e roubou-lhe um beijo. Desta vez ele não gritou com ela, nem sequer iniciou uma briga com ela. Loki apenas retornou o beijo. Ele ficou sob ela e deu intensidade ao beijo, as mãos da midgardiana passeavam pelas costas do deus.

– Sigyn, precisamos dormir, amanhã precisamos fugir deste reino.

– Apenas se me deixar dormir abraçada a você.

– Pelo o que fizestes hoje não vejo problema, só não vá me esfaquear enquanto durmo.

– Pare com o drama, se eu quisesse ver você morto nem teria te ajudado.

– Então venha, nada de ficar se movendo muito, pretendo descansar pois amanhã será um dia agitado.

Loki deitou-se do lado dela, Sigyn ajeitou-se com a cabeça no ombro dele, ele passou a mão na cintura dela deixando ela mais próxima de si, com sua magia o príncipe mudou as vestes de ambos para roupas de dormir. Eles deram um beijo de boa noite e adormeceram juntos.

Na manhã que se seguiu o quarto foi tomado por guardas, antes que pudesse reagir, Loki foi atingido na cabeça. Ambos foram levados para o castelo de Theoric, os guardas usaram correntes encantadas para manter os dois submissos. Ambos ficaram perante o rei. Este os olhou de uma forma nem um pouco amistosa, algumas pessoas estavam presentes, estas serviriam de testemunhas. Theoric, sem levantar-se do trono começou a falar com os acusados.

– Loki, eu não sou idiota. Eu sei que tu roubastes uma certa chave minha. Como sou misericordioso, dar-lhe-ei a opção de como desejas morrer.

– Eu quero morrer velho numa cama confortável em Asgard com Sigyn ao meu lado.

– Sem brincadeiras, diga-me como desejas morrer.

– Eu já disse-lhe.

– Não irei tolerar todo esse deboche, serás enforcado logo após meu casamento com Sigyn. Você nos verá casados e então terás o pescoço na forca para acabar com tua agonia.

– Eu jamais vou me casar com você, Theoric. Quero que você queime no inferno seu filho-da-puta.

– Basta! Guardas, levem esses prisioneiros para celas separadas.

Sigyn debatia-se, porém as correntes eram fortes demais para ela, Loki mordeu o lábio inferior e a olhou antes que o levassem para uma cela suja e escura. Dentro da cela de Sigyn já tinha três costureiras, com um vestido quase pronto só precisava provar para ajeitar. De início ela não quis entrar, mas depois que os guardas a socaram na barriga e chutaram suas costas ela aceitou com lágrimas nos olhos.

Loki andava de um lado para o outro na cela, ele parou ao ouvir um barulho de chave abrindo a porta. Theoric entrou com um sorriso no rosto. Quando a porta se fechou os dois começaram um embate com magia, o rei era muito habilidoso e poderoso. Porém Loki era mais astuto, séculos de leitura e treinamento fizeram a diferença naquela cela. No último momento Loki algemou Theoric, e transformou-se na imagem exata do rei. E fez Theoric parecer-se consigo.

– Jamais permitirei que um monstro como tu case-se com ela. Assim que ela fizer os votos comigo eu serei o guardião dela e ninguém, nem mesmo tu poderás machuca-la.

– Seu plano jamais vai dar certo, desista.

Loki na forma de Theoric saiu da cela e mandou os guardas não darem ouvidos para o que o prisioneiro diria, que ele faria de tudo para escapar. Ele mandou que chamassem o mestre de cerimônias, Loki encontrou o homem no escritório do rei. O mestre era um careca, de olhos azuis e bem acima do peso normal, ele trajava uma túnica azul royal com detalhes dourados.

– Necessito conversar com o senhor, mestre de cerimônias.

– Pode chamar-me de Hal, farei o que o senhor desejar.

O deus sorriu e trancou a porta, ele sentou-se numa cadeira de madeira maciça acolchoada com couro. O escritório tinha várias estantes de madeira maciça e uma janela atrás da escrivaninha. As paredes haviam sido pintadas de roxo escuro e o chão era adornado com tapetes caros vindos de Asgard.

– Meu nome verdadeiro é Loki, necessito salvar uma certa donzela das garras do Theoric.

– Você é o príncipe banido? Pelos deuses eu vou morrer, por favor não me machuque.

– Pare de chorar, tu deves prosseguir com o casamento, seja o mais breve possível com as palavras. Irei revelar minha identidade para ela no momento certo, não deves para, mesmo que os guardas queiram nos atacar.

– Mas eu tenho medo dos guardas.

– Eu juro que se não seguires com o plano, irei te cortar em vários pedacinhos e usar como ração dos cães de caça por uma semana. Com essa banha toda não faltará comida para eles.

– Está bem, eu farei. Só por favor não machuque-me, sou sensível a dor.

Na cela Sigyn chorava, apesar de ser a noiva mais bela dos nove reinos, ela teria de se casar com um monstro chamado Theoric e o homem que ela amava seria enforcado logo após o casamento. Ela desejava que ela nunca tivesse entrado no caminho do Loki, talvez ele tivesse mais chances de chegar a Asgard sem ela. Sigyn sentia-se arrependida por não ter dito que o amava quando teve a oportunidade.

As costureiras removeram o vestido com as agulhas marcando os pontos a serem ajustados, ela colocou a roupa de dormir que estava usando antes e se sentou no colchão encardido no chão, o lugar era escuro com apenas uma janela pequena e gradeada no alto da cela. O lugar a lembrava da cela da história do Conde de Monte Cristo, isso a fez lembrar de Midgard. Ficou imaginando que sua família estaria desesperada para encontra-la. A horas que se passavam eram um tormento, ela sabia que quando a viessem busca-la seria o fim da vida dela e de seu amado, por vezes ela chorava perguntando-se a Deus o que ela havia feito de tão ruim para merecer essa punição.

Notas finais
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